quarta-feira, 25 de agosto de 2021

 

MORRO DO PELADO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.578


O morro do Pelado fica dentro da zona urbana de Santana do Ipanema. É citado desde um passado remoto, mas sempre foi insignificante antes da expansão da cidade para o Norte. Conheceu notoriedade quando teve o topo debastado e recebeu nome novo de Alto da Fé. Acha-se cercado por casario, porém, continua desabitado no cume e nas encostas onde a vegetação volta a ficar exuberante, neste inverno de 2021. Perdeu muito do seu paisagismo voltado para o Bairro Monumento onde o mato cobre a frente do mirante. Parece que a subida até ali através de degraus foi interrompida na parte mais alta. Entretanto o serrote continua oferecendo o cenário dos fundos voltados para a Fazenda Baixio e novas habitações nas laterais do sopé.

As altitudes urbanas parecem feitas na medida para fins turísticos. Podem apresentar boas vantagens sobre outras áreas planas ou mesmo uma dor de cabeça para quem não sabe o que fazer com elas. Por quê serrote do Pelado? Teria morado ali alguém com esse apelido? Porque a denominação é serrote do Pelado e não serrote Pelado. Pelado ou cabeludo o morro urbano continua oferecendo sua contribuição ao curioso que insiste em ver a cidade do alto por aquele ângulo. A ideia inicial era a construção de um hotel vertical, muito mais abrangente ao cenário de Santana, pelo menos parcial. Porém, apenas bar suspeito apareceu por ali.

O termo dado pelo Prefeito Genival Tenório, de Alto da Fé, conseguiu pegar na cidade inteira até hoje, porém, é um sacrilégio chamar o lugar por esse nome, por tudo que desenrolou por ali através do tempo. Bem diferente do verdadeiro Monte Sagrado de Santana do Ipanema, o serrote do Cruzeiro que hoje se encontra desprezado, carregando solitário sua história rica em sentimentos religiosos. Enquanto o serrote Pelado está situado ao norte, o Cruzeiro está radicado no Sul. Ainda dá tempo você conhecer ambas as elevações, apreciar a Natureza e cravar a sua nota.

Palmas, palmas à Rainha do Sertão.

 


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terça-feira, 24 de agosto de 2021

 

IGREJA DE SÃO JOÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.577


Estamos dentro dos 104 anos em que foi construída a igreja de São João no subúrbio santanense Bebedouro. Com a devastação humana da gripe espanhola no mundo e, particularmente no Brasil, o vendedor de sola da localidade, também festeiro da região, senhor João Lourenço, construiu a igreja, quase defronte a sua casa, dedicando-a a São João como motivo de promessa contra a expansão da gripe espanhola. As mulheres da casa, artesãs de chapéus de couro de bode, uniram-se na construção do templo. Após a construção, procissões saíam daquela igreja em direção ao Centro da cidade conduzindo velas e pedidos a São João.

Tudo indica que após essa fase, a igreja de São João pareceu ficar esquecida

No início do século XXI, descobri a igreja abandonada já em ruínas, mas com portas cerradas e a cruz de madeira do átrio somente com o braço vertical. Fotografei. Ofertei a foto inédita ao professor Alberto Nepomuceno Agra que estava montando um museu particular no primeiro andar da sua farmácia Vera Cruz. Daí para cá outras pessoas também fotografaram as ruínas.

João Lourenço, religioso e promotor de festas na localidade, veio a falecer na década de 40, picado por uma jiboia conduzida por um soldado bêbado e surtado, na feira de Santana. Jiboia essa retirada às escondidas do criatório de animais exóticos, do quintal do coronel Lucena Maranhão pelo soldado Monteiro. Assombrando a população da feira com a cobra sobre os ombros, o soldado entrou até na igreja Matriz de Senhora Santana, por uma porta lateral e saindo na outra. No meio do povo feirante estava João Lourenço. Ao passar pelo cidadão, o policial surtado e bêbado, jogou o ofídio nas partes de Lourenço. A jiboia não tem veneno, mas desenvolveu um mal que levou o homem à morte. (Oscar Silva-Fruta de Palma).

Ninguém havia se interessado em recuperar a igreja de São João que fora profanada por um político e advogado santanense, diziam os que à igreja se referiam.

Até mesmo as ruínas poderiam ser aproveitadas para o turismo, mas...

FOTO (B. CHAGAS).


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