ERA ASSIM, DEPOIS... Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano                                  ...

 

ERA ASSIM, DEPOIS...

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

                                                          Crônica: 3440

 



Após jumentos, burros, cavalos e carro de boi, foi surgindo em  Alagoas o caminhão e o trem.  O trem no litoral e no vale do Mundaú, o caminhão, ainda raridade, cortando todas as regiões do estado. E as estradas de antigos almocreves e carro de boi, foram  aos poucos, alargadas para a era dos motores. As antigas estradas alargadas eram chamadas de “rodagens”. Trabalhadas, mas ainda conhecidas como  “estradas de terra” ou “estradas de barro”. E para cuidar desses problemas, atuavam em várias cidades do Brasil, repartições federais do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens – DNER. Hoje DNIT. No Sertão alagoano o DNER, escreveu páginas de pioneirismo, desbravamento e de um heroísmo cru e teimoso que permitiu o desenvolvimento rodoviário  e seus agregados. Chegou em Santana em 1951.

Quase todos os dias os chamados “cassacos”, isto é, os homens que trabalhavam nas estradas, estavam em turmas atuando em trechos, entre Palmeira dos Índios e Delmiro Gouveia. O DNER, em Santana do Ipanema, deu trabalhos a inúmeras pessoas. Quanto ao salário, uma hora estava bem por cima, outra hora era motivo de reclamação. Ainda cheguei a conhecer, pelo  menos, dois funcionários que viraram agiotas, naturalmente quando o salário estava em alta. A sede do DNER, era chamada de “residência”, talvez pela presença do engenheiro que comandava a repartição e que tinha vários direitos e ali morava. Conheci vários intelectuais que trabalharam no DNER, inclusive, o economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá.

Muitos episódios relevantes aconteceram na repartição, porém tudo foi perdido por falta de registros. Apesar de tanta gente capacitada, ninguém publicou uma linha sequer da gloriosa história do DNER em Santana do Ipanema. Ali se abrigava repentistas, músicos, engenheiros, professores, agricultores, rezadores... Mas nada de livro. As histórias eram contadas de boca em boca, até que o tempo varreu todos os vestígios gloriosos daqueles heróis. O golpe definitivo foi quando aconteceu sua extinção e, depois, renascido com outra sigla, mas a história já tinha acabado. Assim é que eu mesmo me pergunto se a história de Santana do Ipanema, não está incompleta com a ausência do DNER em suas páginas. É duro ver o ouro escapando por entre os dedos.

ANTIGO DNER EM 2012.

  JULHÃO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3439   Quem quiser não acredite em...

 

JULHÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3439

 



Quem quiser não acredite em surpresas. Mas, ao contrário do que o final de junho pregava, julho não amanheceu com aquele frio intenso de matar sapo.  O frio acentuado ficou na madrugada entre ambos os meses. Julho entrou sereno, iluminado, céu profundamente azul em toda a sua extensão. Um anúncio importantíssimo para o nosso destino agrícola e pastoril. Uma    significativa joia para roupas nos varais e antídoto para mofos.  E julho abre com um sorrisão o mês da padroeira Senhora Santana, outrora, a maior festa religioso de Alagoas e, a intrusa Festa da Juventude tudo no contexto dos trinta  e um dias tão esperados do ano. E para ornamentar a segunda quinzena de julho ainda o lançamento do livro AREIA GROSSA.

Como já dissemos, festa em cima de festa, as juninas e as de julho que logo começarão. Para os que apreciam histórias de cangaceiros, é mais um mês de aniversário da morte de Lampião e Maria Bonita, precisamente em 28 de julho. Riachinhos escorrendo, Vegetação verde fechado, Ipanema com água nos poços e foguetes que sobraram de junho.  Vamos planejando uma rápida viagem ao São Francisco, porém, continua em nossa mentes chuvas e frio de situações anteriores, cuja tempo atual, então, gera a desconfiança. É meu amigo, minha amiga, a busca inolvidável por novíssima publicação em livro hibernado por vários anos seguidos. Vamos obedecendo a ordem de publicações, anunciando mais um documentário de altíssimo valor para a região banhada pelo rio Ipanema, sobretudo, para Belo Monte, o núcleo do documentário.

Mas, o que leva um escritor a escrever um documentário, fora a importância em registro do futuro documentário? Você já pensou nesse caso? Ora, a temática pode até não ter tanta importância, todavia, a parte emocional conta muito para a decisão de escrita. Imagine que um lugar em que você visitou,  nada tem de histórico, mas conquistou o seu coração por alguma coisa particular que somente você sentiu. Mexeu com  você, penetrou fundo na alma e no  pensamento, tocou no coração. É aí quando o escritor se alvoroça por dentro e se não levar o caso para o papel, adoece. É um pedido forte e educado da Natureza  que somente ele capturou. Tem coisas que só a mulher enxerga, tem coisas que só o poeta vê, tem coisas que só o escritor percebe.

 

  AREIA GROSA Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3438 Finalmente chegou as noss...

 

AREIA GROSA

Clerisvaldo B. Chagas, 30 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3438



Finalmente chegou as nossas mãos os livros ainda quentinhos da gráfica e, logo procuramos elaborar o seu tão esperado lançamento. Trata-se do romance urbano  - diferentes de todos os outros do ciclo do cangaço – AREIA GROSSA. A denominação do romance, é originária das areias grossas do rio Ipanema, seco. Uma trama de ficção, mas com oitenta e dois personagens reais que viveram  às margens do rio Ipanema em torno dos anos 60. São personagens terceirizados, não são protagonistas fictícios que dão vida e movimentam a trama. O lançamento do livro, dar-se-á na Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, epicentro da história que, além dos 82 personagens reais do século passado, registra episódios históricos, edifícios e lugares. Um romance social  histórico e geográfico, sem dúvida alguma. Grande fonte de pesquisa.

O outro livro,  MARIA BONTA, A DEUSA DAS CAATINGAS, esgotou-se em apenas quinze dias. Mandamos imprimir mais um pouco. E agora só nos restam dez exemplares. Estão disponíveis pelo mesmo preço de lançamento, isto é, 80,00. Quer adquirir, entre em contato rápido para não perder a oportunidade. É um clássico como “Lampião em Alagoas” e não existe similar no mercado livreiro. Após acertos, divulgaremos dia e hora de lançamento do AREIA GROSSA. Todos poderão comparecer, porém, não haverá livro à venda, serão distribuídos aos remanescentes dos personagens reais, gratuitamente.

A propósito, o ápice do romance AREIA GROSA são as imediações da sede da Associação Nossa Senhora de Fátima, construída hoje sobre o terreno do antigo edifício da Perfuratriz, do romance. Esta associação foi invadida pela cheia do rio Ipanema e rua inteira virou escombros, como a chamada Rua da Praia. Financiado pelos escritores, João Neto Chagas, e Luís Antônio, o Capiá, O romance AREIA GROSSA, resgata a história do lugar com esses três escritores mais idosos de Santana do Ipanema que muito perambularam por aquele epicentro. Vamos proporcionar uma  noite de saudade, alegria e dignidade ao povo da beira do rio.

  PUERICULTURA Clerisvaldo B. Chagas,29 de junho de 2026 Escritor Símbolo do sertão Alagoano Crônica: 3437     Talvez o nome inc...

 

PUERICULTURA

Clerisvaldo B. Chagas,29 de junho de 2026

Escritor Símbolo do sertão Alagoano

Crônica: 3437

 


 

Talvez o nome incomum seja mesmo para não se saber o que o se representa. Entretanto, havia em Santana do Ipanema,   lugar muito agradável, prédio comprido que ia de uma rua a outra. O referido prédio é ainda localizado no Bairro Monumento, na Rua Dr. Otávio Cabral, quase vizinho a Caixa econômica. Tinha na fachada com letras antigas de argamassa, escrito: “Posto de Puericultura”. Como o edifício estava localizado em parte de um antigo cemitério, era comum se dizer que o lugar era mal-assombrado. Uns viam coisas outros nada viam. Irmãs holandesas trabalhavam  no citado prédio contribuindo com a saúde da cidade. Tempos depois o prédio ficou fechado e nunca o vi reabrir. Mas me chamou muita atenção quando eu tirava foto e fazia a história iconográfica de Santana do Ipanema, em 2012.

A antiga beleza  da fachada continuava perfeita. Um pequeno jardim na frente e o prédio fechado me fez respirar fundo . E a Puericultura que é o acompanhamento médico periódico e   preventivo da criança e do adolescente, foi para o espaço. Pelo que ouvi,  ali também se ajudava às pessoas pobres com roupas  e calçados.  Ambiente calmo, bom movimento e várias pessoas conhecidas trabalhando naquela nobre missão. E rondando por ali na tarefa a que eu tinha proposto, fui  ao AABB, à Escola Padre Francisco Correia, ao Tênis Club Santanense, à Igreja Sagrada Família, à Emater, a Caixa Econômica, ao Banco do Brasil... Porém, nenhum sentimento doeu mais do que contemplar aquele edifício de tanta relevância, descartado como esmoler desconhecido.

          Fiz minha foto, coloquei legenda histórica e desci do bairro com toda a tristeza do mundo. Quanta falta de sensibilidade aos lugares que foram tão sagrados! A propósito, o prédio foi construído para ser Posto de Puericultura em terreno cedido entre os anos 1947-1948, durante a gestão municipal de Firmino Falcão Filho, Na foto, do outro lado da rua, um pé de algum tipo de flor, parece fazer uma homenagem  póstuma ao edifício desativado.

POSTO DE PUERICULTURA EM 2012. (FOTO: B. CHAGAS) LIVRO 230.

  O MONTE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3436   Vemos na foto deste traba...

 

O MONTE

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3436

 



Vemos na foto deste trabalho, uma rua em área nobre do Bairro Monumento. O asfalto que domina toda a cidade de Santana do Ipanema, porém, ainda não chegou por aqui, onde estar situada a sede do INSS. Entretanto, dar para se perceber a limpeza da rua ainda com paralelepípedos. Veja que a paisagem urbana que parece bem “penteada”, como um cenário após a chuva. Ao fundo da foto, vemos o verdume do monte, começando a bela cor pelas árvores da rua, podadas e belas. O monte, ao fundo, tem Geografia, tem histórias, tem o social e a literatura que a ele se refere.  Ali tem crônicas, tem  conto real, tem turismo , têm fotos, têm filmagens e tem encanto. Estamos falando do serrote do Gonçalinho, depois, serrote do Cristo e depois serrote das Micro-ondas.

Vemos a face voltada para grande parte da cidade; a outra face é  voltada para a AL-220, que liga Santana do Ipanema a olho  d’Água das Flores. A face apresentada abaixo, é íngreme e sem  habitações, repleta de arbustos, cactáceas e viva na fauna com teiús, cobras, formigas, raposas e gatos-do-mato.  A face não  vista na foto tem as faldas habitáveis e com bairro formado recentemente com nome Santo Antônio. Como já foi dito em outras vezes, a face apresentada é o sota-vento. A outra face é o barlavento. Geralmente os serrotes do Sertão são prolixos, em forma de lagartas, se bem que encontramos outras formas de relevo. Os melhores ângulos para se fotografar o Gonçalinho é de onde esta foto foi batida e das proximidades, especificamente, do hipermercado Nobre.

O lugar é excelente para um convescote, porém, a ideia não é muito boa para esse tempo de chuvas e frieza. De qualquer maneira a foto abaixo serve para dá rosto ao monte e para apreciar a beleza do verde sertanejo. Foi aproveitando a ida ao INSS que senti a foto e não pude evitá-la. Continuam em cima da crista, as compridas antenas de comunicações que deram nome ao serrote pela terceira vez: serra da Micro-ondas e que vai mudando de geração em geração conforme o que for chegando no seu topo como novidade.  Pela face que dá para a AL-120, pode ser usado o automóvel até o topo, muito embora vez em quando o calçamento de pedras precise de concertos.

Registrado o que vi.

(FOTO  DE B. CHAGAS).

 

  ALTO DOS NEGROS Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.435   Benditos são os ...

 

ALTO DOS NEGROS

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.435



 

Benditos são os lugares denominados pelo povo. Eles são autênticos, feios ou bonitos mais refletem as verdadeiras origens.  Os gestores políticos, as câmaras municipais, vão varrendo os nomes  de tradição e inventam nomes de pessoas cujas famílias possam lhes dar votos. Alguns casos podem não ser assim, mas no geral os sãos. E foi pelo povo que surgiu o termo naquela colina do antigo Bairro Floresta, de ALTO DOS NEGROS. A princípio, eram três ou quatro casinhas de taipa, à beira da estrada  em chão de barro vermelho. Não era uma aldeia quilombola, mas os poucos habitantes daquelas casinhas talvez tenham vindo do núcleo quilombola de Tapera do Jorge, na margem do Ipanema, povoado de Poço das Trincheiras. Era algumas mulheres e o preto Zacarias, carregador de malas, em Santana do Ipanema.

Não havia oficialmente a profissão de carregador de malas, mas era uma atividade bem exercida por algumas pessoas de Santana. No século passado, como havia muitos caixeiros-viajantes. Permanecia a atividade. Consistia em o  carregador de malas, levar as malas dos caixeiros dos hotéis onde estes se hospedavam até à loja e depois das vendas, levarem as malas de coro fornido de volta ao hotel. E Zacarias, calado e muito esperto farejava de longe a chegada de caixeiro-viajante. Dizia que era o carregador número 1, bem interessado numa boa gorjeta conforme a generosidade de cada viajante. Pois, aquele pedaço de chão com algumas mulheres e poucos homens, no comando de Zacarias, foi resgatado por nós no livro em parceria NEGROS EM SANTANA  e que, por sinal, virou TCC em curso de Geo-História.

O lugar nunca deixou de ser chamado ALTO DOS NEGROS, embora já tenha evoluído no seu formato. Fica um pouco abaixo do Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues, no alto da colina. E assim como o lugar Alto dos Negros, muitos outros lugares de Santana do Ipanema, foram resgatados por nós e que hoje, inúmeros deles, só se conhece a sua existência por causa da única fonte: os nossos resgates. Tirando a distância ao Centro da cidade e algumas malandragens que pululam nas periferias, o lugar é bom para se viver  e possui paisagens privilegiadas  em todas as direções. Ali tem hospital, tem faculdades e tem futuro. Sempre que passo por ali, procuro as casinhas que deram nome ao lugar.

ALTO DOS NEGROS (FOTO: B. CHAGAS).

  EL NIÑO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3434   Começou oficialmente o inv...

 

EL NIÑO

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3434

 



Começou oficialmente o inverno em nosso hemisfério, dia 21 (domingo).  E o inverno do povo alagoano que tem início em maio, vem naquele ritmo de caminhada constante  e não ligeira. Nenhuma mudança ainda notada  na metodologia do tempo. Sol e chuvas finas, mansas e curtas se intercalando e a friezinha que aperta no mês de Julho. O ritmo do tempo é semelhante ao do ano passado. intercalado e rico para plantas e animais. O mundo sertanejo está verde que só asa de papagaio, embora o preço do milho ainda esteja na casa do absurdo. Mas que dá gosto, dá, ao se vê os montes de milho verde, cheirando  no chão da feiras ou por cima dos gradeados das bancas de madeira. E vem milho de lugares comuns, chegam ,bolosmilho da irrigação.

As guloseimas típicas do meio do ano, já assanham o apetite dos feirantes nas feiras camponesas e nas feires livres semanais. Não temos centrais de abastecimento, os caminhões lotados de mercadorias vão chegando pelas cabeças das feiras onde os costumeiros feirantes negociam para revender. A economia do milho no Nordeste é uma coisa fantástica  onde milhões e milhões de reais percorrem rapidamente  campos, cidades, capitais. E se El Niño vai fazer estragos nos sertões, pelo menos até agora deve ter passado ao largo. E o tempo intercalado vai permitindo se andar pelas farturas das roças e pela esperança, mesmo remota, de que o Brasil faça alguma coisa, porque o tempo bom tem que ser bom em tudo. São João com canjicas, pamonha, bolos, bebidas e gols.

Entretanto, ficamos na dúvida da nossa produção de milho e de feijão. Nem sabemos ainda sobre a nossa maior obra hídrica porque o pouco que se divulga é de forma esporádico e não sabemos como está de fato funcionando o Canal do Sertão. Tanto é, que quando se dizia por aqui que os amontoados de milho que chegavam eram da irrigação, mas da irrigação que se entendia ser do estado de Sergipe, irrigação de Canindé. E quando se fala agora que o milho vem da irrigação, deixa-se a dúvida no meio. Irrigação de onde? De Pernambuco (Petrolina), do Canindé ou de Alagoas, do Canal do Sertão? Deixe isso para lá...

O que importa é milho assado e forró até uma horas...

  AS DUAS PORTAS Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3433   Ambas as coisa me...

 

AS DUAS PORTAS

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3433

 



Ambas as coisa me chamavam atenção e eu não cansava de apreciar quando passava pelas duas farmácias. O busto do negro forte envergando uma barra de ferro, propagando do Fhimatosan ou do Biotônico Fontoura – nisso não tenho certeza – no centro   da farmácia do Seu Carola (^) no  antigo prédio do “meio da rua”. Outra, era a figura da porta larga e da porta estreita acima do balcão da primeira prateleira, exposta para os clientes, na Farmácia “Vera Cruz”, do senhor Alberto Nepomuceno Agra. Estava escrito: “Entrai pela porta estreita, pois a porta larga é a porta da perdição”. E como acabo de ler trecho aleatório do “Evangelho segundo o Espiritismo”, não pude deixar de lembrar esse período de adolescência. Confirmo no Evangelho o que estava escrito na farmácia Vera Cruz:

Larga é a porta de perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. É estreita a da salvação, porque  é obrigado o homem que a queira a transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que pouco se resignam. É o complemento da máxima: “ Muitos são chamados os chamados e poucos os escolhidos.

Tal o estado da humanidade terrena, a, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será mais frequentada. Aquelas palavras, devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se houvesse que ser este o estado normal da humanidade, teria Deus condenado à perdição a imensa maioria das criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e bondade.

Mas, de que delito esta humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante  dos seus passos? Por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dada transpor, se a sorte da alma é determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência o homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga, faz-se lua sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado e só então se pode  compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.

Págs. 290-291.

  O SEGREDO DO MUSEU Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3432   O mês miou mai...


 

O SEGREDO DO MUSEU

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3432


 

O mês miou mais do que o gato em busca de comida. E se não miou, dentro da própria expressão, mas meou, chegou ao meio, chegou e passou do dia quinze. Mas o povo simples e analfabeto do sertão, não liga muito para o palavreado certo ou errado. Quer apenas, que você entenda. E se diz que “o mês miou”,  não interessa  se é miado de gato ou de onça, É a afirmação de que o mês em curso logo, logo estará chegando ao fim. E vamos nos acostumando com a tradição que o frio de junho vai apertando no “miar” do mês até entregar a máquina da frieza que  é o mês de julho. E é assim entre  a umidade, o sol escondido e a esperança, que surge, muito particularmente, o mistério do museu. Sim o mistério do museu.

Mas será mesmo que existe mistério em Museu? Para isso, nada melhor de que uma conversa profunda e formal sobre os anais da história. E foi assim que surgiu a surpresa, a narrativa, a dúvida e o preparo para uma pesquisa intensa em um dos museus do sertão alagoano. Geralmente, museus no interior são baseados em prédios antigos e grandes em que a própria estrutura entra como uma das suas peças principais, porque carregam muitas e muitas histórias, de construção, de moradores ilustres, de objetos encontrados fora da catalogação e que se abrem para os olhos experimentados de pesquisadores. Assim surgiu a necessidade de uma varredura, localizada em certo museu do Sertão que aguarda olhos de  antropólogos para finalizar o mistério.

Mas, entre os interrogações do museu que ainda iremos investigar estivemos ontem (quinta) concedendo entrevista ao senhor Paulo Poeta da “TV Assembleia”. Vídeo conferência dos estúdios para a Casa da Cultura, em Santana do Ipanema. Uma entrevista, alegre, esclarecedora, em que o entrevistador deixava o entrevistado completamente à vontade. Aliás, um tática infalível do entrevistador  arrancar muito mais do que ele precisa. No caso também foi abordado o romance AREIA GROSSA que estará chegando por aqui na próxima semana, quando será agendada o dia do seu lançamento na  Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima e que fica às margens do rio Ipanema.

E vamos cuidar, amiga e amigo que o São João já estar aguardando na esquina.

MUSEU, AO FUNDO (FOTO: B. CHAGAS).

 

 

  DIA DO SANTO Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3431     Foi assim que ama...

 

DIA DO SANTO

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3431



 

  Foi assim que amanheceu neste sábado de Santo Antônio. Nublado, escuro e frio. Galos cantando longe no quintais da beira do rio e o arrulhar forte da rolinha branca nas folhagens urbanas da acácias. Um foguete ou dois, espoucaram distante e o sol com sua força hercúlea, foi afastando as nuvens, para respirar. Entretanto, lá para as dez horas da manhã, o próprio tempo reverteu a situação e voltou a cobrir o sertão de branco, o branco chuvoso por excelência. E com a exceção daqueles dois foguetes, nada mais sobre o dia do santo casamenteiro, se ouviu, pelo menos na parte da manhã. Por outro lado, nem sabemos de onde partiram os parcos foguetes, que devem ter sido do atual Bairro Paulo Ferreira, cuja igreja é do padroeiro Santo Antônio.

É certo que no Sertão, as comemorações a São João e a São Pedro, sempre foram fortes, com prioridade a São João, Santo Antônio sempre foi o mais fraco dos festejos pela iniciativa popular. Mas, quase no final do império das fogueiras juninas, houve em Santana do Ipanema –  que reflete o miolo da região sertaneja – um aumento significativo de festejos em São Pedro e santo Antônio. Veio a proibição das fogueiras, pelo asfaltamento das ruas, pelas novas leis sobre poluição, assim como tinha vindo a de soltura de balões Ficaram apenas as reuniões em torno da mesa para degustarem guloseimas do milho, entre famílias.    Grandes centros como Caruaru e Campina Grande, conseguiram perpetuar as festas juninas com planejamentos, dinheiro e interesses comerciais fantásticos. Nem Maceió conseguiu chegar ao nível das cidades acima.

O que sobrou de tudo isso foi apenas para nós, das festas juninas,  o aconchego familiar rodeando uma mesa repleta de guloseimas à base do milho. Sem quentão, sem fogueira, sem comadres, sem adivinhações, sem forrós por todas as bibocas. Quadrilhas? Só de às bandidos que ainda continuam m moda. Tudo isso parece levar as pessoas ao desânimo. Desânimo da falta da tradição. É assim que a cachaça, a cerveja ou o vinho, tentam animar de outra forma  os festejos juninos que escapam dos lares e terminam em messas de bar.

Ê, meu amigo, minha amiga, “rapadura é doce, mas não é mole não”. 

  O BOI DE SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2026 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3430   Santana do Ipane...

 

O BOI DE SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2026

Escritor símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3430

 



Santana do Ipanema era o , então, o município mais extenso de Alagoa. Praticamente, todo o Médio Sertão, era  Santana do Ipanema e que no futuro foi sendo fatiado com desmembrações. Portanto, o nosso livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA, conta a história do Sertão de Alagoas, no geral. Entretanto, claros que as nuances das autonomias e suas considerações restritas, ampliam a historiografia regionalista do estado. Além das próprias narrativas de independências, reinam o específico DNA de cidades e municípios. Nenhuma cidade é igual a outra na Geografia, na História, na Culinária e sobretudo nos Usos e Costumes que são o âmago de cada uma.

Quer percorrê-las  e senti-las? Percorra Olho d’Agua das Flores, Carneiros, Olivença, Senador Rui Palmeira, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco e Dois Riachos. E se a história não fascina, monte na Geografia dos lugares. O prolongamento  da rodagem palmeira dos Índios – Delmiro Gouveia, BR-316, década de 50, foi e continua sendo a Espinha Dorsal do Sertão, ramal que contempla Santana do Ipanema. Quem está na capital, Maceió, pode atingir o extremo oeste do estado pelo ramal, Palmeira – Santana – Delmiro. Mas também, hoje, se quiser, seguir para o extremo oeste pela segunda Dorsal que compreende Arapiraca, Entroncamento em Olho d’ Água da Flores, São José da Tapera, Olho d’Água do casado, Delmiro Gouveia. Nas imediações de Delmiro Gouveia, pode-se chegar à região serrana de Mata Grande, Pariconha, Inhapi e Água Branca.

Este segundo ramal estar sendo duplicado, o que se espera que o mesmo benefício possa acontecer com o ramal um, da BR-316. Assim, fica o livro O BOI, A BOTA, E A BATINA, HIISTÓRIA COMPLETA DE Santana do Ipanema, a gigantesca dorsal para as novas e velhas gerações e fonte de fôlego para a curiosidade dos pesquisadores.

  SAGRADA FAMÍLIA – AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3429   Em...

 

SAGRADA FAMÍLIA – AREIA GROSSA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3429

 



Em torno do ano do e 1959, o comerciante e fazendeiro José Quirino, por motivo que até hoje não sabemos, iniciou uma campanha para a construção de uma igreja no Bairro Monumento, em Santana do Ipanema. O templo católico seria construído em parte de um terreno que fora o primeiro cemitério de Santana, final do século XIX, demolido nos anos 40 do século XX. O senhor José Quirino negociava na no andar de baixo da esquina do Hotel Central, em pleno comércio. Conhecido como homem altamente sovina, talvez tenha encontrado algumas dificuldades, mas conseguiu o seu intento. Também não sabemos dizer se o título da igreja já estava ou não programado. Recebeu a denominação de Igreja Sagrada Família. O senhor José Quirino também foi o fundador da rua partícula “Rua de Zé Quirino” e que hoje é chamada oficialmente de Rua Prof. Enéas.

A Rua de Zé  Quirino teve início com a primeira casa vizinha a sua cerca do curral do gado. nessa época este escritor tinha apenas treze anos. Acompanhava a evolução da rua, a extinção futura do curral, mas nada sabia dos movimentos para a Igreja Sagrada Família. Acontece que aquelas observações de criança e de adolescente, emergiram com o autor já aos setenta e nove anos,  com o  romance que em breve será  lançado naquele mesmo lugar na Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, cujo prédio de primeira andar era a famosíssima Perfuratriz. Hoje, encontra-se à frente da Associação, o serigrafista Cajueiro, filho do Cajueiro que foi o proprietário da ‘Tipografia Nordeste”, em Santana do Ipanema. 

        Neste resgate romanesco entre ficção e realidade, esperamos contar com a presença dos escritores contemporâneos, João Neto Chagas, O PRIMO VÉI E Luís Antônio, O CAPIÀ, também financiadores da obra. Assim, nós, os três escritores, estaremos juntos lançando a história, a geografia, o social daquela periferia com lugares e personagens reais apontados como terciários na trama ficcionista por excelência que o romance do Ipanema. Estaremos distribuindo cerca de trinta e cinco exemplares grátis, os descendentes daqueles que bem ilustram o obra. Todos os nossos contatos serão convidados para essa noite de emoção. E quanto livros à venda, aceitaremos encomendas, caso ultrapasse dez exemplares no geral. Compromisso fiel e firme com os possíveis adquirentes.  

IGREJA DA SAGRADA FAMÍLIA EM 2013. CITADA NO ROMANCE (FOTO:  B. CHAGAS/ LIVRO ICONOGRÁFICO 230).

 

 

  PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026 Escritor Símbolo   do Sertão Alagoano Crônica: 3425   Tenho...

 

PÃO DE AÇÚCAR – PALESTINA

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de junho de 2026

Escritor Símbolo  do Sertão Alagoano

Crônica: 3425

 



Tenho atração e sempre tive, pelas cidades sertanejas alagoanas. Entretanto  as cidades de Pão de Açúcar - mais antiga de que Santana do Ipanema – e Palestina, relativamente nova, exercem  um fascínio presente e oculto que não consigo nomear de fato o que seria. Não é somente a beleza do seu tradicional casario, seu imponente trecho do rio São Francisco, sua quietude repleta de história, sua culinária e nem seu artesanato. Sobe a antiga Jaciobá é algo muito mais profundo que paira acima dos outros núcleos sertanejos. No caso da Palestina, estive ali cerca de três vezes, ficando encantado com sua simplicidade e algo que ainda hoje não consigo esclarecer a mim mesmo. Estive também na comunidade quilombola Passagem de Pedras, de onde saí completamente impressionado.

        Aquelas terras planas do povoado, planas como uma tábua, sua quietude, me penetraram na alma e na admiração com tal intensidade que nunca mais saíram. O açude por trás do casario entrou na visita apenas como coisa normal, diferente das duas anteriores observações. Faz bastante tempo que fui a Pão de Açúcar e a Palestina, mas continuo com essas localidades como pontos mais altos das minhas interiores indagações. Ainda na Palestina conheci o famoso “riacho do Farias”, que tem evidência na Geografia do Sertão, assim como o rio ou riacho “Desumano”, que banha Olivença.

Mas é preciso uma liberação total da alma para sentir a sensibilidade diferenciada sobre a Mãe Natureza. Nem estou falando sobre inverno ou verão por que o âmago supera as estações.

Percorrer as cidades sertanejas, faz um bem danado! E agora, com Alagoas completamente interligada pelo asfalto, o turista, o pesquisador, o curioso, ou, seja lá quem for, não perde mais tempo com estradas de terra, com buracos, poeira e lama. E ainda com vantagem das pequenas distâncias entre um cidade e outra. E por mais perto que sejam as urbes, cada qual tem sua alma própria, seu DNA, seu modo de ser.  E você vai percorrer retas e planuras, sem abrir mão da região serrana  de Mata Grande, Pariconha, Água Branca, Inhapi... Beliscando, comendo  petiscos, observando, copiando, relaxando e sacudindo fora o comodismo da poltrona.

Então!

Vai ou não vai?

ASPECTO PARCIAL DA PALESTINA (CRÉDITO: JORNAL EXTRA).

  DEVAGAR COM   O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: ...

 

DEVAGAR COM  O ANDOR QUE O SANTO É DE BARRO

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3428

 




Continuamos aguardando da gráfica, o romance AREIA  GROSSA, para lançamento entre junho e julho, na associação do rio Ipanema. É que estamos neste momento vendo algumas poucas ilustrações do romance, como Igrejinha de São Pedro, a escola do Bacurau, O Fomento Agrícola, o prédio da Perfuratriz, o botador d’água em cacimba do rio e o croqui do epicentro do romance, do artista plástico e cantor Dênis Marques. O livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, está, praticamente, esgotado na sua primeira edição. Disponibilizamos apenas quatro exemplares. Encerrada esta etapa, as novidades do autor serão os próximos livros para  o segundo semestre: ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO (repentes), BARRA DO PANEMA, UM POVOADO ALAGOANO (documentário) e AS TRÊS FILHAS DO CORONEL (romance do ciclo do cangaço).

Tem razão a sabedoria sertaneja que diz: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Mas,  é o Divino Espírito Santo fomentando a produção e o Mestre dos mestres semeando as palavras. E por falar nisso, o leitor fiel deve estar atento em todas as capas de trás Pois bem, dos nossos livros que sempre informa sobre as obras publicadas, as inéditas e as em preparo. Pois bem, em muitas delas vem o anúncio sobre poesia com o título de “Colibris do Camoxinga” e que não  vai existir, sendo substituído pelos repentes do poeta do fantástico, Zé  Coxó. O porquê dos bastidores vai ficar apenas com o autor, pois a poesia contundente, demolidora de protestos já não tinha mais sentidos para o alvo que já se foi.

Quanto ao livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, não houve aquele lançamento formal. A voracidade do leitor exigente foi tanta que nem sobrou livro para lançamento oficial. Já se encontra de mão em mão nas rodas intelectuais de todo o Nordeste. AREIA GROSSA, não. Esse terá todas as formalidades de lançamento no epicentro da sua trama. É de interesse particular do santanense, pelo menos na primeira edição. São oitenta e dois personagem reais apontados como coadjuvantes da trama. Os seus descendente deverão receber gratuitamente cada exemplar, que foram patrocinados pelos escritores, amigos e contemporâneos; João Chagas Neto e Luís Antônio, o Capiá. Será uma noite de resgate, gratidão, reconhecimento, muitas saudades e emoções. Em breve, todos serão convidados.

  MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Serão Alagoano Crônica: 3427   Não ...

 

MACHU PICCHU E O SÍTIO TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Serão Alagoano

Crônica: 3427

 



Não vamos nos glorificar porque a arte não é nossa. Existente desde a Pré-História, em várias partes do mundo, nasceu da necessidade de proteção.  A matéria abundante era a pedra que, empilhada, artisticamente, não usava argamassa, mas sim a técnica da “pedra seca. Ora! Tratamos (nem todos) aqui no Sertão, as cercas de pedras como relíquias. E que são de fato relíquias e parte ainda viva da História. Elas foram construídas por escravos cujos cabeças eram chamados de “mestres”. Outras pessoa como os vaqueiros também faziam a cerca de pedra, porém  os destaques eram para os escravos. Isso vem nos sertões, aproximadamente desde os séculos XVIII e XIX e mesmo o século XX. A técnica no Brasil, veio da Europa. Contemplamos nos terraços de Machu Picchu, a perfeição dos muros de pedras semelhantes as nossa cercas santanenses, do sítio Tocaias, do Bairro Barragem e das imediações do sítio Poço Grande, em longa estrada marginal ao rio Ipanema, no sítio Laje dos  Frades.

Nos sertões, para a proteção de lavoura e gado, não existia ainda o arame farpado. A abundância de pedras soltas, era a primeira opção altamente segura e de baixo custo. Caso um pedaço de cerca sofresse algum problemas e caísse, o restante das pedras ficariam  ao pé da cerca e o conserto seria feito com facilidade. Acontece que o tempo passou, surgiu o arame farpado com estacas de madeira e, os mestres já não mais existiam.  Daí encontrarmos cercas de pedras em franca decadência, isto é, desde pequenas partes caídas até partes grandes.

Os terraços de Machu Picchu, nos parece em perfeito estado de conservação, talvez pelo governo em função da fonte de renda do turismo internacional. As pedra são tão bem encaixadas que não podem ser refúgio de animais como lagartixas, insetos e cobras. O que acontece ao contrario como as cercas que entram  em estado de abandono. No caso das cercas de pedras do nosso Sertão, como não  existe interesse das autoridades, também não existe interesse de turista, até porque este é direcionado para o alvo. E se existe alvo mas não existe o direcionamento...

CERCA DE PEDRA.

 

 

 

 

  OS MORTOS DO POÇO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.421   Eu sei, sim, que...

 

OS MORTOS DO POÇO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026

Escrito Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.421

 



Eu sei, sim, que ninguém fala mais sobre essa outrora maior fonte de lazer de Santana do Ipanema.  Sei também da morte definitiva do poço, em 1969,com a construção da ponte que quase lhe passa por cima. Mas, acontece que estou cruzando a Ponte General Batista Tubino (governador que a construiu). Apesar das passarelas estreitas, arrisco uma olhada no leito do rio que neste início de junho está com pouquíssima água e alguns poços pelo trecho urbano. Lá embaixo, mato, lixo e areia.  Nada de marco histórico, nenhuma placa, nenhuma estátua ao banhista, nada, absolutamente nada que indique sua existência após o golpe fatal da ponte em seus estertores. Caminhando e lembrando que o lugar também afogava indivíduos.

Quando me entendi de gente, soube que o poço já havia engolido mais de vinte banhistas. O primeiro teria sido um tal de “Jabobeu “e que algumas pessoas diziam “Zé Belebebeu”  Estes nomes  serviam para que os banhista mais velhos fizessem medo aos mais novos alegando que de vez em quando o finado Jabobeu puxava na perna de um banhista matando-o afogado. Porém, o último afogado que tive notícia por ali (ainda b do rem que neste dia eu não estava no poço) foi um cidadão que morava na margem direita conhecido como “Tinteiro”.  Todo mundo falava sobre “Tinteiro”, mas eu não o conhecia. Ali na frente, o serrote do Gonçalinho está d.  prova das coisas que aconteceram. E do lado de cima do  rio, vejo a . proliferação de plantas aquática que devido a poluição cobriram o antigo poço do Juá, onde atuavam os antigos canoeiros.

Eu sei, eu sei sim que toda essa lembrança é quase somente minha. Onde estão os outros da minha idade? Isso causa melancolia, mas não dói. O que dói mesmo é o desinteresse  dos que deviam preservar os lugares históricos e deixam desaparecer todos os seus vestígios. E como dito acima, nada.  Nem um toco, nem um poste,  nem um obelisco, nem uma estátua, nem sequer uma placa de lata dizendo da importância do Poço dos Homens na história santanense do século XX.

RIO IPANEMA (CRÉDITO: (JEANE CHAGAS).

  CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3425     A expressão em la...

 

CORPUS CHRISTI

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3425



 

 A expressão em latim que significa Corpo de Cristo, é uma solenidade da Igreja Católica que celebra publicamente o sacramento do corpo e sangue de Jesus, o Cristo. A data concentra um profundo significado espiritual e tradições para os fiéis. A celebração  lembra o momento em que Jesus, na Última Ceia (uma quinta-feira)  partilhou o pão e o vinho com seus discípulos em sua memória, instruindo-os a fazerem o mesmo. Para os católicos, a hóstia e o vinho tornam-se o corpo e o sangue reais do Cristo e não  apenas símbolos. A data foi  a instituída pelo Papa urbano IV em 1264 para celebrar a presença real e substancial  de Jesus O Cristo na hóstia e no vinho consagrados. O objetivo é relembrar a Última Ceia, como já foi dito.

Quanto aos chamados dias santos da Igreja , inclusive com a denominação de Dia Santo de Guarda, foram nos tempos mais recentes apenas chamados de feriados. Os verdadeiros sentidos dos dias santos foram se restringindo aos frequentadores da Igreja e a população, em geral, foi perdendo os verdadeiros sentido da tradição cristã. Chega-se ao ponto do trabalhador se alegrar dizendo que “amanhã é feriado, vou viajar”.  Quem é o responsável pela desvalorização do DIA SANTO? O modernismo? A proliferação de outras religiões? O marasmo da Igreja Católica? E como nesses tempos apressados, corridos e metalizados trazem muitas novidades num mesmo dia, fica difícil remar no mesmo sentido de antes. Nunca foi tão verdadeira a expressão: “Maria vai com as outras”.

O dia de CORPUS CHRISTI acontece 60 dias após a Páscoa. A mesma devoção, o mesmo respeito em todas as Cinco Grandes Regiões Brasileiras. Se existir  o contraste alguma diferença, fica por conta de detalhes regionalistas. E quis o calendário que a solenidade, acontece bem próximo aos festejos de Santo Antônio, dizem que o santo de maior prestígio na Céu. O CORPUS CRHISTI, nas procissões, não deixa de ser um ato tristonho, mesmo carregado de muito louvor, com o contraste, dias após, da alegria explosiva do santo casamenteiro. Mas, como o Homem hoje está triste, amanhã está alegre, vamos anexar tudo a este mês tão aguardado na Região Nordeste brasileira.

PROCISSÃO.

 

 

     

 

  NÃO É BRINCADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3424   Ontem, 2 de Sant...

 

NÃO É BRINCADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3424



 

Ontem, 2 de Santo Antônio, São João e São Pedro, cabra véi, o tempo apertou.  Um dia nublado de céu branco, uma noite relativamente fria e um amanhecer  na base dos 20 graus  centígrados.  E chega tudo, até agora, dentro das previsões  dos profetas das chuvas. Inverno antecipado, isto é, estações das chuvas, antecipadas dentro da própria estação do outono que novamente caracteriza o mês de junho. A fogueira de São João com aquela garoa  por cima das chamas de aroeira, o frio ainda preguiçoso juntando forças para despejar no mês de Julho, na  primeira quinzena de agosto. Vamos aguardar os próximos passos da Natureza. A vegetação está belíssima, a temperatura variável e muita esperança no ar.

Levantando muito cedo para o café e a caminhada,  me deparo com essa neblina na minha rua, uma obra-de-arte natural que Deus  enviou para apreciação de quem levanta cedo. Não se pode resistir a essa pintura divina e logo o celular de boa resolução registra a obra da natura.  Repentinamente o semiárido se cobre com finíssimo véu de noiva, fazendo poesia e tocando fundo na sensibilidade dos diferenciados. Bem que rebanho de pássaros de pernas compridas havia anunciado o amanhecer numa revoada de alegria por cima dos telhados. Uma algazarra de felicidades que busca o  rio Ipanema com pouca água, açudes e barreiros da região. Ave a um novo dia que redobra esperança em viver. E quando o Sol vier, quando dispersar  o sonho, será motivo do espaço infinito para uma segunda avaliação.

E foi o que aconteceu quando o Sol resolveu utilizar a sua alquimia divina. Não demorou muito e a névoa abriu alas, trazendo o  anil escondido para toda a plenitude da cor. Não era pastoril de azul e encarnado, mas era  encenação de azul e branco. Assim, diante da expectativa do novo dia, restava entregar-se ao cafezinho e mudar aos pensamentos para as tarefas cotidianas que nem sempre são cotidianas, assim. E para ter a certeza de que não estava sozinho no mundo, aguardei o som do carro do ovo, da buzina forte da moto do leiteiro. E vamos cuidar na lida que a vida já estar ganha. Mesmo assim, ainda tenho que tolerar o miado lúgubre de gato no telhado.

Sei não!...