SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
SÃO JOSÉ Clerisvaldo B. Chagas, 22 de março de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.494 Já iniciamos o período...
SÃO
JOSÉ
Clerisvaldo
B. Chagas, 22 de março de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.494
José faleceu no início
da vida pública de Jesus. Foi avisado que estava na hora da partida e, ainda pediu
para visitar o templo de Jerusálém. Sentiu-se mal e faleceu nos braços de Jesus
e Maria. Pessoas viram no espaço, anjos conduzindo sua alma aos céus. A
tradição é quem explica essas particularidades que não se encontram na Bíblia
Sagrada. Apesar de não ser um ferrenho devoto do Santo em questão, perdura o
respeito e as considerações pelo carpinteiro pela sua paciência, humildade,
honestidade trabalho, que podemos resumir como se diz atualmente: “Um homem de
bem”. Vários papas afirmaram que depois de Maria, São José é o santo de maior
prestígio no céu. Um inimigo terrível de satanás.
Moramos no Bairro São
José, desmembrado do grande Bairro Camoxinga, tão humilde quanto o pai de
Jesus. Tendo a chamada COHAB velha como centro, foi construído o Conjunto São
João com 18 casas, apelidado Baixada Fluminense, depois o surgimento de ruas e
mais ruas, escolas diversas e repartições públicas, a localidade virou bairro
também. Há bastante tempo sua igreja foi construída no acesso à COHAB Velha o
que assegurou os festejos do padroeiro anualmente. O Bairro São José é
contramão para comércio, mas tem muita receptividade e calor humano para os que
procuram sossego como opção de vida.
Ontem, dia 21 deu um esperançoso
sereninho de São José, em Santana do Ipanema.
Viva o pai de Jesus!
IGREJA DE SÃO JOSÉ NO
SEU BAIRRRO, EM SANTANA DO IPANEMA. (Foto: Livro 230/B. CHAGAS). IMAGEM DE SÃO
JOSÉ/DVIULGAÇÃO.
OS BICHOS DO COLORADO Clerisvaldo B. Chagas, 19 de março de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.493 Visitando o Lote...
OS
BICHOS DO COLORADO
Clerisvaldo
B. Chagas, 19 de março de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.493
Tive, então a ideia de
convidar o meu amigo, escritor, professor biólogo e desenhista Fábio Campos
para fotografar a fauna e a flora daquele habitat, catalogando animais e
plantas num trabalho científico, com os nomes clássicos e correspondentes
populares para enriquecer a cultura santanense. Fábio Campos, o contista,
aceitou na hora e marcou a possibilidade para depois da Quaresma. O resultado do futuro trabalho poderá ir à
exposição, revistas científicas, aulas específicas nas escolas de Santana e até
mesmo venda de painéis para as 800 famílias que se instalarão no Luar de
Santana.
Embora tenha feito
Geografia na qual dou a preferência aos meios físicos, em especial ao Relevo,
tenho plena consciência do seu ramo, a Biogeografia. Entretanto a carga passada
para o meu amigo Fábio Campos, pertence com maior profundidade à Ciência Biológica
e suas particularidades. Acho que mesmo no ambiente de colina do Luar de
Santana, pode haver compartimentações para animais e plantas chamadas nichos
ecológicos. O habitat possui relevo tipo
grota e de média altitude, o que é possível encontrar comportamentos
diferenciados de bichos e plantas.
E por ser o meu colega
escritor mais novo, suas pernas aguentarão por certo, o “barrufo” de subidas e
decidas da caatinga periférica do Luar de Santana.
Estou fazendo a minha
parte.
LOTEAMENTO LUAR DE SANTANA (FOTO: B. CHAGAS).
JUMENTO CANINDÉ E COLOLÔ Clerisvaldo B. Chagas, 18 de março de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2. 491 Passam...
JUMENTO
CANINDÉ E COLOLÔ
Clerisvaldo
B. Chagas, 18 de março de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.
491
Passamos do dia 15. No
sertão se diz: “Mês miou mês findou”. A frase é usada pelos menos instruídos
que usam miou no lugar de meiou. E agora que o mês “miou”, passa um bando de
aves voando em direção leste e nós logo achamos que elas estão indo em direção
ao açude do Bode, na periferia da cidade. O espanta-boiada ou tetéu, em outros
lugares chamado quero-quero, gosta muito de mudanças de tempo e frequentam os
arredores de rios, lagoas e açudes, embora façam seus ninhos em lugares altos.
Ainda madrugada revoam em alaridos anunciando a proximidade da aurora. O
espanta-boiada é cheio de histórias, assim como outras aves que metem medo e
estão enraizadas no folclore das superstições e das certezas. Não são muito
apreciadas pelo povo e servem de apelidos para muita gente feia.
Entre as aves lúgubres
do Sertão, apresentam-se a coruja, o caboge, o caboré, o bacurau e o cololô,
entre outras. Algumas são parentes entre si e hoje em dia nem os dicionários
registram mais nomes já consagrados pelo povo. Lembro-me que fui com o Cololô
pegar uma carga de palma no sopé da serra Aguda. Eu, pré-adolescente, Cololô,
filho de um nosso empregado rural. O transporte era um jegue da raça Canindé –
menor que o jumento pêga – cor de macaco, peludo e força descomunal. Jumento
com dois caçuás, viajamos no caminho do sítio Lagoa do João Gomes, beirando a
serra Aguda que na época pertencia quase toda ao Sr. Marinho Rodrigues. Mas nós
tínhamos um grande cercado de palma por ali. Enchemos os caçuás que o jegue
chega impava de tanto peso, Cololô achou pouco e me colocou na garupa do animal.
Eu tinha pena, mas esse Cololô não tinha.
Diante daquele cenário
de pé de serra, ainda desconhecido para mim, pensei em estudar plantas e
animais da região, além das belas paisagens sertanejas. Conduzimos a carga até
à Rua Professor Enéas, antiga Rua de Zé Quirino, onde tínhamos cercado na beira
do Ipanema, lugar em que o gado leiteiro dormia e comia ração, além de suínos
que eram alimentados com abóboras, vindas da nossa fazenda Timbaúba.
Tempos depois Cololô
deixou o emprego e passou a frequentar a praça central da cidade numa aventura
sem futuro. Parece-me que chegou até motorista, depois... nem notícia do homem.
Jumento Canindé e ave
Cololô se misturam no baú da memória. Hoje procuro cololô e não o encontro nem
mesmo nos melhores dicionário do País.

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.