AS DUAS PORTAS Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3433   Ambas as coisa me...

 

AS DUAS PORTAS

Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2026.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3433

 



Ambas as coisa me chamavam atenção e eu não cansava de apreciar quando passava pelas duas farmácias. O busto do negro forte envergando uma barra de ferro, propagando do Fhimatosan ou do Biotônico Fontoura – nisso não tenho certeza – no centro   da farmácia do Seu Carola (^) no  antigo prédio do “meio da rua”. Outra, era a figura da porta larga e da porta estreita acima do balcão da primeira prateleira, exposta para os clientes, na Farmácia “Vera Cruz”, do senhor Alberto Nepomuceno Agra. Estava escrito: “Entrai pela porta estreita, pois a porta larga é a porta da perdição”. E como acabo de ler trecho aleatório do “Evangelho segundo o Espiritismo”, não pude deixar de lembrar esse período de adolescência. Confirmo no Evangelho o que estava escrito na farmácia Vera Cruz:

Larga é a porta de perdição, porque são numerosas as paixões más e porque o maior número envereda pelo caminho do mal. É estreita a da salvação, porque  é obrigado o homem que a queira a transpor, para vencer suas más tendências, coisa a que pouco se resignam. É o complemento da máxima: “ Muitos são chamados os chamados e poucos os escolhidos.

Tal o estado da humanidade terrena, a, porque, sendo a Terra mundo de expiação, nela predomina o mal. Quando se achar transformada, a estrada do bem será mais frequentada. Aquelas palavras, devem, pois, entender-se em sentido relativo e não em sentido absoluto. Se houvesse que ser este o estado normal da humanidade, teria Deus condenado à perdição a imensa maioria das criaturas, suposição inadmissível, desde que se reconheça que Deus é todo justiça e bondade.

Mas, de que delito esta humanidade se houvera feito culpada para merecer tão triste sorte, no presente e no futuro, se toda ela se achasse degredada na Terra e se a alma não tivesse tido outras existências? Por que tantos entraves postos diante  dos seus passos? Por que essa porta tão estreita que só a muito poucos é dada transpor, se a sorte da alma é determinada para sempre, logo após a morte? Assim é que, com a unicidade da existência o homem está sempre em contradição consigo mesmo e com a justiça de Deus. Com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga, faz-se lua sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado e só então se pode  compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo.

Págs. 290-291.



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