PAIXÃO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3394   É verdade, vamos voltar aos...

 

PAIXÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3394

 



É verdade, vamos voltar aos anos 50 e 60 no Sertão de Alagoas. A Semana Santa era muito fechada em si, para simbolizar o luto sincero à passagem de Nosso Senhor Jesus Cristo. O dia era santo e não feriado, as procissões eram com matracas, o povo não abria o comércio na sexta-feira, não tirava leite, não tomava banho, não cortava o cabelo, não cortava unhas, não comia carne e apreciavam na sexta, fazer um preparado para o almoço com bredo e beldroega. Nem todos faziam assim. Era semana e sexta para se fazer feijão de coco e imbuzada. Os pecados que eram praticados em sã consciência, eram evitados na sexta-feira. Evitavam-se os prazeres sexuais às sextas. E no Sábado de Aleluia, o Judas já estava preparado para ser colocado em postes e enfrentar a  malhação.

A Páscoa parecia mais leve. Começa no domingo seguinte após o Sábado de Aleluia e prossegue por 50 dias, significando a Ressureição do Cristo,  e que se prolonga até Pentecostes, nova celebração da Igreja. Pentecostes lembram o Espírito Santo comunicando-se com Maria e com apóstolos, em forma de línguas de fogo. E quando desejamos aos nosso amigos, conhecidos, familiares ou quem quer que seja, uma Feliz Páscoa, estamos desejando uma transformação para melhor  com êxito total. Viver a Semana Santa, é diferente de ver a Semana Santa. Pois, se o objetivo da vida é evoluir, se aperfeiçoar perante os céus, a Semana Santa, oferece esses momentos de complementação profunda para entender a nossa missão na Terra.

Posso dizer sem medo de errar que alcancei fase de ouro da Semana Santa, Foi a fase descrita acima, capitaneada pelo padre Luís Cirilo Silva e seu sacristão, Jaime a que muita gente o chamava de Jaiminho. E nunca saiu da cabeça a lembrança das procissões do Senhor Morto pelas empoeirada Rua Antônio Tavares,  anos e anos seguidos, com as mesmas pessoas (6) levando o dossel  sobre o corpo do Cristo. E eu me questionava por que sempre os mesmos homens que nunca davam chances de privilégios para outros cristãos fazerem assim. Será que somente os mesmos seis homens de todos os anos, eram virtuosos e merecedores daquela função. E acho que no futuro somente foram substituídos gradualmente por mortes dos titulares.

Mas, quanto mais humildade melhor, segundo o corpo de quem estava sob o dossel.

JESUS.

 

  CIGARRAS E ANDORINHAS Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3393   Duas coisas ...

 

CIGARRAS E ANDORINHAS

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3393

 



Duas coisas faziam parte das paisagens e sons naturais em Santana do Ipanema, médio Sertão Alagoano. Davam gosto se ver e ouvir, como diziam os  adultos dos anos 60. Uma dessas coisas, era o buzinar contínuo das cigarras nas árvores do serrote do Cruzeiro.  Quem visitava o serrote, tanto para apreciar a cidade, do alto, conhecer o monte ou fazer promessa na capela de Santa Terezinha, ficava embasbacado com o aspecto verde intenso da vegetação e o canto de doer no ouvidos das cigarras, como se estivessem  na regiões mais altas do Sertão. Um espetáculo grandioso que transportava o visitante para um embevecimento jamais sentido. Além da novidade do cantos das cigarras, o cheiro do mato verde era muito poderoso.

A outra coisa eram as andorinhas das manhãs de inverno. Os bandos se abrigavam na torre da Matriz de Senhora Santana e sob os telhados do chamado “prédio do meio da rua” e “sobrado do meio da rua”. Faziam suas revoadas pelos arredores e lavavam o peito nos voos rasantes nas águas do rio Ipanema, no Poço dos Homens. Quando retornavam da revoada, enfileiravam-se nas torre da Igreja, que pareciam fazer parte da própria arquitetura. A natureza conserva, mas o homem destrói. Algum motivo houve para que as cigarras cantadeiras e as andorinhas ornamentais, tivessem deixados apenas esses registro do escritor.  E sem esses registros complementares do nosso tempo a história de Santana não ficaria completa. Por que o que é belo não pode ser lembrado?

Quando um dono de padaria tirou empréstimo do banco dizendo que iria desmatar o serrote e plantar eucalipto, pelou o serrote e nunca apareceu um pé de nada. Somente após trinta e cinco anos depois, nasceram os primeiros vegetais, gravetos e arbustos. Nada mais de árvore.  Somente as enxurradas desgastando a terra fértil. Um crime ambiental grave, por ser o serrote do Cruzeiro o pulmão verde de Santana. Quanto às andorinhas, após a demolição por parte da prefeitura, do “prédio de meio da rua” e do “sobrado do meio da rua”, protestaram  ao modo das aves e desapareceram para sempre de Santana do Ipanema.

Nem sempre a conscientização está no poder aquisitivo.

Nem sempre a Natureza entra  na teia da política.

MATRIZ DE SENHORA SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

 

  DIA DA MENTIRA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3392   Danou-se!   Com tan...

 

DIA DA MENTIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3392



 

Danou-se!  Com tanta mentira no Brasil social e político, finalmente chega o dia adotado pelo povo como o “Dia da Mentira”. E dizem que o Dia da Mentira, 1 de abril, teve início no Brasil quando um jornal mineiro dava a falsa notícia da morte de D. Pedro I. Que coisa, hem! Quer dizer, então, se você estiver aniversariando nesse dia, é mentira, nem precisa comemorar e nem fazer bolo. Abril vem de abrir, referindo-se ao desabrochar das flores no Hemisfério Norte.  É um mês cheio de bons simbolismos, sendo o quarto mês do ano que muito tem a ver com a primavera do Norte planetário. Portanto, esse mês tão cheio de bons simbolismos não deveria se iniciar como Dia da Mentira, abominável até perante os céus. A palavra do homem  e da mulher deve ser Sim, sim, Não, não.

Ê amigos e amigas, mas não é mentira que hoje, Quarta-Feira Santa, invernou aqui em Santana do Ipanema, médio sertão alagoano. Na parte da tarde o céu ficou totalmente branco e a chuva fina, compassada e intercalada, imitou o inverno do ano passado. O mesmo ritmo  de chuvas mansas e preguiçosas durante todos os meses de duas estações. Sem susto, sem aperreio, sem  ameaças. E este inverno que tem início no outono, parece  enviar mensagem de como se comportará mais uma vez. Os profetas da chuva, em Santana, 10, afirmaram o bom inverno, este ano. Já pensou se todos estivessem mentindo! Ainda bem que afirmaram antes do Dia da Mentira. Mas estou escutando alguns trovões, mansos, também um pouco distante.

Nós sertanejos, temos imensa satisfação quando alguém da capital visita o nosso Sertão e elogia continuadamente o verde intenso dos nossos campos. E, de fato, toda a área dos arredores de Santana do Ipanema, nos oferece o cenário de paraíso terrestre. Os espanta-boiadas revoam com  alarde mesmo antes do amanhecer em busca  de lagoas, barreiros, rios e açudes. E, por enquanto, a frieza é apenas moderada, para o uso parcial dos lençóis. Enquanto isso, com chuva ou sem chuva, rodam carros de lojas diversas, anunciando promoções e promoções. E o povo prefere acreditar mais no Dia da Mentira e menos nos apelos insistente de incríveis descontos.

“Ê, meu ‘fio’, rapadura é doce mas não é mole, não”.

ESPANTA-BOIADAS ( DIVULGAÇÃO).