SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
LAJEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.535 Lajeado, lajeiro, lajedo,...
LAJEIRO
Clerisvaldo
B. Chagas, 19 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.535
Lajeado, lajeiro,
lajedo, são palavras que definem o afloramento no solo de pedra extensa, fixa,
e de variadas formas. No Sertão chamamos simplesmente, lajeiro. Conforme o seu
formato pode abrigar furnas de onças, abrigos de preás, mocós e cobras. Quando
elevado ou rente ao chão pode acumular água da chuva em simples depressões,
rachaduras ou em formações de caldeirões e panelas. É usado para descanso, para
lavar roupa, ponto de lazer. O lagarto teiú gosta de tomar o sol da manhã
nesses lajeados. Nas suas rachaduras ou em qualquer lugar de falha na sua croa,
surgem os cactos sertanejos como o xiquexique, o alastrado, a coroa-de-frade.
Pode apresentar o facheiro ou o mandacaru, mas a preferência é pelos três
primeiros apontados acima.
Embora pareçam entre si
o alastrado e o xiquexique para o sertanejo têm ligeiras diferenças. O
xiquexique (Pilocereus gounellei) cresce com seus braços encurvado para
cima em forma de candelabro. Já o alastrado (Cephalocereus gounellei).
Cresce em forma de candelabro, mas também se alastram pelo chão e mostra
emendas retas de um braço ao outro. Muitos cactos são usados para enfeitar
praças, jardins e fachadas de casa. A coroa-de-frade que parece mesmo com uma
coroa do religioso, é fã dos lajeiros e usados por donas-de-casa atrás da porta
de entrada e no jardim, contra energias negativas (atenção redobrada com as
crianças).
O grande lajeiro do
sítio Laje dos Frades, além de bonito, armazena muita água pluvial, foi
imortalizado por nós, no livro “Negros em Santana”. Fizemos nova visita ao
loteamento Colorado (Luar de Santana) ainda em formação, registramos uma
paisagem ímpar na primeira quadra a 340 metros de altitude. Além da paisagem de
campo, um belíssimo conjunto de xiquexique que forma a cereja do bolo (ver
foto). Pensamos em publicar sete fotografias de tirar o fôlego, descrevendo-as
no lugar das crônicas durante a próxima semana. Colírio para leitores e
descanso para o autor. Inclusive, a foto de hoje que retornará comentada.
Estes são alguns
valores dos lajeiros sertanejos, olhados com visão inquiridora de amante e
geógrafo do semiárido.
Sua interação é VIDA
para o blog.
LAJEIRO E BELÍSSIMO
EXEMPLAR DE XIQUEXIQUE. AO FUNDO, PARTE DE SANTANA DO IPANEMA E SERRA DO POÇO
(FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).
OS CINCO NOMES DA TERRA SANTANENSE Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.533 ...
OS
CINCO NOMES DA TERRA SANTANENSE
Clerisvaldo
B. Chagas, 14 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.533
Como temos falado
bastante em Santana do Ipanema, podemos também esclarecer sobre seus títulos
anteriores, segredos ou detalhes importantes, despercebidos pelos filhos da
terra. E o bom santanense deve se esforçar para conhecer melhor a torrão em que
nasceu.
O primeiro nome da
região aonde escorria o rio Ipanema, em Alagoas, era chamada de Ribeira do
Panema. Leva-se em conta que a palavra “ribeira”, significa rio, pelo menos
em todo o Nordeste, assim como a palavra “barra” é usada em todo o Brasil como
“foz”, lugar onde um rio despeja suas águas. Essa denominação abrangente de Ribeira
do Panema, perdurou até 1787, antes da construção da capela que deu origem
à cidade.
É bom salientar que o
rio tanto é chamado Ipanema, quanto Panema. Esta é uma forma carinhosa e
popular em Santana.
Após a fundação da
capela que recebeu a imagem de Senhora Santana como padroeira, a região passou
a se chamar: Sant’Anna da Ribeira do Panema. Esta denominação foi de
1787 até 1836 quando Santana passou a Povoado Freguesia.
Quando Santana passou
de Povoado Freguesia à vila (1875) teve novamente alterada sua denominação.
Ficando nos anais Sant’Anna do Panema. Saiu o nome ribeira.
Desde Santana vila
(1875) até 1921, Santana cidade, escrevia-se Sant’Ana do Ipanema. Santana
perde um “N” e entra Ipanema pela primeira vez.
A partir de 1921,
elevada à cidade, Santana passou a ser chamada e escrita SANTANA DO IPANEMA.
Santana, devido à
Santana Ana, avó do Cristo.
Ipanema, água ruim,
salobra, na língua indígena Fulni-ô.
O Sertão alagoano foi
explorado através do rio São Francisco, quando os navios entravam pela sua foz
e subiam até Pão de Açúcar. Dali os sertanistas penetravam pela foz do rio
Ipanema, do rio Riacho Grande, Capiá, Traipu e outros que despejam no “Velho
Chico”. O Sertão foi habitado por criadores de gado em consórcio com a lavoura,
numa manobra autossustentável. As exportações e importações aconteciam através
do porto de Pão de Açúcar, guando frotas de carros de boi embarcavam e recebiam
mercadorias. A comunicação do semiárido com a capital, também só poderia ser
feita por navios na rota, São Francisco, Penedo, Oceano, capital. Não havia
estradas por terra Sertão-Maceió.
RIO SÃO FRANCISCO NO POVOADO BARRA DO IPANEMA, EM 1914. (FOTO: B. CHAGAS).
AIVECA Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.532 O amanhecer em Santana do ...
AIVECA
Clerisvaldo
B. Chagas, 13 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.532
O amanhecer em Santana
do Ipanema e em todo Sertão alagoano, ultimamente tem mostrado umidade de
inverno. Dias quentes, nublados, madrugadas frias, quase sempre com amostras de
chuvas de pouca monta. A Natureza anima-se bastante. Entre quatro horas da
madrugada até o amanhecer espanta-boiadas fazem alaridos sobrevoando rio,
riachos e açudes. Formigas de asas chegam à noite pela cidade anunciando a mudança.
Ou pela Covid ou pelo tempo, ruas de bairros ficam completamente desertas e não
se vê nem gatos circulando para suas caçadas costumeiras.
Várias prefeituras
sertanejas vão ajudando o homem do campo com tratores para aração de terras. Agricultor
pobre não pode comprar máquina possante e decisiva. Ara sua terra à base de
arado puxado por junta de bois, de cavalos, jumentos, numa dificuldade grande
abrindo mão da velocidade que o tempo exige.
O primeiro arado do
sertão alagoano, foi o arado de aiveca, introduzido na lavoura pelo, então Dr.
Otávio Cabral, agrônomo do governo estadual na década de 20 que ainda trouxe
várias outras novidades para o campo, inclusive a cerca de arame farpado e a
criação da sementeira, estação experimental no sítio Curral do Meio II, em
Santana do Ipanema. Mais de cem cavaleiros de Pernambuco vieram observar de
perto as novidades rurais trazidas pelo homem que modernizou a agricultura
regional. No caso, o arado de aiveca, foi a grande surpresa daquele momento.
Quanto a denominação, vejamos o “Pai Véi”: Cada uma das duas
peças do arado que alargam o sulco, afastando e acamando a terra dos lados.
Não vemos em nossa região aquelas grandes máquinas agrícolas mais
modernas do mundo, mas para a agricultura de roça, o trator básico é sempre bem-vindo
e, ofertado gratuitamente pelas prefeituras, melhor ainda. Dizia Padre Cícero
ao sertanejo que perguntava quando deveria plantar: “Choveu, plantou”. É assim
que estão fazendo os sertanejos alagoanos. O tempo estar parecendo inverno e a
nossa mesa precisa de feijão-de corda e de arranca, milho, macaxeira, abóbora,
melancia, fava e muitas outras culturas cujos produtos vão ser encontrados na
feira camponesa, ao contrário da Agricultura de Plantation que exporta seus
produtos. Com fé em Deus vamos aguardar para breve a fartura no campo.
E que o arado de aiveca seja um grande inspirador na produção dos campos
nordestinos.
ARADO NO MUSEU DARRAS NOYA, (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.