SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
OS MORTOS DO POÇO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de junho de 2026 Escrito Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.421 Eu sei, sim, que...
OS
MORTOS DO POÇO
Clerisvaldo
B. Chagas, 5 de junho de 2026
Escrito
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3.421
Eu
sei, sim, que ninguém fala mais sobre essa outrora maior fonte de lazer de
Santana do Ipanema. Sei também da morte
definitiva do poço, em 1969,com a construção da ponte que quase lhe passa por
cima. Mas, acontece que estou cruzando a Ponte General Batista Tubino
(governador que a construiu). Apesar das passarelas estreitas, arrisco uma
olhada no leito do rio que neste início de junho está com pouquíssima água e
alguns poços pelo trecho urbano. Lá embaixo, mato, lixo e areia. Nada de marco histórico, nenhuma placa,
nenhuma estátua ao banhista, nada, absolutamente nada que indique sua
existência após o golpe fatal da ponte em seus estertores. Caminhando e
lembrando que o lugar também afogava indivíduos.
Quando
me entendi de gente, soube que o poço já havia engolido mais de vinte
banhistas. O primeiro teria sido um tal de “Jabobeu “e que algumas pessoas
diziam “Zé Belebebeu” Estes nomes serviam para que os banhista mais velhos
fizessem medo aos mais novos alegando que de vez em quando o finado Jabobeu
puxava na perna de um banhista matando-o afogado. Porém, o último afogado que
tive notícia por ali (ainda b do rem que neste dia eu não estava no poço) foi
um cidadão que morava na margem direita conhecido como “Tinteiro”. Todo mundo falava sobre “Tinteiro”, mas eu
não o conhecia. Ali na frente, o serrote do Gonçalinho está d. prova das coisas que aconteceram. E do lado de
cima do rio, vejo a . proliferação de
plantas aquática que devido a poluição cobriram o antigo poço do Juá, onde
atuavam os antigos canoeiros.
Eu
sei, eu sei sim que toda essa lembrança é quase somente minha. Onde estão os
outros da minha idade? Isso causa melancolia, mas não dói. O que dói mesmo é o
desinteresse dos que deviam preservar os
lugares históricos e deixam desaparecer todos os seus vestígios. E como dito
acima, nada. Nem um toco, nem um poste, nem um obelisco, nem uma estátua, nem sequer
uma placa de lata dizendo da importância do Poço dos Homens na história
santanense do século XX.
RIO
IPANEMA (CRÉDITO: (JEANE CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.