ABDULLAH CARA DE PAU        Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2011   A chamada “Primavera Árabe”, continua no pé dos ditadores, como...

ABDULLAH CARA DE PAU

ABDULLAH CARA DE PAU
       Clerisvaldo B. Chagas, 25 de outubro de 2011

 A chamada “Primavera Árabe”, continua no pé dos ditadores, como cães caçadores de onça. No período comum da sua longa fase no poder, Ali Abdullah Saleh, parecia um homem calmo, simpático e elegante. Após o início dos apertos árabes pelo seu afastamento, o homem mudou as feições assumindo um ar de maluco e espantado que poderá mudar mais ainda. Que coisa terrível é o amor exarcebado do ser humano ao cargo que ocupa! Tanto um ditadorzinho de prefeitura do interior quanto um ditadorzão de qualquer país do mundo, aferram-se ao poder como as ideias fixas dos doidos. A primeira coisa que o prefeito pensa, é que a prefeitura é dele para sempre, com papel passado e tudo. Assim, diante de tanto dinheiro do povo aos seus cuidados, das mordomias inerentes e da vassalagem de outros fracos, rouba tudo que pode pela ganância extremada e manda matar os que representam ameaças ao seu cargo de amor perpétuo. No caso de Ali Abdullah, mesmo sabendo que as arrogâncias de Sadam, terminaram num buraco como um rato e, Khadaffi, em outro buraco cheio de lixo, Abdullah parece também delirar, como se essas coisas não podessem acontecer a sua fina seda.
             Com a repressão ao povo do Iêmen que pedia a sua saída, Ali fez a mesma coisa do colega de poder, massacrando a massa em praças públicas e ruas do seu país. Saleh governa a sua nação desde 1978, desafiando ultimamente, levantes populares, tentativa de assassinato e desafios a generais em nove meses de protestos. O danado passou ainda três meses no exterior como se fosse para tratamento médico, mas segurando o osso com as duas mãos e os dentes. Nesta segunda-feira, o ditador aceitou um resolução do Conselho de Segurança da ONU, para transferência do poder. O que não foi divulgado, é se essa decisão por parte de Ali, é verdadeira ou representa apenas mais um dos seus truques para permanecer no trono. De qualquer maneira, nota-se um impulso nos países vizinhos ao Golfo contra a ditadura que vai forçando uma varredura pela região. Seguindo o ditado popular, “quem não quer coado, vai beber com pó e tudo”. Não esquecer que Saleh já havia rejeitado um plano mediador árabe por três vezes seguidas.
             Interessante ainda é que os que apanham com frequência, não querem se libertar da chibata. Apareceram mulheres iemenitas, com cartazes a favor do poderoso. Com véu obrigatório, sem direito a uma porção de coisas já conquistada por mulheres de outros países, as iemenitas continuam sem ver o Sol; e como só conhecem as sombras da caverna, levantam desenhos aos ditador. São muitos os ajeitados propostos para que o homem deixe o poder sem sofrer nem com uma unha, apagando-se até seus absurdos. De um jeito ou de outro, o mundo vai ficar sem outra forte erva daninha. Mas enquanto a estátua de madeira não tomba, podemos apreciar nos jornais o seu amigo ABDULLAH CARA DE PAU.

O FILHO DE CORISCO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de outubro de 2011 Quem quisesse achar Corisco tendo o ano de 1934, como referência, poderi...

O FILHO DE CORISCO

O FILHO DE CORISCO
Clerisvaldo B. Chagas, 24 de outubro de 2011

Quem quisesse achar Corisco tendo o ano de 1934, como referência, poderia até encontrá-lo nos seus lugares prediletos entre Mata Grande e Água Branca, região serrana do oeste alagoano. Ao retornar da longa temporada Bahia/Sergipe, 1934, Lampião veio para a região acima, onde havia iniciado seus estágios. Entretanto Corisco chegou primeiro trazendo Dadá e atuando nos municípios pernambucanos de Moxotó e Tacaratu, depois veio para Mata Grande e Água Branca. Lampião chegou seis meses depois, trazendo Maria Bonita. Todavia, sábado passado, eu e o professor Marcelo Fausto, não estávamos nas caatingas à procura de Corisco, mas bem perto de uma avenida bem movimentada de Maceió, em busca do filho do “Diabo Louro”. Silvio Bulhões, o filho de Corisco, sempre foi e continua sendo um cavalheiro. Estava bem à vontade para nos receber, entre seus papagaios e rolinhas azuis que vêm comer xerém de milho no seu quintal. Na sala, enormes quadros com fotos de seu pai em traje de guerra e uma pintura representando Corisco e Dadá.

Fomos cercando Silvio, com folga suficiente para que ele se soltasse nas histórias que sabia sobre a Santana do Ipanema da sua época, sede do 2º Batalhão de Polícia de combate ao banditismo. Valiosas informações foram colhidas sobre importantes episódios relativos ao coronel Lucena, Tenente Porfírio, Corisco, Dadá, Português e muito mais. Graças a essas informações, inclusive, inéditas, vamos modificando o nosso livro “Lampião em Alagoas”, aqui, acolá, para que os fatos possam sair o mais perto da verdade. O sertanejo Sílvio continua como grande admirador do pai, mesmo sabendo das barbaridades cometidas por ele, que, juntamente com os cangaceiros Gato e Zé Baiano, eram considerados os três homens mais perversos do bando de Lampião.  Silvio, tendo sido marinheiro, continua também com um amor enorme pelos oceanos. O último capítulo do livro que estar escrevendo sobre seu pai, será dedicado à cremação dos restos mortais do cangaceiro, cujas cinzas serão jogadas ao mar. Mas o nosso economista e professor de Matemática também deseja ter seu corpo cremado quando a alma partir e as cinzas jogadas ao mar que tanta ama. Em qualquer mar porque os oceanos se interligam, afirma com bastante tranquilidade nosso anfitrião.

Finalmente lançamos o convite para que o homem que foi criado pelo Cônego Bulhões, fosse um dos três apresentadores do nosso livro. Dizendo ser uma honra, Silvio aceitou de pronto, porém, honra é para nós que por isso mesmo queremos entregar ao leitor um material de qualidade. Breve voltaremos a Maceió para uma foto a capricho, ocasião em que Silvio conhecerá a nossa obra completa e fará uma avalição para os leitores exigentes. Nossos agradecimentos públicos ao FILHO DE CORISCO.

TIBET Clerisvaldo B. Chagas, 21 de outubro de 2011   O mundo gira: Morto Gaddafi num buraco. O mundo gira: policial diz ter prova cont...

TIBET

TIBET
Clerisvaldo B. Chagas, 21 de outubro de 2011

 O mundo gira: Morto Gaddafi num buraco. O mundo gira: policial diz ter prova contra ministro. O mundo gira: assalto bonito na loteria. O mundo gira: Fifa e anúncios para a copa. O mundo gira: presos os bonitinhos do Tribunal de Contas de Alagoas. E o mundo continua girando, produzindo notícia do jeito que a Imprensa quer, da maneira que a mídia gosta. Em cada dez notícias, duas boas e oito ruins. E os sinos tangem, E assim marcha a humanidade. Assalto à caveira e o coveiro. Polícia Federal prende passarinhos, cavalos e cavaleiros. Os leitores vão ficando cada vez mais espertos ou medrosos diante das letras respingadas? O vizinho, da padaria, levou revólver nos peitos. O motoqueiro, velocista particular, morreu na batida do poste. Havia um poste embriagado na rua. Um filho de Caim matou e comeu o coração da mãe (dele). O progresso chega ao Sertão: Assaltos diários, fugas de presos, assassinatos nas ruas. Cabo de vassoura vira arma secreta para fuga em massa. Santana do Ipanema transforma-se em terra de ninguém. Animais desclassificados podem ser os verdadeiros culpados de desvios de verbas no TC.
           Não está sendo fácil para o trabalhador enfrentar o batente, nem no Rio de Janeiro, nem em Maceió, nem mais em canto nenhum. Ônibus demoram até cinquenta minutos de intervalo nos pontos. Autoridades não tomam nenhuma providência, irritando os usuários que desabafam no riso idiota de condutores e cobradores sonolentos. O lixo é jogado por trás dos pontos de ônibus e dali nunca retirado. O comércio ganancioso não para de poluir o ar com sons estridentes à porta das lojas, o dia inteiro que Deus deu. Providência? Que providência? Somente transportes alternativos levam carreiras e multas de lascar. Mas no lugar que cabem 10 ônibus rodam cinco; passageiros amontoados e, os poderosos empresários rindo da cara do usuário e da falta de força de quem deveria agir. Compartimentando, vamos fazendo questão de andar contra a evolução, crescendo para baixo como rabo de cavalo. Se alguma boa notícia é anunciada, vem por um quarto, pela metade, e o povo que se dane, parecendo que nem vale mais ditadura, reinado ou democracia. Não sei dizer se isso é o início do fim ou apenas o chamado freio de arrumação, para uma Era mais adiantada.
          Os homens rodam estressados no trânsito. Um trisca, uma freada, uma ultrapassagem, pode ser motivo de violência bárbara no primeiro semáforo. Vamos chegando a mais um final de semana fazendo um balanço grosseiro do mundo, que pode não está pior, mas certamente anda infinitamente mais perigoso. Não existe mais lugar seguro. Se você mora no meio de muita gente, eles gostam porque é bom tirotear com polícia; se você mora em local pouco habitado ainda é melhor que eles vão lá por que polícia não tem. Hoje sofre o homem urbano e o cidadão rural, o grande e o pequeno. E quando você procura a justiça, já sabe os seus percalços. No apelo final, quando você se lembra de Deus, tem até a impressão de que as palavras não passam das brancas nuvens. Não existe outro caminho a não ser fazer curso de paciência no TIBET.