quinta-feira, 6 de julho de 2023

 

PINDOBA GRANDE

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de julho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.921

 

Censo de 2022, para uns sem surpresas em Alagoas, para outros, um susto. Mas nada de grandes novidades em se tratando da população de cada uma das cidades, para mais ou para menos. Para nós o que chamou atenção mesmo foi Maceió, Delmiro e Gouveia e Satuba. Explicaremos mais abaixo. Pindoba foi a cidade pesquisada pelo IBGE como a de menor população: 2.731 habitantes. Pindoba já foi chamada Pindoba Grande e estar situada em lugar alto imediações de Viçosa, Cajueiro... E se vê muito bem o seu acesso ao trafegarmos pela BR-316, entre Atalaia e Maribondo. Foi originária de uma igrejinha motivo de promessa e seu nome provém de uma espécie de palmeira chamada Pindoba, cujos frutos, em cachos, parecem coquinhos e são comestíveis. Seu óleo se presta a combustível para iluminação.

Maceió que havíamos colocado por fontes seguras em nosso livro “Repensando a Geografia de Alagoas” e que teria passado de um milhão de habitantes (cidade milionária) não chegou nem a um milhão, segundo o IBGE, apenas 957.916 habitantes. Temos que corrigir o erro. Delmiro Gouveia, conseguiu sair com mais de 3.000 habitantes à frente de Santana do Ipanema e, Satuba, a cidade alagoana que mais cresceu no estado. Aliás, desde que foi construída a usina hidrelétrica de Xingó, que Delmiro começou a crescer como cidade-dormitório que abrigou milhares de construtores da magnífica obra. Após, ganhou asfalto pela face até Piranhas para ligação com a capital, enquanto, na época, a BR-316 que passa em Santana estava péssima.

E voltando a Pindoba, surgiu em Santana um fiscal de renda vindo daquela cidade, gente boa e que logo se entrosou com a sociedade local. Zé Mendes, se não nos trai a memória, chegou a lecionar no “Ginásio Santana”. Não cansava de falar sobre sua terra. Certo dia convidou uns camaradas para uma visita à sua propriedade, em Pindoba. No meio estava o saudoso Juca Alfaiate que nos contou que foram surpreendidos na porteira da fazenda por um capanga armado, cara feia e exigindo a senha de entrada. Mas era tudo encenação, a senha era tomar um gole de cachaça para a passagem livre. Descoberta a brincadeira, muitas gargalhadas dos santanenses visitantes.

Era uma fase de ouro da nossa “Rainha do Sertão”.

PINDOBA (AGRO DO BRASIL).


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quarta-feira, 5 de julho de 2023

 

A LUTA DO RIACHO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de julho de 2023

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.920



 

Grande prazer temos quando vaguemos pela praia e passamos a pé pelas águas límpidas da foz de pequeno rio... De um riacho. Além de bela paisagem, um banho salgado e um banho doce após, fazem esquecer todos os problemas que nos afligem no dia a dia. Infelizmente não tivemos (nós todos do mundo) uma educação num passado distante que pudéssemos estar desfrutando no presente os seus sagrados pomos. Esse despertar recente em cuidar da Natureza, vem como um grito de socorro tardio a São Bento, após a picada de cobra peçonhenta. Não somente governantes do mundo têm culpa, como o próprio povo da roça, do povoado, da cidade... Da capital. O desrespeito ao meio ambiente é uma praga do extinto destruidor que tomou conta da espécie humana.

É que revendo foto de tarde fagueira em Maceió, estamos no último trecho do riacho Salgadinho cheio, árvores ao longo das margens curvas, pesquisando e fotografando a hidrografia da capital, para o trabalho de fôlego: “Repensando a Geografia de Alagoas”. O vendedor de coco verde, o ambulante de bolo e café, dão um toque especial ao cenário, aparentemente limpo e turístico. Tudo é belo, maIs uma imagem usurpadora da verdade dura e crua desse intenso poluidor da praia da Avenida da Paz. Outrora a praia mais frequentada de Maceió, perdeu o posto para os milhões e milhões do embelezamento da Pajuçara, Jatiúca, Ponta Verde... Cruz das Almas. A “língua negra” do Salgadinho espantou turistas e nativos desse lugar e ninguém sabe ainda se para sempre ou para breve, após os gastos de milhões em obras despoluidoras do riacho.

Opiniões as mais diversas, falam sobre o riacho Salgadinho. Dizem que ele já está morto. Que sua recuperação duraria 200 anos e que apenas a preocupação atual não é salvar mais o riacho e sim, evitar a poluição na praia da Avenida. Muito já foi feito, mas parece tudo em vão. Além da poluição o fedor. E como é difícil tirar o fedor do fedor. Antigamente o riacho era chamado “riacho Maceió” e hoje ´Reginaldo até chegar à antiga rodoviária. Dali em dia, é chamado Salgadinho por causa da sua salinidade. E se as gerações passadas nos entregaram assim o Salgadinho, como iremos entregar para as gerações futuras o riacho Camoxinga, o rio São Francisco, o rio Paraíba do Meio... O rio Ipanema?

Refletir à Natureza, é refletir sobre VOCÊ.

FOZ DO RIACHO SALGADINHO (FOTO: TRIBUNA).

 

 


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