CACHAÇA COM PÃO DE LÓ Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3383   Foi ele que...

 

CACHAÇA COM PÃO DE LÓ

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de março de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3383

 



Foi ele quem me batizou. O padre que se tornou o mais famoso do Sertão alagoano conduziu a paróquia de Senhora Santa Ana dos anos 20 ao início dos anos 50. Era filho do povoado Entre Montes, pertencente ao município de Piranhas. Foi ele quem recebeu para criar o bebê de Corisco e Dadá. Morava num casarão às margens da foz do riacho Camoxinga, com suas irmãs. Havia um irmão dele no cartório da cidade e outro como fabricante de aguardente, em Santana do Ipanema. Com o poder da Igreja, na época mandava absoluto na cidade até que dividiu seus prestígios em 1936, com o coronel, então, tenente Lucena, chefe do batalhão recém-criado e chegado à cidade para combater os cangaceiros do bando de Lampião.

Apesar de ser um homem austero, contam que ele nunca almoçava sozinho. Já chegou até mandar portador a um hotel convidar qualquer caixeiro-viajante que estivesse ali para almoçar com ele. Certa feita organizou atendimento aos flagelados da seca que desciam de Pernambuco e acampavam no leito seco do rio Ipanema. Foi um dos fundadores do Ginásio Santana e o grande reformador da Matriz de Senhora Santana. Mas, o incrível era que o padre tolerava bem o Carnaval. Os blocos carnavalescos entravam nas casas dos políticos para beber com variados tira-gostos. A cachaça rolava pela cidade e, quando os blocos chegavam à casa do Padre Bulhões, eram bem recebidos e o tira-gosto era pão de ló, da mesma massa fina da qual se fazia as hóstias.

Nunca tinha ouvido falar que um cachaceiro comesse pão como tira-gosto de cachaça. Mas esses casos acima foram registrados pelos que os conheceram e até com ele conviveram. Não sei sobre Carnavais, mas o seus substituto, padre Luís Cirilo Silva, quando chegava vinho de primeira para encher as garrafas da igreja, convidava alguns personagens da sociedade santanense para ajudar a encher as garrafas, provavelmente, em um quarto que havia por trás do altar-mor. Divertia-se a valer vendo os cabras se embriagando com o vinho de missa, entre eles, Henaldo Bulhões Barros e Expedito Sobreira.

Beber em casa de padre não era pecado?

Eu, hem!

CACHAÇA NELES (DIVULGAÇÃO.)

 



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