A ABÓBORA DAS ARÁBIAS Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.923 Há um...

A ABÓBORA DAS ARÁBIAS


A ABÓBORA DAS ARÁBIAS
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.923


Há uma porção de tempo em Maceió, um sujeito levou uma piniqueira para à praia, durante a noite. Após a aventura noturna, pagou a cuja e deu a sentença: Tome, Fulana, “tu é mais ruim do que abóbora de lixo”.
Grande expectativa se fez com a abertura da copa, na Rússia. E o próprio estado sede que não ganhava jogos a uma série deles, gerava desconfiança entre seus próprios habitantes. Apesar da região do Oriente Médio ainda estar engatinhando em relação ao futebol de outras partes do mundo, esperava-se um bom jogo, pelo menos com bastante velocidade. No início da partida chegamos até a prever a vitória da Arábia. Foi uma decepção! Completo vexame, em se vê aqueles pernas de pau, completamente perdidos em campo.
Ah, cabra velho! Não teve jeito para ficarmos sem apontar os nossos times amadores de outrora: “Se o São Pedro, o Ipiranga ou mesmo o Asa de Arapiraca tivesse no lugar da Arábia Saudita, teria feito muito mais bonito”. Mas bonito até porque a Rússia não era de nada, nem de “fritar bolinhos”, como diria a música de forró. Ganhou porque praticamente não encontrou adversário em campo. E verdade seja dita, o resultado só agradou de verdade aos donos da casa que passaram de torcedores agonizantes para eufóricos galegos das arquibancadas. Mas também ficaria difícil para o todo poderoso de lá se a seleção vermelha perdesse no terreiro, não! Com o ânimo restabelecido, pode ser que os russos partam também para endurecer as partidas que virão.
Existe da nossa parte um respeito muito significativo pela Arábia Saudita, ponto de equilíbrio atual na Geopolítica do Oriente Médio. Inclusive, é um país que aos poucos vai abrindo espaço para as conquistas sociais das mulheres. Assim torcemos também para que o seu futebol e o de toda a região evoluam para nivelar para cima o esporte mundial. Portanto, sem desprezo algum, elogiando até o empenho para chegar à Copa, mas falando francamente sem nenhuma fantasia sobre o jogo de ontem com a Rússia, lembramos o cabra de Maceió:
 “Tome, ‘minha fia’, mas você é mais ruim do que abóbora de lixo”.


JOGO DE BOTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.922 JOGO DE BOTÃO. (FOTO:...

JOGO DE BOTÃO


JOGO DE BOTÃO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.922
JOGO DE BOTÃO. (FOTO: PORTAL DO PROFESSOR).
Depois de 60 anos do modismo, o jogo de botão voltou à tona nos últimos anos como ilustrador dos comentaristas da Rede Globo.  Mais ou menos nos anos de 1950, surgiu no sertão alagoano o tal jogo de botão. A princípio ele justificava mesmo o nome, pois o jogo era feito por botões de vários tipos de roupas. Os melhores botões eram aqueles usados em casacos de frios e paletós, principalmente. Eram grandes e tinham boa declividade para o deslizar da palheta. Primeiramente eram mesmo somente botões que entravam em campo. A meta era formada por duas caixas de fósforos. Só havia dificuldades quando não se encontrava uma superfície plana, boa e ampla para o pleno lazer da criançada.
As pessoas mais criativas descobriram uma coisa interessante: o botão de quengo de coco. Procurávamos o quengo do coco nos lixos. Tinha que haver muita habilidade para fazer o corte do tanto que se queria, sem rachar aquela superfície dura. Depois se saía lapidando até chegar ao tamanho ideal. Em seguida ralava-se a peça nas calçadas até chegar ao botão ideal, belo e eficiente. Alguns “tecnicos” chegavam a envernizar a peça de coco deixando-a belíssima. Dava gosto se jogar com as peças de coco, porque elas corriam bem e tinham chutes potentes. Mesmo com essas modificações o lazer continuou a ser chamado jogo de botão.
Tempos depois surgiu na praça, onde se podia comprar em casas comerciais, o jogo de botão, arrumadinho. Não eram mais botões e sim, plástico rígido arredondado, tendo ao meio a imagem pequena de um jogador com a camisa do seu time. Palheta, trave, caixa para guardar tudo e nome do time preferido do torcedor mirim. Nenhum desses modelos superou em eficiência a peça de quengo de coco. A Rua Antônio Tavares (primeira de Santana do Ipanema) e a Rua de São Pedro era uma jogatina só.
A diversão é muito boa e qualquer marmanjo pode voltar à infância sadiamente e sem culpa. O nome permanece aceso: JOGO DE BOTÃO.

PAU DE ARARA Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1921   (FOTO: CONVERSA AFI...

PAU DE ARARA


PAU DE ARARA
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de junho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1921
 
(FOTO: CONVERSA AFIADA)
            “O principal meio de transporte utilizado pelo homem para escapar das paragens comburidas pelo sol intenso, era, antigamente, a caminhada exaustiva, sobretudo para os mais pobres. Hoje em dia, com o advento do caminhão, os habitantes utilizaram-nos na sua fuga e, em consequência desse novo estado social, são denominados de “paus de arara”, dada a analogia entre eles e as araras e papagaios do Sertão, que vemos voejando em torno da galhardia contorcida da vegetação local, fazendo aquele característico alarido; e como os sertanejos emigram nestes, aos magotes, a observação popular comparou-os com aqueles psitacídeos, dando, ainda outro significado à palavra – o pauperismo dos que mais sofrem o rigor das secas.
Notamos que ainda não está definida, nem vitoriosa a ação do Governo contra a seca, pois os açudes que se espalham em Alagoas e no Nordeste em geral, favorecem, apenas, a pequenos grupos populacionais. Além desse aspecto desfavorável, muitos secam, necessitando-se, por conseguinte, do desenvolvimento de um plano mais objetivo de trabalho – perfurações de poços tubulares e instalação de uma rede de irrigação capaz de favorecer o reflorestamento de muitas áreas. Somente assim tornar-se-á uma realidade, como consequência lógica e natural, a fixação do Homem no Polígono das Secas”.
Lendo este belo texto, publicado no livro Geografia de Alagoas (1965), do professor Ivan Fernandes Lima, lembramos o trabalho que estamos realizando sobre os topônimos dos nossos sítios. Discordamos, porém, do saudoso Mestre quanto à origem do apelido ainda em uso: pau de arara.
Em nossa opinião, O vulgo faz analogia às araras e papagaios vendidos em um pau. No caso do caminhão, compara-se ao modo do acomodamento dos passageiros sentados em tábuas horizontais, intercaladas e presas às grades da carroceria. E concordando com Ivan, Para a época, o caminhão representava o progresso e salvou milhares de pessoas nordestinas, da fome e da morte, mesmo sendo apontadas como paus de arara.