SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O ARSÊNIO Clerisvaldo B. Chagas, 7 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.528 Não sabemos quem construiu, no...
O
ARSÊNIO
Clerisvaldo
B. Chagas, 7 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.528
Não sabemos quem
construiu, no século passado, o Hospital Dr. Arsênio Moreira, em Santana do
Ipanema, Alagoas. Mas o enorme edifício horizontal foi inaugurado no governo
municipal Dr. Henaldo Bulhões Barro, no segundo ano da sua gestão, em 16.
01.1971. O local escolhido ficou na área “filé” e central, parte baixa do
Bairro Camoxinga. Ainda nem havia calçamento por ali, somente terreno poeirento
e nu naquela área nobre da cidade. Ali perto já existia o Grupo Ormindo Barros,
que havia sido fundado em 1954, à cerca de 400 metros de distância do hospital
que estava sendo inaugurado. O grupo representou uma espécie de independência
do Bairro Camoxinga, consolidada pelo surgimento do hospital pioneiro da terra.
Muito mais tarde, após
calçamento com paralelepípedos, foi construída uma praça moderna e de canteiros
suspensos, bancos sem encostos, longos e em curvaturas, defronte o hospital.
Esta foi a segunda praça do Bairro Camoxinga, inaugurada em 24.04.1980, no
governo Genival Tenório. Praça sem nome, ficou sendo apontada pelo povo como
Praça do Hospital ou Praça de São Cristóvão. A placa de inauguração foi roubada
por vândalos, não sabemos se vândalos oficiais ou vândalos de rua. A primeira
praça do Bairro Camoxinga havia sido construída defronte o Grupo Escolar
Ormindo Barros, no mesmo período da Escola, com o nome de Praça Siqueira
Campos.
Houve época em que foi
acrescentado no título da Unidade hospitalar a palavra Maternidade, ficando
Hospital e Maternidade Dr. Arsênio Moreira. O hospital foi a pedra fundamental
para a implantação definitiva da medicina em Santana do Ipanema e sua
consequente evolução. Quando foi inaugurado o novo hospital chamado Hospital da
Cajarana – governo Marcos Davi – o hospital antigo ficou ocioso, fechado e
estado deplorável. Recuperado como prédio gigante e útil, funciona nos dias
atuais como Secretaria de Saúde. É bom
salientar que desde a sua inauguração, ainda tem cômodos projetados e não
construídos. O retrato grande do homenageado, afixado na sala de espera, foi
parar no museu da cidade.
O Hospital e
Maternidade Dr. Arsênio Moreira, tem a sua história própria, ainda não escrita
em um bom livro, por alguém a ela ligado.
HOSPITAL DR. ARSÊNIO
MOREIRA NOS PRIMÓRDIOS (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO).
Dr. ARÊNIO (FOTO:
DOMÍNIO PÚBLICO).
PERDIDOS NA CAATINGA Clerisvaldo B. Chagas, 5 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.526 Estávamos perdidos ...
PERDIDOS
NA CAATINGA
Clerisvaldo
B. Chagas, 5 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.526
Estávamos perdidos na
caatinga. Alto Sertão de São José da Tapera, região do sítio Cacimba Cercada. O
jipe amarelão passou de funcionar, o anoitecer chegava rápido e, para complicar
as coisas uma bela chuvarada começou a cair. O que fazer? Nós, os três pesquisadores
do IBGE, ficamos dentro do veículo enquanto a chuva caía e o tempo ia
escurecendo. Como a água do céu não parava, resolvemos apelar para o veículo
com chuva e tudo. Aguaceiro no lombo,
saímos empurrando o danado que pegou logo adiante. Muita alegria. Mas por onde
seguir? Não sabíamos, apenas seguimos a sugestão do ditado sertanejo: “vamos no
giro da venta”. E saímos rodando na vegetação mais aberta. Os embornais estavam
praticamente vazios de víveres.
O amarelão continuou
roncando pela caatinga guiado ora por Antônio Amâncio, ora por Antônio Moisés.
A minha parte de aprendiz eu só queria exercê-la nas longas estradas
empoeiradas da Tapera. Sempre no giro da venta, já passava mais de meia hora
das Ave Marias quando nos deparamos com uma iluminação a candeeiro numa
casa de tijolos, alta, simples e sem reboco. “Estávamos salvos”, pensamos. Na
porta alta de três robustos degraus, um homem agradável, galego, parecia nos esperar.
Naquela hora, qualquer som na caatinga é ouvido à distância... Estacionamos no
terreiro, desligamos a chave do bicho e nos dirigimos ao galego que aguardava
bem tranquilo no alto dos batentes. Todos nós conhecíamos os costumes matutos.
Cumprimentamos normalmente, nos identificamos, falamos da nossa missão,
amplamente divulgada pelos meios de comunicações e reconhecemos que estávamos
perdidos.
O galego nos recebeu muito
bem, mandou preparar um ribacão para nós (era apenas o que havia para comer) e indicou
um riacho com bastante água, a uns cem metros da residência. Havia parado de
chover e fomos tirar o enfado em um magnífico banho de riacho. Vestimos roupas
limpas e secas e retornamos à casa do homem que tinha a profissão de carreiro.
A fome estava grande, “entramos” no ribacão como quem dormira amarrado. O
ribacão é uma comida grosseira feita com feijão, arroz, alguns ingredientes,
sem carne. Comemos que só um bispo! Barrigas cheias, dormimos no chão, mas
abrigados da frieza, da chuva e dos perigos da noite.
Ô meu Sertão, meu
Sertãozinho! Orgulho em ser sertanejo nordestino!
RIBACÃO (Institucional
> Receita Interna)
LENDA NO SERTÃO Clerisvaldo B. Chagas, 4 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.525 Enquanto a pol...
LENDA
NO SERTÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 4 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.525
Enquanto a polícia faz
a Operação Curupira, lembramos da Caipora sertaneja. É isso mesmo, Caipora e
não Caapora, cantada e recantada por roceiros de todo o nosso país,
principalmente pelos caçadores. A lenda da Caipora é sempre ligada à do
Curupira, ambas com vasta literatura no Brasil. Os mais velhos sempre afirmaram
que a caipora existe, sendo um ser encantado que tem como missão proteger os
animais selvagens que habitam as matas. Sua aparência aos olhos humanos,
depende da imaginação regional, mas a essência é sempre a mesma em todos os
lugares: Caipora é um espírito protetor dos animais da floresta. No Sertão,
suas ações são contadas em rodas de pessoas que ficam de queixo caído, quando
narradas por caçadores que viveram a experiência inusitada.
Ao entrar na mata sem
permissão, o caçador vê seus cães latindo, correndo e gritando apavorados pelo
mato: caim, caim, caim... Estão sendo surrados impiedosamente pela Caipora. O
caçador trata logo de se retirar. Outras vezes o invasor não consegue localizar
uma caça sequer, parecendo que todos os animais estão rigorosamente escondidos.
Acontece também de o caçador presenciar coisas estranhas e não conseguir matar
nenhum animal além de uma cota mínima. Nunca ouvimos relatos que alguém tenha
visto de frente a Caipora para descrever a sua aparência, todavia, sua presença
é muita sentida na pele.
Mas, como qualquer
mortal, os encantados também gostam de um agrado, segundo fala a tradição
sertaneja. O caçador experiente adentra à mata levando fumo de rolo no bornal.
Chega a uma árvore boa de entrega, daquelas que se bifurcam no tronco, faz a
sua oferenda a Caipora e pede licença para caçar. Às vezes também leva sal.
Mas, mesmo assim ainda existe a dúvida se a Caipora aceita ou não a oferenda e
se consente sua caçada. O caçador sabe se ela aceitou ou não.
Histórias de Caiporas
sempre estiveram presentes no vale do Rio Ipanema e nas caatingas de relevo
plano da nossa terra.
Como não sentir orgulho
em ser nordestino!
CAIPORAS E CÃES (Crédito: pt.wikipédia.org)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.