OS PEDAÇOS DA TRAVESSA Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3423   Após cente...

 

OS PEDAÇOS DA TRAVESSA

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3423

 



Após centenas e centenas de anos, tive que passar mais uma vez pela primeira travessa das Ruas Nova/Antônio Tavares. Travessa  encravada bem no coração do Centro da cidade. Dali, é só caminhar cerca de cem metro e se chegará ao Comércio de Santana do Ipanema. Apesar de ser  a primeira travessa em ordem de  afastamento do Cento Comercial, ladeirosa e ainda hoje forrada de pedras brutas, foi muito valorizada no passado, devido a sua localização privilegiada. Sim, que as suas residências são humildes e de quintais curtos, como apartamentos para famílias pequenas. Iniciando na Rua Nova e descendo até a rua Antônio Tavares, Havia e ainda há, uma bueira que soltava seu bafo fedorento para toda a travessa, Daí apelidarmos o local como o Beco do Fedor. 

Na esquina da Rua Nova, morava o guarda de peste, Wilson Modesto e que chegou a ser presidente do Ipanema Atlético Club e  torcedor Fanático do Flamengo. Na esquina, de baixo, na Antônio Tavares, Havia a residência do senhor Zé Lopes onde funcionava uma fabriqueta de Aguardente. Casa, no futuro, transformada em uma das primeiras gráficas da “Rainha do Sertão”. E, no meio da travessa, uma casa alugada que foi a  minha primeira residência após o casamento. Aqueles que foram proprietários daquelas residências na década de 60, já partiram. E a travessa, ainda a chamávamos de beco, nunca recebeu benefícios públicos através de todas as gestões municipais.  Quem a conheceu antes e passa por ali agora, contempla esse trecho abandonado e um beco imundo, o mato tomando conta e as casas esperando apenas um soco para se amontoarem em ruínas.

Esse fenômeno tornou-se costumeiro no Brasil. Mansões e mansões valiosas antigamente, desgastaram-se de forma bruta após a morte de titular. Os descendentes, nem vendem nem restauram e ficam quarteirões, becos, ruas e travessas como moradias de fantasmas que até faz medo transitar por esses lugares à noite. Estamos, então, vivendo uma época de destruição de memórias, tanto material quanto imaterial. Acho que já chegamos a um tempo só de presente, sem passado. Um passado em que o próprio tempo evolutivo engoliu. Ah! Nem adianta saudosismo nem melancolia profunda que chocam e maltratam. Penso que é só  se engajar no exército do presente e marchar. Marchar com eles,... Os desmemoriados.

AMPULHETA.

 

  RUA ESQUECIDA Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3422     Nunca mais havia t...

 

RUA ESQUECIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3422



 

 Nunca mais havia transitado naquele trecho de rua onde passei inúmeras vezes na infância. Tudo modificado e com residências modernas, sem nenhum beco dos mais antigos que desse para o Poço dos Homens, no rio Ipanema. Ali era a casa de Regina e Zé Cambão, acolá era a residência dos pais de Gorila e  Nicinha e, mais adiante, a casa de Pedro “deixe que eu chuto”, o famoso “mão de aço”, pandeireiro. Estamos nos referindo,  à Rua Prof. Enéas, trecho  d os fundos de parte do Comércio e o rio Ipanema. Antes sem denominação alguma, passou a fazer parte do prolongamento da Rua de Zé Quirino que teve início na outra extremidade mais distante dos fundos do Comércio. A  Rua de Zé Quirino ( fundada pelo próprio) passou a se chamar depois, Rua Prof. Enéas.  

Os personagens citados acima, históricos e populares, estavam profundamente  encravados nos anais do rio e do famigerado poço. É uma rua estreita, mas ganhou asfalto e muitas vezes desafoga o  trânsito ou serve de estacionamento no trânsito tresloucado do Comércio. O início da Rua de Zé Quirino, está assegurado no romance a ser lançado em julho, AREIA GROSSA. Patrocinado, será distribuído gratuitamente aos descendentes de personagens reais e terceirizados citados na trama do romance. Não haverá venda do livro, mas anotaremos possíveis encomendas, para breve entrega remunerada. São 82 moradores da região do início da rua, citados no livro, entretanto, esses acima falados, não constam no AREIA GROSA. A areia grossa do rio Ipanema, dá nome ao livro.

Por falar em resgate,  o melhor resgate do Poço dos Homens, encontra-se no livro documentário, IPANEMA, UM RIO MACHO, na nossa autoria. E se você quer saber se o Poço dos Homens ainda existe, existe sim. Os casarios de ambas as margens e mais a ponte construída na década de 60, sufocaram-no. As cheias periódicas, aterram e desaterram o poço. Muitos vegetais baixos no entorno e a poluição contínua, tornaram o lazer inviável para banhistas, além da ponte que quebrou a sua intimidade.

RIO IPANEMA

  

  NOVA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3421   Enquanto se descansa s...

 

NOVA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3421



 

Enquanto se descansa se carrega pedras. Recebo notificações do editor José Malta para corrigir a “Boneca” para nova edição do livro SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA. O citado livro é um documentário de cerca de 60 página que irá ser trabalhado nas escolas do município de Santana do Ipanema. Trata-se de um resgate de parte da história santanense que não havia sido registrada, assim como OS CANOEIROS DO IPANEMA e a IGREJINHA DAS TOCAIAS. Todos os três episódios resgatados por mim e, graças a iluminação do companheiro MALTA, são trabalhados esses documentários com a juventude escolar para o reforço de todas as gerações em ser santanense. SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA, representa o retrato do Sertão inteiro do século XX.

Com o trabalho nas escolas municipais, presença do autor em debates e entrevistas, fica então, consolidado o objetivo  da inclusão daqueles episódios, definitivamente no âmago santanense de qualquer faixa etária. O livro fala da época em que o município e o Sertão Inteiro progrediam com o uso do couro do boi, abundante na região. As fábricas artesanais de curtumes onde o couro era curtido e transformado em sola, alimentando as vária fábricas de calçados que havia na cidade e os diversos tipos de artesãos do couro do semiárido. A circulação do dinheiro, o emprego, as diversões, o modo de fabricar a sola, seus ingredientes, suas fontes, seus transportes, suas vendas, seus preços. Inclusive, o registro de governador santanense, sua visita à cidade com dezenas de cavaleiros.

Além da especificidade do setor coureiro, é o livro SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA, documentário histórico, social, econômico e geográfico da nossa região completa. Vai ficando assim, uma deliciosa fonte de pesquisa nordestina, principalmente, para quem procura voar mais alto com solidez de base. Santana do Ipanema  agradece pela divulgação da sua história tronco e de suas periferias que muitas vezes ficam esquecidas e, emergem através do editor, jornalista e escritor José Malta Neto. Sim,  amigo MALTA, vou encerrar esta crônica e colocar a mão na massa da correção  da ‘boneca”, formosa BONECA.

CAPA, BURROS CARGUEIROS AO ANOITECER.

  MATANDO À VONTADE Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3420   Vai finalizando...

 

MATANDO À VONTADE

Clerisvaldo B. Chagas, 25 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3420

 



Vai finalizando o mês e sendo anunciadas a produção  de milho que está prevista na região de Arapiraca. São muitas toneladas, amigas e amigos. Vamos anexar mais e mais toneladas de milho do Sertão e da Mata porque o tempo em Alagoas nos favorece.  E a gente bota o pensamento no milho assado, cozinhado,  e no delicioso bolo de milho. E a imaginação vai para roça: Imensa extenção verde e bela, bonecas pendoando, homens e mulheres colhendo espigas, quebrando o milharal após colheita. Foguinho no meio do roçado, para experimento das primeiras ofertas da terra.  Ali, adiante, o jegue, de caçuás lotados, força nos sacos cheios, carroceria por cima e aquele despejar nas praças públicas das feiras do mês de junho. Fartura no campo, fartura na “rua”. E comprido.

Então, isso me faz lembrar a irmã holandesa Letícia, no, então, Instituto Sagrada Família, onde eu lecionava Geografia. Bebendo café sem açúcar, a irmã dizia que na Holanda o milho vai para a ração animal. Eita, como os animais da Europa se divertem com o milho como nós. E a medida em que o mês de junho se aproxima, mais a  boca do nordestino se enche d’água pelas delícias imaginárias do milho. A delícia antecipada é cuscuz com leite que, se não tiver cuidado até o prato será engolido.  E as estações das águas continuam neste outono com o tempero desejado pela Agricultura: Chuvas moderadas se intercalando com o calor do Sol. Agora mesmo chegam sons de forró da vizinhança.  Isso representa o bom  estado de espírito sertanejo.

E para animar o mês de maio do Nordeste, foi lançado ao mercado, o livro MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, um documentário clássico que, mesmo com tiragem pequena, já está  percorrendo Alagoas, Rio Grande do Norte e Ceará, aonde as críticas que chegam até nós fazem nos orgulhar do dever cumprido e comprido. E para animar também o mês de junho literário, vamos lançar na Associação da margem esquerda do Ipanema, o romance AREIA GROSSA, que se baseia naquela região da cidade dos anos 60 e seus entornos. Romance de cunho social e histórico com 82 personagens reais e terceirizados na trama que resgata àquela periferia. Distribuição gratuita aos descendentes dos personagens reais.

ROÇA DE MILHO (DIVULGAÇÃO).

 

 ÚLTIMAS UNIDADES. FAÇA PIX E RECEBA EM CASA. 80,00  PIX: 134.272.374.00 Ivan Braga Chagas. BB

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  A PRAÇA DE RONINHO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3419   Não. Eu não que...

 

A PRAÇA DE RONINHO

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3419



 

Não. Eu não quero dizer que a praça pertence ao famoso escultor do ferro. Mas, que a praça chique do Bairro São José estar situada como vizinha à oficina do santanense artesão. Recentemente pintada e sob vigilância, vai mantendo a sua originalidade dividida em três andares que obedecem ao ladeiroso local.  Pois fui  ontem fazer uma visita de cortesia ao artista e fui encontrá-lo em meio à sua especialidade, isto é, figuras e mais figuras de cangaceiros e coisas semelhantes. Entretanto, a boa conservação da praça me chamou atenção,  no topo da ladeira, cujo sítio divide as partes alta e baixa do nosso bairro. Isso deu à praça, condições naturais de mirante. Um mirante voltado para  as barreiras da margem direita do rio Ipanema, para o parcial casario do Bairro Paulo Ferreira e para o pedestal de Santa Ana, na serra Aguda.

 Propus ao festejado artesão a possibilidade  de um São José na entrada do bairro de igual nome. Vi o artista Roninho “morder na corda” por não ser a verdadeira especialidade dele. Mesmo assim deixou uma esperança longínqua, admitindo sem admitir, “Na praça”, disse ele rapidamente. Aí joguei a “panela fervendo” e disse-lhe. “Não sei quanto tempo vai levar, mas quando for a inauguração eu quero estar presente”. E tirei o time  de campo. Meu amigo e minha amiga, ninguém é obrigado a gostar de cangaceiros, porém, não se pode negar o talento e a originalidade do seu estilo. E agora em que o artesão se encontra entre os melhores do Brasil, reformou a sua oficina, dividida entre  parte de trabalho e parte de exposição/venda. As peças, devidamente organizadas realmente oferece um novo visual ao comprador exigente.

Notei, então, que o grande mestre Roninho, tem oficina e   moradia em lugar privilegiado do Bairro São José: Avenida principal com o novo nome, Professora Helena Braga das Chagas, vizinho da praça bonita e mirante parcial  para a margem direita do rio. Ora! Sendo assim o artista do ferro e da solda, ao se notar tristonho, basta dá um passo para a calçada e o cenário do alto logo lhe devolverá qualquer inspiração perdida, para os seus bonecos. Dei alguns passos para baixo e fui apreciar as obras-de-arte do artista plástico e cantor Dênis Aguiar. Obras de inspirações divinas. Desço mais alguns passos e retorno à minha casa para reflexão da manhã.

A PRAÇA DE RONINHO (FOTO DE B. CHAGAS).

 

 

 

 

 

 

  SERÁ? Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3418            Antes as fazenda po...

 

SERÁ?

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3418



 

         Antes as fazenda possuíam os terreiros cheios de galináceos: galinhas, frangas, galos, pintos, capões, perus, pavões, patos e guinés. Recebiam ração de milho , logo ao amanhecer, lá para as dez horas e tinha mais ao entardecer. Essas aves passavam o dia soltas completamente, passeando pelo terreiro e seus arredores, no limpo, no matagal, ciscando, pegando bichinhos, beliscando folha de mato.  Nas horas da refeições, o resto de comida iam para as “galinhas”. Assim, os proprietários nunca passavam fome. Raramente se via alguma dessas aves que não estivesse gorda. Os ninhos eram feitos onde as próprias galinhas quisessem. Essa produção de aves e ovos, garantiam as proteínas do dia a dia.  Uma vez ou outra o proprietário matava um bode, um carneiro, um porco para desenfastiar.

A última vez que contemplei essa maravilha foi no sítio Cava Ouro, em Senador Rui Palmeira onde fizemos lançamento de livro. O céu anunciando chuva e a criação na expectativa do corre-corre. Muito feio um terreiro pelado, no sítio. A facilidade da vida moderna, acabou com essa tradição. Ao invés de pegar ovo fresco no terreiro, a dona de casa passou a comprar ovos de granja nos mercados da cidade. Outros tipos de criação também foram sumindo de vista dos passantes e a concentração passou a ser quase exclusiva do boi. Será que a comida pura da roça, era mais sadia do que a que compramos nos mercados, cheias de aditivos?  As indústrias de óleo acabaram até com a criação daquele porquinho  do qual se extraía a banha para cozinhar.

Você já ouviu a expressão: “Comer feijão-de-corda com galinha de capoeira” ?  A medida que a expressão vai perdendo a força, chega a expressão mais nova: “comer uma galinha velha”. E essa galinha velha, não é a antiga galinha de capoeira, mas sim, a galinha velha, branca, de granja. Ninguém fala na galinha caipira que é aquela vermelha e de ovos rosados. Essa, por enquanto vai tapiando o consumidor com a qualidade dos ovos, sem a propaganda da sua carne. Muito romantismo na antiga paisagem sertaneja, nos detalhes, já não corresponde.

Com essa frieza discreta desse fim de maio, impossível não lembrar desse tempo de Resistência.

ANTIGOS TERREIROS RURAIS (AUTOR NÃO ENCONTRADO).

 

  O CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3417   Nem sei dizer, nem fui pes...

 

O CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3417

 



Nem sei dizer, nem fui pesquisar quem construiu o campo de pouso de Santana do Ipanema. Uma pista larga, boa,  em barro vermelho a dois quilômetros da cidade.  O campo de poso teve tanta influência que passou a ser referido como um sítio rural comum. Foi formado, acho, para receber aviões tipo teco-teco. Quando eu ainda era criança, estive lá depois de um avião sobrevoar a cidade. Era meninada que percorria a pé os dois quilômetros para ver um avião de perto para contar de certo. Mas os adultos também corriam para o campo em busca da novidade. Geralmente os passageiros eram pessoas do governo tentando resolver alguma coisa na região. Ora, se quando eu era criança, o campo já existia, quem o teria construído?

Nem trem nem avião para Santana do Ipanema. Ultimamente dizem que o governador prometeu construir um aeroporto na cidade.  Com o nome desse último sítio. Ah! Houve muita mangação nas redes sociais. Como uma cidade está com uma rodoviária parcialmente destruída e inutilizada, esquecida por parte do estado e se anuncia um aeroporto. O santanense levou a frase como piada de mau gosto. A reação foi enorme. E mesmo que o governo quisesse fazer alguma coisa em relação ao transporte aéreo todo o povo acha que seria somente passar uma camada de asfalto no campo de pouso existente e bradar que foi inaugurado um aeroporto.

Nos últimos anos o campo de pouso passou a ser um lugar usado para competições de motores na Festa da Juventude. São os seis vizinhos, a AL-120, os sítios: Icó, Várzea da Ema e João Gomes, além da proximidade do riacho que tem a denominação desse último sítio. Sim, da fato, a sua localização para os fins desejados, é estratégica. Pero de Santana, de Olho d’Água das Flores e de Carneiros e com muitas outras vizinhanças. Entretanto, o que  estamos precisando mesmo é um VLT Sertão-capital, diariamente. Mas, enquanto isso esperemos o final da piada dita no Sertão.

CAMPO DE AVIAÇÃO EM SANTANA (DIVULGAÇÃO)

  OS CANGACEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3416   Lembro-me perfeitam...

 

OS CANGACEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3416




 

Lembro-me perfeitamente de quando trabalhava de editor no Jornal do Sertão, encarte do Jornal de Alagoas, ali na Rua Nova, em Santana do Ipanema. O futuro escritor Marcello de Almeida e o artista plástico Roberval Ribeiro, inventaram história em quadrinhos (gibis), cujos personagens tinham o nossos rostos e as histórias eram de cangaceiros. Esses gibis fizeram sucesso e até foram lançados em país vizinho. A dupla se desfez, pois eram jovens em busca de melhores oportunidades de trabalho. Pois, décadas  e décadas após, eis que chega com toda força a IA. E o escritor Marcello Fausto, como diversão, começa a colorir fotos antigas e dá roupa nova as fotos de companheiros. Assim me fez  morrer de rir com suas presepadas em transformar minha foto de lançamento de livro e a do escritor Capiá, em cangaceiros.

Estar certo, o amigo quis apenas se divertir, contudo, pode sair de uma brincadeira, uma nova forma de ganhar dinheiro, sobretudo pela qualidade do trabalho apresentado. A IA estar fazendo desaparecer profissões, aperfeiçoando outras e estimulando novas. A evolução em todas as áreas do conhecimento humano, vai no levando para coisas boas e incríveis, mas também vai demolindo as tradições mesmo onde a resistência permanece viva. E isso me leva a refletir sobre o senhor Tô, o retelhador mais afamado em Santana do Ipanema no século passado. O homem que usava um chapéu típico e único, semelhante à polícia montada do Canadá. Não existe mais retelhador em Santana, muito embora ainda existam inúmeras casas com o teto de telhas de barro.

Com a aproximação mais pesada do inverno, é preciso verificar as casas que usam telha. Cadê seu Tô? Ah! A IA uma ora dessas não serve para nada. Não vai subir ao telhado e reparar as telhas. Ou vai? Bem, voltando às presepadas do parceiro escritor, Marcello Fausto, Pouco mais tem fanático do cangaço procurando pesquisar sobre os cangaceiros ainda desconhecidos. Não sei o que pensa o escritor Luís Antônio, o Capiá, mas, da minha parte é  risos e mais risos compartilhados com os amigos. Quer virar cangaceiro, cabra? É só  falar com Marcello.

(ESCRITORES CLERISVALDO B. CHAGAS E CAPIÁ, NA IA DAS PRESEPADAS  DE FAUSTO).

 

  AREIA GROSSA Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3415             Acabo de re...

 

AREIA GROSSA

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3415

 



          Acabo de receber  da gráfica  a prova do livro AREIA GROSSA, para corrigir e enviar as ordens  de impressão. Como disse por aqui, é melhor escrever um romance  do que corrigi-lo depois. Entretanto vamos à missão que nos reserva e gemendo, chorando ou alegre, é puxar a fita e procurar os erros. Entretanto, a aproximação do nascimento de novo filho,  caímos na mesma emoção como se fosse o primeiro mesmo após um série de quase trinta livros publicados. E como o romance AREIA GROSSA é um romance ameno e social, com personagens reais e fictícios da beira do rio, vem a capa  dizendo claramente: “AREIA GROSSA – Romance do Ipanema” .  

Esta primeira edição do romance, será distribuída gratuitamente, na sede da comunidade, para os descendentes dos  personagens reais citados no livro. Entretanto, se após o lançamento alguém quiser comprar o romance, conforme a quantidade de interessados comprometidos, poderemos partir para uma segundo edição para atender a demanda. Inclusive, o presidente da comunidade do Ipanema, já  está ciente  e se comunicando com os seus associados, prevenindo-os sobre o futuro lançamento que ocorrerá dias depois da entrega da gráfica.

Vamos embalar o neném, AREIA GROSSA, ROMANCE DO IPANEMA, com a mesma emoção do MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, ambos filhos do mesmo pai. Enviaremos convites, não só para a comunidade do rio, mas também para todos os nossos contatos. Quanto ao documentário clássico MARIA BONITA – antes DO AREIA GROSSA – poderá se esgotar com as encomendas e não haver condições para lançamento. Os livros estarão em nossas mãos a qualquer momento.

Encomende, portanto, rapidamente o seu.

RIO IPANEMA (DIVULGAÇÃO).

  CASA DA CCULTURA E NÓS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413              ...

 

CASA DA CCULTURA E NÓS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



           Mais uma vez fomos conceder uma entrevista no local certo que é a Casa da Cultura, em Santana do Ipanema.  O tema principal era a história de Santana do  Ipanema  e suas periferias sertanejas. Entretanto, o pressentimento de algo mais veio alargar os horizontes das conversas, quando  a história invisível  e verídica, entrou em cena. Episódios de detalhes que somente espiritualidade  pode revelar. E o elo entre dois  mundo estava justamente na entrevista que se transformou em troca de conhecimentos,  reflexões  e novo direcionamento. O que foi abordado particularmente na Casa da Cultura, bem que poderia ser transformado em novo livro de histórias surpreendentes da própria história. Aquilo que ninguém contou. Pela primeira vez nos deparamos com o inexplicável explicável.

  Duas horas e meia de palestra profunda  transformou a entrevista em sala de estudos, porém nos faltou um mestre seguro tal Chico Xavier. Entretanto, deixando o inédito de lado, estamos perto de  elaborarmos um grupo de leitura  - e que foi tentado por outra pessoa e não deu certo -   para discutirmos  literatura em todas as suas formas e seus exemplos evidentes. No finalzinho da tarde fria, pelo menos acusamos grande satisfação  de quem participou e não participou, mas se encontrava no estabelecimento. E como Cultura é muito abrangente, ainda cabe coisas para acolhimento na Casa da Cultura, cujas paredes são verdadeiro museu de fotografias de nossa cidade.  

          E após esse encontro bem encontrado, a noite passou ainda trazendo importantes reflexões. E mais um amanhecer nos esperava e que veio nesse 13 de maio, com céu parcialmente nublado e  um bom sereno porque a chuva verdadeira ainda não quis surgir na sua plenitude. Assim vamos olhar a rua, molhada, deserta de gente e bichos, aguardando o sol que ainda chega preguiçoso, aguardando com resignação a  ausência total de nuvens cinzas. Ah! Deixem-nos, após essa crônica,  “dá garra” da caneca de café quentinho para ativer bem os neurônios. Não podemos direcionar o tempo, mas podemos fazer parte dele.

                 

 

          

 

 

  A FEIRA DO RATO Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3413     O   tipo de fe...

 

A FEIRA DO RATO

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3413

 



 

O  tipo de feira à parte ou feira nicho, formou-se dentro de uma necessidade dentro de uma grande necessidade,  isto é, uma feira dentro da feira. Não conseguindo banca de madeira, lona para cobertura, pagar o chão e mais outras coisas, a pobreza da pobreza, quis também ganhar algum dinheiro vendendo e comprando e com trocas em dinheiro. Assim teve início esta feirinha de objetos usados e de pequeno valor, nos arredores das grandes feiras.  Uma forma de alcance para quem somente pode alcançar pouco. A princípio, dois ou três comerciantes, depois, feira de pobre mais ampliada. Acontece que os desonestos enxergaram nesse tipo de espaço, uma oportunidade para vendas dos seus objetos roubados.

No início, “feira da troca”, “feira do troca-troca” ,”feira do rolo” (que faz todo negócio) e depois, “feira do rato”. Nesse caso, a feira da feira já estar contaminada pelas vendas produtos de roubo. E o que era motivo de esperança, ainda que fosse pequena, passou a ser motivo de visitas constantes da polícia. Mas fora os produtos de roubo, para que procura uma oportunidade, para quem procura um objeto humilde: um rádio para os que não têm dinheiro e nem voz.  uma enxada, uma câmara de ar, uma bicicleta, um candeeiro, uma garrafa térmica... E assim por diante, deve ser bom.  Vez em quando chega um desavisado para vender passarinho, mas é derrotado pelas batidas das autoridades. Nunca indagamos a nenhum dos feirantes se valia a pena a soma do dia, mas, a repetição na presença na feira, já responde a possível pergunta.

E assim vamos enxergando na feira do rato, na feira do rolo, na feira do troca-troca, na feira do passarinho, não  à feira dos ladrões, mas a feira da pobreza, da necessidade, da sobrevivência. Quando esses tipos de feiras forem enxergadas pela sociedade e pelos que zelam pelo cumprimentos das leis, de uma maneira humana, certamente trará um grande alívio para os que menos possuem.

 

  OUTRO AMANHECER Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   O dia recusou a am...

 

OUTRO AMANHECER

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



O dia recusou a amanhecer  na hora costumeira de cinco e quinze. Resolveu dormir mais um pouquinho e foi aparecer apenas as cinco e meia. Quinze minutos a mais, porém , deve ter havido alguma diferença na Natureza e que muitas vezes a gente nem percebe. O dia, após as chuvas  da noite, tinha afastado meio mundo de nuvens, mas ainda úmido e apenas dando um toque na frieza, avisando que logo estaria apertando o cerco.  Não havia nenhum pássaro na rua, contudo, o canto robusto da rolinha branca vinha de dentro das folhagens  do Pau-brasil ou da Acácia que ornava a via. Não era o canto saudoso do verão, era no mesmo tom, mas com a robustez da alegria. Pomba da paz do Divino Espírito Santo.

Estamos caminhando para o mês de junho, quando de fato se inicia o inverno no dia vinte e um. Entretanto, estamos em plena estações das águas, que para nós é de outono/inverno. E as chuvas, até agora, como no ano passado, mansas e intercaladas com o sol, excelente para a lavoura. E, logo-logo, estaremos em mais uma edição de fartura junina, com milho assado, pamonha, canjica, ao som de bombas e foguetórios que animam o mês de São João, São Pedro e Santo Antônio. E depois de passar um dia e pedaço da noite vendendo livro de MARIA BONITA, A DEUSA DAS CAATINGAS, volto, novamente ao book, procurando inspiração.

Sou interrompido pelo carro do ovo, na rua, com a voz rouquenha da propaganda. E, novamente, mais tarde, pela buzina de caminhão da moto do leiteiro. Assim o dia vai se complementando fugindo do silêncio profundo do amanhecer. É muita gente querendo informações sobre MARIA BONITA, mas, entre uma coisa e outra, vou tentando vestir a crônica  sob chamadas de mensagens dos correios modernos. Vou atendendo gente da Paraíba, Goiás, Rio Grande do Norte e Bahia. Ah, meu  amigo, minha amiga,, vamos aliviar os neurônios, num breve passeio até o portão da rua e olhar o céu.

  

 

 


  AINDA VI Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3412   Era do tempo de meus avós ...

 

AINDA VI

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3412

 



Era do tempo de meus avós e pais, quando no Sertão o transporte era realizado a cavalo e similares e carro de boi. Os tropeiros, também chamados almocreves, no Sertão, transportavam mercadoria para a zona de Mata e de lá trazia os seus produtos. Geralmente o almocreve trabalhava com um tropa de burros de cerca de 10 a 12 muares. Do sertão levavam queijos, peles, carne de sol, farinha... De lá traziam cachaça, tecidos, mel de engenho, rapaduras e mais.  No lugares mais altos do Sertão, como em Mata Grande, por exemplo, havia engenhos rapadureiros, também. Ligeiramente, visitei a um deles, em pleno alto da cidade. Tempos depois, mesmo na era dos motores, ainda vi uma caravana de burros transportando rapaduras em caçambas de madeira, cortando o alto sertão de São José da Tapera. Deduzo que saíra de Mata Grande em direção ao Agreste.

E por falar nisso, Lampião respeitava muito o almocreve, inclusive, porque também já fora almocreve transportador de couros e peles, no alto Sertão de Delmiro Gouveia.  O comboeiro, tropeiro   podia até sair vivo, mas se estivesse transportando rapadura, perdia a carga toda. Isso poderia valer também para as forças volantes que percorriam os sertões em busca de cangaceiros. O último almocreve que conheci na região foi o senhor Cirilo, quando, ultimamente, pude incluí-lo em meu romance que está no “prelo” AREIA GROSSA. Há pouco tempo, através, do, então, Secretário da Agricultura do município, Jorge Santana, foi descoberta peça grande de ferro que fazia parte de um engenho no município de Santana do Ipanema, sítio rural Serrote dos Bois.

Como se vê, serrote é uma elevação, uma pequena serra e, nesse caso, com altura suficiente para se plantar cana, implantar engenho e produzir rapadura. Mas, coisa boa você ter  passado por várias épocas distintas e ser testemunha viva do desenrolar do mundo. Terminamos colocando uma pedra em cima da combinação de levarmos a relíquia santanense para o Museu Darras Noya. Sobre qualquer peça representativa dos almocreves,  nada vimos no Museu,  Assim com não vimos sobre os canoeiros, sobre os curtumes...

Ô povo esquecido!

BURROS CARGUEIROS

 

 

  CANOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3411   Em Santana do Ipanema,   ...

 

CANOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3411

 



Em Santana do Ipanema,  sertão de Alagoas,  homens intimoratos repetem os atos de louvor ao servirem à comunidade sertaneja, mobilidade, conforto, espetáculo e emoções, tendo como base solidária o afluente do rio São Francisco, rio Ipanema.

Mesmo em regime temporário, foi possível demonstrar que nos incômodos das cheias retumbantes, como as maiores conhecidas, 1941 e 1960, ideias iluminadas poderiam baixar a terra em benefícios dos viventes sertanejos santanenses.

Tendo bebido nessa fonte divina, um grupo de homens, “chapéu de couro”, resolve quebrar o isolamento entre regiões, motivado pelos períodos de cheias no rio Ipanema. Ainda sem ponte alguma, rio e riachos encabrestavam  o progresso sucessivo desse núcleo bravio do interior. Os serrotes Cruzeiro, Gonçalinho... Testemunharam  a formação dos heróis canoeiros e suas mobilizações de vai e vem  em águas turbulentas, destravando o nó da Natureza. O Ipanema não seria algoz, mas sim, cúmplice de água e sangue dos que  faziam a terra de Santa Ana.

Ao encerrarem as suas atividades.  os canoeiros ficaram esquecidos. Nenhum registro oficial, nenhuma linha ofical  sobre eles. Assim envelheciam os titãs, um véu se eternizava e a juventude não era informada de 26 anos dos feitos históricos dos homens canoeiros.

Não suportando mais o silêncio da história, pesquisei  na poeira de morrentes fontes de tradição e consegui trazer ao candeeiro, esta página agonizante do nosso povo, da nossa gente que não merece venda e mordaça sobre os que tanto serviram com a merecida bravura curiboca.

Tenho a imensa honra em ter resgatado a história dos canoeiros de Santana do Ipanema, para preencher as escolas, a nova geração e o orgulho em ser santanense

Setembro de 2020.

Extraído do livro: CHAGAS, Clerisvaldo B. Canoeiros do Ipanema. Grafmarques, Maceió, 2020.

VEÍCULO ATRAVESSADO EM CANOAS (DOMÍNIO PÚBLICO/LIVRO:CANOEIROS DO IPANEMA)

  BELEZA PURA   Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3410   Início de maio e, com...

 

BELEZA PURA

 Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3410

 



Início de maio e, como os profetas das chuvas anunciaram,  já chegamos a quadra chuvosa no Sertão. O chamado inverno por aqui, normalmente é de outono/inverno, oficialmente. E agora vamos notando que o ritmo  das  estações da água, vai na mesma batida do ano passado.  Início de chuvas em Maio, variando entre chuvadas pequenas, Sol, e céu branco. Pois foi assim o ano passado, ótimo inverno, que está sendo repetido. Todos esperam que o ritmo atual continue e se intensifique mais um pouco no mês de São João. Nestes tempos é bom ser fazendeiro no semiárido, quando cai a chuva, engorda o rebanho, enche os barreiros. Os vegetais plantados no tempo certo vão dando o ar da graça animando  a todos os que habitam na zona rural. Na cidade, o Comércio aguarda a chegada do dinheiro  do campo. Festas animadas e foguetório.

Nem precisa sair a caminhar sentindo o aroma inebriante da vegetação viçosa, do gostoso cheiro de terra molhada, os berros satisfeitos do gado nos capinzais. Basta, para mim, olhar para o outro lado do rio Ipanema, nas colinas  onde a vista alcança, de baixo para cima, para contemplar o verde dos vegetais por sobre os telhados. Lá por trás do “palácio de Herodes”, com verde intenso e fechamento da mata que antes deixava espaço, já responde pelo campo. É a época em que o Sertão se transforma em paraíso pela segunda vez. Ô terra abençoada de resistência e formação de caráter! É quando o homem se junta ao mandacaru, ao facheiro, ao alastrado, à faveleira, na resignação e na fé. Sertão forja caráter.

E essa friezinha de início de maio, poderá evoluir para a condição máxima sertaneja a partir do mês de junho com ápice entre 15 de julho e 15 de agosto, conforme tradição. Mas, como o mundo está de cabeça para baixo, é gozar a situação atual e cultivar a esperança sempre por dias melhores. Mas, que está bom, está. “Beleza pura”, como dizia o saudoso comerciante Benedito Pacífico (Biu). Pena não termos mais invernos com as andorinhas, com as cigarras cantadeiras e com a caatinga em pé. Vamos vivendo e aprendendo, pois quem nada aprende estar inutilizado. O Ipanema já veio com água várias vezes, na mansidão da sua calha não obstruída. E nós ficamos aguardando com certa ansiedade, as pamonhas, canjicas e milho assado do mês de junho.

O VERDE POR CIMA DOS QUINTAIS. (FOTO: B. CHAGAS).