quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

CHEGOU CHEGANDO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de novembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.607




    Quarta-feira última, portanto, já dentro do mês de novembro, bem perto do anoitecer, ela chegou, cabra velho, a trovoada. Muita chuva, relâmpagos e trovões abalaram Santana do Ipanema. Não sabemos informar sobre o caso na zona rural ou em outros municípios sertanejos, mas o que foi despejado na cidade, fora o medo que causou, agradou bastante. Nesta quinta-feira quis o fenômeno se repetir à mesma hora, com trovões e relâmpagos, mas a intensidade foi muito menor. Podemos dizer que foi um belo pé d’água que cercou todo o perímetro urbano. Sempre estamos a esperar as trovoadas a partir de novembro, mas não tão cedo assim; ainda mais duas vezes seguidas, coisa rara em nosso meio. É agora quando fechar a rama na Caatinga que o vaqueiro procura derrubar boi no mato.

Na minha rua, o toró engrossou, os gatos apressaram os passos para o fogão de casa. O trovão estalou, passou cachorro correndo que nem bala acompanhava. O entregador de gás, escapuliu para um abrigo e um cavaleiro cruzou a rua que nem um alucinado. Novos relâmpagos se abriram, nova zabumbada nos céus e o tufo d’água fez riacho na sarjeta.  Com estuque ou com telhado, ninguém se furta a vistoriar o teto no interior da oca, embora muitos tenham se jogado em baixo da cama diante dos arrotos sem freios dos trovões. Um menino corajoso aproveitou a biqueira da esquina e sentiu cair o calção folgado deixando a bunda de fora. A enxurrada viaja tranquila até o riacho Camoxinga, o Salobinho, o Salgadinho ou diretamente para o rio Ipanema, captor de toda a bacia da região.

A esperança sertaneja se renova para o período novembro/abril em barreiros cheios, barragens sangrando e açudes lado a lado. Mas, tudo isso são suposições para os que vivem da terra, do criatório, da boa vontade dos que administram a Natureza terrestre. De qualquer maneira já disseram os profetas modernos: “Depois dessa pandemia nada será como antes, nada”. Portanto o jogo de xadrez poderá continuar o mesmo, todavia com regras diferentes. A humildade do vivente tem que ser muito maior do que a soberba tradicional humana. Sabedoria é aguardar com a virtude da paciência os novos tempos traçados pelas forças soberanas. Já é noite da quinta e o tempo continua abafado. Pingadeira no teto e nuvens indefinidas. A Natureza é 10.

CHUVA NA TERRA. (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO).

 

 

 


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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

 

TÊNIS CLUB SANTANENSE

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de novembro de 2021

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.606



     Fazendo parte do quarteto arquitetônico do Monumento, o Tênis Club Santanense, inaugurado em 10.01.1953, preencheu todos os objetivos do passado. Pela transformação inexorável dos tempos, sofre a ausência do fastígio, mas continua de pé como um patrimônio imorredouro de alta magnitude na esquina da Avenida Nossa Senhora de Fátima com a Avenida Adeildo Nepomuceno Marques. Para o transeunte que não conhece sua história, representa apenas um edifício gigante por trás da Escola Estadual Padre Francisco Correia. Construído para divertir a elite da época, foi sendo ampliando pouco a pouco passando por diversas administrações profícuas e soberanas. Foi sempre um status de grandeza da cidade. E sua estrela ainda não caiu.

No início havia uma quadra de vôlei na área descoberta onde nós, ginasianos, treinávamos. A quadra acabou em benefício de reformas e mais reformas até chegar à estrutura atual. O tênis foi palco dos grandes espetáculos dançantes de época quando se dançava valsa, bolero e outros estilos mais. Um desses espetáculos era o próprio traje de gala de mulheres e homens que ocupavam as mesas do salão. Apresentavam-se ali, orquestras de Pão de Açúcar, Palmeira dos Índios, Garanhuns e inúmeras famosas no Brasil inteiro, vindas do Sudeste. Eram os bailes gigantes que repercutiam em Santana do Ipanema e no Sertão inteiro. Vale salientar que era tempo do cinema, do teatro, do folclore, não havia televisão e os bailes eram acontecimentos extraordinários.

Havia também os Carnavais noturnos e as matinês para nós adolescentes. Maravilha! Chegado o tempo da diversão em casa, a queda foi inevitável em todas as outras formas de lazer. O resultado foi cinemas, teatros e clubes fechando com saudosos sangramentos no Brasil inteiro. Como sobrevive hoje o nosso titã sertanejo? Só mesmo com dedicação e muita paciência para se administrar um clube fora de moda. Mas aqui, acolá têm eventos que acontecem no Tênis Club Santanense, apesar de novos espaços para eventos terem surgidos na cidade.

Parabéns aos abnegados que tomam conta deste e de outros patrimônios de Santana do Ipanema.

Parabéns à própria estrutura que bravamente resiste ao seus 68 anos

TÊNIS CLUB SANTANENSE EM 2013 (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).


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