quinta-feira, 4 de junho de 2020

NA JANELA DO TEMPO


NA JANELA DO TEMPO
Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.318
FEIRA EM SANTANA, PARCIAL (FOTO B. CHAGAS).
Quem passa em Massagueira percebe uma sequência de barracas à margem da rodovia. É ali o lugar certo de agradar às crianças. Doces, sonhos, broas e muitas outras coisas à base de goma. Parece até que o lugar levou tudo isso das feiras antigas de Santana do Ipanema. Mas não, é das mulheres ancestrais lacustres conservadoras.  O povoado Pé Leve, município de Arapiraca, também é lacustre e, por coincidência, tem um local em que vária barracas e casas de alvenaria oferecem ao viajante inúmeros daqueles produtos da Massagueira e mais outros dos costumes agrestinos e sertanejos: Bolos, pé-de-moleque na palha da bananeira e tantos outros que até esquecemos os seus nomes. Em Santana do Ipanema, o tempo foi modificando a feira livre e essas coisas citadas mais quebra-queixo com amendoim ou castanha, tijolo (doce de raiz de imbuzeiro), broa e tantas outras guloseimas foram rareando e, hoje, são quase inexistentes. Esses produtos perseveraram no Pé-Leve, em toda Arapiraca e em Massagueira de Marechal Deodoro.
Também desapareceram das nossas feiras, os emboladores que animavam a multidão com seus repentes maravilhosos. Limparam o interior, sumiram... Atualmente os emboladores estão nas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro e em outras capitais, nas ruas, mas também nos metrôs, nos ônibus e bradando alto nas redes sociais, alguns têm até canal organizado. São os    homens do pandeiro e do improviso rápido, seguidores dos mais famosos, Caju e Castanha que por sua vez vêm das tradições dos versejadores de feira. Objetos, artistas, vão desaparecendo das feiras sertanejas, sendo substituídos ou não por produtos industrializados, feirantes e nada mais. É certo que” cada coisa no seu tempo”, porém, nem todos observam as mudanças sociais em torno de si. É no dia a dia que as coisas acontecem formando novos cenários no mundo, percebidos pelos cronistas, curiosos, pesquisadores...
Você acredita que feira livre pode ser deletada no interior? O supermercado vende muitas mercadorias da feira, mas não conseguiu extirpá-la. Nem o shopping, nem os mercadinhos. As feiras não acabam enquanto houver pobreza e analfabetismo; todavia, acompanham as manobras do cameleão; bicho que muda de cor conforme o ambiente. Concorde, discorde.
Lembremos os emboladores: “Levanto cedo/boto a sela no porco/vou à feira do Caboclo/ antes do galo cantar...” (Povoado Caboclo). Resposta: “você não dá/pra dançar no gabinete/nem cabra velha dá leite/nem bode dá de mamar...






                                                                                                                         


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quarta-feira, 3 de junho de 2020

AÇUDE PAI MANÉ


AÇUDE PAI MANÉ
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.317
AÇUDE E POVOADO PAI MANÉ. (FOTO: DRONE AGENDA ALAGOAS).

Localizado em pleno Sertão de Alagoas, acha-se um reservatório hídrico belo e pujante construído pelo DNOCS. Recebe visitas o ano inteiro de turistas, curiosos e brincantes de fim de semana. Trata-se do Açude Pai Mané no município de Dois Riachos, terra da jogadora Marta. Segundo relato vivo de familiares, foi o fazendeiro chamado popularmente Seu Zezinho que, cansado das secas na região, resolveu escrever para o presidente, na época, Getúlio Dorneles Vargas, solicitando a construção de um açude naquele lugar, para amenizar o sofrimento constante dos habitantes da região. Não temos o desenrolar dos fatos, mas o açude foi construído no sítio denominado Pai Mané, onde o fazendeiro solicitante possuía fazenda de gado. Somente em 1957, já no governo Juscelino  Kubitschek, o pedido tornou-se realidade.
São quilômetros de espelho d’água onde o paredão/barragem é um dos atrativos daquela maravilha sertaneja. Com o açude o sítio foi atraindo moradores tornando-se atualmente povoado Pai Mané, o mais importante do município de Dois Riachos. O açude fornece água, peixes, ameniza a temperatura, assegura o lazer e o turismo no povoado. E, como toda barragem nordestina, tem as suas variações conforme os bons invernos e as estiagens. Já enfrentou situações críticas. Chegou praticamente a secar produzindo até mau cheiro no povoado e na vizinhança, tido como causa principal, os peixes mortos. Isso fez com que houvesse movimentos sociais pedindo uma limpeza geral no leito lamacento. Mas essa fase passou e novos tempos fizeram o açude encher novamente e sangrar, trazendo as riquezas de volta ao alcance de todos.
O açude normalizado passou de novo a integrar o quarteto de atrações de Dois Riachos: A fama de Marta; a maior feira de gado e a pedra do Padre Cícero (maior romaria de Alagoas). A cidade é cortada pela BR-316, a 189 km de Maceió. A cerca de dois quilômetros da cidade, encontra-se a Pedra do Padre Cícero e, bem perto, estrada vicinal de terra, larga e bem conservada, até o povoado Pai Mané. Dois Riachos faz divisa com Santana do Ipanema pela qual é atraída. A cidade ainda é banhada pelo rio Dois Riachos, afluente do rio Ipanema e que possui calha considerável. Ao passar a fase do Corona, venha visitar e consumir em terras sertanejas.
Sertão é acolhedor.
O convite estar feito.

  


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