domingo, 12 de julho de 2020

VIAGEM A MACEIÓ


VIAGEM A MACEIÓ
Clerisvaldo B, Chagas, 13 de julho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.343
(HOMENAGEM AO ESCRITOR FLORO DE ARAÚJO MELO)

Máquina do trem de Palmeira dos Índios no Museu Xucurus. (Foto: Livro:
"Repensando a Geografia de Alagoas/B. Chagas)
Caro leitor, calcule quando foi o acontecimento da narrativa abaixo, do conterrâneo Floro (In memoriam) na íntegra.
A viagem foi extremamente cansativa. Fomos de caminhão até Palmeira dos Índios, ponto terminal da estrada de ferro. Não havia asfalto, a poeira era sufocante, levamos quase um dia inteiro ao sabor de buracos e depressões medonhas do terreno. Ao atingir o destino, ninguém tinha forças para embarcar. Tivemos que pernoitar no hotel, ou melhor, numa estalagem sem conforto e sem muita higiene.
O trem partia de madrugada. Saímos do “hotel” sonolentos e com muito cuidado, devido aos buracos das ruas e à má iluminação da cidade. Eu, entretanto, exultava: garoto do sertão, tudo para mim era novidade e descoberta. Imagine o leitor que jamais ouvira um apito de trem! Com grande estardalhaço, a máquina partiu, levamos horas intermináveis sentados naqueles duros bancos de madeira, ouvindo os ruídos ritmados das rodas em contacto com os trilhos desgastados pelo tempo de uso. Para quebrar a monotonia, eu olhava pela janela e divisava a paisagem que ia ficando para trás, as serras, as casas das cidades por onde o trem passava, as paradas ao longo da estrada e, nessas, uma imagem triste que me ficou para sempre na memória: crianças sujas e maltrapilhas que pediam moedas ou vendiam banana, manga, jaca, etc.,  tudo num vozerio que mais parecia uma dolorosa e sofrida ladainha. Ah, meu Nordeste querido, quando tais cenas deixarão de acontecer em seu seio?!   Minha avó, já conhecedora da melancólica procissão, nem sequer abria a janela, sempre a segurar-me pelo braço. Felizmente, a demora era pequena, o trem apitava estridente altivo e se punha em marcha.
(...Finalmente Maceió...)

MELO, Floro de Araújo. Vim Para Ficar. Borsoi, Rio de janeiro, 1981. Págs 29-30.
Nota: a “minha avó” a que o autor se refere, foi a primeira professora de Santana do Ipanema, Maria Joaquina.






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sexta-feira, 10 de julho de 2020

SANTANA DO ALTO


SANTANA DO ALTO
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de julho de 2020
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.342
(PARA O AMIGO MENDES DO BLOG MENDES E MENDES)

CAPELA NO SERROTE DO CRUZEIRO (FOTO: LIVRO 230/B. CHAGAS.
Você que é visitante em minha terra, procure conhecê-la do alto. Cidade ladeirosa tem a vantagem de possuir mirantes naturais. Venha comigo e vamos conhecer alguns deles. Serrote do Cruzeiro, pequena serra frontal à cidade. O mais abrangente e tradicional de todos. Você escala o monte através de degraus entre arbustos e arvoretas. No cimo tem uma capela em homenagem a Santa Terezinha. O cenário é belíssimo e quem chega quer ficar mirando os arredores por horas a fio. Tem um cruzeiro à frente da capela, cujo marco foi implantado como passagem do século XIX para o século XX. Já foi chamado Morro da Goiabeira na década de 20.
Querendo, pode subir o serrote que vai mudando de nome, vizinho ao Cruzeiro: serrote do Gonçalinho, do Cristo e, ultimamente, da Micro Ondas. Este tem acesso para automóvel, sobe-se pela parte de trás, calçada com paralelepípedos. No cume você vai encontrar um Cristo e as torres de micro ondas. Sua paisagem é voltada para a parte leste de Santana, Bebedouro, Maniçoba, açude do Bode.
Nenhum mirante mostra a cidade completa, somente vistas parciais.
Também do lado norte da cidade você encontra o serrote do Pelado que mudou para Alto da Fé. O automóvel chega ao topo por acesso também de paralelepípedos onde vai encontrar uma paisagem bela dos arredores de Santana. Você vê a paisagem distante, mas o cenário próximo é somente parte do Bairro Monumento.
Fora esses mais conhecidos, Santana pode ainda ser vista do cimo da Serra Aguda, mais distante, do Hospital Regional e mesmo das faldas da serra Aguda. Você chega de automóvel no topo da serra onde está projetada a imagem sacra de Senhora Santana, a mais alta do mundo. O cenário é só maravilha para os arredores, porém o foco voltado para a cidade, mostra a urbe bem distante e pequena.
Muito pouco conhecido ainda é o morro do Bairro Lagoa do Junco, dos antigos quebradores de pedra. Lá do alto têm ângulos diversos e ainda não apreciados pela grande maioria do santanenses.
Sem espírito aventureiro só se conhece a poltrona.





I


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