terça-feira, 29 de janeiro de 2019

MOTE SERTANEJO



MOTE SERTANEJO
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de janeiro de 2019
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
“Crônica”: 2.050

                   Tema do autor: E o vento quente levando/As folhas da catingueira.

Quando vem a estiagem
Meu sertão perde o verdume
O machado perde o gume
Racha o solo da barragem
É transparente a ramagem
Cor cinza cobre a madeira
Pelo zinco da biqueira
A ferrugem rodeando
E o vento quente levando
As folhas da catingueira

Cochila o magro cachorro
Perto do pilão sem uso
O Sol parece difuso
Gavião pia no morro
Um paletó sem o forro
Pendurado na porteira
Uma velha rezadeira
No cachimbo vai soprando
E o vento quente levando
As folhas da catingueira

O teiú sobe o lajeiro
A cascavel se entoca
O mocó pula da loca
Cai juá do juazeiro
Cava o peba no barreiro
Calango sai na carreira
No fogão tá a doceira
Fazendo doce cantando
E o vento quente levando
As folhas da catingueira

Vaqueiro fica tristonho
Bebe pinga na bodega
Brincando de cabra-cega
A criançada é um sonho
Lembrando o trovão medonho
O camponês deixa a feira
Tem cuscuz e macaxeira
Café no caco cheirando
E o vento quente levando
As folhas da catingueira


Na tardinha colorida
A mulher vai ao riacho
Deita a fêmea chega o macho
Na cacimba enlarguecida
Naquela areia encardida
Gemidos na ribanceira
Nos galhos da espinheira
Tem calcinha balançando
E o vento quente levando
As folhas da catingueira.

FIM.









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