terça-feira, 13 de março de 2012

AÇÚCAR

AÇÚCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de março de 2012

           Quando os descobridores da América chegaram por aqui, encontraram os indígenas fumando. Tendo escravizado, maltratado e eliminado os nativos aos milhares, portugueses, espanhóis e outros povos levaram para a Europa o vício do tabaco. Os indígenas iniciaram aí uma vingança silenciosa que perdura até hoje, quando aconteceu a expansão do fumo pelo mundo. É impossível alguém dizer com certeza quantas pessoas já morreram vítimas de cigarros, charutos, cachimbos e similares. Agora que a medicina fala contra o vício de fumar, são os fabricantes de cigarros que insistem em matar gente através do infame vício importado das Américas. Eles não pensam na saúde de ninguém. Suas cabeças estão voltadas apenas para o lucro exorbitante produzido pela porcaria que produz o câncer e a morte prematura. Para tentar anular a reação mundial contra o vício, o fabricante acuado, inventa fórmulas para driblar a sociedade, colocando armadilhas para os jovens e os incautos. O peste do fumo é tão ruim que é preciso meter açúcar. Pois bem, o fabricante agora inclui mentol e cravo para que o rolinho da morte se torne mais atraente. Uma isca para conduzir o jovem ao vício definitivo dos venenos.
          Não sabemos por que os governos do mundo não acabam logo com essa praga! Se as fábricas de cigarros e cadeia produtiva produzem empregos, poderiam levar esses empregos para o fabrico de alguma coisa útil. Os governos dariam prazo para o fechamento de fábricas e à venda do comércio do fumo. Eles, produtores e fabricantes, teriam tempo suficiente para a mudança de atividade. Esse vício infame que mata mais de 200 mil pessoas por ano no país, deveria ser eliminado através da proibição da atividade matadora. “Fume meu bem, que tem açúcar”. Enquanto isso essa classe eliminadora da juventude, vai rolando e driblando a capacidade do ser humano em se defender. E os governos, reféns da influência pesada do poder econômico, fecham timidamente uma porta, uma janela, mas a força satânica fura as paredes, fabricando novas passagens para o ataque a adolescentes.
          “Fumar não é um hábito, é doença. Estaremos negligenciando nossas crianças, se permitirmos os aditivos, estaremos facilitando a entrada delas no vício. Estamos falando de saúde e não de negócios”, completou o representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Márcio Gonçalves de Souza.
          Os governantes com medidas paliativas contra o mal do cigarro, também são culpados por tudo que acontece em relação às doenças e mortes de fumantes. Cadê coragem para proibir de vez essa praga no Brasil? Não Mané, eles colocam açúcar, entende? AÇÚCAR.









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PARAIBANO

PARAIBANO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de março de 2012.

 NOITE DE CULTURA: DIA 23, ÀS 20h:30min – LANÇAMENTO DO LIVRO “IPANEMA UM RIO MACHO”, NA Câmara Municipal - Vá conversar com o autor.

 O homem foi mordido pela cobra cascavel
              ─ Leve-o para Antonio Paraibano.
               A menina está com uma ferida estranha na pele.
               ─ Leve-a para Antonio Paraibano.
               O neném está com olhado.
               ─ Leve-o para Antonio Paraibano.
             A frequência do nome do rezador, curador ou curandeiro, aos poucos foi enfraquecendo. O senhor Antonio Paraibano, cabelos branquinhos, já não sabe mais das coisas nos seus mais de 98 anos de existência. Aposentado do DNER, não conhece mais as pessoas e vive sob os cuidados de uma filha, bem pertinho da repartição onde por tanto tempo trabalhou. Se tivesse ficado registrada cada uma das suas curas, o todo não caberia em um livro comum. Deus passou para vários escolhidos da terra o dom e o poder de curar de algumas doenças. O curador não cura de todos os males. Cada rezador tem suas áreas específicas de atuações. Existe um ferida provocada pela aranha que os médicos não entendiam e nem curavam. Antonio Paraibano descobria a causa e curava com reza, na hora. A mordida da serpente mais venenosa perdia o efeito caso o animal ou pessoa fosse socorrida a tempo pelo Paraibano. Os fazendeiros contratavam o mestre para expulsar as cobras das fazendas e ele ainda perguntava por onde queria que elas saíssem.  Quanto ciúme os curadores causaram à medicina!
          Certa feita vi uma pessoa encaroçada dos pés à cabeça e os pais desesperados sem saber o que fizessem. Muitos médicos apanharam da doença. A doutora Vera que atuou muito tempo em Santana e hoje se acha em Maceió, chamada para o caso, descobriu que era uma alergia causada por mosquitos de bananeiras. Descobertas as bananeiras em alguns quintais das imediações, foram eliminadas e, a doença teve fim. Essa foi uma vitória médica. Outra pessoa com verrugas da cabeça aos pés gastava o dinheiro dos pais com médicos de vários municípios e remédios de farmácia e o mal somente aumentando. No último grau do aperreio familiar, Deus enviou um morador da fazenda do famoso advogado Aderval Tenório (já falecido). O humilde cidadão, ao passar para a feira, viu a pessoa repleta de verrugas e se ofereceu para curá-la. Morava esse cidadão no local Riacho do Bode, periferia de Santana do Ipanema. Dentro de uma semana, as verrugas começaram a cair até a pele da vítima ficar completamente sã. O rezador rezava a uma distância de dois a três quilômetros de distância e só voltou a aparecer quando o cliente estava completamente são. Eu vi.
          Os famosos rezadores vão desaparecendo: dona Mocinha morreu. Dona Lica morreu. Dona Maria, da Floresta, morreu. Seu Roberto ainda reza e ultimamente muito me serviu. E voltando para o mesmo polo, infelizmente ninguém pode contar mais com o nonagenário, quase centenário dos cabelinhos grisalhos, mestre Antonio PARAIBANO.








 





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