quarta-feira, 8 de junho de 2022

 

 BEBENDO LEITE

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.713

 



Adotamos a prática ensinada pelo saudoso professor Alberto Agra: ler o rótulo de todos os produtos industrializados que cair nas mãos, para identificar o estado do seu fabrico. Confeito café, tempero, grampos, seja lá o que for. Aumentar o conhecimento sobre coisas do Brasil. Assim fizemos vários trabalhos com aluno que traziam rótulos para a escola. Dava uma satisfação danada quando eles descobriam vários industrializados de Alagoas. Nessa época estive em Caruaru quando vi no balcão de um armazém um rótulo muito bonito de manteiga. Seguindo a prática da investigação pesquisei o rótulo que mostrava ser manteiga de Batalha, Alagoas. Pense como fiquei orgulhoso do meu estado! A fábrica fechou e assim passou bem 12 anos nessa situação. Veja abaixo notícia boas:

“A revitalização da Bacia Leiteira e a geração de cerca de três mil empregos são os principais benefícios da inauguração da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), que contou com a presença do governador Paulo Dantas, autoridades e de produtores de leite de várias regiões do Estado, na segunda-feira (6), no município de Batalha.

Fechada há 12 anos por dificuldades financeiras, quando ainda se chamava Fábrica Camila coube ao governador Paulo Dantas acionar o botão de uma das máquinas acoplada a um caminhão de leite e reinaugurar um novo tempo para a Bacia Leiteira alagoana”.

“Esse é um passo muito importante para Alagoas. A consequência dessa parceria ajudará a aquecer não apenas o mercado de leite, mas irá promover também a geração de emprego no estado”, frisou o presidente.

A instalação da Unidade de Beneficiamento do Leite promete fabricar produtos de qualidade e de alta tecnologia para o mercado alagoano.

“A abertura dessa fábrica representa o fortalecimento de toda cadeia da produção de leite, como os associados da CPLA, o cooperativismo, assim como quem vive da agricultura familiar”, ressaltou o secretário de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura, Maykon Beltrão. (informações Agencia Alagoas).

Dessa vez não disseram os tipos de produtos que iriam ser fabricados. Mas, por todo o conjunto das declarações acima, com certeza, o orgulho de bens industrializados para o Brasil, deixará novamente bons fluidos em Alagoas e em terras sertanejas.

Três mil empregos no Sertão cabra velho! Arre!

(FOTO: AGÊNCIA ALAGOAS).

 

 


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segunda-feira, 6 de junho de 2022

 

PILÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.712

 



Antigamente, sobre uma dama bem feita se dizia: “tem corpo violão”. Contudo, também se falava: “cintura de pilão”. É que o velho pilão sertanejo tem duas bocas, cinturado no meio. E na zona rural toda mulher queria ter cintura de pilão. Mas os padrões vão mudando com o tempo, assim como tem mudanças na maneira de pensar de cada indivíduo. E se for mudança de pensar entre gerações, a mudança simples vira descomunal. Mas se formos falar desse assunto, dá uma discussão geral na política, na igreja, nos ateus, nos revoltados com a vida e assim por diante. Vamos falar apenas do pilão e da cintura, antes cobiçada. Não, não precisa apertar o cinto para ler o artigo. O padrão da mulher, atualmente é o que ela quiser, bem como o do marmanjo.

Ora, muito bem. Até os meados do Século XX, Era quase obrigatório um pilão em cada casa de fazenda, de roça, de sítio. É que muitas comidas eram feitas em casa e não dispensavam o amigo pilão. Feito de madeira de lei, rígida, tal como a sucupira, o pilão era feito artesanalmente e com apenas uma talhadeira. Com o surgimento de maquinário mais adiantado, já se podia fazê-lo em tornos de carpintarias. Tem altura de aproximadamente 70 centímetro e possui uma peça solta chamada “mão de pilão”, de 60 centímetros em média. Bem conservado vai para netos e bisnetos.  No pilão pila-se café, arroz, milho, paçoca, e mil coisa das fazendas. Possui uma boca para cima e sua base é a outra boca. Bem cinturado, o pilão representa mesmo uma coisa bem feita, valiosa e atraente. Não lembro de ter visto um pilão no Museu de Santana que possui uma pedra-mó, de moer milho para xerém.

O pilão antigo da zona rural foi desaparecendo graças aos produtos industrializados. Tudo já vem pronto: é o milho desolhado, é o café torrado, é o arroz sem casca... Todos partiram para o comodismo e o pilão foi ficando esquecido e muitas vezes usado como ornamento com plantas no jardim. Aí surgiram os pilões pequenos, torneados, para pilar tempero e coisas miúdas da cozinha, mas até o tempero já vem pronto fazendo desaparecer também esse e outros modelos de pilões pequenos e maiores. Mas que é um artesanato bonito de se vê, não se pode negar. Já vi vário modelos de pilões pequenos ornamentando a casa, as prateleiras, as estantes e mesmo o centro... E como fica bem realçando o bom gosto da casa.

 

 “Vem cá cintura fina

Cintura de pilão

Vem cá cintura fina

Vem cá meu coração... (Gonzaga)

 

PILÃO (FOTO: GALERIA ALFHAVILE).

 

 

 

 

 

 


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