NÃO É BRINCADEIRA Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica; 3424   Ontem, 2 de Sant...

 

NÃO É BRINCADEIRA

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2026

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica; 3424



 

Ontem, 2 de Santo Antônio, São João e São Pedro, cabra véi, o tempo apertou.  Um dia nublado de céu branco, uma noite relativamente fria e um amanhecer  na base dos 20 graus  centígrados.  E chega tudo, até agora, dentro das previsões  dos profetas das chuvas. Inverno antecipado, isto é, estações das chuvas, antecipadas dentro da própria estação do outono que novamente caracteriza o mês de junho. A fogueira de São João com aquela garoa  por cima das chamas de aroeira, o frio ainda preguiçoso juntando forças para despejar no mês de Julho, na  primeira quinzena de agosto. Vamos aguardar os próximos passos da Natureza. A vegetação está belíssima, a temperatura variável e muita esperança no ar.

Levantando muito cedo para o café e a caminhada,  me deparo com essa neblina na minha rua, uma obra-de-arte natural que Deus  enviou para apreciação de quem levanta cedo. Não se pode resistir a essa pintura divina e logo o celular de boa resolução registra a obra da natura.  Repentinamente o semiárido se cobre com finíssimo véu de noiva, fazendo poesia e tocando fundo na sensibilidade dos diferenciados. Bem que rebanho de pássaros de pernas compridas havia anunciado o amanhecer numa revoada de alegria por cima dos telhados. Uma algazarra de felicidades que busca o  rio Ipanema com pouca água, açudes e barreiros da região. Ave a um novo dia que redobra esperança em viver. E quando o Sol vier, quando dispersar  o sonho, será motivo do espaço infinito para uma segunda avaliação.

E foi o que aconteceu quando o Sol resolveu utilizar a sua alquimia divina. Não demorou muito e a névoa abriu alas, trazendo o  anil escondido para toda a plenitude da cor. Não era pastoril de azul e encarnado, mas era  encenação de azul e branco. Assim, diante da expectativa do novo dia, restava entregar-se ao cafezinho e mudar aos pensamentos para as tarefas cotidianas que nem sempre são cotidianas, assim. E para ter a certeza de que não estava sozinho no mundo, aguardei o som do carro do ovo, da buzina forte da moto do leiteiro. E vamos cuidar na lida que a vida já estar ganha. Mesmo assim, ainda tenho que tolerar o miado lúgubre de gato no telhado.

Sei não!...