A FEIRA DAS PORTEIRAS Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3332   Com o de...

 

A FEIRA DAS PORTEIRAS

Clerisvaldo B. Chagas, 17 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3332

 



Com o desmatamento acelerado na caatinga, com início em torno dos anos 70, muitos produtos utilizado das matas, foram destruídos. Como exemplo temos os cipós, utilizados para o fabrico de balaios, fornecedores de material para carro de boi, de várias espécies da vegetação. Alguns anos atrás fui surpreendido em vê inúmeros feixes de vara de ferrão expostos à venda em Arapiraca. Ora, muito surpreendido, porque já não a encontrávamos no Sertão. De onde teriam vindos aquelas varas? E uma das coisas que era preciso encomendar era a cancela ou porteira. Porque é uma tristeza você passar por porteira caindo aos pedaços ou ter que enfrentar os chamados colchetes. O colchete é composto de arame farpado estirado em dois pedaços de paus, para fechar a estrada, de forma molenga.

E quando a gente pensa que tudo terminou, desapareceu, eis que alguém mostra na Web, uma feira de cancelas. Uma feira de verdade com muitas cancelas bonitas e bem-feitas. Aí encerra o sacrifício de se revolver céus e terra em busca de um carapina. E bem que porteira nova e bela, ajuda bastante a “enfeitar o maracá”, como se dizia por aqui. Mas estou dando destaque a esse tema sertanejo, porque admiro o artesão do semiárido e fico alegre quando encontro algo que pensava extinto, notadamente aquilo que fez parte do constante universo da nossa infância. A propósito, o objeto acima que era invisível, ficou imortalizado com a música sertaneja O MENINO DA PORTEIRA, cantada e decantada no Brasil inteiro.

Dois tipos de cancela ou porteira havia e há no Sertão de Alagoas. A porteira de tábuas, quadrada ou retangular, com uma cabeça fixada num mourão da cerca, a outra cabeça de abrir e fechar com uma corda circular na porteira e no mourão para fechar e abrir a cancela. O outro tipo – hoje uma raridade – consiste em dois mourões de madeira, cada qual com 4 a 6 buracos redondos, atravessados por caibros roliços. O transeunte retira dois ou três paus, empurrando-os para os lados, abaixa-se para passar e volta a colocar os caibros no mesmo lugar. Uma coisa arcaica e cabulosa, como esta palavra. Tanto é que existe um jargão sertanejo diante de tanta facilidade de hoje, conhece? “Ah, mundão véi sem porteiras!... “

FEIRA DE PORTEIRAS EM  CAPOEIRAS-PE (DIVULGAÇÃO).

 

 

 

  TOCAIAS Clerisvaldo B. Chagas, 16 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3331   Sábado passado voltamo...

 

TOCAIAS

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3331

 



Sábado passado voltamos ao ponto turístico e religioso, Igrejinha das Tocaias, paras a exibição da filmagem do nosso documentário e que estava programada para ser exibida no local. Com o pátio da Igrejinha lotada, boa iluminação improvisada, presença de autoridades, escritores, cineastas e comunidade presente, a exibição entrou pela noite,  foi somente ser encerrada às vinte e trinta. O filme documentário, de ótima qualidade, emocionou a todos, inclusive, às próprias autoridades. No filme foi exibida a narrativa da história das Tocais, pela nossa pessoa, a parte de eventos ali já realizados, pelo escritor João Neto Félix e José Elgídio e testemunhas do desenrolar e da participação naquela história.

Todos concordaram que era precisa preservar a Igrejinha bissecular com melhoramentos de infraestrutura nos arredores, para permitir o conforto para o turismo. De um lado a Igrejinha histórica, à frente a Reserva Ecológica, bem perto, a Imagem de Senhora Santana na serra Aguda e pouco mais para à frente a Represa Isnaldo Bulhões no riacho João Gomes, formam um quarteto imbatível para o turismo religioso, ecológico, paisagístico e de lazer. O que fazia pena naquele sábado 13, era a vegetação muito carente de uma boa chuvada, pois, a maioria do mato, estava pelada com o sol forte do sertão. Entretanto, a grande magia da paz reinante no local continuava a mesma. Com dez minutos na Igrejinha das Tocaias, vai embora qualquer tipo de estresse do cidadão e da cidadã.

O altar da Igrejinha havia sido preparado para receber o povo que ali chegasse. Eu nunca o tinha visto tão bonito daquela maneira. Estava coberto de santo que parecia uma coleção. E quem ali chegasse sentiria imediatamente a atmosfera mágica permanente do local. Aproveitei para ouvir revelações de episódios ocorridos naquela estrada e fiquei abismado com o que ouvi. Eram episódios mais recentes da década de 60, muito significativos para a pessoa que me estava narrando esse fatos que não foram registrados.

E o povo mais velho contava que quando o lendário Camões estava morrendo, não tinha vela. Então uma senhora teria colocado um protetor na sua mão e depositado ali uma brasa, no lugar da vela que não havia. E Camões, ainda teria respondido: “É Camões morrendo e Camões aprendendo.

IGREJINHA DAS TOCAIAS AGUADANDO PÚBLICO.

  VALEU A TRADIÇÃO Clerisvaldo B. Chagas, 15 de dezembro de 2025. Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3330   E como antig...

 

VALEU A TRADIÇÃO

Clerisvaldo B. Chagas, 15 de dezembro de 2025.

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3330

 



E como antigamente, a Rua Antônio Tavares, a primeira de Santana, recebeu no última sexta, dia 11, uma banda de pífanos também chamada zabumba, festejando a véspera do Dia de Santa Luzia, a poderosa Santa dos olhos. Foi a tradição resistindo aos modernismos dos tempos.  Dois pífanos, uma caixa e uma zabumba, fazem os tocadores passarem o dia percorrendo ruas, de casa em casa, recolhendo donativos para a novena. E, mesmo com trajes patrocinados com nome de Pão de Açúcar, mas os tocadores são de Santana do Ipanema, mesmo, das bandas do Bairro Maniçoba/Bebedouro, bairro este cheio de tradições folclóricas e religiosas.

Geralmente vai à frente da bandinha, senhorita ou senhora com a imagem da santa, parcialmente enrolada em pano e uma sombrinha contra o sol forte do sertão. Muitas vezes falta o lanche, o almoço, mas abnegados devotos continuam assim mesmo lutando pelo sucesso dos festejos que irão começar no dia seguinte. Santa Luzia continua com o seu o prestígio inabalável, com o povo nordestino. Muita gente nem trabalha no dia de Santa Luzia, guardando um preceito que já vem de Bisavós, avós e pais. Por isso mesmo, foi batizada uma rua á margem direita do rio Ipanema com o nome de Santa Luzia e que hoje este nome se expandiu e já é chamado Bairro Santa Luzia.

E como sempre, surgiu algo tradicional na rua da minha infância, a minha irmã, Jeane e sua vizinha Glemilda, vão às curiosidades e às fotos que a enviam para nós e alimentam nossas crônicas. Quem tiver problemas visuais, “se pegue” com a Rainha dos olhos, muito assistida por Jesus, cheia de graças para serem distribuídas. A devoção à santa Luzia, está arraigada não só nas Alagoas, mas em todo o território nordestino notadamente, nos interiores e mais ainda no semiárido. Ser sagitariano do mês de Santa Luzia, muito me honra e me encoraja para pedir proteção e bênçãos a Rainha dos Olhos. E olhe que uma devoção sincera e uma oração honesta fazem grande diferença nesse mundo de expiação.  Eu creio.

SANTA LUZIA

 

  NEGROS EM SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3329   Uma panela d...

 

NEGROS EM SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 12 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3329

 




Uma panela de alumínio, vertical e comprida, pelas ruas de Santana do Ipanema, vai remando no alto de dois metros do negro Fubica. A meninada já sabe. O brilho do metal anuncia um produto não inflacionado que resiste ao tempo. As crianças, os velhos, os adultos esticam as bochechas com apenas cinquenta centavos de fubá. O jovem, preto, fino e atlético é calado e paciente. Serve a sua eterna clientela o “pão” de cada dia. É a fubá trabalhado com capricho que sai limpo, cheiroso para alegria dos citadinos. Pode ser comido puro, com açúcar ou com leite. Este é um quadro da última década do século XX. O negro Fubica vem de longe. Lá do povoado Jorge, ou melhor, da antiga Tapera do Jorge. Nada existe de especial no quadro urbano apresentado.

Não existe nada de especial para os olhos populares porque a cena é rotina nas ruas ensolaradas de Santana., cidade ladeirosa construída em patamares e colinas. Mas, para os pesquisadores de Negros em Santana, Fubica é protagonista de movimento histórico. Uma cena do Brasil antigo na tela de um pintor francês. É Santana do Ipanema, terminando o milênio com a presença negra e simpática dos seus alforjes históricos.

CHAGAS, Clerisvaldo B. Negros em Santana. Grafpel, Maceió, 2003. Pag.34.

Este livro foi produzido em parceria pelos escritores Clerisvaldo, Marcello Fausto e Pedro Pacífico V. Neto, adaptado do TCC do autores, em curso de especialização de Geo-História do CESMAC, em Santana do Ipanema, AL.

NEGROS EM SANTANA, no texto acima, refere-se ao povoado Tapera do Jorge, comunidade quilombola situada à margem direita do rio Ipanema, no município de Poço das Trincheiras. O negro Fubica apresentado acima, é personagem real com nome trocado propositadamente. E o fubá, iguaria do milho, era muito comum na alimentação, principalmente rural, tanto o fubá quanto o xerém. A formação da comunidade Tapera do Jorge, perdeu-se no tempo e nem a pessoa mais velha do núcleo, soube precisar.  Provavelmente foi formada por negros fugidos do cativeiro.

 

 

 

 

 

  GOLEIRO NATO Clerisvaldo B. Chagas, 10 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.327 Homenagem a Torquato...

 

GOLEIRO NATO

Clerisvaldo B. Chagas, 10 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.327

Homenagem a Torquato Reis

 



 

Alcancei o auge do Ipanema Atlético Clube. O primeiro goleiro do time da minha lembrança, foi Josa Pinto. Depois ou antes foi Zuza do Senhor Zé V8, o mais famoso e o melhor de todos, quiçá de Alagoas, o Tina. Mas, para substituir o Tina, com a torcida já viciada com aquela barreira, veio o jovem Torquato Reis. E como todos os jogadores trabalhavam em alguma cosa, Torquato era funcionário do DER – Departamento Estadual de Rodagem. Goleiro tranquilo dentro e fora do campo, franzino e modesto. Logo, logo fez a torcida esquecer o Tina. Um grande goleiro. Há mais ou menos uns dez anos, pela primeira vez na vida, falei com Torquato, em sua própria casa, na Travessa Santa Sofia, Bairro Lajeiro Grande, em Santana do Ipanema.

Fui colher seus depoimentos sobre graças alcançadas através do padre Cícero. Muitos anos se passaram e no lançamento do livro, Torquato não compareceu. Soube da sua passagem e fiquei triste, pois eu era um dos seus fãs como goleiraço do Ipanema. Bem que em nossa entrevista senti certo desânimo na saúde do homem, porém, nada indaguei sobre o tema respeitando sua individualidade. Torquato era encarregado de levar água em trator para diversas regiões, nos tempos de estiagens. O trator não oferecia condições ao funcionário e por duas vezes seu condutor teve de recorrer ao padre do Juazeiro diante de aflições com a máquina. Seus milagres estão registrados com os nomes de Trator Bandido e Trator Bandido II, páginas 25 e 26. Na época eu não pensava em tirar foto de depoentes.

Bem, agora só me resta entregar à família do grande goleiro esquecido, o livro que pelo que sei, é a única homenagem ao jogador que eu conheço. Mas, o que dizer aos seus familiares na hora da entrega? Mesmo assim, tenho a subida honra em seguir para o alto bairro do estádio Arnon de Melo, Lajeiro Grande para cumprir o meu dever assumido há anos. Lajeiro Grande é o mesmo bairro onde também fui buscar com o ex-jogador mais querido do Ipanema, atacante, Joãozinho de Zé V8, a foto do elenco do Ipanema que saiu nas páginas do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA. Também já o encontrei  meio desanimado com o peso da vida. Espero em Deus que Joãozinho, assim como Torquato Reis, esteja no céu nos clube dos heróis.

     SAUDADE...

                                                                      A CUECA DA ALMA Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025 Esc...

 

 

                                                                  A CUECA DA ALMA

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do sertão Alagoano

Crônica: 3327



 

Dona Hermínia da família Rocha, família do coronel Manoel Rodrigues, era quase seu vizinho, no Comércio de Santana do Ipanema. Não tivera sorte com filhos e filhas, pois todos nasceram sem juízo. Diziam que tinha sido uma praga rogada por cigano, mas isso aí já fica em outras conjurações. Conheci os seus filho que estavam em Santana e viviam com ela, Poni, Agissé e Labibe. Havia uma outra filha, mas diziam que essa estava no Rio de Janeiro, não sabemos informar se era sadia ou não. Poni, passava quase o dia todo na Farmácia, vizinha à sua casa, Farmácia de senhor Moreninho. Agissé às vezes fazia algum mandado e Labibe não saía de casa assim como a própria Dona Hermínia que era florista. Mas, de vez em quando, saiam da parte dos filhos alguma coisa engraçada e algumas foram até registradas por outros escritores da terra e outras continuaram sendo repassadas oralmente.

Pois bem, o coronel Lucena, chefe do Batalhão em Santana do Ipanema, para combater os cangaceiros, comprou ou ganhou um balaio de pinhas maduras. Chamou o maluco Agissé, para levar o balaio de pinhas para sua residência. Quando o coronel chegou em casa, sonhando em comer pinhas doces, nada havia encontrado. Encontrando-se outra vez com Agissé, indagou pelas pinha que o mandara levar para casa. Agissé respondeu, batendo no quengo: “Eita, cabecinha! Não é que comi as pinhas do coroné!” Este relato se encontra no livro FRUTA DE PALMA, do escritor santanense, Oscar Silva.  (Oscar era sargento e correspondente do Batalhão).

Pois bem, narrava o contador José Fontes, cuja farmácia do pai era vizinha à casa de dona Hermínia que, alguém se escondera e tentava por medo em Poni. Dizia com voz cavernosa “Poni, você está sem cueca”. Poni olhava e não via ninguém. E depois de repetir a frase várias vezes e não ser achado pelo maluco, Poni perdeu a paciência - se é que tinha alguma - e respondeu a esmo: “Sem cueca está você, alma sem-vergonha!”.

 

 

  DETALHES DA HISTÓRIA PARA OS VERDADEIROS Clerisvaldo B. Chagas, 8 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3...

 

DETALHES DA HISTÓRIA PARA OS VERDADEIROS

Clerisvaldo B. Chagas, 8 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3326



 

Na elaboração do nosso livro, O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA, falamos na fundação da capela de Senhora Santa Ana, em 1787 e que hoje é a Matriz de Senhora Santana. Mas acontece que muitas coisas da nossa história não ficaram registradas e a tradição foi acabando. Essas coisas não comprometem o geral, mas pesquisadores, historiadores, arquitetos, gostam de detalhes para que as suas obras sejam as mais completas possíveis. Portanto, acho que baseados nas fontes orais dos “mais velhos”, os irmãos Araújo (Floro e Darci) que escreveram “Santana do Ipanema conta a sua História, edição de 1976, falam da primeira reforma da capela que teria sido em 1900. Aí vem o detalhe: O mestre-de-obras da reforma teria sido FRANCISCO JOSÉ BIAS.

Ora, o livro O BOI, A BOTA E A BATINA, respeitou em suas páginas a afirmação dos irmãos escritores, até porque não existe outra fonte sobre o assunto. Pois bem, eis que muito tempo depois do lançamento do nosso livro, em cujas páginas também falamos da grande reforma da década de quarenta que deu a feição externa do que é hoje a Matriz com 135 metros de torre, não fala sobre o seu mestre-de-obras, unicamente por falta de fontes escritas e orais. Porém, o escritor João Neto Félix, surgiu com uma notícia, talvez colhida entre suas amizades de juventude: O mestre-de-obras daquela importante reforma, a da década de 1940, teria sido o cidadão, Antônio Torres Galindo, segundo o seu neto Luís Carlos Galindo, o Lula de Jandira, afirma o escritor João Neto Félix.

Portanto, para a felicidade de abnegados e exigentes pesquisadores, achamos verdadeira a explicação e a registraremos, caso haja uma terceira edição do livro O BOI, A BOTA E A BATINA, HISTÓRIA COMPLETA DE SANTANA DO IPANEMA. A reforma da igreja de Senhora Santana foi   uma verdadeira revolução em toda a região sertaneja. Ainda hoje, a Matriz de Senhora Santana é o principal cartão postal do Sertão Alagoano. Porém, temos belas arquiteturas na região, principalmente nas igrejas que compõem as cidades ribeirinhas do São Francisco. Muitas delas construídas em períodos remotos pelos primeiros padres estrangeiros que habitaram o baixo São Francisco. Mas entendemos perfeitamente que algumas pessoas querem viver como “Deus criou batata”

 

 

  VEM OU NÃO VEM Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3325   Hoje, sexta, dia...

 

VEM OU NÃO VEM

Clerisvaldo B. Chagas, 9 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3325



 

Hoje, sexta, dia 5, o aspecto celeste sertanejo mudou, muitas nuvens brancas vieram fazer companhia ao azul limpo do céu e o tempo resolveu elevar a temperatura para 38 graus. “Os fumantes estão acendendo cigarros no Sol”. Brincadeira à parte é tomar muita água, ficar sem camisa e alugar o chuveiro. Mas não é somente a temperatura alta, é o abafado que desmantela até ventilador. E a gente olha para cima, olha de lado, espia o horizonte e nada. Nada de uma nuvenzinha cinza para trazer esperança. E para quem não gosta de beber nada gelado, tudo indica vontade de mudar os hábitos. Quando o tempo aperta de verdade, nem um só passarinho se avista na rua, se esconde o gato, o cachorro e os donos. Nos terreiros rurais, galos, galinhas e pintinhos, acomodam-se sob às sombras ralas das pinheiras, abrem os bicos e esperam. Esperam como nós: vem ou não vem, a trovoada de “torar braúna?”.

Alguém da vizinhança está fazendo café, porque por aqui passou o cheiro forte e bom que até o computador quis sair do lugar. E no mesmo viés vou lembrando do povoado Pedrão da minha, infância. Mulheres torrando café, agregando os grãos em tabletes. Tabletes, depois, quebrados em pedaços e jogados no pilão com rapadura e pilado na hora. O aroma tomava conta do povoado e de quem tivesse a favor do vento. E o café encorpado, cheiroso e provocativo dominava na mesa com ovos frescos do quintal e pão dormido vindo de Olho d’Água das Flores. Você quer saber! Assim não dá para resistir. Pausa no Book e busca de um pequeno.

Mas, ei que chegou à tardinha. A temperatura continua emperrada nos 38 graus, vento parado e calor já descrito. Entretanto, duas bandas do céu começam a ficar cor de cinza, coisa que não acontecia há muito. Acontece que nenhum dos dois lados do nosso céu, indica chuvas em Santana do Ipanema, cidade. Pois, a formação das nossas chuvas, acontece no Leste, no horizonte das bandas do mar. Pode até dá uma chuvadinha, mas não em Santana urbana. As pessoas já começam a se animar nas ruas e até caixa de som é colocada para fazer zoada nas imediações, mas a gente continua olhando para cima e se perguntando VEM OU NÃO VEM?

 

  O BONDE E O TEMPO Clerisvaldo B. Chagas, 5 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.324   O bonde surg...

 

O BONDE E O TEMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 5 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.324



 

O bonde surgiu no Brasil, no final da década de 1850, no Rio de Janeiro. Era nesse início de atividade, puxado a burro. Passou a ser usado também em São Paulo e foi passando para outras capitais e evoluindo. Conheci e andei de bonde na década de 1950, em Maceió, com o bonde sem burros e movido pela eletricidade, uma notável evolução. O bonde trafegava em trilhos sobre as ruas da capital com paralelepípedos. O condutor do bonde, era chamado Motorneiro e que, por sinal, o marido da minha tia Carminha era motorneiro. Ainda lembro de quando o bonde foi extinto na capital e, tempos depois os trilhos foram também retirados das ruas. O bonde era barato, seguro e romântico, demonstrava uma espécie de glamour. Eu deveria, nessa época contar entre oito e dez anos de idade.

Já havia ônibus na capital. Apenas o transporte de pneus evoluía e o ciclo do bonde estava em seu final. Eis que agora fomos surpreendidos pela tecnologia de ponta, quando surgiu em Curitiba a novidade do bonde sem trilhos, com alguns vagões como o trem, visando novos momentos para a mobilidade urbana. E veja que em muitas capitais ainda estão sendo implantados o VLT. (Que bom seria um VLT entre Santana do Ipanema e Maceió!) Poderemos até dizer que a era do ônibus intermunicipal acabou. As chamadas VANS tomaram conta de tudo e ainda estamos aguardando coisas mais modernas porque a Ciência não para de descobrir, de inventar, com uma rapidez tremenda e que até assusta para o nosso futuro. Concorda conosco? Um bonde digital!

Para não pensar demais, mesmo com o calor sufocante do Sertão, vamos tomar um cafezinho, amigo, amiga, para aguentar o tranco das tecnologias e os catabios do cotidiano. E como uma coisa puxa outra, para quem nunca ouviu falar, catabios eram os solavancos que levávamos em todo tipo de carro na estrada de terra, antigamente. Mas também Catabio era o apelido de um doido que havia em Santana do Ipanema, na minha juventude. Ah! Era o tempo em que heroico DNER - Departamento Nacional de Estrada e Rodagem – constantemente estava a consertar a rodagem Santana – Palmeira, Santana – Delmiro. Hoje, DNER se chama DNIT e catabios se chama trepidação.

BONDE DIGITAL DE CURITIBA (SECRETARIA DE TRANSPORTES – DIVULGAÇÃO).

 

  VOU FURANDO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.223   A expressão acima ...

 

VOU FURANDO

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.223

 



A expressão acima não representa nenhum tipo de violência. É apenas um jargão popular sertanejo de todos os dias. Significa dizer: “A palestra está boa, mas eu já vou embora”.  “Vou furando”, vou resolver outras coisas. “Vou furando”, vou para outro destino, principalmente a pé. E assim recebo um convite para a exibição de filmagem na Igrejinha das Tocaias, sobre a sua história narrada e resgatada por nós. Diz o convite que a exibição será entre a tardezinha e o anoitecer do próximo dia 13. Antes, porém, dia 13, estarei como escritor Marcello Fausto, entregando livros nas residências de algumas pessoas que não compareceram ao nosso Encontro de Lançamento. Estou me referindo aos depoentes de milagres recebidos pelo padre Cícero.

Mas nesse ínterim, estaremos subindo a um serrote onde será construído o PC PARQUE SANTO DO POVO. Em homenagem ao PADRE DO JUAZEIRO. Uma réplica com características próprias, feita pela população devota de Cícero. O terreno doado para essa finalidade, estar localizado no sítio rural Poço Salgado, região serrana de Santana do Ipanema. Foi no complexo dessa região de onde saiu a maioria das graças alcançadas em registro no livro PADRE CÍCERO, 100 MILAGRES NORDESTINOS (INÉDITOS). Aguardamos apenas o chamado da líder rural, professora e benzedeira, Maria Aparecida, devota que doou o terreno para essa formidável empreitada. Poço Salgado gira em torno de 3 a 4 quilômetros do Centro de Santana do Ipanema.

E como não poderíamos deixar de falar sobre o tempo, pois muita gente de Santana que está em plagas distantes quer saber. Este dia 4 de dezembro, não muda nada no céu e no tempo, Tudo azul profundo e limpo.  Uma quentura forte e gradativa. Já passou o leiteiro pontual com sua moto; já passou o carro do ovo com o som horrível e esse escritor é empurrado para o Book em terminar a crônica iniciada ontem. Mas volto a imaginar no título acima e me vejo perambulando pelos sítios rurais, parando aqui, acolá para uma palestra amigável. E no desenrolar da conversa, uma olhada no relógio do tempo, um cálculo aproximado da hora e um “pois até logo. VOU FURANDO.

SERA FEITO.

  SECURA MISTERIOSA Clerisvaldo B. Chagas, 4 de dezembro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.322                 ...

 

SECURA MISTERIOSA

Clerisvaldo B. Chagas, 4 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.322

                                                            



Nunca recebi resposta sobre exposição de fenômenos geográficos publicados. Portanto volto ao tema provocativo de muitos tempos atrás. Sempre que passava pela região de Dois Riachos, entre a ponte da cidade e a pedra do padre Cícero, notava uma   secura diferenciada do restante da região sertaneja. São aproximadamente, dois quilômetros de faixa que no tempo mais quente vê-se um intenso movimento de carroças de burro para cima e para baixo, no próprio asfalto transportando água em tonéis de plástico rígidos e azuis. Por que isso acontece? Qual é o fenômeno climático que provoca essa secura extra naquela faixa sentida sensivelmente na BR-316? Acontece que nas minhas andanças para Arapiraca, encontrei o mesmo fenômeno em faixa de tamanho semelhante, na região de Jaramataia: faixa extra, seca, da região seca, inclusive ventos muito mais quentes. Sente-se perfeitamente na AL-220.

Como especialista algum respondeu à questão, pelo menos arriscamos em dizer que esse vento quente especial que corta a BR316, é o mesmo que corta a AL-130 e pode ser massa quente vinda do deserto saariano que atua nessa faixa durante o verão brasileiro, como se fosse a frequência de uma rádio. É preciso saber, entretanto a direção dessa massa seca e seu roteiro em Alagoas para se saber sobre as condições de outros lugares por onde ela passa, na mesma época. Os estudos avançados de hoje, podem muito bem descobrir o fio da meada.

Não estou afirmando nada sobre o tema exposto. Apenas desafio a curiosidade e provoco os que entendem. A propósito já foram publicadas impressões sobre desertificação no Alto Sertão de Mata Grande, ou clima de deserto. E assim como sempre encontramos curiosidades no Sertão em todas as áreas do Saber, anotamos esse fenômeno climático pouco percebido pelas pessoas comuns. As mudanças climáticas no mundo e as sucessiva mudanças estanhas do tempo, reforçam a pergunta, a curiosidade, a questão que demora mais poderá ser decifrada.

Vamos pensar para não enferrujar.

Aprender para ensinar.

Vamos compreender nós e o mundo?

 

 

  ZANBETA Clerisvaldo B.   Chagas, 2 de dezembro de 2025 Es critor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.321           Interessant...

 

ZANBETA

Clerisvaldo B.  Chagas, 2 de dezembro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.321



 

        Interessante, a língua portuguesa, as expressões nordestinas, as sutilezas detalhistas dos romances regionais. Graciliano Ramos descreve um personagem CAMBAIO; Adalberon Cavalcante Lins, apresenta personagem PERNAS TORTAS, “como se tivesse passado a vida inteira montado a cavalo”. A maioria dos sertanejos nordestinos chama ZAMBETA, ao homem das pernas arqueadas. E o próprio escritor José Carvalho, zombava de um ferreiro que havia em Santana do Ipanema, vulgo, PÉ-ESPAIADO, quando ele próprio era cambota. E, conforme o modo de caminhar, possuir pernas curtas ou longas, cor dos olhos ou até uso de penduricalhos nos trajes, Lampião, conforme o humor, rejeitava o sujeito no seu bando ou o aceitava de imediato.

Parece que a maioria dos leitores, ao ler um romance, fica ansiosa pela trama e pelo final. O segredo, porém, de um bom aproveitamento cultural na leitura de um romance, está em duas coisas principais, além da trama e do final: são as frases de efeito do autor e que são fraseados especiais que ele não as usaria em escrita comum. O segundo, muitas vezes é um personagem secundário que, pelas suas características e ações, conquista mais do que o personagem principal.  No caso do nosso romance FAZENDA LAJEADO, por exemplo, Apolônio que é apenas o homem de confiança do patrão fazendeiro, é impregnado dessa magia. É preciso compreender mais a literatura romanesca para entender melhor o fantástico do romance.

E como o time do ZAMBETA mais famoso do mundo não ganhou a Libertadores, deixou, o nome “Garrincha”, pelo menos nos anais do futebol mundial. Enquanto isso, vamos repetindo o tempo do mês anterior. Mas, diante do que estamos vendo nos céus, vamos tentar fugir da promessa do espaço e acalmar os ânimos escolhendo o romance bem nordestino de B. Chagas. E escolho FAZENDA LAJEADO, para matar o tempo, sonhar e me deleitar com história do fazendeiro Seu Calixto. Acompanha-me?

Contato: 999. 25.45.34.