CASSIMIRO COCO (Clerisvaldo B. Chagas. 25.5.2010) Em Santana do Ipanema , as décadas de 50 e 60 foram bem animadas em ruas e bairros. Vale s...

CASSIMIRO COCO

CASSIMIRO COCO
(Clerisvaldo B. Chagas. 25.5.2010)
Em Santana do Ipanema, as décadas de 50 e 60 foram bem animadas em ruas e bairros. Vale salientar que a média de filhos em cada família era muito elevada. Isso fazia com que as ruas próximas ao centro e as dos arredores, ficassem sempre repletas de crianças. No geral, as ruas não possuíam calçamento, facilitando jogos de futebol e brincadeiras as mais diversas como ximbra, pinhão, pega, artista, carros de ladeira e outras. O meu campo de atuação era a Rua Antonio Tavares (primeira de Santana) São Pedro e toda a faixa de descida até a margem do rio Ipanema. Além das brincadeiras de crianças que lotavam as ruas, havia o movimento do cotidiano: o homem que passava com feixes de folhas de catingueira para a Matança; os jegues que carregavam cinzas para os curtumes de Bebedouro; carros de bois para os divertidos bigus; desfile de soldados do Tiro de Guerra; Jumentos e botadores d’água; carrinhos de pães e vendedores; guardas da peste para borrifar os potes. Vez em quando a monotonia era quebrada. Surgia um perna-de-pau de algum circo armado no Bairro Monumento e motivava a alegria diferente da meninada.
Morou à Rua São Pedro um cidadão que lidava com teatro de fantoches e, que na época era chamado de Cassimiro Coco. Essa denominação, tanto servia para o espetáculo quanto para o dono. “Hoje vai ter Cassimiro Coco.” E lá íamos nós para o teatro de pano ver e ouvir os bonecos de madeira trabalhando da cintura para cima. As figuras principais eram um negro e um branco valentes e uma donzela bonita. A história falava de uma disputa fantástica entre os valentões pela moça bonita. Isso fazia com que houvesse muita expectativa e constantes gargalhadas da plateia sentada no chão. Às vezes o dono deixava a Rua São Pedro e apresentava o espetáculo vizinho a minha casa ou em outros lugares. À noite e à hora de apresentações dos bonecos eram cheias de ansiedade por parte de crianças, adolescentes e até adultos.
Muito interessante as disputas travadas entre os personagens do Cassimiro. Quando virei adulto, descobri com profundidade filosófica que os personagens eram apenas bonecos de madeira. Eles eram sim, interessantes, mas não possuíam vida própria. Apesar da perfeição de movimentos, o fantoche só dizia o que o criador, o dono, o patrão, mandava. Em nossa região, atualmente, não mais existe o teatro de panos.
Temos muitos e bons jornalistas profissionais, cuja lista poderia ser apresentada aqui, como exemplo. Infelizmente esbarramos naqueles que babam na vassalagem.
Notícias negativas sérias não denigrem a cidade. Pelo contrário, mostram a dignidade assumida pelos profissionais da mesma cidade. Eleva sim, o nome da urbe, da sociedade que denuncia sem medo e não a que fica muda para agradar a padrinhos. Noticiar somente receita de bolo ou notícias negativas bestas de outros lugares distantes, é que enfraquece o órgão informativo e não coopera em nada com a formação profissional dos apresentadores. Uma população inteira percebe as manobras, o puxa-saquismo e as ordens de bastidores, mas só eles com seus espelhos destorcidos não enxergam ou não querem enxergar o que escrevem, o que falam, o que apresentam. Recentemente um site de Alagoas falava das ordens de um desses reizitos que liberava seus meios de comunicação para atacarem a administração de fulano que não havia lhe dado apoio político. Mas os exemplos se sucedem também em outros lugares. Quem não amadureceu ainda, continua como pobre boneco, cuja voz é apenas o ressoar de quem está por trás do pano. Pobre do moderno CASSIMIRO COCO.



PEDOFILIA NA CÂMARA (Clerisvaldo B. Chagas. 24.5.2010) O prédio da câmara municipal de Santana do Ipanema, Alagoas, já funcionou como compa...

PEDOFILIA NA CÂMARA

PEDOFILIA NA CÂMARA
(Clerisvaldo B. Chagas. 24.5.2010)
O prédio da câmara municipal de Santana do Ipanema, Alagoas, já funcionou como companhia de força e luz. Abasteceu a cidade durante longo tempo com possante motor alemão. Quando só havia mato pelo terreno dos fundos, foi ali assassinado em emboscada, um cidadão bastante popular em Santana. Esse mesmo prédio funcionou também, durante muitos anos, como Tribunal do Júri do município. Por isso ou por aquilo, funcionários que ali trabalharam ou trabalham como vigias e encarregados de cozinha, narram coisas estranhas. Alguns já se acostumaram com os fantasmas, outros ainda se arrepiam e correm, fazendo o sinal da cruz, ao ouvirem ruídos dentro da noite.
Ultimamente a cidade foi tomada de surpresa diante de denúncias de pedofilia na câmara atual. Realmente foi uma bomba jogada no seio do município que causou grandes estragos morais e que continua repercutindo. Segundo notícias em Santana, dois vereadores seriam os pedófilos entre os representantes do povo. Isso fez com que o santanense começasse a fazer suas escolhas sobre quem seriam os dois monstros de crianças em Santana do Ipanema. Cada pessoa da cidade já havia escolhido no seio familiar esses possíveis criminosos. Como cada qual escolhia seus dois pedófilos entre os poucos vereadores da câmara, o certo é que não escapava nenhum. Quando o caso começou a tomar proporção de estado, eis que, para surpresa geral, a fonte do assunto chega a uma rádio da cidade e diz que tudo não passou de mal-entendido, não existia pedófilo nenhum e pronto. O desmentido chocou mais o povo santanense do que a bomba inicial. Como era possível uma notícia de peso como pedofilia ser deixada de lado simplesmente por que “deixe isso para lá que não existe"? A sociedade, a mesma que votou nos representantes municipais, exige agora uma investigação seriíssima, por parte de autoridades abalizadas. Ao presidente da câmara cabe uma responsabilidade extra de pedir essa investigação e que não pode ficar omisso diante de um desmentido muito simples para um dos casos mais graves do social brasileiro. Diz o ditado que “quem não deve não teme”. É verdade, quem não deve não teme. Os próprios representantes do povo deveriam reforçar o pedido de investigação junto ao seu presidente. A sociedade organizada não pode e não deve ficar apenas de braços cruzados ouvindo o disse não disse das comunicações locais. Se não houver uma investigação séria, apesar do desmentido, ficará sempre a mancha na Câmara de Vereadores e as perguntas guardadas em cada cidadão: quais os dois pedófilos da câmara de Santana do Ipanema? Por que os consultados resolveram desmentir o que afirmaram antes? Interessa a quem o desmentido? Será que isso não é apenas a ponta do iceberg? O povo quer saber tudo. Não se pode brincar com um caso de tamanha envergadura. O presidente da câmara tem obrigação de esclarecer à sociedade os passos das suas providências que devem ser enérgicas, sob pena de omissão. O desmentido não pode simplesmente colocar uma pedra em cima do assunto. Quem irá votar novamente em pedófilos? Ou se apura o caso definitivamente ou os vereadores, pré-julgados pelo povo após a primeira bomba, não terão forças para representar esse poder legislativo. Os fantasmas agora parecem se materializar. O que não pode é continuar tudo como se não tivesse tido acusação nenhuma sobre PEDOFILIA NA CÂMARA.

TROAR DE CANHÕES (Clerisvaldo B. Chagas. 21. 5. 2010) A missão sobre novas sanções ao Irã terminou fazendo o que os Estado Unidos queriam: ...

TROAR DE CANHÕES

TROAR DE CANHÕES
(Clerisvaldo B. Chagas. 21. 5. 2010)
A missão sobre novas sanções ao Irã terminou fazendo o que os Estado Unidos queriam: impedir o destaque da Imprensa na reunião entre América Latina, Caribe e União Europeia, em Madrid. Os jornais se preocuparam mais em divulgar o primeiro assunto, engolindo a isca para o segundo. Os Estados Unidos não querem o Caribe longe do explorador Tio Sam. Pouco a pouco, todavia, essa região vai se organizando e agora, integrada a América do Sul, parece ir liberando o medo do colosso do norte. Mesmo com o ciúme doentio dos Estados Unidos, a cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, realizada na capital espanhola, “(...) foi um grande sucesso”, afirmou o primeiro-ministro José Luís Zapatero. É de se notar também que antes da cúpula, oito países da UE, se manifestaram contra a reunião. Esse mercado conjunto (que movimenta 15 bilhões de euros) alcançou avanços importantes, ainda segundo a Espanha. Avanços esses em relação ao MERCOSUL (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e ainda Peru e Bolívia como associados).
A importância maior da Cúpula, pela nossa ótica, foi a de entendimento entre nações, felizmente ou infelizmente, através de interesses de negócios. Sábias foram as palavras do presidente da Comissão Europeia, português José Manuel Durão Barroso: “(...) águas turbulentas em que o mundo ainda navega, é importante manter o rumo às respostas globais, e nesse sentido a Cúpula cumpriu o seu objetivo”. Congregando 60 presidentes e chefes de Estado, não tem como ser ignorada pelo restante do mundo a dimensão desse encontro espetacular.
Essas reuniões tão distantes são as que influenciam os nossos empregos, nossos salários, nosso desenvolvimento que, para os leigos, deveríamos tratar apenas de assuntos das banalidades locais. Os grandes acontecimentos mexem até mesmo com o nosso hábito alimentar e o próprio vestuário. O mundo se tornou pequeno e tudo que acontece em qualquer lugar do Planeta, reflete em nosso cotidiano.
Ainda sobre o primeiro-ministro espanhol, “é imprescindível a modificação do sistema financeiro internacional, para se adaptar aos nossos tempos.” Sai de palavras europeias também a admiração pela “fortaleza” da América Latina diante da crise mundial. É impressionante o reconhecimento de homens como Zapatero e Durão Barroso que o mundo estar mudando e que é preciso mudar com ele (cansei de afirmar isso em nossas crônicas).
Tudo leva a refletir novamente sobre a injustiça da ONU: cinco países mandarem sozinhos no Globo. Questionar a ordem mundial é questionar a nossa própria qualidade de vida. Cedo ou tarde, assim como caiu o muro de Berlim, cairá o PENTADURA da ONU. Quem viver verá. Queremos para nós e nossos descendentes, um mundo de paz e compreensão entre os homens e não as arrogantes e permanentes ameaças de TROAR DE CANHÕES.