segunda-feira, 25 de novembro de 2019

DISCORDO DE TESE (II)


DISCORDO DE TESE (II)
Clerisvaldo B. Chagas, 26 de novembro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.222
PONTE SOBRE O RIO IPANEMA (FOTO: LIVRO "230"/B..CHAGAS).

Até o início do Século XXI, o entorno de Santana do Ipanema continuava preso em relação às vendas. Os proprietários não se desfaziam das suas terras, tornando a cidade limitada. Mas quando os primeiros nós foram desatados, logo outros nós tomaram o mesmo destino e vendas de terras foram acontecendo quase de repente em sentidos norte, sul, leste e oeste. Surgiram postos de gasolina, supermercados, conjuntos residenciais e até escolas superiores. Essa foi a grande expansão geral que no momento não conta com limites. Tem sempre – como o início dos tempos no município – a motivação comercial. O segundo maior comércio do interior (só perde para Arapiraca) e o mais bonito do estado.
E de algumas poucas famílias que vieram morar na cidade por complicações com Lampião, temos os Amaral vindo de Inajá, Pernambuco. Lembramos Seu Marinheiro com a “Casa Ideal”, loja de calçados de luxo, situada em pleno Comércio, onde comprávamos sapatos, cinturão, chapéu e muito mais. Ainda no comércio, vizinho à antiga Cadeia Velha (já extinta) um dos seus filhos também instalou uma loja de calçados quase igual ao do seu pai, Marinheiro. Hamilton era casado com Dona Terezinha Simões e moravam bem perto da Casa Ideal. (aperreei muito, tocando a cigarra e correndo). O pai de Dona Terezinha, possuía venda na Ponte do Padre e produzia o melhor torreiro da época. Chamava-se, imagino, Antônio Simões. Depois Hamilton construiu residência no Bairro Monumento e mudou-se do Comércio. Pacífico e educado faleceu ainda jovem.
Lourival Amaral era irmão do senhor Marinheiro. Galego, músico pertenceu às orquestras da cidade e tocava tuba. Ninguém tinha o direito de contar uma história mais bem contada do que Lourival Amaral. Tinha dom para narrar aventuras coloridas imitando o vento, a chuva, o trovão... Algumas passagens engraçadas sobre ele já foram contadas em livro por outro escritor santanense. Temos ainda o chamado Valter de Marinheiro (filho) que chegou a construir um cinema no Bairro Camoxinga com o nome de Cine Wanger (filmes pornôs explícitos). Hoje o prédio, que vai de uma rua a outra, é loja sofisticada de móveis.
E assim, algumas poucas famílias que chegaram por causa de Virgulino, dedicaram-se ao trabalho honesto e duro, ajudando o progresso da “Rainha do Sertão”.

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