terça-feira, 6 de maio de 2014

BRASILEIRO, LAVOURA DE CUPIM



BRASILEIRO, LAVOURA DE CUPIM
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de maio de 2014
Crônica Nº 1.183

CUPINZEIRO. Imagem (Wikipédia).
Existem insetos sociais bastantes conhecidos pela população. São eles os cupins que surgem nos campos, mas também podem aparecer nas cidades. No campo, os cupins têm a parte boa e a banda ruim. Na parte boa, eles participam da “saúde” de campos e florestas como a drenagem das águas e reciclando nutrientes. Mas, na banda ruim, esses insetos isópteros, são terríveis e dão bastante trabalho.
Os cupins de vida subterrânea causam maiores danos à agricultura. É que eles têm o poder de destruir sementes, atacar raízes de plantas como a do café, cana-de-açúcar, abacaxi, milho, amendoim, arroz, algodão, mandioca e eucalipto.
Já os cupins de montes ou de montículos, são aqueles que constroem seus ninhos na superfície do solo. Os montes ou cupinzeiros apresentam-se em formas arredondas ou afuniladas que de longe parecem pedras. Eles dificultam a formação de pasto e danificam mourões e estacas de madeiras das cercas.
Outras espécies de cupins fazem ninho nas cidades. Atacam plantas em ruas e praças, derrubam tetos de madeira, danificam livros, revistas, couro, tijolos, cabos elétricos e telefônicos, móveis de casas, inclusive camas.
Você pode chamar o inseto de cupim, térmita, térmite, itapecuim, baga-baga, salalé e muchém. Quanto ao seu ninho, pode ser entendido como cupinzeiro, cupineiro, itacuru, itacurubá, itapecuim, tacuri, tacuru, tapecuim, termiteiro, tucuri, baga-baga e salalé.

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A pior espécie, entretanto, de cupim, é aquela que aprendeu a falar, pedir voto e vestir gravata. Logo cedo já sabe roer as verbas públicas causando enormes prejuízos à saúde, à educação, aos transportes e ao bem estar do país. Os insetos dessa espécie, também são chamados de corruptos, safados, cachorros, ladrões e outras denominações impublicáveis. O antídoto é cadeia, prisão perpétua, guilhotina e “el paredon”.
Enquanto a população for devota da santa Esperança, a proliferação desse tipo de inseto tende a aumentar, formar arrastões e arrasar os biomas. A imprensa livre aguarda a manchete: BRASILEIRO, LAVOURA DE CUPIM.





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segunda-feira, 5 de maio de 2014

ENCOLHIMENTO E FIXAÇÃO



ENCOLHIMENTO E FIXAÇÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de maio de 2014
Crônica Nº 1.182

POVOADO AREIAS BRANCAS (foto: Sertão24horas).
Quando o IBGE divulgou o Censo de 2010 e outros resultados, os números não surpreenderam. Não surpreenderam, talvez, por causa das pesquisas e informações que o Instituto costuma divulgar entre um censo geral e outro.
Quando o Nordeste (diga-se zona canavieira) perdeu competitividade e foi à falência com a cana-de-açúcar, o Sudeste iniciou o seu desenvolvimento, iniciando com o café e pequenas indústrias de artigos comestíveis. O resultado neste início de século XXI está bem visível diante de todos, com São Paulo e seu parque industrial como carro-chefe.
Após aqueles famosos êxodos nordestinos até a década de 70, cumpre informar a descoberta de um novo Nordeste. Habitantes da região retornam do Sudeste para as capitais e cidades médias, algumas com realidade diferente. A industrialização total ainda não aconteceu, mas tudo é uma questão de tempo que teve início com as chamadas ilhas ou polos de prosperidade em alguns estados dessa região. Não há dúvida de que a indústria paulista ainda fala mais alto, cuja expansão periférica invadiu Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, principalmente.
A descoberta do Nordeste por grandes empresas, pela melhora do seu poder aquisitivo, posição estratégica para mercados africanos, mão de obra e terrenos mais baratos, além do chamariz provocado pelos governos estaduais, vai povoando o solo nordestino dos três maiores estados, com suas chaminés. Entretanto inúmeras indústrias pulam a faixa do trio acima e preferem estrategicamente, estados menores que também vão se industrializando.
O fato de pequenas cidades nordestinas registrarem menor população, entre um censo e outro, não nos parece tão relevante quanto o crescimento geral da região. Os povoados e as pequenas cidades continuarão exercendo o papel de ligação entre os sítios e as cidades mirins e essas, entre os povoados e as cidades maiores em uma hierarquia bastante consolidada.
A tecnologia no campo e a distribuição de renda fixam o homem que agora enviam seus filhos para os estudos e os têm de volta como agrônomos, veterinários, zootécnicos, empresários do agronegócio e assim por diante.
Sem otimismo exagerado, nossos filhos e netos ainda verão um Nordeste rico justificando o ENCOLHIMENTO E FIXAÇÃO.


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