sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

 

MORREU O MOTIVO DA TRADIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.447


 

Acaba de falecer o motivo do tradicional título do lugar Maracanã no Bairro Camoxinga em Santana do Ipanema. Maracanã é a palavra mais citada diariamente na cidade. É ponto de convergência e divergência do grande bairro, referência em toda a região. Há mais de sete décadas ali foi instalada uma churrascaria que recebeu o nome Churrascaria Maracanã, gerando o nome do lugar. (sua história se encontra no livro “O Boi, A Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”, ainda inédito. Pois bem, após longas tentativas de venda, o prédio da Churrascaria Maracanã (há muito desativada) agora, no dia 4 de janeiro de 2021, foi iniciado como um grande empreendimento, transformado em Centro Médico de Saúde Fácil, com fachada total reformada.

O Centro Médico de Saúde Fácil, é um empreendimento santanense, particular, pertencente aos irmãos médico Pedro Salgueiro e o engenheiro André Salgueiro, família da saudosa professora Iracema Salgueiro. O Centro foi planejado para facilitar consultas médicas e exames laboratoriais a preços moderados, oferecendo várias facilidades para que a população de menor poder aquisitivo possa usar satisfatoriamente a medicina em seu favor. Santana do Ipanema agradece aos filhos da terra que não mediram esforços em investir na Rainha e Capital do Sertão, principalmente numa área tão nobre quanto esta. Quem passar no Largo do Maracanã, agora, sentirá falta da imagem da antiga churrascaria que lhe emprestou definitivamente o nome. Em seu lugar, porém, verá uma bela fachada, atestando o progresso da cidade como mais uma opção médica para o estado de Alagoas.

Faleceu o motivo da tradição do nome do Largo, mas ninguém vai deixar de continuar chamando o ponto de referência do Bairro Camoxinga e da cidade pela mesma denominação construída há mais de meio século. Santana do Ipanema tem se transformado tão rapidamente que se torna impossível o acompanhamento pari passu, como fazíamos sempre. Mesmo assim continuamos descrevendo para os ausentes, o que está acontecendo nas terras abençoadas de Senhora Santana. A priori, a vizinha farmácia Santa Cruz, chamada Farmácia de Jânio, fará parte do empreendimento com o nome Farmácia MedFácil, com descontos de até 80% nos medicamentos, segundo divulgação.

Parabéns mais uma vez aos empreendedores santanenses que dão exemplo de investimentos na terra.

“Nada desaparece, tudo se transforma”.

(em breve publicaremos extra a fachada do Centro Médico)

EXTERTORES DA HISTÓRICA CHURRASCARIA MARACANÃ.

(RARA FOTO: B. CHAGAS).

 


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 

A PRINCESA DE CORISCO

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de janeiro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.446





Quando o bando de Corisco passou pela fazenda Lagoa da Pedra, mostrava-se no céu a barra do dia. Os cangaceiros não interromperam a marcha, porém o chefe fez uma observação à Dadá e aos parceiros. Disse Corisco, vendo a minha tia Dorotéia no curral, sentada no banquinho de tirar o leite, saia rodada: “Olhem ali aquela dona, tá parecendo uma princesa!”.

Voltemos aos costumes do Sertão. Nas fazendas de gado, qualquer pessoa pode tirar o leite das vacas. O vaqueiro, o morador comum, o dono da fazenda ou o profissional específico denominado “tirador de leite”. No Sertão nordestino não se diz: ordenha e nem ordenhador. É “tirar o leite”, é “o tirador de leite”. Como foi dito, qualquer pessoa da fazenda pode fazer esse serviço, principalmente quando se trata de uma, duas, cinco vacas. O vaqueiro pode realizar isso, embora sua missão principal seja campear o gado. O vaqueiro pode ser um bom tirador de leite ou não.

Quando a fazenda possui muitas reses, é costume contratar o tirador de leite. Este é um profissional com experiência, habilidade e boa munheca para dá conta de tantas reses. Logo madrugada, em torno das quatro horas, o tirador de leite já está no curral com seu equipamento: um banquinho, uma corda e um balde. No inverno, enfrenta a chuva e o curral enlameado com estrume, situação tremendamente desconfortável. Mas ele é o homem que garante a produção leiteira da fazenda nas fábricas, nas residências... Nas mamadeiras das crianças.

Raríssimas fazendas sertanejas possuem sistema de ordenha moderno, através de máquinas. Assim, o tirador de leite ainda é peça fundamental de imenso valor na pecuária nordestina, muito embora sua remuneração não chegue nunca à altura da sua importância; cabra bom na munheca que o diferencia de todos os moradores empregados. É moda falar sobre o vaqueiro, mas o verdadeiro e específico tirador de leite fica invisível na literatura sertaneja.

E nós da cidade, nem temos a mínima ideia da rotina de uma fazenda sertaneja de criar. É dali que sai o leite, o queijo, o iogurte, a carne, o couro dos sapatos, a diversão das vaquejadas e a moda do chapéu de couro dos forrozeiros.

Estamos mostrando detalhes do Sertão que nem sempre está ornado com a PRINCESA DE CORISCO.

CORISCO (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO).

 

 

 

 


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