PARCERIA Clerisvaldo B. Chagas, 06 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3372   Tive a alegria de receb...

 

PARCERIA

Clerisvaldo B. Chagas, 06 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3372

 



Tive a alegria de receber em minha residência o jornalista, editor e escritor José Malta, conhecido como Malta net. Como, onde existe boa-vontade há evolução, tratamos da parceria entre escritor e editor para acontecer a mais nova edição da IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA E SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA. O Objetivo é sempre enriquecer a memória da juventude com a nossa história, a nossa tradição. Ambos os livros serão lidos e analisados pelos alunos das escolas municipais de Santana do Ipanema, entre alunos, professores e editor. Em uma segunda etapa, entra autor ou autores para possíveis entrevistas que dissiparão dúvidas e curiosidades encravadas nos textos. Relevantes prestações de serviços que o jornalista José Malta, vem realizando a bem da nossa história e da literatura produzida na terra.

Mas o momento também é de prestigiarmos o lançamento do livro, no próximo sábado, LEMBRANÇAS DO PASSADO, na, Câmara de Vereadores Tácio Chagas Duarte, às 19 horas. O livro é da autoria de Ialdo Falcão (In memoriam), complementado pela esposa Marina Falcão. O referido livro foi editado pelo Instituto SWA de Santana do Ipanema e, contém prefácio do escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas.  Além da sensibilidade familiar o livro fala da trajetória do pai do autor, tanto como homem do povo, quanto da sua profícua administração como prefeito/interventor e que traz muitas luzes para a complementação da história santanense. Um sonho da família, um presente para a nossa sociedade.

A construção da Ponte Padre Bulhões, a aplicação do nome Benedito Melo à Rua Nova, a doação do terreno para a construção da sede dos Correios, foram ações concretas do pai do autor, Firmino Falcão Filho, que se orgulhava de ter sido nomeado prefeito/ interventor pelo, então, governador Silvestre Péricles, para o período 1947-1948. Firmino Falcão Filho, o seu Nozinho (ô), particularmente, foi quem introduziu a raça de gado Gir, em Santana do Ipanema. Foi ele ainda quem doou terras na parte norte de Santana, onde hoje funciona a EMATER, a Caixa Econômica e, antes, o Posto de Puericultura. Portanto, a entrada moderna de Santana – Capital, deve-se às suas doações. Firmino foi um grande benfeitor ao clube futebolístico Ipanema. Todos esses dados do livro de Ialdo Falcão, contribuíram com o livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

 

 

  RIO IPANEMA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3372   O hábito salutar era ...

 

RIO IPANEMA

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3372

 



O hábito salutar era prático, séculos atrás. As pessoas, sedentárias ou nômades, procuravam facilitar a sobrevivência, fazendo suas moradias às margens de rios. Primeiro era a luta diária pela água de beber. Depois, pelos benefícios da água nas tarefas domésticas e o uso da sua umidade para o criatório ou para o plantio. Mas, mesmo os rios periódicos, secos, forneciam ainda material para a sobrevivência humana. Lenha, caça, ervas medicinais, madeira para móveis, para arreios, pasto e espaço para os animais domésticos. Mas isso era em todos os lugares do mundo. Hoje aquele hábito prático tornou-se perigoso pelas própria ações humanas que não respeitam a Natureza. O nosso tão apreciado rio Ipanema, prestava todos esse serviço acima. Considerado o “pai de Santana”, sem ele a cidade não teria existido.

Como as coisas muito evoluíram, os seus habitantes foram ficando cada vez mais, independentes dos fornecimentos do rio. Atualmente, não só o  Ipanema, inúmeros rios do Sertão ficaram tão esquecidos que o povo não sabe mais sobre suas nascente foz e trajeto. As novas gerações somente lembram dos rios da sua terra, quando acontecem as cheias assombrosas. A falta do cultivo das nossas tradições nas escolas, traz a indiferença sobre as nossas relíquias, ainda vivas. É de se perguntar:  como as gerações mais jovens, vão valorizar, estudar, pesquisar... Se ninguém nada lhes fala? Estamos vivendo, então, um tempo sem memória em que o jovem formado, ou não, ignora suas origens e prefere mesmo nem lembrar nada e viver como um robô, matando sua curiosidade no celular.

O rio Ipanema é o maior rio de Alagoas, com cerca de 220 quilômetros de extensão. Nasce na serra do Ororubá no município de Pesqueira, Pernambuco. E sua foz estar localizada no povoado Barra do Ipanema à jusante da cidade de Belo Monte, no rio São Francisco. Em Alagoas banha três cidades e vários povoados com as cidade de Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha. Melhor consultar o livro IPANEMA, UM RIO MACHO, deste mesmo autor.

“O PAI DE SANTANA” (FOTO: B.CHAGAS).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  ARTESANATO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3371   O subúrbio de Santana d...

 

ARTESANATO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3371

 



O subúrbio de Santana do Ipanema, Bebedouro/Maniçoba, era rico na sua variedade artesanal. A pobreza dominava por ali na década de 60. E uma das fontes de renda, fora o emprego nos curtumes que havia, a agricultura ou o pequeno criatório, o artesanato dominava: Tínhamos fabrico de chapéus, abanos, esteiras. Maioria feita de palha; Chapéus de couro de bode; fogos de artifícios; peças de madeira, motivos de promessas; tamancos; sandálias de couro e muito mais, além da curtição do couro e transformação em sola. Tudo era vendido de encomenda ou aos montes nas feiras dos sábados, no Centro. Muitos desse artesãos, migraram para o bairro mais próximo, São Pedro e continuaram com a mesma atividade.

Antes, a estrada Delmiro Gouveia – Palmeira dos Índios, passava por ali. Quando foi construída a rodagem da BR-316, Palmeira dos Índios – Delmiro Gouveia, o subúrbio Maniçoba/Bebedouro, ficou isolado e assim permaneceu até o final do século XX. Os benefícios foram chegando devagar, com lentidão de cágado. Calçamento, água, luz... Somente há pouco ganhou ligação asfáltica ao Bairro São Pedro. Foi muto beneficiado pela expansão do Bairro Lagoa do Junco que começou a se encostar na Maniçoba pelo Norte. Atualmente pessoas de bom poder aquisitivo, construíram ali suas mansões. Era lugar de grandes festas folclóricas e religiosas. Na década de vinte do século passado, recepcionou o governador santanense que chegava de Maceió, através de Viçosa com inúmeros cavaleiros. Muito foguetes, muitas bombas.

No final do Bebedouro, estar localizada a foz do riacho do Bode, que forma o açude artificial do “riacho do Bode”, ao norte, hoje no Bairro Lagoa do Junco que também se expandiu em direção ao açude. Ali perto da foz tem um lugar paradisíaco chamado “cachoeiras”. Foi daquele núcleo habitacional que saiu o primeiro documento de Santana do Ipanema, que se conhece a venda de uma fazenda, em prestações. As casas da rua principal com fundos para o rio Ipanema, têm quintais rochosos e árvores de porte. É um lugar bastante ajardinado. Foi ali construída a Igreja de São João, pelo artesão João Lourenço em 1917, contra a gripe influenza que matou milhões na Primeira Grande Guerra.

 RUÍNAS DA IGREJA DE SÃO JOÃO, EM 1998 (FOTO: B. CHAGAS).