BASSOURAS DE GARRANCHOS (Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2011)        Vamos convivendo nesse Brasil velho de meu Deus, entre democ...

BASSOURAS DE GARRANCHOS

BASSOURAS DE GARRANCHOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2011)

       Vamos convivendo nesse Brasil velho de meu Deus, entre democracia e absolutismo doméstico. O aumento “papai Noel” dos parlamentares vai lembrando os contos das “mil e uma noites”, envolvendo arranha-céus nova-iorquinos ou formidáveis minaretes de Bagdá. Assim os caminhos liberais revistos na Revolução Francesa, vão-se transmudando em castelos encantados, inefáveis, cromatográficos que inebriam. A teocracia emanada dos deuses espúrios comanda sem arreios os umbrais de quantidade assustadora de prefeituras. Os sucessivos escândalos no país inteiro arrastam ─ estampados nos jornais ─ todas as esferas dos poderes constituídos. Mas, enquanto a vassoura vai agindo resoluta nessa áspera missão, vem à superfície figuras saídas dos brumosos históricos e longínquas anotações.
       E para não indagar ao amigo se já ouviu falar em Zé Pelim, vamos quebrando a língua com o grego Pisístrato que governou Atenas por volta de 530 anos a.C.. Classificado como tirano realizou importantes reformas sociais. Concedeu empréstimos aos pequenos agricultores. Construiu obras públicas como canais e portos, incentivando ainda o comércio externo e a construção de navios. Psístrato apoiou realizações culturais construindo bibliotecas e incentivando a atuação de artistas, poetas e sábios. Está aí a Filosofia para explicar a lógica das coisas ou as coisas da lógica. Se esse indivíduo fez essas bondades todas há mais de quinhentos anos antes de Cristo, prefeitos do Brasil inteiro deveriam fazer muito mais, após 2.500 anos das ações de Pisístrato, concorda ou não, compadre? Tem prefeituras por aí que até as vassouras continuam como bassouras de garranchos.
       Se olharmos um pouco mais ao lado, vamos para 510 a.C., com outro indivíduo de Atenas chamado Clístenes. Sendo aristocrático, assumiu o governo de Atenas e governou de uma forma em que todos os cidadãos participavam dos assuntos da cidade-estado: a democracia. Nessa época havia a lei do ostracismo. Se uma pessoa fosse perigosa para a democracia, o povo tinha o direito de votar a favor ou contra sua expulsão da cidade por dez anos. Se fosse expulso, o excluído perdia os direitos políticos e os bens.
       Como sem passado não pode haver comparativo, vamos desenterrando figuras que podem ajudar na sintaxe da arte astuciosa, não acham? Ou os amigos continuam na inércia do “ninguém dá jeito?” O Sol de hoje será o mesmo Sol de amanhã, contudo, pela omissão dos pais, o bem-estar dos filhos talvez não seja. Depende de você, amigo leitor, continuarmos ou não nas BASSOURAS DE GARRANCHOS.

LEÃO PELADO (Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2011)        A mobilização humana com suas nuanças vai mexendo definitivamente na Geo...

LEÃO PELADO

LEÃO PELADO
(Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2011)

       A mobilização humana com suas nuanças vai mexendo definitivamente na Geografia Física e Humana do Planeta. Para quem acha que a matéria é parada demais, perdeu-se nos tempos da decoreba escolar. Quem não tem uma boa ideia da Geografia, não pode, efetivamente, conhecer o mundo em que vive. Tufões, terremotos, desmoronamentos, maremotos, secas e outros fenômenos naturais, vão modificando tudo. Ilhas surgem e desaparecem refazendo a paisagem, as costas transformam-se, rios secam, aparecem desertos e inúmeros ambientes que se modificam rapidamente. Acontecem da mesma maneira as transformações sociais que modificam radicalmente os mapas políticos. Mesmo na Europa ─ continente civilizado ─ surgem questões profundas de valores étnicos, culturais e religiosos que não trazem bons exemplos para o mundo. A Ásia também tem suas questões, muitas encabrestadas para evitar terríveis consequências. Sem dúvida alguma, a África é a campeã das desavenças que se traduzem em milhares de vítimas anualmente. Os maltraçados mapas deixados pela retirada dos colonialistas europeus tem provocado inflação de milhões de almas para o céu e para o inferno, até agora.
       O Sudão, país relativamente grande, para os padrões africanos, está prestes a se dividir em dois. Não fica tão longe da Europa. É logo ali, na vizinhança sul do Egito. Após uma guerra civil entre o norte muçulmano e o sul cristão, acordo para um decreto do povo, realizado nesse último domingo, poderá resolver o grosso do problema. O sul, sempre reprimido pela maioria do norte, aguarda com ansiedade a realização do plebiscito que poderá fazer da parte meridional o mais novo país do mundo. Talvez ocupe também o desonroso lugar de o mais pobre entre todos. A capital do país (norte) é Cartum e a do sul é Juba. Entre Juba e Cartum ainda existe a questão divisória do petróleo, principal riqueza do estado sudanês. O presidente do atual país, Omar Hassan al-Bathir, disse que irá juntar-se à festa de emancipação, caso o plebiscito seja aprovado. Mas também já disse que o sul não tem condições de independência. Homem de muitas e confusas palavras. No sul, os dirigentes pedem calma aos eleitores. Nas últimas horas de ontem houve alguns combates com acusações desencontradas.
       Caso a parte de baixo seja vencedora, o nome do novo país ainda vai ser discutido e poderá levar alguns meses para entrar na lista oficial de países independentes. A parte sul ainda terá muitos problemas importantes para resolver após alcançar a vitória nas urnas. O importante é que o passo maior já foi realizado. É acompanhar (quem tiver interesse) para vê o desfecho dessa guerra civil. Estabilidade no Globo é fundamental para o desenvolvimento dos povos. Depois, é dizer que os do sul lutaram como leões e não perderam a Juba. Isso até faz lembrar uma questão genética: como as leoas, será que existe LEÃO PELADO?



CAIXA DE BOMBONS (Clerisvaldo B. Chagas, 7 de janeiro de 2011)        Quando se fala em cultura ─ nova moda da esfera federal ─ vem as nos...

CAIXA DE BOMBONS

CAIXA DE BOMBONS
(Clerisvaldo B. Chagas, 7 de janeiro de 2011)

       Quando se fala em cultura ─ nova moda da esfera federal ─ vem as nossas cabeças os vários museus municipais que, pequenos ou gigantes, particulares ou oficiais, contribuem de forma efetiva com a formação histórica e artística brasileiras. Eles podem ser específicos ou gerais e vão despertando o interesse de professores, alunos, pesquisadores e turistas. Algumas cidades não possuem museu, outras possuem apenas um e outras trabalham até com muito mais de três. O gosto por essa fonte de cultura é conquistada aos poucos, por que, para a grande maioria da população, museu é apenas sinônimo de coisas velhas, imprestáveis, depositadas também em casas escuras e fantasmagóricas. Mas ainda bem que a insistência intelectual em afastar os fantasmas, vai conseguindo essa façanha tão difícil de vencer a tradicional ignorância. E por falar em museu, lembramos de um dos cartões postais e ponto de referência de São Paulo.
       O MASP, pela singular arquitetura, é de fato único no mundo e causa uma admiração superlativa. O corpo principal edificado é um vão livre correspondente a 74 metros plantado sobre quatro pilares laterais. Seu impressionante desenho foi elaborado pela arquiteta italiana Lina, Lina Bô Bardi, casada com o também italiano Pietro Maria Bardi. O casal apaixonou-se- pelo Brasil e aqui vieram em 1947. Mas essa é uma bela história à parte que não se encaixa nesta apresentação. O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, com o acrônimo: MASP é o mais importante da América Latina e do Hemisfério Sul. Fundado em 1947, O MASP é uma instituição sem fins lucrativos e está desde 1968 na Avenida Paulista da capital. Sua forma é de uma grande e retangular caixa de bombons. Foi criado para ser um centro cultural e dinâmico. Tem a função de divulgar e amparar as artes de um modo geral, especialmente as artes plásticas.
       O MASP é simplesmente magnífico. Mantém pinacoteca, biblioteca, fototeca, filmoteca, videoteca, cursos de artes e serviço educativo de apoio às exposições. Como exemplo, mexe com exibição de filmes e concertos de interesse artístico e cultural. Quem visita essa caixa de bombons, primeiro se encanta com sua própria arquitetura. Ela pode ser bela ou feia para o apreciador, nunca indiferente. Lá dentro podem ser encontradas obras de autores de diversas nacionalidades como Rafael, Andrea Mantegna, Botticceli, Bellini, Rembrandt, Frans Hals, Cranach, Velazquéz e Goya. A pintura francesa predomina. Podem-se encontrar ainda obras de Ronoir, Manet, Cézanne, Degas, Van Gogh e outros famosos mundiais.
       Com essa exposição, notamos que os museus passam a exercer fascínio e orgulho, agora com aparato tecnológico que faz aumentar o prazer e o conforto de visitantes e apreciadores. E se o MASP atrai multidões pelo seu arrojado conteúdo, o exterior estimula o apetite pelas guloseimas da CAIXA DE BOMBONS.