DAMIÃO: UM SANTO NO NORDESTE Clerisvaldo B. Chagas, 18 de julho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoan o Crônica: 1944 Frei ...

DAMIÃO: UM SANTO NO NORDESTE


DAMIÃO: UM SANTO NO NORDESTE
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1944
Frei Damião na Praça. (Foto: Clerisvaldo B. Chagas).

Estando aqui na bifurcação da Rua Delmiro Gouveia com a Rua Manoel Medeiros, Bairro Camoxinga, encontramos amigos diante da estátua de Frei Damião. Ainda na fila das restaurações, a imagem de fato é bem feita e ainda não foi motivo de ataques de quem não tem o que fazer. Ao contrário, mesmo não se encontrando em boa altura, constantemente é visitada por devotos que costumam deixar fitas coloridas nos seus braços, como motivo de promessas. Os amigos indagam e nós vamos respondendo de acordo com as nossas limitações, sobre o frade que se tornou brasileiro, pregador e santo do Nordeste. O local é um dos mais movimentados da cidade – tanto pelo dia, quanto à noite – e um dos principais pontos de referências do Bairro.
Nasceu Frei Damião de Bozanno, na aldeia de Bozzano, município de Massarosa, na Toscana, Itália, em 5 de novembro de 1898. Adaptado ao Brasil, fez o Nordeste vibrar com as suas Santas Missões, pregando, aconselhando, peregrinando em procissões e celebrando missas. Gostava das madrugadas quando era seguido pelas multidões em busca de conselhos e curas para seus males. Sua presença, anunciada, gerava expectativas enormes e, quando o frei se aproximava de qualquer cidade, o povo mesmo ia ao seu encontro em caravana de veículos. O espocar de fogos marcava sua presença, quase sempre trazendo chuvas em sua bagagem espiritual. As filas para confissões com o frade pareciam não ter fim.
Considerado por muitos como o sucessor do padre Cícero Romão Batista, Frei Damião conquistou os sertões nordestinos e parecia estar no canto certo, no tempo certo, da sua nobre missão na terra. Gostava de peregrinar por Alagoas onde sempre encontrava calorosas boas-vindas das multidões sertanejas. Já com o peso da idade, veio a falecer no dia 31 de maio de 1997, com quase 99 anos, causando grande comoção no Brasil. O seu corpo foi sepultado no Convento de São Félix, no Recife. Inúmeras estátuas de Frei Damião de Bozzano estão espalhadas pelos logradouros nordestinos. Aqui em Santana do Ipanema, era o mínimo que se poderia fazer pelo santo popular querido e respeitado.

O MUNDO DOS MONUMENTOS Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.943 Busto do cô...

O MUNDO DOS MONUMENTOS


O MUNDO DOS MONUMENTOS
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.943
Busto do cônego Bulhões, restaurado.(
Foto:Roninho).
A estátua ao jumento, em Santana do Ipanema, foi feita por um artesão de Pão de Açúcar. Uma perfeição, para a época, em uma obra que se transformou em polêmica nacional. Outros monumentos também merecem destaques em nossos logradouros, como a estátua a Frei Damião, na praça que leva o seu nome; a imagem do padre Cícero no lajeiro grande; o busto do cônego Bulhões, na Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha e outros mais. Todavia os monumentos não são eternos. O ferro, o bronze, o concreto, a fibra... Todos sofrem ataques de vândalos e da intempérie. O calor, o frio, a mudança de temperatura, vão acabando com a pintura, engrolando a tinta, corroendo o material básico das estátuas. Portanto, a manutenção dos monumentos públicos, faz parte de qualquer administração coerente e comprometida com o patrimônio histórico e cultural de uma cidade.
O bom de tudo isso, é que não se precisa mais trazer restauradores de tão longe para reparos em nossos monumentos. Santana do Ipanema formou pela própria natureza, uma plêiade de artesãos que hoje colaboram eficazmente com esse tipo de trabalho. São elogiados pelos excelentes serviços, em todo território alagoano. E mesmo sendo santos de casa, honram a palavra “artesão” no Brasil inteiro. O que se tornou mais conhecido foi o Roninho, homem que trabalha com os mais diversos tipos de material e desenvolveu técnica própria nos seus experimentos. Preferimos não citar os outros nomes que muitas vezes trabalham em equipe, para não cometer injustiça – pois estamos sem segurança – mas todos eles são semelhantes no que se propõem a realizar.
A decisão municipal de restaurar todos os nossos monumentos foi acertadíssima. Santana, cidade muita visitada, a “Rainha do Sertão”, precisa mesmo um banho de beleza para se vestir como Rainha que ela é. A impressão dos que chegam conta muita com a nossa vaidade de sertanejo santanense e soma com a volta do turista. Esses artesãos maravilhosos merecem a mesma recompensa dos que vêm de longe cobrando uma fortuna. Condições de trabalho e um pagamento justo devem fazer parte da dignidade das suas prestações de serviços.
   

A RESSACA DA FESTA Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1942 (FOTO: LUCAS ...

A RESSACA DA FESTA


A RESSACA DA FESTA
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de julho de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1942

(FOTO: LUCAS MALTA/ALAGOAS na NET).
Chegamos ao fim da 560  Festa da Juventude, sob a trégua das  chuvas do mês de julho. Você deve ter lido a nossa crônica o “Cachimbo da Serra”, quando flagramos a serra do Poço cachimbando no cimo. Olhe aí a sabedoria popular: próximos dias secos; e foi o que aconteceu. Mas se faltaram as chuvas, não faltou a “caída de gelo” nas noites sertanejas. Frio intenso com elevada umidade na sede e na zona rural, de torar os ossos. Mesmo, assim a tradicional festa foi um sucesso tremendo como sempre acontece nesta época. Com tantos santanenses visitando a terrinha e turistas de vários estados (inclusive, do Sudeste) não poderia deixar de haver transtornos. Mas, em relação à magnitude das brincadeiras, isso foi chamado de café pequeno.
É verdade que algumas brincadeiras não atraem quase ninguém, ficando como uma espécie de enchimento de linguiça. O grosso da movimentação se aglomera no centro da cidade, principalmente às Praças Cel. Manoel Rodrigues da Rocha e a entrada leste da urbe. Mas as sensações de todos os dias estão na periferia próxima, quando os vários barzinhos e restaurantes são os pontos sensacionais dos encontros. Entretanto, o auge da Festa da Juventude são os shows noturnos com artistas famosos, da região e de outras plagas. Aí acontecem os mesmos fenômenos mostrados em qualquer parte do país. Quem não gosta de música? E assim a descontração prossegue até a madrugada com imensa multidão enfrentando a frieza, a umidade e a algumas goladas de “água que pinto não bebe”.
Ontem, último dia de festa, o trânsito estava maluco mesmo por todos os lugares. A Rua Delmiro Gouveia, conhecida com a Rua dos Bares e Restaurantes ficou muito mais estreita do que já é. E na Praça Frei Damião, Santa Quitéria, Ponte General Batista Tubino, apreciamos muitos “meninos queimados”, passos tombando, cabeça baixa e baba na boca. Depois de tantos bons divertimentos na badalada Festa da Juventude, a fama da Rainha do Sertão deverá ganhar o mundo mais uma vez. E uma imensa maioria com dor de cabeça da ressaca de três dias, não viajará hoje, “ainda de tanque cheio”, marcha lenta e força no travão.
Quanto a nós, ficamos no olho da goiabeira, observando tudo.
Parabéns Santana.