quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ANIVERSÁRIO

ANIVERSÁRIO
(Clerisvaldo B. Chagas, 2 de dezembro de 2010)
     Hoje é meu aniversário. Para que esconder, se escrevo sobre o cotidiano? Uma Canon EOS 40 D ou um AirCross já seriam presentes de bom tamanho; ou uma caixa de fósforo, um palito ou um abraço. Bem, compadre, são coisas materiais, brinquedos do dia a dia. Na verdade, a melhor coisa mesmo para um aniversariante é saúde, fator não valorizada quando se tem. No plano espiritual, seria ótima a visita do filho do Homem para dizer: “Parabéns cabra velho, você não tem parelha, não! Continue contando comigo.” Quem terá inventado esse negócio de aniversário?
     Falam os pesquisadores que o aniversário teve início ligado a assuntos de mágica e religião. Para proteger o aniversariante de coisas ruins, é de onde vem os costumes dos parabéns, presentes, celebração, inclusive velas acesas. As velas protegiam o aniversariante e ainda garantiam sua segurança no próximo ano, segundo os tempos mais antigos. Até a Igreja e o próprio cristianismo, não aceitavam esses rituais, alegando costumes pagãos. Pelo menos até o quarto século, pensava-se dessa maneira. Voltando à velha Grécia, sempre dando conta de tudo, achavam os gregos que cada pessoa tinha um espírito protetor também chamado gênio, e este inspirava, assistia o nascimento e vigiava o indivíduo em vida. Durante o natal, esse espírito protetor teria uma relação com o deus. E como os romanos gostavam de copiar os gregos, apoiavam esses pensamentos da calejada Grécia. Havia bolos de mel, redondos, que imitavam a lua, e eram iluminados com velas, depois colocadas no templo de Ártemis (deusa da lua e da caça). As velas eram dotadas de magia especial para atender pedidos. Dizem que a pessoa, durante o aniversário, estava perto do mundo espiritual. Mas bem que os egípcios tinham tradição de realizar aniversários. Muitos dos costumes da Grécia eram importados do Egito. A bíblia não relata aniversários de hebreus, nem sequer o de Jesus. E esses parabéns para você, que se canta no Brasil, migraram dos Estados Unidos quando a letra foi adaptada para o português em 1942. Ela foi criada em Kentucky, pelas irmãs e professoras Mildred e Patrícia Smith Hell, para ser cantada na entrada da escola, pelas crianças. O título é “Bom dia a todos”.
     Costume pagão ou sem ser pagão, hoje é meu aniversário. Difícil é planejar o que fazer. Após os quarenta, os aniversários vão ficando mais sisudos e discretos. Chegam às lembranças das mães satisfeitas em torno da mesa repleta de crianças aguardando parabéns, doces e bolo. Do adolescente e do adulto novo comemorando com cervejas nas rodadas entre os amigos. Depois... Depois é apenas uma lembrança danada do aconchego maternal que não retorna. Missa em ação de graças, meditação e agradecimentos profundos ao Dono da vida. Uma nova parada para reaver o fôlego e prosseguir a jornada do aperfeiçoamento. Não posso esconder com o teclado à frente: hoje é meu ANIVERSÁRIO.


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OLIGARQUIAS IMPRODUTIVAS

OLIGARQUIAS IMPRODUTIVAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 1º dezembro de 2010)
     Ontem, um carro de som percorria as ruas de Santana do Ipanema, Alagoas, com apelos insistentes. Pessoas que quisessem trabalhar, dizia o anúncio, estavam diante da oportunidade. Tratava-se de um frigorífico de frango, conhecidíssimo no Brasil inteiro, em busca de mão de obra para suas instalações no Mato Grosso do Sul. A nota falava de algumas vantagens e marcava para hoje um encontro com os interessados no Tênis Club Santanense. O que faz um frigorífico monopolizador no mercado nacional vir em busca de trabalhadores tão longe das suas engrenagens? É a escassez de operários na Região Centro-Oeste? É a busca de mão de obra barata no interior nordestino?
     Sempre falamos dos milhares de jovens, moças e rapazes que percorrem as ladeiras de Santana, rua acima, rua abaixo, sem perspectivas nenhuma de futuro na cidade. Está certo que o comércio ─ tradição antiga do município ─ está cada vez mais florescente com seus empreendimentos particulares, em paralelo com a prestação de serviços. Mesmo assim a “Rainha do Sertão” não tem condições em absorver essa força de trabalho montada apenas na teoria dos estudos. Como nos meados do século XX, esse universo sertanejo jovem continua migrando para cidades como Arapiraca, Maceió, Recife ou o Sudeste. Diante da falta de política municipal desenvolvimentista de todos os prefeitos, sem exceção, até a presente data, os jovens vão se desligando de troncos familiares como as cenas de secas retratadas. É enfrentar terras e hábitos estranhos, longes dos seus habitats, sem o amparo afável da família.
     Depois que as sucessivas administrações santanenses sufocaram e mataram todos os embriões industriais, a terra de Senhora Sant’Ana ficou a mercê de outros centros que agiram ao contrário e, deles somos clientes ao invés de patrões. A sociedade marcada, ferrada e passiva, não reage nunca. Esta voz está rouca de clamar no deserto como João Batista. A série de prefeitos governa dentro de linha demarcatória básica, quando calçamento é grande feito, quando uma praça é grande glória. Os poucos pensantes sofrem diante da demagogia hereditária que caracteriza o núcleo. E quem nada combate, quem cala sempre à conveniência, enche-se de comendas como nos velhos tempos da Inglaterra. Nessa urgente circunstância, é até bem vinda à convocação para o trabalho no Mato Grosso do Sul. Tudo faz lembrar a avó do escritor Oscar Silva ao preferir que ele fosse brigar na Revolução Paulista com barriga cheia de que permanecer na paz faminta do Sertão. É a cena repetindo-se de outra maneira em outro momento. Se já éramos cortadores de cana, agora seremos também manejadores de frangos, assim mandam os decretos da vontade dos que nunca tiveram nem tem compromissos com sua gente. Mas, como nos morros fluminenses, um dia também acontecerá à libertação do povo sertanejo, pois assim aconteceu em Petrolina, em Mossoró e em outras ilhas de prosperidade. Chega de OLIGARQUIAS IMPRODUTIVAS.


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