SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
VALORIZANDO O QUE É SEU Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.855 km Dias ap...
VALORIZANDO O QUE É SEU
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.855
km
Dias
após palestras sobre a parte física de países do Hemisfério Norte, resolvi
fazer um teste de valorização. Dirigi-me até à periferia da cidade em visita ao
açude do Bode. O açude é uma reserva hídrica construída pelo DNOCS no riacho do
Bode, no início dos anos 50. Um lugar muito aprazível e esquecido após a chegada
da água encanada do São Francisco. Seu sangradouro despeja na continuação do
leito do riacho que atravessa a BR-316 e tem sua foz após o Bairro Bebedouro.
Seu paredão é muito bem feito e a paisagem vista dali é deslumbrante. Tirei uma
foto das suas margens repletas de florezinhas simples que nascem no campo. As flores em primeiro plano, o espelho d’água
em segundo. Posso afirmar que saiu uma bela fotografia.
Dias
depois, em sala de aula, novamente, apresentei a foto em slide e foi óóóó!!! Geral.
Indaguei, então de qual país do Norte seria aquela paisagem maravilhosa. E as
respostas ficaram mais ou menos no Canadá, Estados Unidos, Noruega e Holanda.
Então, depois de uma aula de valorização
sobre o que nos pertence, revelei que a foto representava uma paisagem do
Brasil, de Santana do Ipanema e, precisamente do açude do Bode. Fez-se um
silêncio total de incredulidade e eu fiquei muito feliz em ter alcançado meu
objetivo. Confesso que não sei se aqueles representantes da juventude
aprenderam a lição, sei, porém, que hoje eles são homens e mulheres que estão
fazendo acontecer na sociedade. E o que muda com essa descoberta na vida de
cada um e do meio em que se vive?
Acho
que todo nós devemos possuir essa percepção de valores, mesmo sendo
analfabetos, doutores ou “mobralinos”. O que não deveremos fazer é cair no
ridículo da supervalorização e na empáfia. Mas fazermos um balanço de quem
somos, o que temos e o mínimo da nossa importância, até porque pode se correr o
risco de auto rejeição. Em relação à Pátria, à região, ao estado, ao município
natal, assim como o bairro, a rua... Os sentimentos devem ser o mesmo de uma
avaliação pessoal e muito íntima. Enxergando os nossos valores mínimos e os alheios,
poderemos ser mais justos, mais animados à vida, mais ricos e mais modestos
psicologicamente falando. “O rico fez sucesso com seus sapatos na festa, mas
fui eu – engraxate – quem aplicou o brilho”.
AÇUDE
DO BODE, VISTO DA REGIÃO HABITACIONAL DO BRISA DA SERRA. (FOTO B. CHAGAS).
AGUAPÉS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de março de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.854 Vimos bem o espetáculo de us...
AGUAPÉS
Clerisvaldo
B. Chagas, 29 de março de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.854
Vimos
bem o espetáculo de usinas hidrelétricas abrindo suas comportas tentando se
livrar das plantas aquáticas que prejudicam as máquinas e também impedem a
navegação nos rios superlotados pelos diversos tipos desse vegetal. Os nomes
dessas plantas aquáticas mudam de acordo com as regiões brasileiras, mas os
princípios de invasão em rios, lagos e semelhantes é o mesmo. Suas raízes se
alimentam da poluição de esgotos, lixo doméstico e resíduos de fertilizantes
lavados e levados para os cursos d’água ajudando na alimentação e no
desenvolvimento rápido do mato. Forma-se um tapeta verde bonito no visual, mas
feio nas consequências, fazendo daqueles lugares, verdadeiros pântanos. Os
exemplos estão por todos os lugares do país, à semelhança da alta poluição da
laguna Mundaú, em Maceió, várias vezes denunciadas por especialistas na
Imprensa local.
Em
Santana, essas plantas costumam aparecer quando baixam as águas das cheias do
rio Ipanema. Os principais poços que restam após a corrente, começam aos poucos
e em muito breve espaço de tempo formam esse tapete verde na superfície dos
poços. Ninguém mais vê as águas por debaixo, somente o campo verde predomina.
Tudo isso fruto do que já dissemos acima, lixo doméstico, principalmente. Esse
fenômeno natural é notado, com nitidez no Poço do Juá – por trás das casas do
Comércio – e no poço do Escondidinho no
final do perímetro urbano Maniçoba/Bebedouro. O caso é muito comum nos
barreiros da zona rural com a planta denominada por aqui de “orelha-de-burro”. O vegetal se alimenta de sujeira, filtra a
água e a deixa bem fria e limpa para o gosto do homem do campo.
E
nos sítios não tem como evitar as orelhas-de-burro porque se alimentam da
sujeira das enxurradas. Nas cidades é um forte sinal de alerta, principalmente
dos lixos jogados e dos esgotos de todos os tipos. Mas, como dizia certo
político santanense “para que gastar com coisas debaixo do chão, se ninguém
vê?” Essa mentalidade ainda está em voga em todos os quadrantes do Brasil. Meio
ambiente, meio ambiente/há quanto tempo alertando à gente!
Fui!
AGUAPÉ
EM RIO.
AS DUAS ÁFRICAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de março de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.853 A nova moda agora,...
AS
DUAS ÁFRICAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 28 de março de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.853
A
nova moda agora, por parte da Imprensa, é titular a matéria afirmando o
acontecido quando esse acontecido ainda está para acontecer ou não. Força o
interesse do leitor pela matéria frustrando quem a lê. Pensando que isso é
motivo de enganar o leitor – e é – porém, perde a credibilidade com esses
subterfúgios mesquinhos e fracos. Da nossa parte, da segunda vez em diante, não
lemos mais, definitivamente as matérias dessas origens. Exemplo: “Fulano
preso”. Na matéria, ainda se cogita prender. “Estados Unidos atacam”. Matéria,
o governo americano não atacou ninguém, poderá atacar ou não. Assim os
sensacionalistas publicam em manchete que temos mais um oceano no mundo. Vamos
ao miolo da reportagem e poderemos ou não contemplarmos um novo oceano no mundo
daqui a cinco ou seis milhões de anos.
Tudo
se movimenta na terra e se transforma. Somos jovens e belos, hoje, amanhã
seremos velhos e feios ou não. Para quem ainda não sabe, o oceano se
transforma, as cordilheiras se transformam, as florestas se transformam, o
planeta, em geral se transforma. Algumas dessas transformações são percebidas
por nós, outras não porque precisam até de milhões de anos para essas mudanças,
mas amanhã nada é igual ao hoje. E voltando a falar sobre a África, a região da
rachadura profunda que acontece no Continente, está sobre três placas tectônicas
e uma está se afastando das outras e que tudo indica vai separar o Continente
negro em duas partes e entre elas, um novo oceano. Isso é provável que aconteça
daqui a alguns milhões de anos, porém, notícias são dadas com se tudo já
estivesse acontecido.
Dizem
que a fenda tem 6.000 quilômetros de extensão e vai da Jordânia (Ásia) até o
Centro de Moçambique (África). A fenda começa no Norte da Etiópia. É uma coisa
fantástica? É. Mas a Natureza completa é fantástica. É a terra um refúgio e
morada para a nossa evolução espiritual, assim como outros mundos não captados
pelos nossos olhos. A fenda africana é aula viva de Geografia, Geologia e
outras ciências afins, mas nenhum desses e outros acontecimentos dão direito de
enganar o leitor com manchete do futuro encravada no presente.
Perdão
ao leitor se não conseguimos nos fazer entender.
RACHADURA
AFRICANA (CRÉDITO: REVISTA RAÇA).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.