RAIOS, CORISCOS E TROVÕES (Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2011)        Como no momento falarmos de outro assunto perante as tragéd...

RAIOS, CORISCOS E TROVÕES

RAIOS, CORISCOS E TROVÕES
(Clerisvaldo B. Chagas, 14 de janeiro de 2011)

       Como no momento falarmos de outro assunto perante as tragédias que se abateram sobre o Sudeste do Brasil? A televisão exerceu papel fundamental no entendimento dos fenômenos naturais que dividem meio a meio com a inobservância humana. As imagens vistas e repetidas dos deslizamentos de encostas, o desespero das vítimas e as terríveis marcas de destruição, lembram os bombardeios alemães sobre Londres ou os tsunamis do mundo asiático. Antigamente o que chamava a atenção eram as secas do Nordeste que dizimavam centenas de milhares de pessoas e animais e, as cheias do Recife e Maceió. Praticamente resolvidas essas vergonhas de todos os anos (em Maceió com o Dique Estrada) mudam-se os alvos para cidades ribeirinhas e serranas de grande parte do país. O Sudeste urbano com suas cidades grandes e prevenções pequenas são a atração do infortúnio com alagamentos e quedas de barreiras. Ambos os motivos são culpas das autoridades pelos mais diferentes motivos relacionados à prevenção. Entre eles: indiferença falta de pulso e política.
       Os alagamentos em cidades com o relevo da capital paulista, não podem ser apontados com a desculpa de fenômeno. O tempo traz chuvas, relâmpagos, tempestades. Quem não sabe disso? Cabe ao homem proteger-se contra os excessos e para isso existem as autoridades votadas por ele. Se o povo obstrui canais de escoamento com lixo, cabem as autoridades uma campanha permanente de fiscalização e duras medidas. E ainda no mesmo assunto, solucionar os problemas com equipes de engenheiros, geólogos e urbanistas abrindo novos caminhos e ampliando outros para o escoamento das águas que não é mais mistério o como fazer. No caso de quedas de barreiras o caso é também das construções irregulares pelos motivos expostos. Deixe de construir em área de risco e o problema não existirá. Mas os nossos dirigentes, de um modo geral, procuram desviar as verbas que poderiam salvas centenas de famílias. Vão deixando os problemas que tem relacionamento direto com a Natureza como ameaças de rios, morros e formas abruptas de vales.
       Quem percorre qualquer lugar das regiões serranas do estado do Rio ou dos morros cariocas, fica embevecido com tanta beleza. O tempo de estio nesses lugares, em relação à paisagem natural, tem mesmo relacionamento com o tão sonhado paraíso. É de se permanecer horas a fio vendo o mundo lá de cima cercado de matas, colinas, córregos, estradinhas e horizontes azulados que anulam o estresse de qualquer um. Nessa época de Sol forte é difícil prestar atenção aos riscos permanentes das estações chuvosas. Mas as autoridades não são pagas pelo povo para contemplar paisagens paradisíacas. A sensibilidade para o perigo deve fazer parte da alma e da política de quem está à frente da defesa coletiva. Ao invés da prevenção, andar correndo atrás de prejuízos, atos típicos, corriqueiros e nefastos dos que nos representam, costuma mostrar depois os horrores televisionados. Enquanto não houver punições para os verdadeiros assassinos pelas tragédias, vão procurar um jeito de levar os inocentes à cadeia: RAIOS, CORISCOS E TROVÕES.

PEDRO BAIA (Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2011)        Já falei nesse indivíduo antes: Pedro Baia. Anos 60, em Santana do Ipanem...

PEDRO BAIA

PEDRO BAIA
(Clerisvaldo B. Chagas, 13 de janeiro de 2011)

       Já falei nesse indivíduo antes: Pedro Baia. Anos 60, em Santana do Ipanema, Pedro Baia, pintor de paredes, chamado na época de caiador, era profissional do ramo. Um pincel usado era de um tipo de planta, compacto, leve e comprido com aparência de fêmur, por isso mesmo chamado “Canela de Ema”. Ao terminar o serviço, Pedro costumava desenhar seu logotipo que era justamente o próprio animal. Na época surgiu um atrativo forró, se não me engano, de Jackson do Pandeiro que teve grande sucesso:

“A ema gemeu
No tronco do juremá
Será que é o nosso amor,
Moreninha
Que vai se acabar (...)”

       Pedro Baia era galego, alto, forte, bem rosado, usava chapéu de couro abas viradas para cima e um lenço vermelho no pescoço. Mesmo assim todo cristão se achava no direito de enxugar o braço no pé do ouvido de Pedro Baia. Chateavam-no com perguntas como “Pedro cadê a ema?” Fizeram até uma paródia com a música do forró. Após o estribilho acima, vinha a criatividade:

“A ema quando canta
Pedro Baia se levanta
Com medo de apanhar (...)”

       Um dia, cansado de tantas gozações e taponas, Pedro fez de uma espingarda de cartucho sua companheira de andanças. Foi avisando a todos que daquele dia em diante, o primeiro que mexesse com ele morreria. Dito e feito. Ao tirar a vida do adiantado, foi preso, tirou cadeia e, um dia em liberdade, foi embora para sempre de Santana do Ipanema.
       O Brasil já “apanhou” muito da Inglaterra, no passado imperial. Essa ação corajosa de não permitir que um navio de guerra inglês em direção as Malvinas, aportasse no Brasil, foi também soberana e solidária a Argentina. O exemplo terá repercussão positiva em toda a região. Ele é o líder e é quem tem que mostrar o caminho de destemor e coerência, sem arrogância como fez. Restou a Inglaterra reconhecer a ação do Brasil e pronto. Por que fazer tempestade nessa hora? O ato brasileiro é passo importantíssimo no fortalecimento político de auto defesa coletiva na América do Sul.
       Quanto à Itália que vive às voltas com a crise econômica e com os escândalos do lascivo e imoral Berlusconi, não dispõe de força nem para mudar o seu palhação ministro. Para esconder a situação difícil, quer agora criar problema com o Brasil para sair do ostracismo e ganhar manchetes de jornais, desviando seus problemas internos, heranças de Nero, Calígula, e outros Césares devassos da Roma antiga. A decisão em congelar acordo de defesa, é no mínimo idiota como o outro ministro que levantou o problema. O Brasil deveria também radicalizar, cancelando de vez o acordo e contatando a França ou países outros do continente asiático. Pior para eles que perderiam os bilhões do Brasil. Dilma, por favor, não se afrouxe com esses comedores de macarrão. Diplomacia sim, mas sem urinar os cueiros. De vez em quando o Brasil tem que arreganhar os dentes quando preciso, para não ficar na qualidade da primeira fase de PEDRO BAIA.


CARNAGREVE (Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2011)        Em 1817 , explodia a Revolução Pernambucana, tendo como ideal a proclamaçã...

CARNAGREVE

CARNAGREVE
(Clerisvaldo B. Chagas, 12 de janeiro de 2011)

       Em 1817, explodia a Revolução Pernambucana, tendo como ideal a proclamação da República e a elaboração de uma Constituição liberal. Entre os motivos, estava o luxo da corte pago com os impostos dos trabalhadores. Muito sangue derramado em Pernambuco. Cem anos depois, aconteceu a greve de São Paulo que passou a ser conhecida como a “Greve de 1917”. Essa foi a primeira grande greve geral da história do Brasil. Com a morte de um operário, por parte da polícia, a paralisação grevista envolveu não apenas a cidade de São Paulo, mas também outras regiões do país. O cálculo é para mais de 50 mil operários participantes da greve. Foram muitos conflitos nas ruas entre polícia e trabalhadores. A violência das autoridades fez surgir, por parte dos operários, passeatas, comícios, piquetes e barricadas. O firme movimento operário deixou o governo e os industriais assustados e que resolveram negociar. Foi assumido compromisso de não haver punições aos grevistas, caso todos voltassem normalmente ao trabalho. As concessões obtidas pela classe trabalhadora, no entanto, eram provisórias. Não havia interesse em melhorar a condição social dos trabalhadores. O último presidente mesmo, da República Velha, Washington Luís, chegou a dizer que a questão social era caso de polícia. Para os poderosos, a revolta social dos trabalhadores devia ser tratada e contida na base da violência policial.
      Nos últimos tempos, conhecemos muito bem quando a paciência do povo atingiu o seu limite. A queda do governador Suruagy foi um exemplo claro e que muitos políticos parecem ter esquecido a revolução de Maceió. Como a greve de 1917, não se pode apagar a violência policial contra grevistas nas ruas da capital sob o comando de tal “coroné” Rochinha, o pau-mandado do, então, governador, Geraldo Bulhões. Agora, com quatro anos sem reajuste salarial, a classe trabalhadora do estado alagoano, promete uma grande mobilização contra a imoralidade salarial dos nossos representantes e a seca prolongada de reajustes para os barnabés. Ninguém sabe ainda o que irá acontecer durante o movimento integrado dos trabalhadores, inclusive, policiais. Nada pode ser descartado. Uma revolta popular, quando tudo parece sob controle, pode surgir de uma simples ponta de cigarro nos entulhos. Não é à toa que lembramos a Revolução Pernambucana e a greve de 1917. Entre as cacetadas do desarvorado Rochinha e o seu amo Geraldo Bulhões e o cerco ao palácio com Suruagy, poderá surgir a Revolta de Alagoas. Toda insurreição inicia com a última gota d’água. O Carnaval será em março, mas fevereiro promete um CARNAGREVE.