quarta-feira, 5 de março de 2014

AZUL ITALIANO



AZUL ITALIANO
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de março de 2014.
Crônica Nº 1147

Imagem da Band.
Todo brasileiro é apaixonado por futebol, no modo de dizer. No modo de dizer por que tem gente que detesta esse negócio de uma esfera e 22 machos correndo atrás. Mas hoje estou me referindo às cores brasileiras representadas pelo amarelo, verde, azul e branco. Por mim, a Seleção Brasileira de Futebol estaria representada pela camisa amarelo queimado e pelo calção verde bandeira, assim como a Seleção do Vôlei.
O que vimos ontem à tarde na África do Sul, país do extremo meridional do Continente Africano, foi um segundo tempo de Brasil azul ridículo. Mesmo sendo a atual camisa “B” da Seleção, foi um tremendo mau gosto para esse cidadão comum brasileiro, mas com direito a comentário. Uma tonalidade feia e completa desde a camisa aos meiões, com ligeiro branco na numeração e nas laterais do calção. Não sei, não tenho certeza, mas me parece que quem dita à moda é quem patrocina e faz a coisa do jeito que pensa. Muito melhor seria a cor dominante branca com detalhes das outras três nacionais.  
É perfeitamente compreensível o elástico placar de 5 X 0, pois todos sabem que o país africano seria apenas um treino, para nós. Cor de terno não ganha jogo. Contudo, estamos comentando a tradição brasileira das suas cores distintas. Não negamos o desenho da camisa, mas o azul fechado que em nada representa na tradição, deixou o torcedor “desarticulado”. Mas como vemos em inúmeras propagandas na “telinha”, o peste do gosto estragado desmantela o produto em evidência e não faz jus a quem se forma no ramo.
Quem viu o primeiro tempo Brasil X África do Sul, pelo menos, segundo as cores, viu o Brasil jogar. Na segunda etapa o futebol convenceu até pelo que já se sabia, porém, a tradição do terno foi para a “cucuia”, como se diz no Sertão das Alagoas. Em termos de coreografia, perdoem os meus leitores, estava muito mais para o AZUL ITALIANO.


Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2014/03/azul-italiano.html

terça-feira, 4 de março de 2014

A MEDIDA QUE MEDE O CANTADOR



A MEDIDA QUE MEDE O CANTADOR
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2014
Crônica Nº 1146
 
Desenho: desastroladosdesconhecidos.














A cabeça produz todo o repente
Dia e noite azeitando o maquinário
A produção independe do horário
Mas não pode ser isso tão somente
Vez em quando vem algo diferente
Escapando à rotina e o padrão
Nesse instante se rompe a vibração
E a estrofe triplica o seu valor
A medida que mede o cantador
É a cuia que mostra a criação

Não gosto de cantar uma cidade
Trânsito, avenidas e concreto
Baladas, teatros, mar aberto
Escolas, presídios, faculdade
Prefiro o furor da tempestade
A voz temerosa do trovão
O corisco que desce e fura o chão
A onça acuando o caçador
A medida que mede o cantador
É a cuia que mostra a criação
pib.socioambiental.org.

O verdume da mata é um calmante
A paisagem da seca é dor atroz
Carcará quando desce é mais feroz
O orvalho nas folhas é diamante
É mais ouro o sopé do horizonte
Os serrotes vigiam o meu sertão
Rasga-beiço protege o azulão
Entre galhos de espinho serrador
A medida que mede cantador
É a cuia que mostra a criação


Depois de um dia bem chovido
O sol pinta seus raios no poente
Pula o sapo no olho da vertente
O mocó passa as unhas no ouvido
O galho da jurema, retorcido
Baixa o dorso e balança o gavião
Um peba fugitivo cava o chão
O preá distancia o predador
A medida que mede o cantador
É a cuia que mostra a criação

Nas chapadas bonitas, colossais
Dobram hinos canários sem prisões
As serpentes protegem os paredões
Borboletas esvoaçam triunfais
Os macacos se coçam nos umbrais
Nas quebradas relincha o garanhão
O bico cortante do cancão
Silencia pra ver o sol se por
A medida que mede o cantador
É a cuia que mostra a criação

Vem à brisa varrendo o pó da terra
Semeando balidos de ovelhas
O zumbido nervoso das abelhas
Vai levando ferrões, lanças de guerra
O guará ardiloso desce a serra
Ergue ao vento o focinho de carvão
A cobra no terreiro morde o cão
Passa o ramo o velhinho curador
A medida que mede o cantador
É a cuia que mostra a criação

FIM







Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2014/03/a-medida-que-mede-o-cantador.html