TUDO NO SEU TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026 Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3367   É verdade. ...

 

TUDO NO SEU TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de fevereiro de 2026

Escritor SÍmbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3367



 

É verdade. O nosso estado é pródigo em histórias regionais de esperas, em décadas e quase em século. Entre essas famosas esperas por benefícios ou por soluções radicais, estão a Ponte de Penedo, o asfalto do povoado Carié a cidade de Inajá (Pernambuco), o asfalto Olivença – Batalha, direto, e entre muitas outras paciências de Jó, os trechos asfálticos santanenses, Centro – Bairro Bebedouro/Maniçoba e o trecho de terra da antiga rodagem Santana – Olho d’Água das Flores (Rua São Paulo – travessia do rio Ipanema (pelas antigas Olarias) até a AL-120. Estas últimas, mais de 70 anos de espera, desesperanças e descréditos nos políticos. É pena já terem partidos os antigos proprietários daquelas olarias que me viram brincar: José Cirilo, Eduardo Rita, Senhor Cristino (Piduca).

É bem verdade que após esses dois últimos trechos citados ganharem o benefício asfáltico, ainda não tive oportunidade de visitá-los, mas pelo menos um deles, vi de longe. Maniçoba/Bebedouro foi marcado como lugar já habitado antes mesmo da fundação da cidade, em 1787. Pertence ao hoje Bairro Maniçoba/Bebedouro, o mais antigo documento sobre Santana do Ipanema. Dali saiu o primeiro registro de venda de terras, no município. Já as olarias faladas acima, ficavam na margem direita do rio Ipanema, na passagem chamada antes de “Minuíno”. Foram essas olarias, mais conhecidas que impulsionaram as construções da cidade, fornecendo, tijolos, as três e uma fornecendo também telhas. E da que fabricava telhas (de Eduardo Rita) levávamos barro para fabrico de máscaras de Carnaval.

A propósito, para melhorar essa possível fonte de pesquisa, os proprietários das três olarias famosas de Santana tinham também outras atividades. José Cirilo possuía caminhão e conduzia mascates para as feiras das cidades circunvizinhas; Eduardo Rita, também era proprietário de caminhão; Seu Piduca possuía mercearia poderosa no centro de Santana. E voltando ao tema inicial, cheguei numa idade em que devo ser pesquisado e não procurar pesquisas. Mas, como foi preciso esperar quase um século pelas mudanças citadas acima eu não poderia negar o que vi e aprendi. Para os jovens, nada de mais, apenas um trecho de asfalto. Para os antigos, fim de mundo com asfalto (impensável) chegando por todas as bibocas. De fato, tudo tem seu tempo.

 



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