SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
A AVENIDA DAS ELITES Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.531 A Avenida...
A
AVENIDA DAS ELITES
Clerisvaldo
B. Chagas, 12 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.531
Era ali o corredor
entre o Centro Comercial e a rodagem rumo ao alto Sertão e à capital Maceió. A
avenida era uma espécie de galeria para os grandes espetáculos: desfilavam os
primeiros automóveis, as procissões da Padroeira, as paradas escolares, as
bandas de música... Via em primeira mão as novidades que chegavam da capital.
Ali moravam o padre, o prefeito, o comandante, o alto fazendeiro, o médico, o
advogado, o comerciante, o juiz, o promotor... Além do funcionamento de Fórum,
cinema, prefeitura e cartório. As residências eram compridas e seus quintais
com portões, atingiam as ruas dos fundos.
Santana progrediu, os
cabeças das elites da Avenida, faleceram gradativamente e as residências, pouco
a pouco foi sendo vendidas pelos descendentes e transformadas em comércio e
prestadoras de serviços. Com as sucessivas vendas de terras do seu entorno,
formaram-se muitos conjuntos residenciais, condomínios... Que muito ajudaram a
recolher os remanescentes da via antes cobiçada. Fica a Avenida Coronel Lucena
cada vez mais bonita e brilhante com tantas lojas modernas de fachadas e
interiores convidativos.
O movimento na cidade triplicou
e a avenida passou a funcionar com mão única. Mesmo assim, o trânsito,
principalmente, pelas manhãs, mostra toda a dinamicidade de uma cidade polo.
Está para ser inaugurada mais uma clínica de alto nível, justamente defronte ao
Banco do Brasil. Embora várias ruas tenham movimentos impressionantes de
automóveis e pedestres, a Avenida Coronel Lucena não deixa de ser a grande
reveladora das novidades, transformando-se De Crisálida em Borboleta. Tiro o
chapéu.
TRECHOS DIFERENTES E
DOIS MOMENTOS DA AVENIDA (FOTOS: B. CHAGAS).
O SOLTEIRÃO DA VOLTA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.530 O rio Ipanema ...
O
SOLTEIRÃO DA VOLTA
Clerisvaldo
B. Chagas, 11 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.530
O rio Ipanema entra na
cidade de Santana pela periferia onde foi construída uma barragem, hoje
assoreada. Ao passar pela barragem em cerca de 800 metros, faz uma volta e
desce ruma ao São Francisco. Essa curva do rio sempre foi chamada “Volta do
Ipanema” e que depois ficou apenas “Volta”. Atualmente a referência está em
desuso e a nova geração talvez nem saiba disso. Pois bem, um dos escritores
santanenses da família Monteiro, escreveu que visitou a Volta, quando rapaz e
deparou-se com uma casinha solitária naquele lugar, descobrindo que era
habitada por um homem solteiro chamado Satuba. Travara diálogo com ele e ficara
sabendo sua vida.
Satuba contou que amava
muito a uma senhorita, mas por não ser correspondido, resolvera trocar o amor à
jovem pelo amor à Natureza. Viera morar ali na Volta onde era muito feliz.
Tinha o Sol da manhã, o perfume das flores, o canto dos pássaros e a paisagem
toda que o cercava. O futuro escritor fora embora pensando no caso de Satuba,
mas não fala mais sobre ele em seus escritos. Embora o caso tenha acontecidos
há muitas décadas, também fiquei curioso com a referência “Volta” naquelas
páginas. Conhecendo bem o rio Ipanema, resolvi visitar a Volta dos tempos
passados.
Manhã convidativa, saí
pela Rua Nair Amaral, Bairro São José, chegando até a parte final da via com
acesso ao rio. Contemplei o longo areal do rio seco e iniciei a travessia
contemplando as craibeira novas que nasceram nas rachaduras das pedras para se
tornarem as rainhas do Ipanema. Craibeira, árvore símbolo de Alagoas. Na “Volta”,
não encontrei vestígio algum da casa do personagem de Monteiro. Havia apenas
uma residência nova de alpendre, cujo fazendeiro aproveitara a foz do riacho
Salobinho, afluente do Ipanema, onde fizera barragem, desviando a foz do
riacho. Como era bem perto do Matadouro dei um pulinho até ali. Matadouro
fechado não vi pelos arredores “nem um pé de pessoa” com diz o sertanejo. Sim,
os pássaros estavam ali, o Sol, o mundo, mato perfumado, paisagem bucólica e
bela, conferiam com as desculpas do solteiro romântico do escritor.
Não encontrei vestígios
da história, mas diante do cenário ribeirinho e da ausência de humanos,
compreendi perfeitamente a solidão de Satuba, o solteirão da Volta.
SEGUI PELA RUA NAIR
AMARAL (FOTO: B. CHAGAS).
CARACOL Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica:2.528 Não, não é o caracol dos se...
CARACOL
Clerisvaldo
B. Chagas, 8 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:2.528
Não, não é o caracol
dos seus cabelos, é a serra do Caracol no município de Santana do Ipanema. Estar
encravada após os povoados São Félix e Óleo. Faz parte da região serrana e foi
citado como marco de sesmaria no primeiro documento que se conhece sobre o nosso
município. Sua denominação, ao contrário do que muita gente pensa, vem da sua
forma física avistada de cima, parece com um caracol. Como quase todas as
elevações da parte serrana, a serra do Caracol é bastante habitada e apresenta
boa cultura frutífera, como a manga, por exemplo. Havia olhos d’água na região,
inclusive, fontes da chamada água mineral.
Atualmente, o Povoado São Félix funciona como abastecedor e socorrista
daquela área, cumprindo assim o seu papel de intermediário entre o campo e a
cidade.
Informações dão conta
de que o Óleo, quase encostado a São Félix, de quatro ou cinco casinhas e
terreno esburacado de olaria, cresceu, desenvolveu, virou povoado e faz séria
concorrência a São Félix, antigo povoado Quixabeira Amargosa. Ambos usam a boa
política de levar benefícios para esses aglomerados que terminam de extrema
utilidade para o restante dos entornos, a exemplos de escolas, postos de saúde,
ambulância e investimentos particulares no pequeno comércio que caracteriza um
povoado. Quem pretende conhecer esses
lugares, deixa a cidade de Santana do Ipanema pelo Bairro São Vicente, passando
pelo Santuário de Nossa Senhora Guadalupe, sempre seguindo em frente até pegar
uma estrada de terra que leva à serra do Caracol.
Caso o amigo ou amiga
queira conhecer mais a zona rural, naquela direção, passando serras e grotas
poderá chegar em ponto muito distante de inscrições rupestres no sítio Pedra
Rica. Não tem tantas coisas assim, mas as inscrições que são encontradas nas
abas de um grande lajeiro podem deixar qualquer pessoa satisfeita. Daí
originou-se o nome do sítio Pedra Rica, pois se acreditava que as inscrições
indígenas indicavam um tesouro escondido, porém a riqueza são as próprias
inscrições na pedra.
Diversos pesquisadores
têm chegado até ali, vindo dos mais diferentes estados, mas ficam “batendo
fava” diante dos estranhos desenhos. Pode-se chegar à Pedra Rica também
seguindo pela cidade e município de Dois Riachos...
Mas, primeiro beba uma
água fria na serra do CARACOL.
INICIE A JORNADA PELO
SANTUÁRIO DE N. S. DE GUADALUPE, NO BAIRRO SÃO VICENTE. (FOTO: LIVRO 230/B.
CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.