SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
AINDA O CASO ZELAYA (Clerisvaldo B. Chagas. 1º.10.2009) Dias atrás publicamos a crônica Brasil e o Equilíbrio Circense. Para qu...
AINDA O CASO ZELAYA
(Clerisvaldo B. Chagas. 1º.10.2009)
Dias atrás publicamos a crônica Brasil e o Equilíbrio Circense. Para que as nossas palavras não ficassem boiando sozinhas e nem gerassem desconfianças, vem a nosso favor o linguista e teórico Chomsky. Professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky tem mais de 80 obras publicadas e é um dos ferrenhos críticos da guerra do Vietnã. O professor possui ainda extensos trabalhos que criticam a política externa dos Estados Unidos, chamando este país de principal nação terrorista do mundo. (Nós, particularmente, chamávamos o governo Bush de sanguinário). Noam critica abertamente a atuação dos Estados Unidos no episódio de Honduras, dizendo da fraqueza das suas ações que praticamente nada fez. Por outro lado, elogia o papel do Brasil quando fala que a atitude brasileira foi admirável. As mesmas opiniões do senhor Noam Chomsky, são as nossas, portanto, quando analisamos a vontade geopolítica da nação americana. Obama pode ter uma mentalidade própria, porém, é forte a pressão dos conservadores que ainda querem dominar o mundo sozinhos. Como já foi dito aqui, todo o continente americano era considerado domínio dos ianques. Com o novo despertar da América do Sul, os americanos ficaram no domínio dos países caribenhos. As novas ofensivas de integração na América Central, feitas principalmente pela Venezuela e pelo Brasil, deixaram os Estados Unidos enciumados. Eles haviam esquecidos dessa região nas aventuras malucas sobre o Afeganistão e o acompanhamento sobre o desenrolar da Coréia do Norte e do Irã. Enquanto geravam ódio pelo planeta, o Brasil diversificava seu comércio pela África, pelo Oriente Médio, pela Europa e mesmo pela Ásia. A influência brasileira no mundo inteiro já é uma realidade, além da liderança que exerce entre os emergentes e os países pobres do globo. O que estava faltando para que os americanos despertassem para o seu quintal, foi o caso de Honduras. Enciumados, repetem a história de que não pode haver dois galos no mesmo terreiro. Foi por isso que Obama fez corpo mole na crise de Honduras, pois se quisesse já teria resolvido tudo.
Se os Estados Unidos resolvessem essa situação, poderiam sair desse impasse, até aplaudidos. Mas se o Brasil conseguir resolver com honras o caso de Honduras, o estado do norte terá perdido uma grande oportunidade de mostrar ao mundo como ainda é o dono da situação. Em acontecendo essa segunda hipótese, o Brasil terá saído de fase incômoda e arriscada para o sucesso e liderança definitiva entre seus novos parceiros ao norte da América do Sul e na América Central. Havia um antigo ditado que dizia: se não quer coado, vai com pó e tudo. Nada mais impede a liderança brasileira no sul e com os possíveis tentáculos no que era do Tio Sam: o quintal das republiquetas de bananas como eles as chamam. Queiram eles ou não, agora existe um gigante em cima e um gigante em baixo com uma disputa no meio. Nenhum mérito será acrescentado à indiferença americana em Tegucigalpa. Vamos deixar desenrolar AINDA O CASO ZELAYA.
AS DUAS FACES (Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009) Anedotas contadas em roda de amigos, em festinhas, em mesas de bar, também trazem lições d...
O CAFÉ DO BACURAU (Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009) Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu ...
O CAFÉ DO BACURAU
(Clerisvaldo B. Chagas. 29.9.2009)
Quando a gente gosta muito de um produto, começa a fazer comparações. No meu caso, apaixonado por um bom café, não posso esquecer o líquido negro que é servido na região de Garanhuns. Andando para àquelas bandas com o motorista de camioneta, Eugênio Teodósio, tínhamos parada certa para o café da manhã na pequena cidade de Iati. Eu ficava admirado com o pretume encorpado do café servido e achava uma verdadeira delícia daquele lugar tão simples. Depois descobri que o mesmo café (até parece coado pela mesma pessoa de Iati) também era servido na rodoviária de Garanhuns. Sei que um bom café depende de uma porção de coisas, não sendo tão simples assim. Descoberto o café da rodoviária, tornei-me um viciado sempre que passava pela “Suíça Brasileira”. O danado é que mesmo trazendo pacotes dessa região, o gosto em casa parece muito distante do original. Deve haver algum truque, alguma coisa que transforma o grão naquela coisa deliciosa. Sei sim que existem cafezais no planalto dos 800 metros de Garanhuns. Mesmo assim tem que haver algum segredo na bebida quentíssima.
Aqui em Alagoas dificilmente encontro um café igual ao daquela região pernambucana. Quando teve início a construção do asfalto na Al-120, acompanhei quase diariamente o processo na rodovia. Era tempo em que os ônibus, Santana-Arapiraca, davam rodeios enormes pelos caminhos esquisitos das fazendas de gado para retornarem à estrada principal. Foi aí que eu conheci a cidadezinha de Jaramataia com aspecto ainda de fazenda-povoado. O lugar onde hoje é o Bacurau, havia apenas uma ou duas casas isoladas de pescadores, cujas redes de pesca ficavam expostas aos passantes. Após a construção do asfalto, as casinhas começaram a atrair outras casinhas, que fugiam da pobreza do açude. Não demorou muito a formar-se ali um povoado com bares, churrascaria e posto de gasolina. Foi muito mais fácil para aqueles pescadores buscarem a sobrevivência vendendo coisas na beira da estrada de que na peleja escassa do açude enorme. E assim formou-se e se consolidou o povoado Bacurau. Ao parar ali pela primeira vez — muito antes do surgimento do posto de gasolina — fui surpreendido no primeiro bar e lanchonete, pela qualidade do café. Quase 100% da qualidade do de Garanhuns. Fiquei entusiasmado e sempre nas minhas andanças por aquele trecho, paro a provar do café bem preto do Bacurau. Atualmente não sei, mas muita propaganda fiz. Em compensação, existe um lugar na mesma AL-120 Santana-Arapiraca, onde classifico como o café mais ruim do Brasil. É o verdadeiro bola-murcha do Fantástico. Quem gostar de café investigue. Ô cafezinho ruim da gota serena! Faz até lembrar o repentista que ao cantar com outro, já estava enjoado de ouvir elogios sobre o sertão e disse (segundo Hermínio Tenório, o Moreninho, há mais de 20 anos):
Cala-te com teu sertão
Sertão é monturo
A água do teu sertão
É mijo de bode puro.
Da água eu não sei, mas do café...
Nunca mais rodei pela AL-120, não afirmo se ainda existe como antigamente o legítimo CAFÉ DO BACURAU.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.