UM CABRA DE LAMPIÃO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.735 ILUSTRAÇÃO: ...

UM CABRA DE LAMPIÃO

UM CABRA DE LAMPIÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.735

ILUSTRAÇÃO: (MESTRE VITALINO).
Vaga-Lume era um cangaceiro moderado e muito querido no bando. Há mais de cinco anos estava sob a chefia de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Recebera o apelido por enxergar bem à noite e guiar os companheiros pelas trevas. Mas certo dia houve mal-entendido por causa de um ataque de força volante e um invejoso disse para o chefe que o culpado havia sido Vaga-Lume. Lampião estava furioso e considerava a suposta falha do denunciado extremamente grave. Depois de muito pensar, resolveu eliminar Vaga-Lume como castigo, muito embora o cabra afirmasse que não tivera culpa nenhuma no caso. Lampião, entretanto, não levou suas palavras em consideração e convocou a todos para assistir a morte do cangaceiro.
Depois de mandar recolher as suas armas, Lampião fez uma meia-lua com os seus homens, deixando a futura vítima a vinte metros na frente. Ordenou: “Vaga-Lume, se prepare para morrer daqui a cinco minutos”. O condenado nada disse e começou a cantar várias modinhas que aprendera no bando, todas exaltando Lampião. A reação nunca vista antes, pegou todo mundo de surpresa. Aquilo bateu diferente no peito do chefe. Passados quatro minutos, Lampião aproximou-se e disse: “Agora faça suas recomendações que eu vou mandar atirar em você”. Vaga-Lume, serenamente, começou a fazer as recomendações a Nosso Senhor e à Mãe de Deus, em voz alta, pelo alma do chefe. Compassadamente e de forma clara, cercou Lampião de todas as proteções possíveis. Para si mesmo, não fez recomendação nenhuma. Lampião ficou atônito e há quem tenha visto uma lágrima descer do seu olho defeituoso. Depois, o chefe respirando fundo, virou-se para os companheiros e indagou ensarilhando o mosquetão: “COMO POSSO MATAR UM HOMEM DESTE?”.
Sei que os fanáticos adoradores de cangaceiros irão dizer que nunca existiu cabra com o nome de Vaga-Lume. Que a cena jamais existiu. E eu com isso! Foi assim que gostosamente sonhei. E desde então, tenho também recomendado à Santa Mãe de Deus e ao Mestre por aqueles que tentaram e tentam me deter pela inveja, indiferença proposital, astúcias e montes de pedras no caminho.
Tenho acompanhado sem muita atenção os resultados.




O PESTE DO GUINÉ Clerisvaldo B. Chagas, 12 de setembro de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.735   GUINÉS. Foto: ...

O PESTE DO GUINÉ

O PESTE DO GUINÉ
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.735
 
GUINÉS. Foto: (Sítiocolírio).
Quando o meu amigo agricultor se referiu a um político local e o apelidou de guiné, chamou-me atenção. Apesar de conhecer algumas façanhas dessa ave, não conhecia a semelhança do apelido levado ao sujeito.
Como criávamos muitos guinés sempre tivemos a melhor impressão possível da ave. No sertão alagoano ela também é chamada capote e tô-fraco, mas em outras regiões recebem denominações como galinha-d’angola, cocá, galinha-do-mato, faraona, sakué, pintada, picota, fraca e cakuê. Essa ave, extremamente arisca, é originária da África e introduzida no Brasil pela colonização portuguesa. Cria-se guiné no terreiro, em bando e, por mais grãos de milho que se dê, a fêmea está sempre a cantar, o canto que se entende por: tô-fraco. Existem ainda outros nomes correspondentes ao animal. Algumas religiões africanas gostam do guiné para oferenda a certos orixás.
Essas aves possuem nove subespécies e gostam de esconder os ovos no mato. A fêmea põe em um lugar e vai cantar em outro para despistar os predadores. O ovo de guiné é pequeno, tem casca dura, gema muito amarela e uma delícia de paladar. Se estiverem divididos em grupos, cada grupo tem seu líder. Na canela ninguém consegue pegar o bicho; só na espingarda ou à noite na dormida. Quando se descobre uma ninhada de ovos, está quase sempre acima de 40, pois as aves gostam da postura no mesmo ninho. São tão nervosas que o líder do bando fica vigiando na hora da comida e só come por último se tiver tudo bem. O cavalheirismo faz inveja a muitos marmanjos, não!
A sua carne é saborosa e exótica. Nas feiras do interior sempre se encontra ovos de guiné à venda, mesmo em quantidade mínima, assim como a própria ave. Os apreciadores fazem encomenda e nada melhor para se oferecer como almoço a um visitante da capital. Ainda existe àquela dureza no conselho que a carne é carregada. E se você acha que não foi carregada e sim comprada, tenha cuidado com as coisas que não deseja revelar.
Voltando a empolgação do amigo, ainda não descobri porque ele chamou o político de guiné. Mas conforme as informações postadas, você mesmo descobrirá. Só sei dizer que o companheiro estava irado e disse: “Fulano! Aquilo é um guiné da peste!”. Como Polícia Federal descobre tudo...

A BALEIA SUBIU O POSTE Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.734 Surpreen...

A BALEIA SUBIU O POSTE
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de setembro de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.734

Surpreendeu o povo alagoano, o número exagerado de baleias que surgiu em suas praias, nos últimos dias. O que estaria acontecendo com a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) em nosso mar? Estaria sendo vítima de pescadores? De desorientação? De bancos de areia? Afinal um mamífero que atinge a média de 12 a 16 metros não pode passar despercebido nas praias  mais bonitas do Brasil. E ao mesmo tempo em que os biólogos tentam explicar o fenômeno, o pensamento corre para a iluminação pública no Brasil antigamente.
No século XVIII não havia iluminação no país. Na Europa se usava o óleo de oliva e que era muito caro. Só no século XIX foi iniciada em alguns lugares a iluminação pública no Brasil. Mas pelo alto preço do óleo de oliva, o Brasil começou a usar o óleo de coco e de mamona. Óleo de mamona, esse mesmo usado no eixo do carro de boi para que ele fique cantador. Foi, então, que a baleia subiu nos postes através do seu precioso óleo, para as célebres lâmpadas de óleo de baleia. Rio de Janeiro iniciou sua iluminação em 1794 e usava óleo vegetal e animal. São Paulo em 1830 iluminava-se com óleos. E foi ele quem primeiro usou o gás no período 1854 até 1936. E mesmo com o surgimento da luz elétrica, algumas cidades usavam tanto a eletricidade quanto o gás.
Em Santana do Ipanema, interior de Alagoas, usava-se nos postes a iluminação com óleo, provavelmente, com os dois tipos, tanto de mamona quanto de baleia. E só em 1922 – com a elevação de Vila à Cidade – Santana do Ipanema passou a utilizar a eletricidade por força Motriz e a baleia desceu dos postes.

Volta-se ao surgimento dos grandes mamíferos nas areias do litoral alagoano. Os estudiosos  afirmam que as baleias não estão encontrando  alimentos por uma série de fenômenos e ações dos homens. Morrem em alto mar e são trazidas às praias pelas correntes marinhas. E se muitos fenômenos físicos são provocados pelo homem, indiretamente é o próprio homem o culpado das mortes das baleias. Nesse caso os gigantescos mamíferos dos mares são apenas a continuação dos atos irresponsáveis dos “pernas de calça” de várias partes do mundo.