quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 

A PRINCESA DE CORISCO

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.446





Quando o bando de Corisco passou pela fazenda Lagoa da Pedra, mostrava-se no céu a barra do dia. Os cangaceiros não interromperam a marcha, porém o chefe fez uma observação à Dadá e aos parceiros. Disse Corisco, vendo a minha tia Dorotéia no curral, sentada no banquinho de tirar o leite, saia rodada: “Olhem ali aquela dona, tá parecendo uma princesa!”.

Voltemos aos costumes do Sertão. Nas fazendas de gado, qualquer pessoa pode tirar o leite das vacas. O vaqueiro, o morador comum, o dono da fazenda ou o profissional específico denominado “tirador de leite”. No Sertão nordestino não se diz: ordenha e nem ordenhador. É “tirar o leite”, é “o tirador de leite”. Como foi dito, qualquer pessoa da fazenda pode fazer esse serviço, principalmente quando se trata de uma, duas, cinco vacas. O vaqueiro pode realizar isso, embora sua missão principal seja campear o gado. O vaqueiro pode ser um bom tirador de leite ou não.

Quando a fazenda possui muitas reses, é costume contratar o tirador de leite. Este é um profissional com experiência, habilidade e boa munheca para dá conta de tantas reses. Logo madrugada, em torno das quatro horas, o tirador de leite já está no curral com seu equipamento: um banquinho, uma corda e um balde. No inverno, enfrenta a chuva e o curral enlameado com estrume, situação tremendamente desconfortável. Mas ele é o homem que garante a produção leiteira da fazenda nas fábricas, nas residências... Nas mamadeiras das crianças.

Raríssimas fazendas sertanejas possuem sistema de ordenha moderno, através de máquinas. Assim, o tirador de leite ainda é peça fundamental de imenso valor na pecuária nordestina, muito embora sua remuneração não chegue nunca à altura da sua importância; cabra bom na munheca que o diferencia de todos os moradores empregados. É moda falar sobre o vaqueiro, mas o verdadeiro e específico tirador de leite fica invisível na literatura sertaneja.

E nós da cidade, nem temos a mínima ideia da rotina de uma fazenda sertaneja de criar. É dali que sai o leite, o queijo, o iogurte, a carne, o couro dos sapatos, a diversão das vaquejadas e a moda do chapéu de couro dos forrozeiros.

Estamos mostrando detalhes do Sertão que nem sempre está ornado com a PRINCESA DE CORISCO.

CORISCO (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO).

 

 

 

 


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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

 

ALVÍSSSARAS PARA NÓS SERTANEJOS

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.445




O município de Dois Riachos entrou com o pé direito no Ano Novo. A intensa remodelação nos currais da sua feira de gado, foi uma vitória espetacular para a maior feira do gênero no Nordeste. Esta feira, onde se negocia mais de um milhão de reais, tem sido a principal fonte de renda da localidade que recebe visitas constantes de inúmeros compradores e vendedores de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e até mesmo da Bahia. A nova estrutura da feira, além de permitir mais conforto para animais e humanos, tem a capacidade de ampliar significativamente sua capacidade receptiva e financeira, onde novos empreendimentos dentro da agropecuária podem atingir.  A circulação das finanças na cidade e no município assegura um sem número de benefícios de infraestrutura e sociais da Terra da Jogadora Marta.

Outro grandioso presente do governo estadual, é o anúncio do asfaltamento entre a BR-316 e o principal povoado do município, o Pai Mané, ponto turístico onde está implantado o famoso açude construído pelo DNOCS, tão famoso quanto o povoado. Duas ferramentas importantes para que a cidade e o município possam alavancar o progresso, definitivamente.

Santana do Ipanema que também ganhará dois presentes para o seu desenvolvimento, complementar-se-á com Dois Riachos na pecuária, quando for construído o matadouro moderno para Santana e para a região. Como disse o próprio governador, construir um matadouro avançado não é tarefa fácil, sendo caso de alta complexidade, como o Matadouro de Viçosa que está sendo terminado após muito tempo de trabalho.

O convênio entre o estado e o município de Santana do Ipanema, irá fazer com que o matadouro seja regional, onde mais de 8 municípios venham abater seus animais. Terá uma capacidade de abater mais de cem reses/dia e permitirá a circulação de muito dinheiro no comércio, além de outros benefícios como empregos, higiene e preservação do entorno. Ainda não existe data para o início da construção. O outro presente será a prometida estrada asfaltada cidade de Carneiros a Santana do Ipanema que deverá ser ligada de Carneiros à Al-130. Indiretamente, Santana ainda se beneficiará da duplicação de estradas Arapiraca – Delmiro Gouveia. E com os planos do governo de asfaltar os acessos a povoados e zona rural, quem sabe se Pedra d’Água dos Alexandre, São Félix e São Raimundo não estarão dentro desses planos!

CURRAL DO GADO DE DOIS RIACHOS  (FOTO: AGÊNCIA ALAGOAS).

 

 


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