OS CANGACEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3416   Lembro-me perfeitam...

 

OS CANGACEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3416




 

Lembro-me perfeitamente de quando trabalhava de editor no Jornal do Sertão, encarte do Jornal de Alagoas, ali na Rua Nova, em Santana do Ipanema. O futuro escritor Marcello de Almeida e o artista plástico Roberval Ribeiro, inventaram história em quadrinhos (gibis), cujos personagens tinham o nossos rostos e as histórias eram de cangaceiros. Esses gibis fizeram sucesso e até foram lançados em país vizinho. A dupla se desfez, pois eram jovens em busca de melhores oportunidades de trabalho. Pois, décadas  e décadas após, eis que chega com toda força a IA. E o escritor Marcello Fausto, como diversão, começa a colorir fotos antigas e dá roupa nova as fotos de companheiros. Assim me fez  morrer de rir com suas presepadas em transformar minha foto de lançamento de livro e a do escritor Capiá, em cangaceiros.

Estar certo, o amigo quis apenas se divertir, contudo, pode sair de uma brincadeira, uma nova forma de ganhar dinheiro, sobretudo pela qualidade do trabalho apresentado. A IA estar fazendo desaparecer profissões, aperfeiçoando outras e estimulando novas. A evolução em todas as áreas do conhecimento humano, vai no levando para coisas boas e incríveis, mas também vai demolindo as tradições mesmo onde a resistência permanece viva. E isso me leva a refletir sobre o senhor Tô, o retelhador mais afamado em Santana do Ipanema no século passado. O homem que usava um chapéu típico e único, semelhante à polícia montada do Canadá. Não existe mais retelhador em Santana, muito embora ainda existam inúmeras casas com o teto de telhas de barro.

Com a aproximação mais pesada do inverno, é preciso verificar as casas que usam telha. Cadê seu Tô? Ah! A IA uma ora dessas não serve para nada. Não vai subir ao telhado e reparar as telhas. Ou vai? Bem, voltando às presepadas do parceiro escritor, Marcello Fausto, Pouco mais tem fanático do cangaço procurando pesquisar sobre os cangaceiros ainda desconhecidos. Não sei o que pensa o escritor Luís Antônio, o Capiá, mas, da minha parte é  risos e mais risos compartilhados com os amigos. Quer virar cangaceiro, cabra? É só  falar com Marcello.

(ESCRITORES CLERISVALDO B. CHAGAS E CAPIÁ, NA IA DAS PRESEPADAS  DE FAUSTO).

 

  AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3415             Acabo de re...

 

AREIA GROSSA

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3415

 



          Acabo de receber  da gráfica  a prova do livro AREIA GROSSA, para corrigir e enviar as ordens  de impressão. Como disse por aqui, é melhor escrever um romance  do que corrigi-lo depois. Entretanto vamos à missão que nos reserva e gemendo, chorando ou alegre, é puxar a fita e procurar os erros. Entretanto, a aproximação do nascimento de novo filho,  caímos na mesma emoção como se fosse o primeiro mesmo após um série de quase trinta livros publicados. E como o romance AREIA GROSSA é um romance ameno e social, com personagens reais e fictícios da beira do rio, vem a capa  dizendo claramente: “AREIA GROSSA – Romance do Ipanema” .  

Esta primeira edição do romance, será distribuída gratuitamente, na sede da comunidade, para os descendentes dos  personagens reais citados no livro. Entretanto, se após o lançamento alguém quiser comprar o romance, conforme a quantidade de interessados comprometidos, poderemos partir para uma segundo edição para atender a demanda. Inclusive, o presidente da comunidade do Ipanema, já  está ciente  e se comunicando com os seus associados, prevenindo-os sobre o futuro lançamento que ocorrerá dias depois da entrega da gráfica.

Vamos embalar o neném, AREIA GROSSA, ROMANCE DO IPANEMA, com a mesma emoção do MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, ambos filhos do mesmo pai. Enviaremos convites, não só para a comunidade do rio, mas também para todos os nossos contatos. Quanto ao documentário clássico MARIA BONITA – antes DO AREIA GROSSA – poderá se esgotar com as encomendas e não haver condições para lançamento. Os livros estarão em nossas mãos a qualquer momento.

Encomende, portanto, rapidamente o seu.

RIO IPANEMA (DIVULGAÇÃO).

  CASA DA CCULTURA E NÓS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413              ...

 

CASA DA CCULTURA E NÓS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



           Mais uma vez fomos conceder uma entrevista no local certo que é a Casa da Cultura, em Santana do Ipanema.  O tema principal era a história de Santana do  Ipanema  e suas periferias sertanejas. Entretanto, o pressentimento de algo mais veio alargar os horizontes das conversas, quando  a história invisível  e verídica, entrou em cena. Episódios de detalhes que somente espiritualidade  pode revelar. E o elo entre dois  mundo estava justamente na entrevista que se transformou em troca de conhecimentos,  reflexões  e novo direcionamento. O que foi abordado particularmente na Casa da Cultura, bem que poderia ser transformado em novo livro de histórias surpreendentes da própria história. Aquilo que ninguém contou. Pela primeira vez nos deparamos com o inexplicável explicável.

  Duas horas e meia de palestra profunda  transformou a entrevista em sala de estudos, porém nos faltou um mestre seguro tal Chico Xavier. Entretanto, deixando o inédito de lado, estamos perto de  elaborarmos um grupo de leitura  - e que foi tentado por outra pessoa e não deu certo -   para discutirmos  literatura em todas as suas formas e seus exemplos evidentes. No finalzinho da tarde fria, pelo menos acusamos grande satisfação  de quem participou e não participou, mas se encontrava no estabelecimento. E como Cultura é muito abrangente, ainda cabe coisas para acolhimento na Casa da Cultura, cujas paredes são verdadeiro museu de fotografias de nossa cidade.  

          E após esse encontro bem encontrado, a noite passou ainda trazendo importantes reflexões. E mais um amanhecer nos esperava e que veio nesse 13 de maio, com céu parcialmente nublado e  um bom sereno porque a chuva verdadeira ainda não quis surgir na sua plenitude. Assim vamos olhar a rua, molhada, deserta de gente e bichos, aguardando o sol que ainda chega preguiçoso, aguardando com resignação a  ausência total de nuvens cinzas. Ah! Deixem-nos, após essa crônica,  “dá garra” da caneca de café quentinho para ativer bem os neurônios. Não podemos direcionar o tempo, mas podemos fazer parte dele.

                 

 

          

 

 

  A FEIRA DO RATO Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413     O   tipo de fe...

 

A FEIRA DO RATO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



 

O  tipo de feira à parte ou feira nicho, formou-se dentro de uma necessidade dentro de uma grande necessidade,  isto é, uma feira dentro da feira. Não conseguindo banca de madeira, lona para cobertura, pagar o chão e mais outras coisas, a pobreza da pobreza, quis também ganhar algum dinheiro vendendo e comprando e com trocas em dinheiro. Assim teve início esta feirinha de objetos usados e de pequeno valor, nos arredores das grandes feiras.  Uma forma de alcance para quem somente pode alcançar pouco. A princípio, dois ou três comerciantes, depois, feira de pobre mais ampliada. Acontece que os desonestos enxergaram nesse tipo de espaço, uma oportunidade para vendas dos seus objetos roubados.

No início, “feira da troca”, “feira do troca-troca” ,”feira do rolo” (que faz todo negócio) e depois, “feira do rato”. Nesse caso, a feira da feira já estar contaminada pelas vendas produtos de roubo. E o que era motivo de esperança, ainda que fosse pequena, passou a ser motivo de visitas constantes da polícia. Mas fora os produtos de roubo, para que procura uma oportunidade, para quem procura um objeto humilde: um rádio para os que não têm dinheiro e nem voz.  uma enxada, uma câmara de ar, uma bicicleta, um candeeiro, uma garrafa térmica... E assim por diante, deve ser bom.  Vez em quando chega um desavisado para vender passarinho, mas é derrotado pelas batidas das autoridades. Nunca indagamos a nenhum dos feirantes se valia a pena a soma do dia, mas, a repetição na presença na feira, já responde a possível pergunta.

E assim vamos enxergando na feira do rato, na feira do rolo, na feira do troca-troca, na feira do passarinho, não  à feira dos ladrões, mas a feira da pobreza, da necessidade, da sobrevivência. Quando esses tipos de feiras forem enxergadas pela sociedade e pelos que zelam pelo cumprimentos das leis, de uma maneira humana, certamente trará um grande alívio para os que menos possuem.

 

  OUTRO AMANHECER Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   O dia recusou a am...

 

OUTRO AMANHECER

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



O dia recusou a amanhecer  na hora costumeira de cinco e quinze. Resolveu dormir mais um pouquinho e foi aparecer apenas as cinco e meia. Quinze minutos a mais, porém , deve ter havido alguma diferença na Natureza e que muitas vezes a gente nem percebe. O dia, após as chuvas  da noite, tinha afastado meio mundo de nuvens, mas ainda úmido e apenas dando um toque na frieza, avisando que logo estaria apertando o cerco.  Não havia nenhum pássaro na rua, contudo, o canto robusto da rolinha branca vinha de dentro das folhagens  do Pau-brasil ou da Acácia que ornava a via. Não era o canto saudoso do verão, era no mesmo tom, mas com a robustez da alegria. Pomba da paz do Divino Espírito Santo.

Estamos caminhando para o mês de junho, quando de fato se inicia o inverno no dia vinte e um. Entretanto, estamos em plena estações das águas, que para nós é de outono/inverno. E as chuvas, até agora, como no ano passado, mansas e intercaladas com o sol, excelente para a lavoura. E, logo-logo, estaremos em mais uma edição de fartura junina, com milho assado, pamonha, canjica, ao som de bombas e foguetórios que animam o mês de São João, São Pedro e Santo Antônio. E depois de passar um dia e pedaço da noite vendendo livro de MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, volto, novamente ao book, procurando inspiração.

Sou interrompido pelo carro do ovo, na rua, com a voz rouquenha da propaganda. E, novamente, mais tarde, pela buzina de caminhão da moto do leiteiro. Assim o dia vai se complementando fugindo do silêncio profundo do amanhecer. É muita gente querendo informações sobre MARIA BONITA, mas, entre uma coisa e outra, vou tentando vestir a crônica  sob chamadas de mensagens dos correios modernos. Vou atendendo gente da Paraíba, Goiás, Rio Grande do Norte e Bahia. Ah, meu  amigo, minha amiga,, vamos aliviar os neurônios, num breve passeio até o portão da rua e olhar o céu.

  

 

 


  AINDA VI Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   Era do tempo de meus avós ...

 

AINDA VI

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



Era do tempo de meus avós e pais, quando no Sertão o transporte era realizado a cavalo e similares e carro de boi. Os tropeiros, também chamados almocreves, no Sertão, transportavam mercadoria para a zona de Mata e de lá trazia os seus produtos. Geralmente o almocreve trabalhava com um tropa de burros de cerca de 10 a 12 muares. Do sertão levavam queijos, peles, carne de sol, farinha... De lá traziam cachaça, tecidos, mel de engenho, rapaduras e mais.  No lugares mais altos do Sertão, como em Mata Grande, por exemplo, havia engenhos rapadureiros, também. Ligeiramente, visitei a um deles, em pleno alto da cidade. Tempos depois, mesmo na era dos motores, ainda vi uma caravana de burros transportando rapaduras em caçambas de madeira, cortando o alto sertão de São José da Tapera. Deduzo que saíra de Mata Grande em direção ao Agreste.

E por falar nisso, Lampião respeitava muito o almocreve, inclusive, porque também já fora almocreve transportador de couros e peles, no alto Sertão de Delmiro Gouveia.  O comboeiro, tropeiro   podia até sair vivo, mas se estivesse transportando rapadura, perdia a carga toda. Isso poderia valer também para as forças volantes que percorriam os sertões em busca de cangaceiros. O último almocreve que conheci na região foi o senhor Cirilo, quando, ultimamente, pude incluí-lo em meu romance que está no “prelo” AREIA GROSSA. Há pouco tempo, através, do, então, Secretário da Agricultura do município, Jorge Santana, foi descoberta peça grande de ferro que fazia parte de um engenho no município de Santana do Ipanema, sítio rural Serrote dos Bois.

Como se vê, serrote é uma elevação, uma pequena serra e, nesse caso, com altura suficiente para se plantar cana, implantar engenho e produzir rapadura. Mas, coisa boa você ter  passado por várias épocas distintas e ser testemunha viva do desenrolar do mundo. Terminamos colocando uma pedra em cima da combinação de levarmos a relíquia santanense para o Museu Darras Noya. Sobre qualquer peça representativa dos almocreves,  nada vimos no Museu,  Assim com não vimos sobre os canoeiros, sobre os curtumes...

Ô povo esquecido!

BURROS CARGUEIROS

 

 

  CANOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3411   Em Santana do Ipanema,   ...

 

CANOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3411

 



Em Santana do Ipanema,  sertão de Alagoas,  homens intimoratos repetem os atos de louvor ao servirem à comunidade sertaneja, mobilidade, conforto, espetáculo e emoções, tendo como base solidária o afluente do rio São Francisco, rio Ipanema.

Mesmo em regime temporário, foi possível demonstrar que nos incômodos das cheias retumbantes, como as maiores conhecidas, 1941 e 1960, ideias iluminadas poderiam baixar a terra em benefícios dos viventes sertanejos santanenses.

Tendo bebido nessa fonte divina, um grupo de homens, “chapéu de couro”, resolve quebrar o isolamento entre regiões, motivado pelos períodos de cheias no rio Ipanema. Ainda sem ponte alguma, rio e riachos encabrestavam  o progresso sucessivo desse núcleo bravio do interior. Os serrotes Cruzeiro, Gonçalinho... Testemunharam  a formação dos heróis canoeiros e suas mobilizações de vai e vem  em águas turbulentas, destravando o nó da Natureza. O Ipanema não seria algoz, mas sim, cúmplice de água e sangue dos que  faziam a terra de Santa Ana.

Ao encerrarem as suas atividades.  os canoeiros ficaram esquecidos. Nenhum registro oficial, nenhuma linha ofical  sobre eles. Assim envelheciam os titãs, um véu se eternizava e a juventude não era informada de 26 anos dos feitos históricos dos homens canoeiros.

Não suportando mais o silêncio da história, pesquisei  na poeira de morrentes fontes de tradição e consegui trazer ao candeeiro, esta página agonizante do nosso povo, da nossa gente que não merece venda e mordaça sobre os que tanto serviram com a merecida bravura curiboca.

Tenho a imensa honra em ter resgatado a história dos canoeiros de Santana do Ipanema, para preencher as escolas, a nova geração e o orgulho em ser santanense

Setembro de 2020.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. Canoeiros do Ipanema. Grafmarques, Maceió, 2020.

VEÍCULO ATRAVESSADO EM CANOAS (DOMÍNIO PÚBLICO/LIVRO:CANOEIROS DO IPANEMA)

  BELEZA PURA   Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3410   Início de maio e, com...

 

BELEZA PURA

 Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3410

 



Início de maio e, como os profetas das chuvas anunciaram,  já chegamos a quadra chuvosa no Sertão. O chamado inverno por aqui, normalmente é de outono/inverno, oficialmente. E agora vamos notando que o ritmo  das  estações da água, vai na mesma batida do ano passado.  Início de chuvas em Maio, variando entre chuvadas pequenas, Sol, e céu branco. Pois foi assim o ano passado, ótimo inverno, que está sendo repetido. Todos esperam que o ritmo atual continue e se intensifique mais um pouco no mês de São João. Nestes tempos é bom ser fazendeiro no semiárido, quando cai a chuva, engorda o rebanho, enche os barreiros. Os vegetais plantados no tempo certo vão dando o ar da graça animando  a todos os que habitam na zona rural. Na cidade, o Comércio aguarda a chegada do dinheiro  do campo. Festas animadas e foguetório.

Nem precisa sair a caminhar sentindo o aroma inebriante da vegetação viçosa, do gostoso cheiro de terra molhada, os berros satisfeitos do gado nos capinzais. Basta, para mim, olhar para o outro lado do rio Ipanema, nas colinas  onde a vista alcança, de baixo para cima, para contemplar o verde dos vegetais por sobre os telhados. Lá por trás do “palácio de Herodes”, com verde intenso e fechamento da mata que antes deixava espaço, já responde pelo campo. É a época em que o Sertão se transforma em paraíso pela segunda vez. Ô terra abençoada de resistência e formação de caráter! É quando o homem se junta ao mandacaru, ao facheiro, ao alastrado, à faveleira, na resignação e na fé. Sertão forja caráter.

E essa friezinha de início de maio, poderá evoluir para a condição máxima sertaneja a partir do mês de junho com ápice entre 15 de julho e 15 de agosto, conforme tradição. Mas, como o mundo está de cabeça para baixo, é gozar a situação atual e cultivar a esperança sempre por dias melhores. Mas, que está bom, está. “Beleza pura”, como dizia o saudoso comerciante Benedito Pacífico (Biu). Pena não termos mais invernos com as andorinhas, com as cigarras cantadeiras e com a caatinga em pé. Vamos vivendo e aprendendo, pois quem nada aprende estar inutilizado. O Ipanema já veio com água várias vezes, na mansidão da sua calha não obstruída. E nós ficamos aguardando com certa ansiedade, as pamonhas, canjicas e milho assado do mês de junho.

O VERDE POR CIMA DOS QUINTAIS. (FOTO: B. CHAGAS).

    MARIA BONITA A DEUSA DA CAATINGAS Clerisvaldo B. Chagas, 1 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3409 ??...

 

 

MARIA BONITA A DEUSA DA CAATINGAS

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3409 ??

 



É necessário, sim, mas pense como é de perder a paciência, Estamos falando sobre corrigir a prova de um livro na gráfica,  antes da impressão. Além disso, consome muito tempo e outras tarefas vão se amontoando. Mas, sendo os “ossos do ofício”, vamos dando sequência aos rituais de novos nascimento. Ao corrigir um livro  da gráfica, prova final para imprimir, apelidado popularmente de “boneca”, vem a ordem de impressão. Estamos quase no fim de correção da boneca do novo livro  MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS. É um livro clássico sobre o grande amor de Lampião e ,que não existe similar no mercado. O lançamento poderá acontecer em Maceió ou em Santana do Ipanema entre maio e junho.  O estilo é o mesmo do livro completamente esgotado, LAMPIÃO EM ALAGOAS.

 A Primeira tiragem será pequena, mas o nosso amigo, a nossa amiga pode entrar em contato conosco, ou com o próprio autor ou com o editor, meu irmão Ivan Braga (Ivan Caju) em Maceió. Estamos produzindo o belo para ornar a sua alma, o seu bem-estar, com um livro profundamente esclarecedor e que vai lhe deixar c e excluir o seu cheios de conhecimentos, embalar os seus sonhos e excluir o seu estresse. Você jamais leu um livro assim sobre Maria Bonita.  Um clássico raríssimo do mundo cangaceiro. Que fascina e seduz.

  BARLAVENTO E SOTA-VENTO Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de 202 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3409   Os termos ...

 

BARLAVENTO E SOTA-VENTO

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de abril de 202

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3409

 



Os termos acima estão em diversos seguimentos humanos. Entretanto, deixemos  de lado os termos em outras áreas e vamos para a Geografa. Barlavento é o lado de um monte que recebe o vento. Muitas vezes é vento úmido e que ao bater no monte, sobe e se precipita em forma de chuva. Sotavento, é o lado oposto do monte, sempre mais seco do que o do barlavento. Exemplo claro desta dinâmica, acontece em Santana do Ipanema no monte que circunda a cidade denominado serrote  do Gonçalinho, depois, serrote do Cristo, depois, serrote da Micro-ondas.  O seu Barlavento é úmido e verde, o seu Sotavento é seco. Atualmente, a barlavento, formou-se um bairro a seus pés que teve início com algumas casas pobres e virou o Bairro Santo Antônio. O Sotavento, além de íngreme, nada tem.

No caso das chuvas normais, ambos os lados são contemplados equitativamente, a não ser com chuvas de ventos. O sistema a Barlavento permite uma cultura, no caso do serrote, feijão, milho, frutas e legumes. No Sotavento é quase sempre a vegetação nativa, lutando contra a secura. Entretanto, pode ser cultivada a palma forrageira e, nunca falta plantas nativas medicinais, tanto como arbustos quanto em formas de ervas. Afinal de contas, não existem terrenos imprestáveis para tudo, nem na montanha, nem no deserto nem na planície. E muitas e muitas vezes no mundo, quando nada se pode cultivar em cima, a riqueza mineral está no subsolo. Você já pesquisou sobre o uso geral da terra?

Quando  eu ainda era rapazinho, nas andanças que eu fazia  pelo sítio Cipó (hoje urbanizado) notava o fenômeno mais não sabia explicar. Até já tentei, com amigos maiores, quando criança escalar a parte do Sotavento do serrote. Era uma face muito seca e repleta de alastrados nos lajeiros verticais que havia. Os grandões conseguiam subir, eu chorava diante da altura, da dificuldade em prosseguir e de rolar serrote abaixo. Os companheiros ajudaram e eu consegui chegar ao topo. Aquilo não era para crianças, mas bem diz o povo: “Quem anda com morcego dorme de cabeça para baixo” Por duas vezes cai na armadilha ao acompanhar morcego. Barlavento e Sotavento.

Deu para entender?

  SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3408 As quadrilhas...

 

SÃO JOÃO DAS QUADRILHAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3408



As quadrilhas de São João eram pontos altos do festejo junino. Nunca participei de bailes de quadrilhas de coco de roda, de pastoril e nem de Guerreiro. Apenas apreciava  quando achava bonito. Conheci de perto, mas apenas isso,   o famoso “Gritador de Quadrilha”, senhor Eloy Pinto. Homem já de idade avançada, caminhando  devagar, arrastando os pés, olhos brancos como quem tinha catarata, porém, bem-vestido. Dizia o povo que Eloy era o melhor “puxador ou gritador’ de quadrilha   que  existia.  Se eu não me engano, ainda houve uma despedida do homem  ao gritar uma quadrilha entre as Ruas Antônio Tavares e São Pedro.  E para os dias de hoje, parece tolice, mas era  um dote altamente honroso e muito apreciado.

Ao falecer o senhor Eloy, um dos seus filhos de nome Walter, conhecido como Walter da Geladeira (por consertar refrigeradores) assumiu a função festiva do pai, naturalmente com outra cadência, mas também viveu  o auge das quadrilhas de São João em Santana do Ipanema.  Apesar da genética, o outro filho do senhor Eloy, de nome José Pinto, tinha outras ideias e não se arriscava no mister. Este, que chegou a ser vereador em Santana, tinha como slogan: “vote no Pinto Preto”, isso para o distinguir de outro José Pinto e que era branco. Não gostava de trabalhar no bom sentido, procurava  se vestir bem e diferenciado e não deixava de ser um bom locutor que anunciava no programa radiofônico da prefeitura. A “Voz do Município”, de divulgação e entretimento.

No meu romance que será lançado em breve, AREIA GROSSA, existem cenas com esses personagens citados acima. As quadrilhas de Santana resistiram ao tempo até, aproximadamente, a gestão do prefeito Paulo Ferreira. E se as quadrilhas juninas, ainda resistem em cidades maiores, é tudo forçado pelo turismo e pela descoberta da mina para a economia local. Investimento maciço. No Sertão, a brincadeira cansou e vai ficando cada vez mais rara, porque o mundo gira com outras táticas de divertimentos. Nem fogueiras,  nem balões, nem nada...  Apenas o milho, algumas bombinhas esporádicas e  aguardente no “tolé” , porque cachaça não se acaba nunca.

  COMO MUDAM AS COISAS Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3407   Não sei como...

 

COMO MUDAM AS COISAS

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3407

 



Não sei como hoje pensa  o rapaz, o adulto, sobre a mudança rápida das coisas, uma vez em que eles já nasceram com essa rapidez feroz. Digo isso porque estou no momento com o dicionário extremamente grosso do Mestre Aurélio e sem saber o que faça com ele. Lembro-me que tinha um grande desejo em adquiri-lo, porém o preço  estava sempre inalcançável.  Todavia chegou em uma época em que pude comprá-lo em uma livraria em Maceió. Foi em uma noite em que saí da livraria tão alegre, tão eufórico, como se tivesse ganho na mega sena. Dei um abraço demorado e muito carinhoso, no trabalho do Mestre Aurélio, emocionadíssimo, dizendo comigo mesmo que não o trocaria por um carro zero. Ainda passei certo tempo usando ‘”O pai dos burros”, como as pessoas denominavam com ironia o dicionário.

A versão em disco, tinha muita xaropada para renovar e mais. Deixei de usar. Acontece que a Internet começava a dá definição de tudo, usando os mais diversos autores do ramo. A facilidade estava disposta muito mais rápida do que a tentativa de procurar palavras impressas gastando muito tempo e a paciência e tendo que forçar a vista nas letras miúdas. Passei a usar o volume (40  Edição) apenas como suporte para o meu Book. O dicionário ficou depois numa prateleira, esquecido. Nem os netos quiseram mais saber de Aurélio. Mesmo assim,  ainda não tive coragem de me desfazer daquela “universidade e nem de um dicionário de inglês, antigo e quase tão grosso como a Edição do Mestre. Que coisa!

Ninguém quer mais aprender, estudar, entender. Só perguntar na Internet, o que é isso, o que é aquilo e lavar as mãos. É assim que livros altamente valiosos para o dia a dia, dormem com sono profundo nas prateleiras, roncando. Roncando sabendo que nunca mais serão procurados. Não estou defendendo ninguém. Não estou protestando nada. Apenas alertando não sei para quem a velocidade e as mudanças extraordinárias das coisas. Pelo menos o ilustre alagoano abriu os olhos de milhões de brasileiros e marcou com ferro bruto   um legado que nem mesmo a Internet conseguirá extinguir.  Um ser humano que tem a paciência de Jó e a determinação para uma tarefa quase impossível, deve ter passado com muita sobra a missão divina que lhe foi confiada na Terra pelos céus. Um santo da letras.

 

 

 

 

 

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  MOÇA NAMORADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3406   Acho que a prime...

 

MOÇA NAMORADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3406

 



Acho que a primeira música que eu ouvi na vida, fora as do canto da Igreja, foi no povoado Pedrão de Olho d’Água das Flores. Eu deveria ter em torno de oito anos de idade, e ara ali que eu ia passar minhas férias . Naquele tempo as nossa férias escolares, duravam três meses  e mais um mês no meio do ano. Então, certa vez ouvi o carreiro Ulisses, assoviando e cantando assim: “Ô moça/ namoradeira/ lá na ribeira todo rapaz gosta dela...”  E repetia os versos. Já com a idade avançada nunca consegui esquecer essa música que pareci refrão. Tentei, tentei, tentei pelos meios mais modernos encontrar música, letra e autor e... Nada. O carreiro cantava com voz bonita, entoada e a música  parecia muito saudosa. E vinha outra ou a emenda da mesma: “Ô sanfoneiro/ moça mandou lhe chamar/ para tocar um baião no Ceará/ Tu diz a ela? Que de pé eu não vou lá/ Só vou de avião/ Se mandarem me buscar” e mais: Mas ela tinha doze palmos de canela/ Para dar um beijo nela/ era preciso atrepar”.

Em não encontrar música, letra, autor, deduzi que a cantiga inicial do carreiro, teria sido  versos de mestres de “Guerreiro” ou “Reisado” e, letra de mestre do folguedo “Guerreiro”, era improvisada. O registro de algumas estrofes de cantos passava de boca em boca e não eram registradas em livros. E por falar  em Guerreiro, em um dos meus  romances, PAPO-AMARELO no final do livro surge uma cena com esse folguedo alagoano do meu tempo. Quando o passado aflora, não tem jeito.

Falar no tema acima, nem sei se ainda existme  representações de Guerreiro em estátuas na praça do Centenário, em Maceió. Nas ruas de Santana do Ipanema e no Sertão inteiro, o Reisado e o Guerreiro, nunca faltavam na festas de Natal, mas nem sempre era em fim de ano. Vez em quando o Guerreiro era contratado para uma noite na zona rural ou urbana. E o mestre, inspirado pelas figuras compostas de dançarinas belas e mais alguns goles de “cana”,  rimava sem parar durante uma noite inteira, tanto pelo prazer de brincar, quanto de arrecadar alguma coisa para manter o seu folclore.

Feliz tempo, sem televisão, sem celular, sem o cinema. Somente levados pela vento das noites, o batido da figuras com os pés no chão batido e o eco dos melodiosos improvisos do Mestre.

 

  ZUMBI Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ Crônica: 3405   O...

 

ZUMBI

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano fugitiva fugitiva e organ

Crônica: 3405



 

O Dia de Tiradentes, um simbolismo forte de libertação da nação brasileira, também, reverbera nos canaviais nordestinos e nos leva no imaginário à serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas. Um mundo à parte na cadeia de montanhas que corta a região Norte do nosso estado. E pelo grito de liberdade africana e pela resistência negra aos costumes escravagistas da época, pensava eu deixar as teorias do livros  e subir o monte.  Conhecer o chão real  da Troia negra alagoana. Mas, nem como professor de Geo-História, nem de pesquisador, nem de turista e nem de curioso, consegui chegar em terras da Mata e nem galgar a serra da liberdade. Sempre havia alguma coisa que impedia a minha visita aquele sítio arqueológico. Qual a  explicação?

Entretanto, nunca se apagou em mim a inspiração fugitivas  organizacional de resistência dos seres humanos à crueldade muito além dos chicotes. E fui  acompanhando notícias de reformas no sítio, de melhoria ao acesso e  sensação de um clamor milenar invisível que ainda ecoa pelos rios, pelas  montanhas, pelas matas, pelo vento da região de quem ainda possui um pouco de sensibilidade à libertação humana.  E vejo também o meu herói Zumbi  no romance do saudoso romancista Adalberon Cavalcante Lins – O TIGRE DOS PALMARES.  Passou a época do entusiasmo em conhecer de perto a serra da Barriga. Não almejo mais escalar serra alguma, sem asfalto ou com asfalto, mas sinto na própria carne o desejo ardoroso de Zumbi também em quebrar para sempre suas amarras.

  ALTO DA EMA Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3404   Quando o pesquisador ...

 

ALTO DA EMA

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3404

 



Quando o pesquisador encontra certa ambiguidade, na pesquisa, muitas vezes não tem como desvendar o mistério surgido, quando fontes seguras já não existem e se tem que entrar no campo das deduções. Um desses caso é semelhante no Sertão e no Agreste do nosso estado. E tudo tem início com a denominação mais fácil que o povo encontra. Entre Palmeira dos Índios e Maribondo, encontramos o povoado Cabeça Danta. E o que significa Cabeça Danta. Seria inicialmente Cabeça de uma pessoa de sobrenome Danta? Seria  o lugar chamado antes Cabeça da Anta? Seria cabeça, relativa  a um começo de ladeira, de chã? Teria sido achado ali uma cabeça humana de alguém que tivesse sobrenome Danta?

No município de Santana do Ipanema estão as denominações de sítios: Baixa do Tamanduá,  Várzea da Ema. Muita lógica nas deduções. Mas o sítio Alto Dema ou Alto da Ema ou Alto d’Ema,  ou ainda Alto do Dema dá nó em cabeça de pesquisador.  Qual a realidade por trás do nome. Primeiro, Alto Dema, ou Alto do Dema ou Alto d’Ema, dá a impressão do que são termos que dizem a mesma coisa: Um terreno alto que teria um morador chamado ou apelidado de Dema. Então vamos para a quarta denominação: Alto da Ema. Bem, assim tudo muda. Nesse caso a termo é muito claro: Um lugar onde, antigamente se encontravam emas. Ali perto existe outro sítio com o nome Várzea da Ema. Várzea é lugar baixo, fértil e sujeito à inundações. Ora, se tão perto tem a Várzea da Ema, e o Alto da Ema, se deduz que naquela região eram frequentadas pelos animais selvagens ema, tanto nas baixadas quanto nos altos. Qual seria o certo?

A EMA, ave pernalta é a maior do Brasil. Suas pernas longas permitem fugir rapidamente de predadores e, quando acuada também resolve atacar. Animal  cada vez mais raro nos seus habitats,

as emas eram bastante encontradas no interior do Nordeste. Embora tenha uma carcaça com bastante carne, não era apreciada, principalmente pela população masculina que dizia que “que carne de ema faz crescer a bunda”. No meu romance do ciclo do cangaço, FAZENDA LAJEADO, tem uma cena hilariante com uma ema, visando quebrar  a seriedade da narrativa. A  (Rhea Americana) também se encontra presente no livro: O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA.

EMA (PIXABAY).

  MUNDO NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3343   A   primeira mudança q...

 

MUNDO NOVO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3343

 



A  primeira mudança que registrei no mundo do Sertão para o progresso e o modernismo foi a invasão de calçados vindos de Pernambuco. Isso quebrou os curtumes e faliu as fábricas de calçados de Santana do Ipanema. Depois foi a chegada devagar de confecções prontas, vendidas em bancas de feira no ramo de armarinhos. A sua crescente presença, eliminou os alfaiates e as costureiras de Santana do Ipanema. Houve a decadência em lojas de tecidos. E pela primeira vez na vida, vi uma montanha de calcinhas, na feira, vendida a 1 real, cada peça. Incrível para a época. Ao mesmo tempo numa viagem à Juazeiro do Norte, vi montanhas de confecções, cujas calças para homens, custava apenas 15, reais, que era praticamente de graça. No Sertão ainda se usava roupa sobre medida, escassez no vestiário e falta completa de sutiãs e calcinhas.

Mas, o início de fato dessa transformação, foi quando, como adolescente, notei que as fábricas estavam fabricando brinquedos baseadas naqueles que usávamos no cotidiano feitos pelos nossos artesãos: Caminhões de molas de lata, pinhão de goiabeira, Mané-gostoso, principalmente. Depois vieram as bicas (calhas) de plástico para escoar as águas das chuvas no telhado. Isso foi eliminando a profissão de flandreleiro, em outros lugares, chamados funileiros. E essa transformação silenciosa, notada por muito poucas pessoas, continua ainda  e agora com velocidade espantosa. Veja o exemplo do celular, atualizado a cada seis meses.

O progresso faz, então, lembrar do padre Bulhões e o matuto que entrou na igreja, vindo do sítio chamado Mundo Novo. Olhando a nave do Altar-mor, o padre viu quando o matuto entrou na Matriz de Senhora Santana, com chapéu e cigarro apagado na boca. Dirigiu-se ao altar que estava com uma vela   acesa e procurou acender o seu cigarro boró. O padre desceu até lá, procurando se conter para não aplicar mais um  esporro daqueles acostumados a  presentear. “Bom dia, de onde o senhor é?”, indagou. O matuto respondeu: “Sou do Mundo Novo”. E o padre, dominando a impaciência disse coçando a cabeça: “Só podia ser. Pois no Mundo Velho de meu Deus, não existe isso  não”

Durma com um barulho desses!

BBC NEWS. CIDADE DO CABO.

  MARIA BONITA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 3402   Brevemente no mercado...

 

MARIA BONITA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de abril de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 3402

 



Brevemente no mercado, o livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS. Um livro tipo clássico, como LAMPIÃO EM ALAGOAS, completamente diferente do que você já viu até hoje. Já na gráfica, ainda negociando termos de editoração e finanças, estar atrelado ao  ao romance urbano AREIA GROSSA, que resgata parte da periferia de Santana do Ipanema, dos anos 60 – 70. Ambos os compêndios deverão ser lançados no mesmo período, porém em situações inusitadas, como foi lançado o livro A IGREJINHA DAS TOCAIAS, SUA HISTÓRIA. Vale salientar, que ainda não temos prazos de lançamentos, nem preço definido, entretanto, quem estiver interessado, principalmente os seguidores de histórias do cangaço, poderão entrar em contato com o autor e adquirir antecipadamente, tanto o AREIA GROSSA quanto O MARIA BONITA. (contato abaixo).

Para o segundo semestre e início de 2027, estão na fila e deverão tomar corpo o documentário: BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO, ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO e o romance do ciclo do cangaço AS TRÊS FILHAS DO CORONEL, nome sugerido pelos leitores. Enquanto a fábrica de sonhos estiver funcionando e o Divino Espírito Santo, na guia, estaremos produzindo documentários e ficções, para preencher e embalar as almas inquietas deste mundo conturbado. Contar realidades e  fazer sonhar nos romances,  faz transportar o ser humano para uma dimensão onde a poltrona, a rede, a mesa do leitor funcionam como camarote para o espetáculo circense que se descortina para o início.

Antecipadamente quero agradecer, ao meu irmão, sempre editor Ivan Braga (Ivan Caju) e aos escritores João Chagas Neto, o “Capitão do Mato” e Luís Antônio, o “Capiá”, pela presença do “bolso” na gráfica maceioense. Por certo estaremos os quatro, marcando território no lançamento  de MARIA BONITA, A DEUSA DAS  CAATINGAS E AREIA GROSSA, seja à margem esquerda do rio Ipanema, seja aonde for nas terras gloriosas de Senhora Santa Ana.

Meu Sertão, meu Sertãozinho.

AUTOR AOS 79 ANOS.

  O maior romancista do Nordeste Escolha 1 ou mais ou o Kit FALE DIRETO COM O AUTOR Contato: (82) 99606 - 9742

 


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