OS CORONÉIS Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2026 Escritor símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3452   Os chamados Coronéis ...

 

OS CORONÉIS

Clerisvaldo B. Chagas, 29 de julho de 2026

Escritor símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3452



 

Os chamados Coronéis do Sertão e que na zona canavieira eram denominados Senhores de Engenho, Já traziam em si, o  instinto bruto da escravidão, do mando, antes mesmo das patentes compradas ao governo central. Foi a Guarda Nacional, criada pelo padre Diogo Feijó, quem distribuiu aos civis as patentes militares aos   homens ricos, políticos, intelectuais e assim por diante. Desse modo além de muitos fazendeiros ricos terem essas patentes compradas, também, vários deles eram chamados coronéis pelo próprio povo pela sua riqueza e não pela patente comprada. Nem todos coronéis e majores do Sertão eram bandidos e matadores de gente, embora,  as imagens sobre o coronel sempre estejam ligadas a todas as perversidades conhecidas.

Em Santana do Ipanema, havia ainda no tempo de vila, o coronel Manoel Rodrigues da Rocha, enriquecido com couros e peles no São Francisco sergipano e sendo antigo sapateiro em Águas Belas, estabeleceu-se em nossa cidade. O coronel era avô do futuro escritor/contista, Breno Acioly. Era industrial, comerciante e fazendeiro e muito investia na vila. Tornou-se ponto de referência da época, a grande liderança da região, porém, um coronel pacato, social e amigos de todos. Tornou-se amigo de Delmiro Gouveia e com ele tinha planos de trazer a luz elétrica de Paulo Afonso para Santana    Ipanema. O domínio da sua liderança terminou com a sua morte em  1920, quando faltava bem pouco para Santana ser elevada à cidade.

 O coronel Manoel Rodrigues da Rocha, Importou muito material da França para uso nas suas construções como corrimão de escadaria, estátua de deusa grega  para fachadas de prédio, vidraças coloridas e objetos para o lar como piano, espelho e mais. Hospedava pessoas ilustres e abria as portas do seu casarão para o folclore de épocas com uma vida ativa na sociedade em que vivia. O primeiro juiz de Santana do Ipanema, era seu genro. No futuro, foi homenageado com seu nome na praça central da cidade e que permanece até os nossos dias. Três grandes casarões construídos por ele, ainda hoje fazem parte do Trio Arquitetônico do Comércio, patrimônio impagável de Santana do Ipanema.

  E AGORA? Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3450   Hoje, domingo 26, mais u...

 

E AGORA?

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3450

 



Hoje, domingo 26, mais um dia estiado em final de julho. Encerramento da festa da padroeira de Santana do Ipanema, uma atração enorme para todo o Sertão alagoano que vem congregar na fé. E assim, com o sol brilhando entre algumas brancas nuvens, o santanense procura os passeios as fazendas, às chácaras, as visitas domingueiras, enquanto aguarda o final  do dia para a procissão que segue por ruas e avenidas até o início  da noite. É pena não ouvirmos mais o repicar dos sinos da torre nas mãos habilidosas do sineiro “Major”,  quilombola e educado zelador da Matriz de senhora Santana (memória). Mas, mesmo sem o dobrar dos sinos, vamos encerrando mais um episódio religioso tradicional e robusto do semiárido de Alagoas.

E como é praxe nessa época do ano, o rio Ipanema mostra pouca água,  apenas acumulada em poços, aqui e ali. A cumpridez do seu leito, nessa frieza de julho, parece de um mundo distante onde não transitam humanos. Uma solidão de fim de mundo. Os vegetais  é de baixadas, montes e planuras, vão desbotando o verde robusto das chuvas acentuadas e ficando pálido com intervalos prolongados das lágrimas divinas. Nas fazendas, sítios e povoados as cabeças são sempre giratórias para o céu, ora branco, ora azul. As interrogações são as mesmas sobre prolongamento ou não do inverno e sobre o ânimo fraco das águas que têm chegado. Porém, o melhor  mesmo é pegar a roupa nova e marchar satisfeito rumo à procissão.

Alguns festeiros já antecipam o evento de São Cristóvão, como se outubro fosse ali na esquina. Mexem no cocuruto antes mesmo dos agradecimentos de Santa Ana e São Joaquim. Mas, é como dissemos outras vezes, no sertão santanense é festa o ano todo. E neste momento em que escrevo estas palavras, estou ouvindo católicos do lugar cânticos da procissão distante e às vezes, somente o barulho, o eco de sons e sentimos assim por onde anda o cortejo de fé. Após a beleza do encerramento, ficará nos corações dos católicos do lugar, uma sensação do dever cumprido, mas também uma sensação de um vazio longo para o novo festejo do ano que vem.  

Final de festa, final de mês.

Viva o mês de julho!!!

MATRIZ DE SENHORA SANTANA (foto; DIVULGAÇÃO).

 

 

 

 

 

 

  CABULOSO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 4449   A palavra “Cabuloso” par...

 

CABULOSO

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 4449

 



A palavra “Cabuloso” parece ser exclusiva do povo alagoano. Vim conhecê-la  quando criança, em Maceió e fui ouvi-la depois esporadicamente e, até nos últimos tempos na boca de um  alto político do estado que tinha esse linguajar raiz. E, obedecendo a esse linguajar regional que nunca pretendo abandoná-lo, vim chamar de “cabulosa”, essa missão do escritor de corrigir livro após enviá-lo para a  impressão. A gráfica, antes de imprimir um livro, ela envia a prova, chamada popularmente de “boneca”, para o autor verificar qualquer erro que possa ter acontecido. É essa a missão cabulosa a que me refiro. Estamos mais uma vez corrigindo uma “boneca”, tarefa que exige muita paciência e paz de espírito para sua realização. É necessária? É. Mas, não deixa de ser cabulosa.

No momento estou verificando a “boneca” de um novo livro. Trata-se do documentário BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO. Barra do Ipanema é um paraíso do rio São Francisco  localizado no município de Belo Monte, dois quilômetros abaixo da sede. O livro que conta sua história desde o século XVII, proporciona ao leitor e a leitora muitos conhecimentos num misto de lazer e pesquisa. O  livro BARRA DO IPANEMA, é fruto do seu antecessor IPANEMA, UM RIO MACHO, interessa de perto às três cidades de Alagoas banhadas pelo rio Ipanema, como Poço das Trincheiras, Santana do Ipanema e Batalha, além da própria Belo Monte que não é banhada por ele, mas o município, sim. Vários outros povoados dos quatro municípios citados também são banhados pelo Panema.

Por falar no assunto, chega-se a Belo Monte através da cidade de Batalha, cuja rodovia entre ambas as cidades já se encontra asfaltada. Esperamos chegar a Belo Monte no início de agosto rodando pelo asfalto dali pela primeira vez. Quem vem da capital Maceió, o melhor roteiro é passar por Arapiraca, seguir para Batalha e “queimar o chão” até Belo Monte. Porém, querendo seguir para o povoado sem entrar na sede, existe uma bifurcação bem perto do rio que guiará o seu destino. Tudo vale a pena.

 

  AGRADECIMENTOS E HONRA Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3448     É motivo...

 

AGRADECIMENTOS E HONRA

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3448

 



 É motivo de muita honra, fazer parte da gigante Enciclopédia/Dicionário  “ABC das Alagoas” (Gisela Pfau – José Ysnaldo) bem como ter sido entrevistado pelo insigne Paulo Poeta, da TV Assembleia. Foram dias seguidos de excelentes efemérides como o lançamento do romance AREIA GROSSA na Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, em Santana do Ipanema. Tudo isso dentro dos festejos da padroeira do município, Senhora Santana. Aliás, os festejos  a avó de Jesus prosseguem com muita fé e animação dentro daquelas ações seculares. É bom descobrir as bênçãos da mãe de Maria que  fazem chegar ao santanense mais e mais amor  para bombear o coração.

De todos os nossos livros escritos, faltam apenas quatro para as novas publicações, quando deverá encerrar o estoque acumulado e depois, e depois... Ele, o nosso Mestre já sabe. Portanto, pelo menos dois deverão mostrar os seus rostos nas Alagoas: BARRA DO IPANEMA, UM POVOADO ALAGOANO : e ZÉ COXÓ, O POETA DO FANTÁSTICO. Pelo “andar da carruagem”,  ficarão para o primeiro semestre de 2027, os livros seguintes: AS TRÊS FILHAS DO CORONEL e REPENSANDO A GEOGRAFIA DE ALAGOAS. Mesmo assim a inquietação literária deverá azeitar novamente a máquina da criatividade e nascer novos filhos para o reconhecimento das suas faces. O certo mesmo é que o Divino Espírito Santo, Espírito Vivo de Deus Vivo, não para de fabricar livros e enviar para a nossa cabeça, fazer o quê?

Bem, e como o mês de julho não é só chuva e frieza, o ponteiro marca festas por todos os lugares com as esperanças e euforia dos campos que fazem girar a Economia em sítios, povoados e cidades da região sertaneja em tempo de colheita. Vez em quando o espocar de foguetes preenche os ares gelados do céu de Santana e os fiéis acorrem a Matriz. Ninguém quer perder o encontro com a fé e a oportunidade de rever os amigos e amigas na festa da padroeira. Festa da Juventude, Festa de Senhora Santana, Festa de São  Cristóvão, fazem do Sertão um festejo contínuo que parece não acabar nunca.

Viva a padroeira! Viva nós!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  MISSÃO CUMPRIDA Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3448   Foi na sexta-feir...

 

MISSÃO CUMPRIDA

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3448

 



Foi na sexta-feira 17,  início da festa da padroeira  Senhora Santana. A boquinha da noite –  como se diz no Sertão –  festa da santa em andamento quando o trânsito virou um caos, um trânsito completamente enlouquecido que nada ficava devendo ao da capital da Índia. Após os percalços antes e em cima da hora, conseguimos chegar à Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, na extremidade da Rua São Paulo, margem direita do rio Ipanema. O clima de festa estava por toda a cidade, inclusive, na periferia onde havia muitas comemorações, cujos bares e bodegas nunca venderam tanta bebida. Estiveram conosco nessa empreitada, presentes na Associação, os escritores Marcello Fausto o editor e escritor, jornalista José Malta Neto, o vereador Robson França e sua esposa,  a minha primeira-dama, professora Irene Ferreiras das Chagas, o professor Walter Filho  e vários membros da Associação, tendo no comando o presidente Cajueiro.

Todos os citados acima, usaram a palavra com muitos elogios pelo resgate em livro/romance, daquela comunidade e suas imediações. Finalmente estava sendo lançado um livro que contava   história dos antecedentes daquela periferia dos idos de 1960, dentro da maior fidelidade possível. Romance feito, corrigido e sagrado, teve o impulso final dos escritores contemporâneos João Neto das Chagas e Luís Antônio, o Capiá, que serviram de Banco Central para a completa realização gráfica da obra. Esse foi um final de lançamento de livro em que saí feliz e aliviado pela tremenda incumbência da alma em resgatar parte da infância com AREIA GROSA.

Interessante é que entre algumas ilustrações  do romance, consta um prédio que parecia um sobrado e que o povo o chamava “perfuratriz”. A única foto que se conhece daquele prédio histórico. Pois, a perfuratriz foi demolida  no final do século passado e em seu lugar funciona hoje um prédio de primeiro andar, justamente onde foi lançado o livro AREIA GROSSA. A história dentro da história. Arrepiante!  Não me lembro quem me disse que meus escritos são uma catequese. No início não entendi. Mas, se catequizar é coisa boa, continuemos a catequizar.

 

  E O CÉU... Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3447   Aconteceu novamente. O...

 

E O CÉU...

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3447

 


Aconteceu novamente. O mês chegou ao meio. E se o mês meiou (miou, como diz o sertanejo) é sinal que o mês findou, continua o ditado popular. Estamos falando da rapidez que a segunda metade do mês chega ao fim, após os primeiros quinze dias. As chuvas fracas que caíram em maio, deixaram a vegetação sertaneja verde-
escuro. Acontece que este mês é sempre o mais esperado em pluviosidade e frieza, mas há vários dias que não chove e os vegetais que circundam a nossa cidade, já começaram a perder fôlego, empalidecendo devagar. Vai sentido a falta de chuvas, antes abundantes  nessa ocasião. Mas fazer o quê? O retrato das colinas circundantes é o mesmo do quadro rural. Quem pode com esse menino travesso e essa menina sapeca, El Niño e El Niña?

Com chuva ou sem chuva, vai ter início a grande festa da padroeira local,  Senhora Santana. Festa da padroeira que é vista em toda  sua pujança durante procissão quando toma a extensa parte da BR-316, denominada pelo povo de “Aterro”.  É naquela passagem de cerca de dois quilômetros que foi de fato aterrada para a altear a rodagem que estava sendo construída que a procissão se estira. Pois, do Largo do Maracanã, Bairro da Camoxinga, a pessoa descobre a verdadeira extensão do cortejo porque o Largo é mais alto e oferece uma vista impressionante do Aterro. Mas, de fato, nessas ocasiões, os céus costumam dar uma trégua nas chuvas do mês. Essa tradição da trégua das chuvas ou é milagre ou parece milagre.

Porém, não sei se foi para comemorar a vitória da Argentina sobre a Inglaterra, que o céu esqueceu tudo que eu disse acima  e mandou uma chuva fina com frieza brusca já no cair da noite. A escuridão foi se estendendo e o  tamborilar da chuva no telhado também foi se elastecendo. Larguei as cartas de Zoomancia, criada por mim, fui dar uma lida no tarô cigano e calcular o valor sem ambição de uma  consulta popular. E sempre com o acompanhado do tamborilar já mencionado, senti a hora avançar e o cursor do book sair constantemente do lugar, atrasando o envio da crônica.  Como vai ser o resto da noite, não sei, pode continuar na mesma pisada ou dá um suspiro grande para estiar.

E na segunda quinzena, quem ousa provocar o tempo?

CÉU DE SANTANA, DIA 15 DE JULHO.

 

  A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO Clerisvaldo B. Chagas,15   de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3446   O pe...

 

A SURPRESA DE SÃO SEBASTIÃO

Clerisvaldo B. Chagas,15  de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3446



 

O pesquisador é curioso e resiliente. Há cerca de 20 anos,   estive na serra da Remetedeira. Serra e sítio rural dos arredores de Santana do Ipanema. Eu já havia visto muitas coisas em sítios e fazendas que me surpreendiam e me deixavam maravilhados. Entretanto, nada foi igual ao choque que tomei no sítio e serra da Remetedeira. Isso porque você não  estar preparado para receber o choque. Mas, o choque  de coisa boa, fantástica para você que nunca esperava encontrar. Fui descendo da lombada da serra pelo lado esquerdo, vendo caminhos, currais e uma vegetação densa no terreno inclinado. De alguns pontos da serra se avistava as planuras de sítios como Olho d’Água do Amaro e seu entorno.

Um pouco mais adiante fui dar em um terreno íngreme, Cercado de floresta com uma casa simples e galinhas no terreiro. Porém, quando olhei para a parte de cima, quase que caía duro e emocionado. Havia uma belíssima igreja, aberta e vários degraus muito largos  que chegavam até ela. Uma relíquia escondida que eu jamais pensaria existir. Depois de muito tempo parado e de boca aberta, subi os degraus devagar e fui para o seu salão devidamente arrumado e com suas bancadas. Não perguntei qual era o seu santo, não indaguei quem a construiu, não interroguei sobre a sua história. Esqueci de tudo isso, só contemplava abismado e silencioso que parecia está no céu. Nunca tinha levado choque semelhante. Depois pensei em escrever sobre a zona rural, com  a foto daquela igreja na capa do livro.

Somente agora, e tão somente agora, vejo nas redes sociais, a igreja numa foto postada pelo senhor Jorge Santana, com o nome do santo que eu  não perguntara; São Sebastião.  importante para o meu ego de pesquisador, peço ao senhor Jorge, a gentileza de enviar a foto e aí está ela. Hoje me parece mais estreita e a foto não diz como a descobri naquele dia, Agradeço ao senhor Jorge Santana e a minha própria resiliência, pois também já havia descoberto várias outras coisas assim, muitos anos depois, quando os assuntos pareciam mortos. Sei que não terminei o livro sobre a zona rural que ficou pela metade, contudo, rever a igreja que eu descobrira em lugar íngreme e cercado de floresta, já massageia o ego recompensado do esforço feito.

IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO (CRÉDITO: JORGE SANTANA).

  O LÚDICO Clerisvaldo B. Chagas,   14 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3445   Para quem gosta de ler...

 

O LÚDICO

Clerisvaldo B. Chagas,  14 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3445

 



Para quem gosta de ler, talvez tenha se deleitado com um dos romances brasileiros que mais me impressionaram: CURRAL NOVO,  do saudoso filho de Palmeira do Índios, escritor Adalberon Cavalcante Lins.  O romance Curral Novo é seguido em continuação da trama por dois outros romances: SIDRÔNIO E CAMINHOS INCERTOS. Em um deles, o autor descreve as brincadeiras dos meninos da fazenda, levando os mais velhos para as lembranças da meninice na zona rural. Lembro-me que também tenho cenas de brincadeiras lúdicas e femininas do meu tempo no romance DEUSES DE MANDACARU. Porém, virei criança novamente diante do portão da rua, na minha casa.

É que pela primeira vez em cerca de trintas anos, vi novamente a brincadeira de quando era criança. Passaram duas meninas puxando carrinhos de brinquedos, pelo cordão. Tive que falar com elas e dizer que era assim que eu fazia na idade delas. Puxava os carrinhos feitos de madeira ou de lata que artesãos vendiam na feira. Depois foram surgindo carrinhos elaborados pelas indústrias e que eram novidades para nós. Contudo, as brincadeiras de puxar carrinhos com barbantes, era coisa dos meninos, e no caso da minha calçada aconteceu com meninas e carrinhos de fábricas.

Assim como eu não sabia como eram as brincadeiras de crianças na zona rural e aprendi no romance CURRAL NOVO, outros leitores que também não sabiam como brincávamos nos anos 60, ficaram sabendo em DEUSES DE MANDACARU na diversão “boca de forno”, fizesse o que eu fiz... Fiz. Seu rei mandou dizer....  Porém, me  lembro ainda que no livro dos irmãos escritores Darci e Floro de Araújo Melo, existe página a respeito das brincadeiras de meninos e meninas do tempo deles, pedaço de Santana Vila, pedaço de  Santana cidade. Muito importante para os pesquisadores na sequência até o celular, brincadeira de hoje de adultos e crianças.

Abençoadas sejam as criaturinhas que me fizeram menino de novo.

 

  EXPECTIVA Clerisvaldo B. Chagas, 13   de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3444 Antes do início do século...

 

EXPECTIVA

Clerisvaldo B. Chagas, 13  de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3444




Antes do início do século XXI, o charmoso edifício em forma de sobrado, bem perto do rio Ipanema foi demolido. Era ali onde havia o maquinário da chamada “perfuratriz”, que enviava água para o prédio do “Fomento Agrícola”, quatrocentos ou quinhentos metros acima, na Rua de São Pedro, onde se beneficiava o algodão em motor a diesel, lembra o escritor João Neto Chagas, este detalhe. Chamado simplesmente de Perfuratriz, o prédio era  quadrado, cercado de janelas, calçada alta e inclinada. Recebia a sombra da   tarde onde  vários homens da localidade, costumavam descansar e dormitar, aproveitando a sombra. O telhado formoso tinha a cumeeira em forma de sobrado. Daí aquelas particularidades  que chamavam atenção. 

A sede do sistema, década de 20, prédio do Fomento Agrícola, encontra-se ainda nos últimos estertores. Ali estava o primeiro tanque de Corpo de Bombeiros de Alagoas. Mas, voltemos à Perfuratriz. Em seu lugar foi erguida a  Associação Comunitária Nossa Senhora de Fátima, prédio com primeiro andar e que congrega os habitantes das proximidades do rio, na Rua São Paulo (trecho da antiga rodagem para Olho d’Água das  Flores) e suas imediações. Do prédio da Perfuratriz, em Santana do Ipanema só existe uma foto tirada da torre de igreja. Onde ela está ao fundo da foto, longínqua e só quem a conheceu distingue. A última grande cheia do rio Ipanema, destruiu rua e muitas casas, chegando pela primeira vez na história, até aquele local. Ninguém morreu, mas os prejuízos faram enormes.

É dentro dessas lembranças em que lançaremos no próximo dia 17, às 19 horas, o romance AREIA GROSSA, cuja parte real estar registrada no livro, misturada à parte ficção. Prédios  são lembrados,  famosos lugares e 82 personagens reais apontados na mistura real e fictícia da trama. E como já foi dito antes, o romance AREIA GROSSA (título referente a  um tipo de areia do leito do rio Ipanema) é uma formidável fonte de pesquisa para estudantes e pesquisadores da história santanense. O romance escrito por Clerisvaldo B. Chagas e financiado pelos escritores contemporâneos do epicentro da trama, João Neto Chagas e Luís Antônio, o Capiá, espera corresponder a todas as expectativas. Não haverá venda de livro. Os exemplares serão distribuídos gratuitamente entre os descendentes dos personagens reais.

 

 


  ERA ASSIM, DEPOIS... Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano                                  ...

 

ERA ASSIM, DEPOIS...

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

                                                          Crônica: 3440

 



Após jumentos, burros, cavalos e carro de boi, foi surgindo em  Alagoas o caminhão e o trem.  O trem no litoral e no vale do Mundaú, o caminhão, ainda raridade, cortando todas as regiões do estado. E as estradas de antigos almocreves e carro de boi, foram  aos poucos, alargadas para a era dos motores. As antigas estradas alargadas eram chamadas de “rodagens”. Trabalhadas, mas ainda conhecidas como  “estradas de terra” ou “estradas de barro”. E para cuidar desses problemas, atuavam em várias cidades do Brasil, repartições federais do Departamento Nacional de Estradas e Rodagens – DNER. Hoje DNIT. No Sertão alagoano o DNER, escreveu páginas de pioneirismo, desbravamento e de um heroísmo cru e teimoso que permitiu o desenvolvimento rodoviário  e seus agregados. Chegou em Santana em 1951.

Quase todos os dias os chamados “cassacos”, isto é, os homens que trabalhavam nas estradas, estavam em turmas atuando em trechos, entre Palmeira dos Índios e Delmiro Gouveia. O DNER, em Santana do Ipanema, deu trabalhos a inúmeras pessoas. Quanto ao salário, uma hora estava bem por cima, outra hora era motivo de reclamação. Ainda cheguei a conhecer, pelo  menos, dois funcionários que viraram agiotas, naturalmente quando o salário estava em alta. A sede do DNER, era chamada de “residência”, talvez pela presença do engenheiro que comandava a repartição e que tinha vários direitos e ali morava. Conheci vários intelectuais que trabalharam no DNER, inclusive, o economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá.

Muitos episódios relevantes aconteceram na repartição, porém tudo foi perdido por falta de registros. Apesar de tanta gente capacitada, ninguém publicou uma linha sequer da gloriosa história do DNER em Santana do Ipanema. Ali se abrigava repentistas, músicos, engenheiros, professores, agricultores, rezadores... Mas nada de livro. As histórias eram contadas de boca em boca, até que o tempo varreu todos os vestígios gloriosos daqueles heróis. O golpe definitivo foi quando aconteceu sua extinção e, depois, renascido com outra sigla, mas a história já tinha acabado. Assim é que eu mesmo me pergunto se a história de Santana do Ipanema, não está incompleta com a ausência do DNER em suas páginas. É duro ver o ouro escapando por entre os dedos.

ANTIGO DNER EM 2012.

  JULHÃO Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3439   Quem quiser não acredite em...

 

JULHÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de julho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3439

 



Quem quiser não acredite em surpresas. Mas, ao contrário do que o final de junho pregava, julho não amanheceu com aquele frio intenso de matar sapo.  O frio acentuado ficou na madrugada entre ambos os meses. Julho entrou sereno, iluminado, céu profundamente azul em toda a sua extensão. Um anúncio importantíssimo para o nosso destino agrícola e pastoril. Uma    significativa joia para roupas nos varais e antídoto para mofos.  E julho abre com um sorrisão o mês da padroeira Senhora Santana, outrora, a maior festa religioso de Alagoas e, a intrusa Festa da Juventude tudo no contexto dos trinta  e um dias tão esperados do ano. E para ornamentar a segunda quinzena de julho ainda o lançamento do livro AREIA GROSSA.

Como já dissemos, festa em cima de festa, as juninas e as de julho que logo começarão. Para os que apreciam histórias de cangaceiros, é mais um mês de aniversário da morte de Lampião e Maria Bonita, precisamente em 28 de julho. Riachinhos escorrendo, Vegetação verde fechado, Ipanema com água nos poços e foguetes que sobraram de junho.  Vamos planejando uma rápida viagem ao São Francisco, porém, continua em nossa mentes chuvas e frio de situações anteriores, cuja tempo atual, então, gera a desconfiança. É meu amigo, minha amiga, a busca inolvidável por novíssima publicação em livro hibernado por vários anos seguidos. Vamos obedecendo a ordem de publicações, anunciando mais um documentário de altíssimo valor para a região banhada pelo rio Ipanema, sobretudo, para Belo Monte, o núcleo do documentário.

Mas, o que leva um escritor a escrever um documentário, fora a importância em registro do futuro documentário? Você já pensou nesse caso? Ora, a temática pode até não ter tanta importância, todavia, a parte emocional conta muito para a decisão de escrita. Imagine que um lugar em que você visitou,  nada tem de histórico, mas conquistou o seu coração por alguma coisa particular que somente você sentiu. Mexeu com  você, penetrou fundo na alma e no  pensamento, tocou no coração. É aí quando o escritor se alvoroça por dentro e se não levar o caso para o papel, adoece. É um pedido forte e educado da Natureza  que somente ele capturou. Tem coisas que só a mulher enxerga, tem coisas que só o poeta vê, tem coisas que só o escritor percebe.