quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

BOM JESUS EM PÃO DE AÇÚCAR

BOM JESUS EM PÃO DE AÇÚCAR
Clerisvaldo B. Chagas, 4 de janeiro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1816

PÃO DE AÇÚCAR. (IBGE. CIDADES).
Segundo divulgação, a festa tradicional de Bom Jesus dos Navegantes que acontece praticamente em todos os municípios do baixo são Francisco, terá nova edição em Pão de Açúcar. Os festejos estão previstos entre 10 e 14 com várias atrações como sempre acontece. As apresentações serão culturais, religiosas e espetáculos com bandas conhecidas. Haverá carreata, banda de pífanos, fogos de artifícios, coco de roda, chegança, dança das peneiras, corrida de jegue, quebra pote, corrida de saco, corrida de canoas, procissão fluvial e missa de encerramento. Estas são apenas algumas das inúmeras atrações da festa.
Faz bastante tempo que estive por ali contemplando pela primeira vez a Festa de Bom Jesus dos Navegantes. Estava acompanhado do amigo de Santana, negão Zé Lima, de saudosa memória, quando fomos apreciar do alto do Cristo Redentor a procissão fluvial. Um verdadeiro colírio para qualquer pessoa a paisagem deslumbrante do rio São Francisco. As embarcações conduzindo a imagem do Bom Jesus complementava o cenário espetacular. Mas enquanto eu me deleitava com o cenário sertanejo, meu amigo parecia distante da realidade e delirava acordado, lembrando e falando constantemente sobre os belíssimos olhos de Zilma, segundo ele. Estava apaixonado até a alma pela moça de Santana, cujos olhos verdes não lhes deixavam em paz um só momento.
Mas subindo o morro do Cristo ou não, a Festa do Bom Jesus dos Navegantes, em Pão de Açúcar, não fica esquecida facilmente. E para o visitante que chega sem muitos compromissos, pode ficar após a festa por alguns dias para descobrir tantas coisas passeando por ruas, avenidas, rio e trilhas inesquecíveis. A cidade é plana e agradável com muitas histórias em cada esquina. Antiga Jaciobá (espelho da lua), terra de músicos e intelectuais, inicia-se com o pão de açúcar, morro parecido com forma de fazer açúcar. Querendo chegar ao rio, pode ser através de Santana do Ipanema, passando por Olho d’Água das Flores e Palestina, por uma paisagem cem por cento sertaneja e encantadora.
Bom Jesus dos Navegantes lhe aguarda.



   





Próxima



Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2018/01/bom-jesus-em-pao-de-acucar.html

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

NOS TEMPOS DOS ARMAZÉNS




NOS TEMPOS DOS ARMAZÉNS
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de janeiro de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 18?/

Vendo um carro de boi, no trajeto Palmeira dos Índios – Santana do Ipanema vem à lembrança dos tempos em que o Sertão fervilhava desse tipo de transporte. Eram eles os distribuidores de mercadorias campo/cidade e vice-versa. Na cidade de Santana, o ponto dos carreiros era o Largo do Juá, no leito seco do rio Ipanema. Ali se aglomeravam centenas de carros de boi que ficavam aguardando as compras das feiras dos sábados e dos armazéns. Os bois chegavam logo cedo e eram alimentados pela palma forrageira trazida nos próprios carros. Os carreiros andavam pela feira com o currião, o facão e, na maioria das vezes, com chapéu de couro.
Muitas mercadorias eram compradas em armazéns de secos e molhados. Lembro-me do armazém do senhor Marinho Rodrigues, talvez o mais sortido de todos que vendia desde a ximbra de menino brincar até o arame farpado, passando pelo charque, bacalhau, querosene, munição, bolachas, sal, açúcar e tantas outras coisas que fica até difícil enumerar. Seu Marinho negociava no chamado “prédio do meio da rua”, tendo defronte a Casa Ideal, sapataria de luxo do senhor Marinheiro. No balcão, Seu Marinho contava com a esposa Dona Prazerinha e o cunhado Reguinho, ele mesmo e mais alguns empregados. Reguinho também possuía a habilidade de trançar palhinhas em cadeira, moda da época.
Seu Marinho havia vindo da zona rural, devido a uma visita de cangaceiros à sua casa. Na ocasião houve fuga e tentativa, tensão, saque e desentendimento entre os cangaceiros Craúna e Cajueiro até a chegada do chefe, Lampião. Dessa família saiu o primeiro médico filho do município, Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo também pioneiro em clinicar na cidade. Clodolfo hoje tem seu nome reconhecido no Hospital de Santana do Ipanema. O progresso foi aos poucos entregando os serviços do carro de boi ao caminhão. A partir da gestão do prefeito Ulisses Silva que substituiu o calçamento bruto da cidade por paralelepípedos, carro de boi foi proibido de entrar na urbe. Por outro lado os armazéns foram substituídos por mercearias e, posteriormente, mercadões e outros palavreados.






Link para essa postagem
http://clerisvaldobchagas.blogspot.com/2018/01/nos-tempos-dos-armazens_2.html