RECESSO DE UM SEMANA

 

RECESSO DE UM SEMANA

  O TUBARÃO DO POXIM Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto   de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3469   O meu amigo...

 

O TUBARÃO DO POXIM

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de agosto  de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3469

 



O meu amigo escritor,  João Francisco Neto, me manda  o   vídeo de um tubarão pescado no Poxim, Alagoas. Atravessado em carroça puxada a burro, sangue coagulado por todos os lugares, um pescador simples e de bermudas, rodeando o troféu. E ainda de quebra, vários companheiros em roda e um deles abrindo o peixe com uma pequena faca, expulsando para a areia da praia o almoço do   terror dos mares. Um flagrante forte, convincente e absoluto que atesta a indômita coragem de um pescador de água salgada. Como não se impressionar com a cena que traz várias coisas juntas e  convergentes para o nosso estado! Isso nos faz lembrar cena semelhante acontecida  na represa Isnaldo Bulhões quando foi exibido um pirarucu com o mesmo tamanho.

Inevitavelmente fazemos as comparação entre a imensidão dos oceanos com muitos “monstros” a fazer medo e, os de  abastecedores dos mares com peixes grandes ou pequenos, mas também matadores de fome ao invés de gente. Paramos os nossos pensamentos nas piabas que pegávamos com farinha em litros de fundos furados. Sobrevivências iguais em ambientes diferentes.  E muitas vezes contemplamos um tarrafeiro pegando carito, o  peixito mais vil do rio Ipanema, para matar a fome familiar com farinha de  mandioca. E os anzóis se enfileiravam ao longo do rio em busca do mandim, da piaba, da traíra. Como foi dito acima, formas de sobrevivência que desperta a coragem pela vida e fabrica heróis pela necessidade.

O jangadeiro, o pescador dos mares ou mesmo o vaqueiro do Sertão são titãs que desafiam os perigos constantes do meio em que vivem, porém trazem no peito um profundo respeito pela Natureza da qual tiram o sustento. E lá na fotografia ou vídeo enviados pelo  escritor João Francisco Neto, não existe nenhum indivíduo de terno, gravata, colete e sapatos lustrosos, mas sim, homens de bonés, bermudas e sandálias que não são mocinhos das novelas ridículas e romanescas, mas gigantes de carne e osso lutando vitoriosamente pelo pão de cada dia.

 

 

 

  QUANDO SETEMBRO VIER Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3468   Os montes c...

 

QUANDO SETEMBRO VIER

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3468

 



Os montes circundantes de Santana do Ipanema, iniciaram o processo de degradação por falta de chuvas suficientes. Estão com suas folhagens migrando do verde bonitão para o verde desbotado, para o amarelo feio no caminho para o cinza  característico de árvore pelada.  Vêm provando o que tanto já dissemos sobre as chuvas do inverno do ano passado e deste: chuvas finas e esporádicas que terminam em escassez total. E assim, vai chegando o mês da primavera onde a esperança de todos se renova. E isso nos faz lembrar a fase de rapaz, quando o bancário do Banco do Brasil, sujeito alto, muito inteligente e filho de outras plagas, convidava alguns amigos para irmos até a Associação Atlética Banco do Brasil – AABB – hoje, clube fechado.

E o homem foi falando sobre as maravilhas do computador que era novidade chegando e substituindo a máquina de escrever. Depois colocou algumas páginas musicais de qualidade e bom-gosto, assim como “Tema de Lara”, “Moendo Café” e “Quando vier a primavera”... Ulisses casou-se com uma colega minha, aluna no Ginásio Santana  puxae, algum tempo depois, sumiu de Santana. Nunca mais soube notícias do casal. O AABB pareceu ficar mais pobre com a ausência do intelectual. E, na minha vida, vez em quando eu escrevo quase a mesma coisa quando se aproxima a primavera. E a primavera não é somente a esperança das coisas que tanto desejamos realizar, mas também nos faz recordar um longo final de inverno frio, cinzento e  carrancudo  e momentos felizes de outras primaveras.

Estamos chegando devagar ao mês das flores, ao mês da realidade dos sonhos enovas lembranças invadem  o baú de guardar recordações. É aí que canções tocadas com a alma na AABB, puxa  também pelo saudoso prefixo do cine-Glória, um dos pontos da velha elite da minha terra. Todavia, pode-se mesmo dissertar com firmeza que passado é passado e que muitas outras primaveras virão. E que bom que elas virão, mas não podemos dizer duvidar do cantador quando dizia “Tudo passa, na vida tudo passa, mas nem tudo que passa a gente esquece”. E o resto, só pontear da viola amaciando a vida.

PRIMAVERA (ARTHUR SARNOFF).

 

 

 

  FAVA NO NEGRO Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano. Crônica: 3467   Não podemos esque...

 

FAVA NO NEGRO

Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano.

Crônica: 3467

 



Não podemos esquecer a fava que havia em nosso Sertão alagoano. Em relação ao feijão comum, surgia em pequena quantidade. Diziam que a fava chegava à feira de Santana do Ipanema, vinda da serra do Poço, relevo que divide os municípios de Santana e poço das Trincheiras. A fava tem o grão maior do que o feijão três ou quatro vezes. Grão achatado e um pouco de amargor característico. Não somente a fava era cultivada na serra do Poço (505 metros de altitude) mas tipos de frutas que gostam de clima de  serra. As pessoas mais pobre do Sertão, como quilombolas e trabalhadores braçais do campo, eram alimentados com charque, bacalhau e fava, pelo patrões que procuravam amenizar a despesa dos trabalhadores, com as comidas mais baratas.

Estamos falando de um tempo em que havia qualidade nos produtos acima com preços bons, diferentes das falsificações de hoje e com preço proibitivos. Tudo indica que foi pelo amargor da fava que surgiu o ditado escravagista: “Negro quando não quer fava, fava no negro”.  Com a continuação do tempo, as favas foram ficando menos amargas, chegando  ao ponto de fava sem amargor nenhum. Entretanto comer fava é sempre algo delicioso com charque, com galinha de capoeira, com linguiça, com rim de porco e de boi. Seu antigo amargor é devido a um ácido que possui, semelhante à mandioca. Dos vários tipos de fava que existem, a nossa  era completamente branca. Mas já vimos fava diferente de branca. Quanto as sua origens e classificação, preferimos deixar a cargo do interesse individual.

Sim, ainda encontramos fava nas feiras do Sertão alagoano, dependendo dos meses do ano. Mas, como estará esse alimento em outras partes do Brasil? Pois, aqui no semiárido, foi desaparecendo marcas famosas de feijões delícias e diferenciados como o “vargem roxa”, o “rosinha” , e o “rim de porco”. Tudo por causa do feijão “carioquinha” que tomou conta do Brasil. Do mesmo jeito que aconteceu com os vários tipos de banana com a chegada da “pacovan”.   Mas, voltando ao tema inicial, você já comeu fava? Tem outro jargão que se costuma dizer, prevendo uma vitória: “são favas contadas”.

FAVA.

  URUBU-REI Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3466   Urubu-rei pode ser ape...

 

URUBU-REI

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3466

 



Urubu-rei pode ser apelido de agiota, de coronel malvado, de prefeito ambicioso ou de qualquer outro dono do desmando. Mas, como coisa real estamos falando do (Sarcoramphus papa) conhecido pela população sertaneja como “comedor de carniça”. Difere dos urubus comuns pela cabeça lisa e vermelha amarela ou alaranjada assim como o pescoço. Ainda tem detalhes de cores pelo corpo e pode atingir a dois metros de envergadura. Sua literatura é vasta e não caberia numa crônica  apenas. Em alguns lugares se encontra  em extinção por causa da degradação do habitat. Não costuma fazer ninhos, aproveita lugares que considera seguros como oco de pau ou cavidades. É chamado urubu-rei devido a ser o primeiro a se servir de animais mortos, aguardado pelo urubus comuns.

O seu bico é volteado como as aves de rapina, forte  e capaz de rasgar  o couro mais resistente de animal como o boi, dando início ao seu banquete, depois seguido pelo urubus pretos. O seu nome tem origem indígena com inúmeras observações. As vária teorias sobre sua denominação estão escritas conforme os vários países onde a ave aparece. No Sertão velho de meu Deus, ninguém quer ficar observando ataques à caniças, todavia, tem bons observadores dos hábitos deste limpadores da natureza e testemunhos vivos enriquecem a literatura sobre o comportamento do urubu-rei. Na verdade, em nosso Sertão alagoano se avista vez em quando um urubu-rei para dezenas de urubus pretos, isto quer dizer que não é fácil se avistar um urubu-rei.

Desde criança ao observarmos o voo dos pássaros, nunca encontramos um deles mais bonito do que o voo de  um urubu. O bicho é feio, mas  de voo elegante, principalmente quando estar planando nas corrente de ar. Sempre houve no Sertão, o prenúncio de chuvas, quando os urubus se reuniam em bando no espaço e o bando ficava circulando por várias vezes seguidas. Nós sertanejos, então, chamávamos a esse fenômeno de “festa dos urubus”. Poderíamos apostar na chuva que logo chegaria. Depois eles se dispersavam, chegava a chuva e alguns deles pousavam em algum lugar descoberto e passavam bom tempo deixando-se molhar como se estivessem se deleitando com á água pluvial nas suas penas ou comemorando o êxito do aviso.

O urubu faz o serviço sujo e livra os habitantes de doenças.

URUBU-REI ( DIVULGAÇÃO).

 

 

  A BARRA Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3465   1560. “Após a metade do ...

 

A BARRA

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3465

 



1560. “Após a metade do século XVI, a partir de 1560, os exploradores iniciaram a subida pelo rio São Francisco em busca de novas descobertas”. Atingindo a foz do rio temporário, Ipanema, subiram através do seu leito seco até as nascentes, localizadas  na erra do Ororubá, em Pesqueira, Pernambuco Numa extensão aproximada de 36 léguas e pouco (220 km).

Os desbravadores, exploradores ou sertanistas de Olinda, chegaram primeiro à região,  partindo para o interior através dos rio intermitentes que despejavam no São Francisco. No caso de Alagoas, serviram de estradas para as primeiras fazendas de criação, no sentido foz/nascente, rios e riachos como o próprio Ipanema – o mais importante – e outros como Traipu, Riacho Grande e Capiá.

“Foi exatamente  no ponto de encontro entre os do is rios (Ipanema e São Francisco) que se estabeleceu um núcleo habitacional, onde missionários, colonizadores (sesmeiros, rendeiros, meeiros, compradores de terras) e comerciantes dos centros maiores faziam seus negócios. O local ficou sendo conhecido como Barra do Ipanema, ainda hoje existente”. (Frisos nossos).

O texto acima Fbarra do panema. az parte do livro documentário ainda inédito com o nome de BARRA DO IPANEMA, um povoado alagoano. Livro clássico e histórico que vai surpreender  o mundo cultural de Alagoas.

Aguardemos.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO PRAZERES EM MORRO DO SÃO FRANCISCO, BARRA DO IPANEMA. (IPHAN).

 

  FAVELA MORRO/SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3464     Favela ou ...

 

FAVELA MORRO/SERTÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 20 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3464  

 



Favela ou faveleira (Cnidoscolus quercifolius) é um arbusto ou pequena árvores da caatinga. Tem espinhos  nos galhos, possui folhas recortadas com pelos urticantes. É resistente a seca e protege o solo contra erosão. O nome favela vem das suas vargens de capsulas oleaginosas semelhante as vargens de fava. (feijão selvagem).  Suas folhas e ramos secos podem alimentar rebanhos de caprinos, ovinos e bovinos, nas secas. As semente podem ser aproveitadas em óleo comestível e farinha rica em nutrientes. A favela ainda é usada pela casca e o seu látex como remédios caseiros tal  cicatrizantes, anti-inflamatórios e no tratamento de feridas.  Convive e prolifera com inúmeras cactáceas como a coro-de-frade, o alastrado, o mandacaru, o facheiro... Jamais falta na literatura vaqueira.

Assim como a urtiga, a faveleira costuma surpreender dolorosamente, os braços desprotegidos dos que andam pelas trilhas ou veredas da caatinga distraídos. Representa um dos motivos de defesa da roupa de couro do vaqueiro. A sua referência está sempre no aboio cotidiano do homem rural. A faveleira com suas folhas rendadas e verdes é bonita no inverno e triste e invisível no verão quando fica quase totalmente pelada,  folhas emurchecidas e o todo cinzento. Quando da chamada Guerra de Canudos,havia muitas faveleiras pelos campos de batalhas. Após a guerra pessoas reconheceram em um morro do Rio de Janeiro, esse tipo de vegetação. Daí o temo ter se alastrado pelo Brasil como moradias  pobres, lugares de  morro e de gente humilde.

Que pena duas coisas: o estigma dos lugares de gente humilde com tanto trabalho, circulação de dinheiro e muito mais sendo chamados de favela como desprezo, como lugares condenados eternamente à zombarias e marginalidade e, do Sertão sair nome de vegetal tão nobre para preencher dicionários populares de não boa coisa. Mas, por outro lado,  a favela nas grandes capitais, como os mocambos, as palafitas, os mangues, formam força de resistência de luta renhida pela sobrevivência, por um lugar ao sol, igualmente a própria favela sertaneja que dá exemplos dignificantes.

Viva a faveleira!

FAVELEIRA (DIVULGAÇÃO).

 

  MARCO DO SÉCULO Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3463   Em Santana do Ipa...

 

MARCO DO SÉCULO

Clerisvaldo B. Chagas.18 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3463

 



Em Santana do Ipanema, no final do século XIX, foi erguido um cruzeiro de madeira em um dos montes circundantes da cidade, como marco de passagem de século. Ainda hoje o marco está no mesmo lugar, que talvez seja o  segundo. O marco de fim e início de século, tornou-se símbolo religioso e turístico do serrote do Cruzeiro, lugar de onde se avista a mais bela paisagem panorâmica da “Rainha do Sertão”. Posteriormente foi erguida uma capela em homenagem a Santa Terezinha, como motivo particular de promessa. A igrejinha ruiu duas vezes e foi substituída por uma terceira mais resistente. Quem quiser conhecer a paisagem, a capela e o cruzeiro, é somente ter vontade e disposição de subir o monte, ao atravessar o rio Ipanema e pronto.  

Mas também no final do século XX, novamente como marco de final e início de século, foi erguido outro marco, não nos montes circundantes, mas sim, em um dos bairros humildes da cidade; o Bairro São Vicente que fica situado na saída da urbe para a capital.  Trata-se do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e, que ficou quase defronte  do Abrigo de Idosos do mesmo nome do bairro. O santuário foi erguido pela comunidade sob o comando do, então, padre Delorizano Marques. É um estilo diferente dos prédios da região, sendo arredondado e cúpula em vidros  coloridos  que mostram efeitos especiais quando o sol da manhã ou da tardinha lhes atingem.

Não sabemos se, oficialmente, é ponto turístico, mas que esse papel já, vem sendo exercido há muito. Como ainda está muito longe, nem sabemos ainda se haverá outro marco no início do século XXII, pelo menos não estarei mais encarnado para conhecer, porém, esperamos que boas ideias continuem enriquecendo a nossa história. Afinal, não conheço outra cidade que tenha marcadores de séculos diferentes. Então, essas duas referências deixariam qualquer turista, qualquer católico, qualquer historiador satisfeito.

Vamos conhecer?

SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE (LIVRO: 230).

 

  SEGUNDA EDIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3462   Acabo de receber ...

 

SEGUNDA EDIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3462



 

Acabo de receber da Editora, “Instituto SWA”, de Santana do  Ipanema, a segunda edição do livro documentário, SANTANA:  O REINO DO COURO E DA SOLA.  O citado livro cita parte importante da história do Sertão  alagoano, focando os município de Delmiro Gouveia e Santana, especificando as ações coureira do antigo lugar (hoje bairro) Maniçoba/Bebedouro. Essa atividade coureira proporcionou a indústria calçadeira de Santana do Ipanema e alimentou por décadas,  redes urbana e rural de artífices do couro com variedades impressionantes. Esse livro de atos jamais registrados antes, é fartamente ilustrado e detalhista que se encontra  já nos anais da história de Alagoas, à disposição. O livro tem 63 páginas e, para adquiri-lo a preço de custo (ZAP) basta entrar em contato com o autor.

O Instituto SWA, programou com oito escolas do município, trabalhos de leitura, pesquisa, discussões e  entrevistas entre os respectivos alunos e o  autor  do livro esmiunçado. O cronograma aponta para os primeiros 18 dias do mês de setembro. E se Deus quiser, enfrentaremos essa maratona de cultura variando entre as  zonas urbana e rural. Estamos honrados com a participação da escolas: Carrossel, Cleodon Teodósio, José Francisco de Andrade, São Cristóvão (por duas vezes), Professora Sônia Pereira da Silva,  Durvalina Cardoso Pontes e Senhora Santana. Após a primeira fase, virá a Culminância com mais de duzentos alunos juntos. Apresentações finais sobre olhares do Autor. É um intercâmbio que precisa muita  organização e incentivo, não restam dúvidas. Mas a competência docente se encarrega da sua eficiência.

Além dessas ações que serão desenvolvidas nas 8 escolas, o livro também será lançado no Bairro Maniçoba/Bebedouro, como homenagem à família Félix que também movimentava curtumes e a todos que pertenciam a essa atividade econômica e progressista. Provavelmente no mês de outubro, após a maratona cultural nas escolas. Os acontecimentos sob o comando do Editor, Escritor e Jornalista José Malta Neto,  tende a ganhar corpo devido a sua  capacidade de mobilização, dinâmica e convencimento. Isso trará  dividendos impagáveis para a nossa sociedade sertaneja, cujas histórias verdadeiras serão repassadas através do séculos. E não perder a história é não perder a conexão entre gerações.

 

BURROS CARQUEIROS AO ANOITECER. CAPA.

 

 

 

 

 

 

 

 

SOLIDÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Sem   nunca encontrar algu...

SOLIDÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 14 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460



 

Sem  nunca encontrar alguém disposto à caminhadas, saí margeando a antiga barragem  de Santana do Ipanema.  Eu tinha uma curiosidade sobre as cercas de pedras que cercavam terras nas imediações da barragem. E fui  subindo por aquela estrada de terra  marginal ao rio Ipanema. Estrada boa que parecia rumar para a serra do Poço ou para a cidade de Poço das Trincheiras. Um deserto só. Nem um pé de pessoa aparecia no trajeto. O sol batia na terra piçarrada e de vermelho claro. Quanto mais eu caminhava para o norte, mais solitária a estrada ia ficando. Nem sequer um passarinho cantava ou aparecia nas imediações. Fui encontrando uma cerca de pedra que se prolongava pela margem direita da estrada.  Quando resolvi voltar, já sentindo medo daquele silêncio e solidão onde nunca pisara antes, avistei uma residência.

Era uma casa de alpendre com galinha no terreiro, na margem esquerda da estrada e na margem esquerda do rio. Não encontrei coragem para me aproximar da residência e nem prosseguir a caminhada. Para mim estava vivendo um momento mágico que eu não queria quebrar com informações alguma. Calculei que aquela estrada deveria ter sido trilha dos primeiros habitantes da região serrana de dois ou três séculos atrás. Retornei com certa apreensão pensando em possíveis perigos naqueles esquisitos. A vegetação à direita da ida, ressecada, pelada e que se mostrava por trás da cerca de pedra. A da margem do rio, verde, devido a umidade do leito próximo. A cerca de pedra estava perfeita como ficara no original. havia partes caídas e fui fazendo comparações com cercas de pedras de outros sítios como a das Tocaias, que estavam se desmanchando.

Era uma caminhada muito mais solitária do que a velha estrada.  da esquecimento, porém, havia visto parte da história do Sertão naquele museu  a céu aberto das cercas de pedras feitas por mestres escravos. Naturalmente se pensa que os donos daquelas terras teriam sido pessoas abastadas, pioneiras na habitação do lugar. Mesmo assim, não resisti a um suspiro de alívio ao retornar a BR-316. As surpresas do mundo estão por todas as partes, tanto as boas quanto as péssimas. É bom ter com quem dividir as emoções. 

CAMINHANTE (DEAMSTIME).

 

 

 


  SERTÃO – TAMBOEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3460   Estamos nos a...

 

SERTÃO – TAMBOEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 13 de agosto de 226

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3460

 



Estamos nos aproximando do dia 15 de agosto. Tradicionalmente, limites das chuvas de outono/inverno no Sertão.   “Estamos nos últimos tamboeiros”. A palavra é feminina “tamboeira”, mas sempre foi pronunciada no masculino. São as mandiocas e macaxeiras raquíticas e emurchecidas, que não servem mais para a colheita. No caso acima, expressão alusivas também às últimas chuvas da estação. Aquelas que vão minguando dia a dia até suspenderem totalmente. Claro que é uma linguagem específica de pessoas mais antigas que trazem como surpresa a novidade da ressurreição. A palavra é apenas uma daquelas que estão fora de moda, mas ainda latente.

Este dia 12 de agosto, parece mesmo viver os últimos tamboeiros do inverno. O dia amanheceu nublado, um pouco frio e escuro, mas logo o Sol submergiu entre nuvens e o dia que se mostrava carrancudo, passou de severo a primaveril. Aquele dia que  você olha para o céu e tem vontade de caminhar pelas ruas, pela periferia, pelos campos. Tudo isso, entre a não fama boa do mês de agosto, pelos históricos e a esperança que seja apenas um mês comum e amigo de todos. Os homens podam as árvores das avenidas, enquanto os pardais se animam na fiação das ruas. E mesmo em plena luz diurna, galos cantam pelos quintais da beira do rio. Com a diminuição gradativa das chuvas, a frieza mais rigorosa, procura outros rumos e nós encostamos os casacos.

A Noite não chega de repente como em outras regiões brasileiras.  Mesmo sendo na estação das águas, a tardinha vai chegando lentamente como como quem vai vestir o pijama para dormir. E a noite chega de céu limpo ou com a gaze esbranquiçada com o veto rigoroso a qualquer tipo de estrela. E quando o sertanejo passa a vista pelo céu de fim de inverno, sabe que a madrugada ainda não está de brincadeira porque segue o ditado conhecido “o rabinho é duro”. É assim nesse cenário em que visitarei no próximo domingo, a zona rural margeada pela AL-120. Por coincidência, mais uma espiada no ponto turístico do sítio Barriguda na Pedra do Sapo, não muito distante do Ponto Extremo Sul do município de Santana do Ipanema.

ANOITECER (LEVI SECÚLIO).

 

 

  JURITI Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3459   Não, não é o falecido sap...

 

JURITI

Clerisvaldo B. Chagas, 11 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3459



 

Não, não é o falecido sapateiro de Santana do Ipanema chamado Juriti. Também não é o cabra de Lampião de apelido Juriti. É a ave Leptotila varreauxi) semelhante à rolinha que vive nas matas, bordas de matas, capoeiras e vegetação mais abertas. Mede em torno de 29 centímetros, foi bastante caçada pelo sabor, que segundo caçadores, é bem mais gostosa do que a própria rolinha. Dizem que o seu canto tem o onomatopaico de pupu... Daí, em determinadas regiões brasileiras serem chamadas de Juriti Pupu. De vez em quando, meu pai saía com seus primos para uma caçada de Juriti, porém, não me lembro de ter visto uma  de verdade, nem em minhas andanças pela caatinga, nem morta nem viva nos bornais alheios. Falam que a ave passa muito tempo no chão, catando  sementes. ,

Era um tempo de lazer ou necessidade. Entretanto a lei rigorosa da atualidade, desestimula qualquer tentativa de voltar ao passado da espingarda.  Os que apreciavam as caçadas afirmavam que a melhor de todas é o tatu, opinião, unânime em todas as regiões brasileiras. Mas, em se tratando de aves selvagens, a juriti sempre era apontada como a melhor. Porém, o medo medonho das autoridades, não é o suficiente  para se evitar a caçada clandestina, escondida a sete chaves. As próprias feira livres do Nordeste tentam burlar a vigilância e que de vez em quando motivam manchetes de fragrantes policiais. Nesse caso, a família das pombas, ficam mais quietas e o destaque vem para as denominadas aves canoras que custam fortunas: o canário, o coleira, o galo, o sabiá, o curió...  E assim por  diante.  

Todavia, se o tema é juriti, temos a foto em livro do sapateiro Juriti, que foi bastante conhecido em Santana do Ipanema, pouco antes do seu falecimento. Ficou imortalizado no livro documentário SANTANA:  REINO DO COURO E DA SOLA. Quanto ao cangaceiro Juriti, o belo e cruel do bando de Lampião, foi capturado após o cangaço e jogado ao fogo. E por falar nisso, logo, logo, estaremos lançando pela segunda vez, o livro acima e, desta feita no bairro centro dos acontecimentos Maniçoba/Bebedouro. Parte dos livros será gratuita, parte será vendida. Parcela importantíssima da história de Santana do Ipanema que nunca foi contada em livros.

Entre em contato com autor, pelo ZAP e o terá em suas mãos.

É o meu Sertão velho de guerra!!!

JURITI.

 

 

  A RAINHA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3458   Naquela sexta-feira mui...

 

A RAINHA

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3458

 



Naquela sexta-feira muito escura, as caieiras das olarias queimavam tijolos  na margem direita do Ipanema. A artesã Júlia Rainha desceu pela trilha da margem até à Pedra do Sapo levando as panelas de barro para à queima, eu sua própria caieira. A noite sem lua não tinha romantismo, mas o fogo muito ativo dos fornos noturnos, chamuscava uma melancolia inexplicável nas trevas do rio. Os perigos vagantes do escuro esbarravam na proteção do irmão Gustavo que fazia questão da sua presença nas queimadas da artífice.  Ipanema, silencioso e  aceso, fazia a diferença na Economia ribeirinha e no saudosismo que pairava nas caieiras. As línguas de   fogo da margem quieta forjavam a  tão bela Rainha que ainda aguardava o seu rei.

O texto acima se refere à protagonista do romance recém-lançado, AREIA GROSA. Uma página corriqueira do Panema santanense do século XX. É o alvorecer de um idílio que precisa do tempero da noite, das brumas da madrugada e das multicores vivificantes de novos arrebóis.   crítico laborioso e apaixonado me fez voltar a abrir as páginas do romance do Ipanema, com novo olhar. O olhar de uma paixão profunda e fictícia que impregnou o meu mundo real e se recusa a se esvair. E quando o amor é moldado na quimera e no real, forma uma liga de natureza invisível de reações misteriosas. Ler AREIA GROSSA é nascer de novo, é viver a adolescência duas vezes, é perder o fôlego num mergulho grande se for santanense.

Mas o certo é que estamos no Dia dos Pais. Recebemos convite para estamos em um sítio rural no próximo dia 16, um domingo  de pesquisas e palestras com descendente direto do fundador da nossa cidade, em 1787. É pulando do AREIA GROSA e caindo no areia fina em esmiunçar a história. Porém, mesmo sem história já é muito reconfortante deixar o confinamento urbano e rever cheio de júbilo a zona rural, pela força agradável do sítio São Bartolomeu. Ali tem muitos segredos guardados e não compartilhados com as páginas  históricas. Vamos tentar oxigenar essas botijas e trazer a candeeiro se o tempo da colheita estiver correto.

AREIA GROSSA NAS MÃOS DO POVO (MALTA).

 

 

                                                        A MORTE DA SERENATA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026 Escritor Símbolo ...

                                                       A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A MORTE DA SERENATA

Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 

A serenata é o ato de cantar melodias à noite, ao ar livre e sob janelas com objetivos românticos. A seresta é uma forma de música em grupo de amigos, cantada em qualquer lugar e a qualquer hora. Já tivemos antes, em Santana do Ipanema, o “Bar Seresta” localizado na segunda parte de chamada Rua Nova. O proprietário, músico filho do Bairro São Pedro, não teve muito êxito com a boemia da cidade. Era tempo que se ouvir serenatas, era a coisa mais importante do mundo. As pessoas, dormindo, acordavam altas horas com um violão bem afinado, voz  melodiosa e músicas extremamente românticas. Muito melhor do que um sonho. Geralmente era conduzida por um pequeno número de pessoas que evitavam qualquer outro barulho.

É certo que aqueles que faziam serenatas, eram grupos de rapazes ou adultos que amavam músicas e gostavam de beber. Todavia, na hora do ato eram muito cuidadosos com o silêncio. Não descartamos, porém, que uma vez ou outra pode ter havido algum bate boca entre os membros de algum grupo. Mas, por isso ou por aquilo, chegou um novo delegado de polícia na cidade e resolveu proibir a tradição. Ninguém soube informar se foi alguma  denúncia ou a própria arrogância policial. O certo é que correu de boca em boca a decisão da autoridade. Assim, esses encantos melodiosos .  escuras ou enluaradas de Santana do Ipanema.  Dos inúmeros

Não queremos citar nomes dos inúmeros cantores da cidade que  marcaram épocas pelas noitadas sadias de Santana. As melodias eram baseadas na páginas musicais dos grandes cantores nacionais como Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Núbia Lafayete, Agnaldo Rayol, Moacir Franco e outras feras da música  e brasileira. Quando o delegado de fora assassinou em Santana do Ipanema, a tradição da serenata, fez calar a alma santanense diante da arrogância dos frustrados e desalmados contraproducentes da Cultura. Restaram apenas os seresteiros,  raros, inseguros e desconfiados, montados nos acordes.

SERENATA (ADOBE STOCK).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  O JUIZ E O MARMELEIRO Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica : 3456   O Dr. João...

 

O JUIZ E O MARMELEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3456

 



O Dr. João Yoyô, comerciante com loja de tecidos, em  Santana do Ipanema, chegou a ser juiz já em idade avançada. Era homem de bem, foi um dos fundadores da Escola Cenecista Ginásio Santana, tinha a fala mansa, era muito alto e corrigia aos que se dirigiam a ele, sem o “Doutor” à frente. Foi também diretor do Ginásio e atuou como advogado. Era casado com a professora Leopoldina e gostava de   pedir cigarro, motivo de algumas brincadeiras. Família originária do antigo Capim (Olivença, depois), Certa feita, como advogado defendia um réu que matara sua vítima com uma pisa. O debate forense ainda era no chamado “sobrado do meio da rua”. Primeiro andar,  escadaria de madeira e pouco espaço para os espectadores.

 O marmeleiro da caatinga é um arbusto que dizem que pode atingir até 4 metros de altura. Só o conheci até, no máximo 3.  Seus galhos são muito usados como cipós para tanger animais, fazer vara de pesca e uma série de coisas simples no Sertão. Dizem que melhora as pastagens, bovinos e caprinos comem suas folhas e fornece bom material para as abelhas. (Croton sonderianus e Croton blanchtianus) proliferam com ótima desenvoltura no semiárido. Pois bem, na sua vez de falar, o doutor João Yoyô, lá para as tantas, dissera que o réu não matara a vítima de uma pisa. Dera  apenas algumas poucas cipoadas com cipó de catingueira, também planta nativa do Sertão. Estávamos de pé, imprensado pelo povo assistindo o embate.

Estava  ao meu lado, o contínuo do Banco do Brasil, João Farias que ao ouvir o advogado dizer que o réu usara para bater na vítima apenas um “simples cipozinho de catingueira”, falou para os vizinho com ironia: “Já viu catingueira com cipó, seu fio da peste! Todos nós rimos. Carreguei por muito tempo essa dúvida. O doutor João era homem de origem rural, mas, talvez movido pela emoção foi buscar um cipó na árvore que não produz cipó. Só depois cheguei a conclusão de  que o doutor trocou o nome catingueira por marmeleiro. Um lapso grande para quem entendia de caatinga, porém, não temos lembrança do veredito. Entretanto,  a distância da morte de um homem fora medida entre um cipó de marmeleiro e um robusto galho de catingueira.    

  BICAS Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3455   Em tempo de inverno, ainda ...

 

BICAS

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3455



 

Em tempo de inverno, ainda hoje, onde tiver casas cobertas com telhas, fala-se e se precisa de bicas. Mas, o que é bica na linguagem sertaneja se não estamos falando do verbo Bicar?  Bem, bica é uma calha artificial , geralmente confeccionada em zinco, para direcionar as águas da chuva  no telhado, para algum lugar previsto.  A bica, também é chamada de biqueira. E para se fazer bicas bem-feitas era preciso um bom artesão. Na segunda metade do século XX, em Santana do Ipanema, havia artesãos para tudo.  E na Rua mais antiga de Santana, a Antônio Tavares, entre diversos artesãos, havia dois fabricante de bicas, um apelidado Zé  Gancho, outro Manezinho Quiliu. E quem fazia bica poderia também fazer vaso vertical de guardar feijão.

Havia também um excelente artesão, no, hoje, Bairro Santa Quitéria, cujo trabalho era muito elogiado pelo seus clientes. E, na Rua Santa Sofia, também havia um artesão de bicas. Na Rua Antônio Tavares ainda havia uma exímia artesão que era avó do futuro escritor Oscar Silva, porém, sua especialidade era confeccionar candeeiro de flandre, de lata, e por isso mesmo chamada pelo povo de Josefina Flandreleira. Visto isso batemos mais uma vez sobre a primeira travessa da Rua Antônio Tavares, mais chamada de “Beco”. O Beco liga  a Rua Nova à Rua Antônio Tavares uma ladeira de mais ou menos 200 metros de extensão. Santana está completamente asfaltada, porém, o Beco ainda é calçado com pedras brutas dos tempos de vila. O mato prolifera nas juntas do início ao fim da travessa.

As casas ocupadas de antes, parecem abandonadas, faltando pouco para virarem ruínas. Tudo a apenas 100 metros do Centro Comercial. Nossa  sugestão é que a prefeitura asfalte o beco e, em acordo, transforme e decadência em salões que seriam ocupados pelos diversos artesãos da terra. Artesãos dos couros, do pano, da madeira, de ferro... facilitando a vida desses profissionais, criando o Beco ou Travessa dos Artesãos e fomentando o turismo regional. Ou isso ou daqui a pouco, ruínas e beco assombrado cheio de fantasmas, marginais e perigos real.

SELEIRO (GETTY).

 

 

 

  VELAME Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3454   Durante décadas, andamos n...

 

VELAME

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de agosto de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3454



 

Durante décadas, andamos na caatinga, caçando, passeando, visitando, pesquisando, descobrindo.  Mas havia uma coisa que sempre nos chamava atenção, principalmente quando caíam as primeiras chuvas: O perfume educado e gostoso que tomava conta de toda a vegetação. Foi preciso décadas para entender que havia um carro chefe daquela gostosura toda. Posso até não está certo, mas cheguei à conclusão de que o grosso da imensa perfumaria do mato era proveniente de uma arbusto de folhas sedosas, pequenas e de aspectos desbotados;  o velame que sempre está presente ladeando trilhas  acompanhando riachos, rodeando lajeiros. Mesmo assim é um tipo de mato discreto e só chama atenção para quem o conhece.

O velame é popularmente conhecido por suas propriedades medicinais, sendo utilizado na dor de estômago, mal estar gástrico, vômitos, diarréia com sangue e para baixar a febre. Além das propriedades farmacológicas, seu óleo essencial apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti, antibacteriana e cicatrizante. O seu inebriante perfume é muito usado pelas abelhas  da caatinga atraídas por eles e produzem um mel gostoso, aromático e delicado. No verão, o velame fica um pouco emurchecido e de aspecto feio. No inverno, enche muito, fica encorpado, viçoso e mais atraente. Uma antiga diretora de escola me dizia que o seus pai, mandava todos os dias que ela arranjasse os “olhos” dessa planta para fazer chá para afinar o sangue.

Em referência ao poderoso arbusto, existem lugares que levam o seu nome. Inúmeras vezes passei beirando a “Fazenda Velame”, de senhor de muitas terras, em Poço das Trincheiras. Ali estava honageado o vegetal que bem sabe como perfumar o Sertão. Mas, aquela planta nativa de folhas desbotadas, aveludadas e pilosas, não proliferam somente nas ricas propriedades rurais. Surge nas terras do ricos, nas terras dos remediados, nas terras do pobres. Estar à disposição de todos para servir, assim como o homem de boa vontade. Assim, o arbusto VELAME, feio no verão, bonito no inverno, é médico e amigo no Sertão.

VELAME (AUTOR NÃO IDENTIFICADO).

 

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