MARCO DO SÉCULO Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3463   Em Santana do Ipa...

 

MARCO DO SÉCULO

Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3463

 



Em Santana do Ipanema, no final do século XIX, foi erguido um cruzeiro de madeira em um dos montes circundantes da cidade, como marco de passagem de século. Ainda hoje o marco está no mesmo lugar, que talvez seja o  segundo. O marco de fim e início de século, tornou-se símbolo religioso e turístico do serrote do Cruzeiro, lugar de onde se avista a mais bela paisagem panorâmica da “Rainha do Sertão”. Posteriormente foi erguida uma capela em homenagem a Santa Terezinha, como motivo particular de promessa. A igrejinha ruiu duas vezes e foi substituída por uma terceira mais resistente. Quem quiser conhecer a paisagem, a capela e o cruzeiro, é somente ter vontade e disposição de subir o monte, ao atravessar o rio Ipanema e pronto.  

Mas também no final do século XX, novamente como marco de final e início de século, foi erguido outro marco, não nos montes circundantes, mas sim, em um dos bairros humildes da cidade; o Bairro São Vicente que fica situado na saída da urbe para a capital.  Trata-se do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e, que ficou quase defronte  do Abrigo de Idosos do mesmo nome do bairro. O santuário foi erguido pela comunidade sob o comando do, então, padre Delorizano Marques. É um estilo diferente dos prédios da região, sendo arredondado e cúpula em vidros  coloridos  que mostram efeitos especiais quando o sol da manhã ou da tardinha lhes atingem.

Não sabemos se, oficialmente, é ponto turístico, mas que esse papel já, vem sendo exercido há muito. Como ainda está muito longe, nem sabemos ainda se haverá outro marco no início do século XXII, pelo menos não estarei mais encarnado para conhecer, porém, esperamos que boas ideias continuem enriquecendo a nossa história. Afinal, não conheço outra cidade que tenha marcadores de séculos diferentes. Então, essas duas referências deixariam qualquer turista, qualquer católico, qualquer historiador satisfeito.

Vamos conhecer?

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE (LIVRO: 230).

 

  SEGUNDA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3462   Acabo de receber ...

 

SEGUNDA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3462



 

Acabo de receber da Editora, “Instituto SWA”, de Santana do  Ipanema, a segunda edição do livro documentário, SANTANA:  O REINO DO COURO E DA SOLA.  O citado livro cita parte importante da história do Sertão  alagoano, focando os município de Delmiro Gouveia e Santana, especificando as ações coureira do antigo lugar (hoje bairro) Maniçoba/Bebedouro. Essa atividade coureira proporcionou a indústria calçadeira de Santana do Ipanema e alimentou por décadas,  redes urbana e rural de artífices do couro com variedades impressionantes. Esse livro de atos jamais registrados antes, é fartamente ilustrado e detalhista que se encontra  já nos anais da história de Alagoas, à disposição. O livro tem 63 páginas e, para adquiri-lo a preço de custo (ZAP) basta entrar em contato com o autor.

O Instituto SWA, programou com oito escolas do município, trabalhos de leitura, pesquisa, discussões e  entrevistas entre os respectivos alunos e o  autor  do livro esmiunçado. O cronograma aponta para os primeiros 18 dias do mês de setembro. E se Deus quiser, enfrentaremos essa maratona de cultura variando entre as  zonas urbana e rural. Estamos honrados com a participação da escolas: Carrossel, Cleodon Teodósio, José Francisco de Andrade, São Cristóvão (por duas vezes), Professora Sônia Pereira da Silva,  Durvalina Cardoso Pontes e Senhora Santana. Após a primeira fase, virá a Culminância com mais de duzentos alunos juntos. Apresentações finais sobre olhares do Autor. É um intercâmbio que precisa muita  organização e incentivo, não restam dúvidas. Mas a competência docente se encarrega da sua eficiência.

Além dessas ações que serão desenvolvidas nas 8 escolas, o livro também será lançado no Bairro Maniçoba/Bebedouro, como homenagem à família Félix que também movimentava curtumes e a todos que pertenciam a essa atividade econômica e progressista. Provavelmente no mês de outubro, após a maratona cultural nas escolas. Os acontecimentos sob o comando do Editor, Escritor e Jornalista José Malta Neto,  tende a ganhar corpo devido a sua  capacidade de mobilização, dinâmica e convencimento. Isso trará  dividendos impagáveis para a nossa sociedade sertaneja, cujas histórias verdadeiras serão repassadas através do séculos. E não perder a história é não perder a conexão entre gerações.

 

BURROS CARQUEIROS AO ANOITECER. CAPA.

 

 

 

 

 

 

 

 

SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Sem   nunca encontrar algu...

SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460



 

Sem  nunca encontrar alguém disposto à caminhadas, saí margeando a antiga barragem  de Santana do Ipanema.  Eu tinha uma curiosidade sobre as cercas de pedras que cercavam terras nas imediações da barragem. E fui  subindo por aquela estrada de terra  marginal ao rio Ipanema. Estrada boa que parecia rumar para a serra do Poço ou para a cidade de Poço das Trincheiras. Um deserto só. Nem um pé de pessoa aparecia no trajeto. O sol batia na terra piçarrada e de vermelho claro. Quanto mais eu caminhava para o norte, mais solitária a estrada ia ficando. Nem sequer um passarinho cantava ou aparecia nas imediações. Fui encontrando uma cerca de pedra que se prolongava pela margem direita da estrada.  Quando resolvi voltar, já sentindo medo daquele silêncio e solidão onde nunca pisara antes, avistei uma residência.

Era uma casa de alpendre com galinha no terreiro, na margem esquerda da estrada e na margem esquerda do rio. Não encontrei coragem para me aproximar da residência e nem prosseguir a caminhada. Para mim estava vivendo um momento mágico que eu não queria quebrar com informações alguma. Calculei que aquela estrada deveria ter sido trilha dos primeiros habitantes da região serrana de dois ou três séculos atrás. Retornei com certa apreensão pensando em possíveis perigos naqueles esquisitos. A vegetação à direita da ida, ressecada, pelada e que se mostrava por trás da cerca de pedra. A da margem do rio, verde, devido a umidade do leito próximo. A cerca de pedra estava perfeita como ficara no original. havia partes caídas e fui fazendo comparações com cercas de pedras de outros sítios como a das Tocaias, que estavam se desmanchando.

Era uma caminhada muito mais solitária do que a velha estrada.  da esquecimento, porém, havia visto parte da história do Sertão naquele museu  a céu aberto das cercas de pedras feitas por mestres escravos. Naturalmente se pensa que os donos daquelas terras teriam sido pessoas abastadas, pioneiras na habitação do lugar. Mesmo assim, não resisti a um suspiro de alívio ao retornar a BR-316. As surpresas do mundo estão por todas as partes, tanto as boas quanto as péssimas. É bom ter com quem dividir as emoções. 

CAMINHANTE (DEAMSTIME).

 

 

 


  SERTÃO – TAMBOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Estamos nos a...

 

SERTÃO – TAMBOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460

 



Estamos nos aproximando do dia 15 de agosto. Tradicionalmente, limites das chuvas de outono/inverno no Sertão.   “Estamos nos últimos tamboeiros”. A palavra é feminina “tamboeira”, mas sempre foi pronunciada no masculino. São as mandiocas e macaxeiras raquíticas e emurchecidas, que não servem mais para a colheita. No caso acima, expressão alusivas também às últimas chuvas da estação. Aquelas que vão minguando dia a dia até suspenderem totalmente. Claro que é uma linguagem específica de pessoas mais antigas que trazem como surpresa a novidade da ressurreição. A palavra é apenas uma daquelas que estão fora de moda, mas ainda latente.

Este dia 12 de agosto, parece mesmo viver os últimos tamboeiros do inverno. O dia amanheceu nublado, um pouco frio e escuro, mas logo o Sol submergiu entre nuvens e o dia que se mostrava carrancudo, passou de severo a primaveril. Aquele dia que  você olha para o céu e tem vontade de caminhar pelas ruas, pela periferia, pelos campos. Tudo isso, entre a não fama boa do mês de agosto, pelos históricos e a esperança que seja apenas um mês comum e amigo de todos. Os homens podam as árvores das avenidas, enquanto os pardais se animam na fiação das ruas. E mesmo em plena luz diurna, galos cantam pelos quintais da beira do rio. Com a diminuição gradativa das chuvas, a frieza mais rigorosa, procura outros rumos e nós encostamos os casacos.

A Noite não chega de repente como em outras regiões brasileiras.  Mesmo sendo na estação das águas, a tardinha vai chegando lentamente como como quem vai vestir o pijama para dormir. E a noite chega de céu limpo ou com a gaze esbranquiçada com o veto rigoroso a qualquer tipo de estrela. E quando o sertanejo passa a vista pelo céu de fim de inverno, sabe que a madrugada ainda não está de brincadeira porque segue o ditado conhecido “o rabinho é duro”. É assim nesse cenário em que visitarei no próximo domingo, a zona rural margeada pela AL-120. Por coincidência, mais uma espiada no ponto turístico do sítio Barriguda na Pedra do Sapo, não muito distante do Ponto Extremo Sul do município de Santana do Ipanema.

ANOITECER (LEVI SECÚLIO).

 

 

  JURITI Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3459   Não, não é o falecido sap...

 

JURITI

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3459



 

Não, não é o falecido sapateiro de Santana do Ipanema chamado Juriti. Também não é o cabra de Lampião de apelido Juriti. É a ave Leptotila varreauxi) semelhante à rolinha que vive nas matas, bordas de matas, capoeiras e vegetação mais abertas. Mede em torno de 29 centímetros, foi bastante caçada pelo sabor, que segundo caçadores, é bem mais gostosa do que a própria rolinha. Dizem que o seu canto tem o onomatopaico de pupu... Daí, em determinadas regiões brasileiras serem chamadas de Juriti Pupu. De vez em quando, meu pai saía com seus primos para uma caçada de Juriti, porém, não me lembro de ter visto uma  de verdade, nem em minhas andanças pela caatinga, nem morta nem viva nos bornais alheios. Falam que a ave passa muito tempo no chão, catando  sementes. ,

Era um tempo de lazer ou necessidade. Entretanto a lei rigorosa da atualidade, desestimula qualquer tentativa de voltar ao passado da espingarda.  Os que apreciavam as caçadas afirmavam que a melhor de todas é o tatu, opinião, unânime em todas as regiões brasileiras. Mas, em se tratando de aves selvagens, a juriti sempre era apontada como a melhor. Porém, o medo medonho das autoridades, não é o suficiente  para se evitar a caçada clandestina, escondida a sete chaves. As próprias feira livres do Nordeste tentam burlar a vigilância e que de vez em quando motivam manchetes de fragrantes policiais. Nesse caso, a família das pombas, ficam mais quietas e o destaque vem para as denominadas aves canoras que custam fortunas: o canário, o coleira, o galo, o sabiá, o curió...  E assim por  diante.  

Todavia, se o tema é juriti, temos a foto em livro do sapateiro Juriti, que foi bastante conhecido em Santana do Ipanema, pouco antes do seu falecimento. Ficou imortalizado no livro documentário SANTANA:  REINO DO COURO E DA SOLA. Quanto ao cangaceiro Juriti, o belo e cruel do bando de Lampião, foi capturado após o cangaço e jogado ao fogo. E por falar nisso, logo, logo, estaremos lançando pela segunda vez, o livro acima e, desta feita no bairro centro dos acontecimentos Maniçoba/Bebedouro. Parte dos livros será gratuita, parte será vendida. Parcela importantíssima da história de Santana do Ipanema que nunca foi contada em livros.

Entre em contato com autor, pelo ZAP e o terá em suas mãos.

É o meu Sertão velho de guerra!!!

JURITI.

 

 

  A RAINHA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3458   Naquela sexta-feira mui...

 

A RAINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3458

 



Naquela sexta-feira muito escura, as caieiras das olarias queimavam tijolos  na margem direita do Ipanema. A artesã Júlia Rainha desceu pela trilha da margem até à Pedra do Sapo levando as panelas de barro para à queima, eu sua própria caieira. A noite sem lua não tinha romantismo, mas o fogo muito ativo dos fornos noturnos, chamuscava uma melancolia inexplicável nas trevas do rio. Os perigos vagantes do escuro esbarravam na proteção do irmão Gustavo que fazia questão da sua presença nas queimadas da artífice.  Ipanema, silencioso e  aceso, fazia a diferença na Economia ribeirinha e no saudosismo que pairava nas caieiras. As línguas de   fogo da margem quieta forjavam a  tão bela Rainha que ainda aguardava o seu rei.

O texto acima se refere à protagonista do romance recém-lançado, AREIA GROSA. Uma página corriqueira do Panema santanense do século XX. É o alvorecer de um idílio que precisa do tempero da noite, das brumas da madrugada e das multicores vivificantes de novos arrebóis.   crítico laborioso e apaixonado me fez voltar a abrir as páginas do romance do Ipanema, com novo olhar. O olhar de uma paixão profunda e fictícia que impregnou o meu mundo real e se recusa a se esvair. E quando o amor é moldado na quimera e no real, forma uma liga de natureza invisível de reações misteriosas. Ler AREIA GROSSA é nascer de novo, é viver a adolescência duas vezes, é perder o fôlego num mergulho grande se for santanense.

Mas o certo é que estamos no Dia dos Pais. Recebemos convite para estamos em um sítio rural no próximo dia 16, um domingo  de pesquisas e palestras com descendente direto do fundador da nossa cidade, em 1787. É pulando do AREIA GROSA e caindo no areia fina em esmiunçar a história. Porém, mesmo sem história já é muito reconfortante deixar o confinamento urbano e rever cheio de júbilo a zona rural, pela força agradável do sítio São Bartolomeu. Ali tem muitos segredos guardados e não compartilhados com as páginas  históricas. Vamos tentar oxigenar essas botijas e trazer a candeeiro se o tempo da colheita estiver correto.

AREIA GROSSA NAS MÃOS DO POVO (MALTA).

 

 

                                                        A MORTE DA SERENATA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026 Escritor Símbolo ...

                                                       A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 

A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  O JUIZ E O MARMELEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica : 3456   O Dr. João...

 

O JUIZ E O MARMELEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



O Dr. João Yoyô, comerciante com loja de tecidos, em  Santana do Ipanema, chegou a ser juiz já em idade avançada. Era homem de bem, foi um dos fundadores da Escola Cenecista Ginásio Santana, tinha a fala mansa, era muito alto e corrigia aos que se dirigiam a ele, sem o “Doutor” à frente. Foi também diretor do Ginásio e atuou como advogado. Era casado com a professora Leopoldina e gostava de   pedir cigarro, motivo de algumas brincadeiras. Família originária do antigo Capim (Olivença, depois), Certa feita, como advogado defendia um réu que matara sua vítima com uma pisa. O debate forense ainda era no chamado “sobrado do meio da rua”. Primeiro andar,  escadaria de madeira e pouco espaço para os espectadores.

 O marmeleiro da caatinga é um arbusto que dizem que pode atingir até 4 metros de altura. Só o conheci até, no máximo 3.  Seus galhos são muito usados como cipós para tanger animais, fazer vara de pesca e uma série de coisas simples no Sertão. Dizem que melhora as pastagens, bovinos e caprinos comem suas folhas e fornece bom material para as abelhas. (Croton sonderianus e Croton blanchtianus) proliferam com ótima desenvoltura no semiárido. Pois bem, na sua vez de falar, o doutor João Yoyô, lá para as tantas, dissera que o réu não matara a vítima de uma pisa. Dera  apenas algumas poucas cipoadas com cipó de catingueira, também planta nativa do Sertão. Estávamos de pé, imprensado pelo povo assistindo o embate.

Estava  ao meu lado, o contínuo do Banco do Brasil, João Farias que ao ouvir o advogado dizer que o réu usara para bater na vítima apenas um “simples cipozinho de catingueira”, falou para os vizinho com ironia: “Já viu catingueira com cipó, seu fio da peste! Todos nós rimos. Carreguei por muito tempo essa dúvida. O doutor João era homem de origem rural, mas, talvez movido pela emoção foi buscar um cipó na árvore que não produz cipó. Só depois cheguei a conclusão de  que o doutor trocou o nome catingueira por marmeleiro. Um lapso grande para quem entendia de caatinga, porém, não temos lembrança do veredito. Entretanto,  a distância da morte de um homem fora medida entre um cipó de marmeleiro e um robusto galho de catingueira.    

  BICAS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3455   Em tempo de inverno, ainda ...

 

BICAS

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3455



 

Em tempo de inverno, ainda hoje, onde tiver casas cobertas com telhas, fala-se e se precisa de bicas. Mas, o que é bica na linguagem sertaneja se não estamos falando do verbo Bicar?  Bem, bica é uma calha artificial , geralmente confeccionada em zinco, para direcionar as águas da chuva  no telhado, para algum lugar previsto.  A bica, também é chamada de biqueira. E para se fazer bicas bem-feitas era preciso um bom artesão. Na segunda metade do século XX, em Santana do Ipanema, havia artesãos para tudo.  E na Rua mais antiga de Santana, a Antônio Tavares, entre diversos artesãos, havia dois fabricante de bicas, um apelidado Zé  Gancho, outro Manezinho Quiliu. E quem fazia bica poderia também fazer vaso vertical de guardar feijão.

Havia também um excelente artesão, no, hoje, Bairro Santa Quitéria, cujo trabalho era muito elogiado pelo seus clientes. E, na Rua Santa Sofia, também havia um artesão de bicas. Na Rua Antônio Tavares ainda havia uma exímia artesão que era avó do futuro escritor Oscar Silva, porém, sua especialidade era confeccionar candeeiro de flandre, de lata, e por isso mesmo chamada pelo povo de Josefina Flandreleira. Visto isso batemos mais uma vez sobre a primeira travessa da Rua Antônio Tavares, mais chamada de “Beco”. O Beco liga  a Rua Nova à Rua Antônio Tavares uma ladeira de mais ou menos 200 metros de extensão. Santana está completamente asfaltada, porém, o Beco ainda é calçado com pedras brutas dos tempos de vila. O mato prolifera nas juntas do início ao fim da travessa.

As casas ocupadas de antes, parecem abandonadas, faltando pouco para virarem ruínas. Tudo a apenas 100 metros do Centro Comercial. Nossa  sugestão é que a prefeitura asfalte o beco e, em acordo, transforme e decadência em salões que seriam ocupados pelos diversos artesãos da terra. Artesãos dos couros, do pano, da madeira, de ferro... facilitando a vida desses profissionais, criando o Beco ou Travessa dos Artesãos e fomentando o turismo regional. Ou isso ou daqui a pouco, ruínas e beco assombrado cheio de fantasmas, marginais e perigos real.

SELEIRO (GETTY).

 

 

 

  VELAME Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3454   Durante décadas, andamos n...

 

VELAME

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3454



 

Durante décadas, andamos na caatinga, caçando, passeando, visitando, pesquisando, descobrindo.  Mas havia uma coisa que sempre nos chamava atenção, principalmente quando caíam as primeiras chuvas: O perfume educado e gostoso que tomava conta de toda a vegetação. Foi preciso décadas para entender que havia um carro chefe daquela gostosura toda. Posso até não está certo, mas cheguei à conclusão de que o grosso da imensa perfumaria do mato era proveniente de uma arbusto de folhas sedosas, pequenas e de aspectos desbotados;  o velame que sempre está presente ladeando trilhas  acompanhando riachos, rodeando lajeiros. Mesmo assim é um tipo de mato discreto e só chama atenção para quem o conhece.

O velame é popularmente conhecido por suas propriedades medicinais, sendo utilizado na dor de estômago, mal estar gástrico, vômitosdiarréia com sangue e para baixar a febre. Além das propriedades farmacológicas, seu óleo essencial apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti, antibacteriana e cicatrizante. O seu inebriante perfume é muito usado pelas abelhas  da caatinga atraídas por eles e produzem um mel gostoso, aromático e delicado. No verão, o velame fica um pouco emurchecido e de aspecto feio. No inverno, enche muito, fica encorpado, viçoso e mais atraente. Uma antiga diretora de escola me dizia que o seus pai, mandava todos os dias que ela arranjasse os “olhos” dessa planta para fazer chá para afinar o sangue.

Em referência ao poderoso arbusto, existem lugares que levam o seu nome. Inúmeras vezes passei beirando a “Fazenda Velame”, de senhor de muitas terras, em Poço das Trincheiras. Ali estava honageado o vegetal que bem sabe como perfumar o Sertão. Mas, aquela planta nativa de folhas desbotadas, aveludadas e pilosas, não proliferam somente nas ricas propriedades rurais. Surge nas terras do ricos, nas terras dos remediados, nas terras do pobres. Estar à disposição de todos para servir, assim como o homem de boa vontade. Assim, o arbusto VELAME, feio no verão, bonito no inverno, é médico e amigo no Sertão.

VELAME (AUTOR NÃO IDENTIFICADO).

 

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  BOM-NOME Clerisvaldo B. Chagas, 31 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3453                             ...

 

BOM-NOME

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3453

                                                              


                                                                     

Bom-nome é uma arvoreta do sertão e agreste que mede entre quatro e seis metros de altura (Monteverdia rigida). Árvore depequeno porte e que ocupa parte seca da caatinga. Conforme a região, também é chamada chapeú de couro e Pau-de-colher. Seu tronco é irregular formado por muito galhos, a  de  bota flor e é muito ,apreciada nos sertão do Nordeste. É muita utilizada pelo sertanejo por ser dura e densa, em peças que exigem resistência. Faz parte das particularidas de carro de boi e se apresenta como medicianal para diversasos incômodos dos humanos. O bom-nome possui flores pequenas, esverdeadas ou branca, sem muito perfume. Tem seus significados para o homem do campo, quando começa a florada. Amplamente popular no semiárido.

´´E muito usada pelos raizeiros, em garrafadas. Dizem que estimulam o sistema Nervoso Central, é antioxidante, antidiarréica, anti-inflamatória, antiulcerogênica e aintiespasmódica. Suas cascas ttem servido para furúnculos e pancadas. O Bom-nome, pode até não ser uma arvoreta formosa, mas sua utilidade nos meios sertanejos, é de grande valor conhecido por raizeiros, artesãos e agricultores que sempre estão em busca das suas serventias. Primeiro foram os indígenas que descobriram suas virtudes, repassadas para o homem branco. O Bom-nome sempre está na linha de frente com tantas outras árvores famosas do Sertão que preenchem a literatura, como o Juzeiro, o Angico, A Aroeira, o Imbuzeiro, a Quixabeira... Estar presente em todos os estados nordestinos.

BOM NOME (DIULGAÇÃO).

                                                                       

 

 

 

  ELE CHEGOU Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano                                           ...

 

ELE CHEGOU

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

                                                      Crônica: 3452                                                     

 



Como foi o final de julho e o início de agosto no Sertão. Ora, na madrugada do último para o primeiro dia,  aproximadamente às quatro horas, encanou um frio de matar sapo que subiu pela calha do rio Ipanema, vindo nem sei de onde. Aquele tipo de frio em que você veste dois casacos, dois lençóis e não dispensa meias. Jesus! Mesmo assim, os pardais já se remexiam inquietos nos ninhos, com a aproximação da aurora. Nada de chuva, nada de sereno, céu nublado em gazes brancas. Naturalmente, guiado apenas pela tradição, agosto já traria a sentença pronta dos seus primeiros quinze dias. Mas, o dia amanheceu com branco marfim no céu imenso como se a sentença antiga fosse a mesma. Porém, o Rei dos Astros foi aos poucos furano o bloqueio  e ainda no meio da manhã deixou o céu azul profundo.

O tempo, então, virou primavera, Será que agosto virá com aquelas  pragas de lagartas e frieza que matava a lavoura? Agosto continuará o ritmo de chuvas finas e escassas como os meses anteriores?  Será que vai seguir a cartilha do cara preta do El Niño?  Ou vai mudar o rumo das coisas e trazer chuvas intensas e encorpadas nesse Sertão de meu Deus... O certo é que o mês do Dia dos Pais é sempre cheio de surpresas  incríveis no Brasil. Esperamos que essas surpresas sejam agradáveis para redimir a fama de cruel, acumulada. Enquanto isso, vamos nos articulando para relançar o livro SANTANA: REINO DO COURO E DA SOLA na comunidade da sua história, a região de antigos curtumes no  Bairro Maniçoba/Bebedouro.

Segundo o escritor, editor e jornalista, José Malta, o citado livro já estar sendo distribuído  nas escolas onde serão trabalhados pelos alunos, sobre esses importantes episódios desconhecidos pela juventude sobre a história de Santana dom Ipanema.  Na segunda fase dessas ações, ainda segundo o editor Malta, o autor do livro acima deverá se apresentar nas escolas quando os alunos poderão conhecê-lo e fazer indagações na própria fonte. Assim, escritor  e editor se unem em prol da causa cultural, especificamente da juventude, pela história da terra.

MÊS DO MEU PAI (FOTO: (ACERVO DE FAMÍLIA)

 

 

 

 

 

  OS CORONÉIS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2026 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3452   Os chamados Coronéis ...

 

OS CORONÉIS

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2026

Escritor símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3452



 

Os chamados Coronéis do Sertão e que na zona canavieira eram denominados Senhores de Engenho, Já traziam em si, o  instinto bruto da escravidão, do mando, antes mesmo das patentes compradas ao governo central. Foi a Guarda Nacional, criada pelo padre Diogo Feijó, quem distribuiu aos civis as patentes militares aos   homens ricos, políticos, intelectuais e assim por diante. Desse modo além de muitos fazendeiros ricos terem essas patentes compradas, também, vários deles eram chamados coronéis pelo próprio povo pela sua riqueza e não pela patente comprada. Nem todos coronéis e majores do Sertão eram bandidos e matadores de gente, embora,  as imagens sobre o coronel sempre estejam ligadas a todas as perversidades conhecidas.

Em Santana do Ipanema, havia ainda no tempo de vila, o coronel Manoel Rodrigues da Rocha, enriquecido com couros e peles no São Francisco sergipano e sendo antigo sapateiro em Águas Belas, estabeleceu-se em nossa cidade. O coronel era avô do futuro escritor/contista, Breno Acioly. Era industrial, comerciante e fazendeiro e muito investia na vila. Tornou-se ponto de referência da época, a grande liderança da região, porém, um coronel pacato, social e amigos de todos. Tornou-se amigo de Delmiro Gouveia e com ele tinha planos de trazer a luz elétrica de Paulo Afonso para Santana    Ipanema. O domínio da sua liderança terminou com a sua morte em  1920, quando faltava bem pouco para Santana ser elevada à cidade.

 O coronel Manoel Rodrigues da Rocha, Importou muito material da França para uso nas suas construções como corrimão de escadaria, estátua de deusa grega  para fachadas de prédio, vidraças coloridas e objetos para o lar como piano, espelho e mais. Hospedava pessoas ilustres e abria as portas do seu casarão para o folclore de épocas com uma vida ativa na sociedade em que vivia. O primeiro juiz de Santana do Ipanema, era seu genro. No futuro, foi homenageado com seu nome na praça central da cidade e que permanece até os nossos dias. Três grandes casarões construídos por ele, ainda hoje fazem parte do Trio Arquitetônico do Comércio, patrimônio impagável de Santana do Ipanema.

  E AGORA? Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3450   Hoje, domingo 26, mais u...

 

E AGORA?

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3450

 



Hoje, domingo 26, mais um dia estiado em final de julho. Encerramento da festa da padroeira de Santana do Ipanema, uma atração enorme para todo o Sertão alagoano que vem congregar na fé. E assim, com o sol brilhando entre algumas brancas nuvens, o santanense procura os passeios as fazendas, às chácaras, as visitas domingueiras, enquanto aguarda o final  do dia para a procissão que segue por ruas e avenidas até o início  da noite. É pena não ouvirmos mais o repicar dos sinos da torre nas mãos habilidosas do sineiro “Major”,  quilombola e educado zelador da Matriz de senhora Santana (memória). Mas, mesmo sem o dobrar dos sinos, vamos encerrando mais um episódio religioso tradicional e robusto do semiárido de Alagoas.

E como é praxe nessa época do ano, o rio Ipanema mostra pouca água,  apenas acumulada em poços, aqui e ali. A cumpridez do seu leito, nessa frieza de julho, parece de um mundo distante onde não transitam humanos. Uma solidão de fim de mundo. Os vegetais  é de baixadas, montes e planuras, vão desbotando o verde robusto das chuvas acentuadas e ficando pálido com intervalos prolongados das lágrimas divinas. Nas fazendas, sítios e povoados as cabeças são sempre giratórias para o céu, ora branco, ora azul. As interrogações são as mesmas sobre prolongamento ou não do inverno e sobre o ânimo fraco das águas que têm chegado. Porém, o melhor  mesmo é pegar a roupa nova e marchar satisfeito rumo à procissão.

Alguns festeiros já antecipam o evento de São Cristóvão, como se outubro fosse ali na esquina. Mexem no cocuruto antes mesmo dos agradecimentos de Santa Ana e São Joaquim. Mas, é como dissemos outras vezes, no sertão santanense é festa o ano todo. E neste momento em que escrevo estas palavras, estou ouvindo católicos do lugar cânticos da procissão distante e às vezes, somente o barulho, o eco de sons e sentimos assim por onde anda o cortejo de fé. Após a beleza do encerramento, ficará nos corações dos católicos do lugar, uma sensação do dever cumprido, mas também uma sensação de um vazio longo para o novo festejo do ano que vem.  

Final de festa, final de mês.

Viva o mês de julho!!!

MATRIZ DE SENHORA SANTANA (foto; DIVULGAÇÃO).

 

 

 

 

 

 

  CABULOSO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 4449   A palavra “Cabuloso” par...

 

CABULOSO

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 4449

 



A palavra “Cabuloso” parece ser exclusiva do povo alagoano. Vim conhecê-la  quando criança, em Maceió e fui ouvi-la depois esporadicamente e, até nos últimos tempos na boca de um  alto político do estado que tinha esse linguajar raiz. E, obedecendo a esse linguajar regional que nunca pretendo abandoná-lo, vim chamar de “cabulosa”, essa missão do escritor de corrigir livro após enviá-lo para a  impressão. A gráfica, antes de imprimir um livro, ela envia a prova, chamada popularmente de “boneca”, para o autor verificar qualquer erro que possa ter acontecido. É essa a missão cabulosa a que me refiro. Estamos mais uma vez corrigindo uma “boneca”, tarefa que exige muita paciência e paz de espírito para sua realização. É necessária? É. Mas, não deixa de ser cabulosa.

No momento estou verificando a “boneca” de um novo livro. Trata-se do documentário BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO. Barra do Ipanema é um paraíso do rio São Francisco  localizado no município de Belo Monte, dois quilômetros abaixo da sede. O livro que conta sua história desde o século XVII, proporciona ao leitor e a leitora muitos conhecimentos num misto de lazer e pesquisa. O  livro BARRA DO IPANEMA, é fruto do seu antecessor IPANEMA, UM RIO MACHO, interessa de perto às três cidades de Alagoas banhadas pelo rio Ipanema, como Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha, além da própria Belo Monte que não é banhada por ele, mas o município, sim. Vários outros povoados dos quatro municípios citados também são banhados pelo Panema.

Por falar no assunto, chega-se a Belo Monte através da cidade de Batalha, cuja rodovia entre ambas as cidades já se encontra asfaltada. Esperamos chegar a Belo Monte no início de agosto rodando pelo asfalto dali pela primeira vez. Quem vem da capital Maceió, o melhor roteiro é passar por Arapiraca, seguir para Batalha e “queimar o chão” até Belo Monte. Porém, querendo seguir para o povoado sem entrar na sede, existe uma bifurcação bem perto do rio que guiará o seu destino. Tudo vale a pena.