SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
LAJEIRO GRANDE Clerisvaldo B. Chagas, 21 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.538 Uma cidade surge d...
LAJEIRO
GRANDE
Clerisvaldo
B. Chagas, 21 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.538
Uma cidade surge de uma
simples fazenda de gado, de um garimpo, de um engenho... De uma capela, de uma
fonte d’água ou de outra coisa qualquer conforme sua predestinação não
permitida aos humanos. Maceió veio de um engenho, Santana do Ipanema veio de
uma capela e assim por diante. Assim também se formam os bairros de qualquer
cidade. Veja: Olaria (Rio de Janeiro), Serraria (Maceió), Monumento (Santana do
Ipanema). Revisando novos arquivos,
fomos encontrar o Bairro Lajeiro Grande em Santana que foi desdobrado do grande
Bairro Camoxinga e já se desdobrou em outros como Pedrinhas e Quilombo, ainda
não oficiais.
Uma igrejinha foi
erguida no topo do maior lajeiro daquela extremidade do Bairro Camoxinga em
1958. Havia sido uma promessa do Sr. Adeildo Nepomuceno Marques, cidadão que
chegou a ser prefeito de Santana do Ipanema por três vezes, alternadas. Tempos
depois, o industrial do algodão, Domício Silva, fez doação de um sino para a
citada igrejinha. Com o passar dos anos, a igrejinha foi ampliada. As terras do
seu entorno foram colocadas à venda por alguns proprietários da localidade.
Muitas casas foram construídas e mais tarde as ruas receberam pavimentação em
paralelepípedos. A expansão foi enorme. O Lajeiro Grande passou a ser nome de
bairro, expandiu-se e deu origem a outras localidades. A implantação da Cohab Nova
defronte ao Cemitério Santana Sofia, foi um elo importantíssimo entre o antigo
Bairro Camoxinga e o Lajeiro que se agigantava.
Atualmente a igreja não
é mais do padre Cícero, mas sua imagem continua defronte a igrejinha colocada
ali pelo, então, prefeito Isnaldo Bulhões, transferida do Alto da Fé (Serrote
Pelado). Formou-se ao fundo da Cohab Nova um comércio dinâmico que emenda com à
Rua Santa Sofia e desce até o Centro Comercial da cidade. Lajeiro grande
adquiriu muito vigor no seu desenvolvimento. Seu comércio é básico mais
dinâmico: mercadinhos, restaurantes, salões de beleza, entregas de água e gás,
farmácias, bares e outras prestações de serviço que ajudam a circular o
dinheiro que desce e sobe a Avenida Santa Sofia.
Sua marca registrada
continua sendo o lajeiro que o caracteriza. Como essa região é muito alta e
plana, o seu mini clima é excelente.
Visite o Bairro e sinta
o seu palpitar.
LAJEIRO GRANDE COM
IGREJA REFORMADA (FOTO: B. CHAGAS/ARQUIVO.
OS TRÊS DA HISTÓRIA SANTANENSE Clerisvaldo B. Chagas, 20 de maio de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.537 Dest...
OS
TRÊS DA HISTÓRIA SANTANENSE
Clerisvaldo
B. Chagas, 20 de maio de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.537
Destacamos hoje três
edifícios despercebidos, esquecidos, invisíveis que participaram ativamente da
história cultural e da Educação do povo de Santana do Ipanema.
O mais velho do trio, é
o prédio multiuso, fundado na Avenida Nossa Senhora de Fátima, defronte o hoje
Restaurante Xokante’s. Fundado em 1951, pertence à prefeitura e funcionou com
inúmeras funções, entre elas abrigou o museu que se iniciava em 1959. Continua
funcionando, não sabemos, porém, com que atividade. Trabalhou muito na parte
educacional, inclusive servindo também de depósito de material escolar.
O segundo prédio
corresponde a uma escolinha acanhada, construído no antigo Bairro Barragem às
margens da BR-316. Foi inaugurado em 1956, com o título de Escola Manoel Xavier
Acioly e tinha o intuito de educar a criançada daquela região periférica de
Santana do Ipanema. Passou por reformas não está com tanto tempo assim,
melhorando também seu visual externo. Foi a pioneira na área além da Ponte da
Barragem e sua contribuição, embora invisível pela distância do Centro e das
grandes escolas continua altamente relevante primordialmente para os Bairros
Barragem, Clima Bom e boa parte da área rural.
O terceiro prédio,
ainda mantém na sua fachada o nome Escola Branca de Neve, é apertado, parede e
meia entre residências situado à Rua Delmiro Gouveia. Fundado em 1976, fica
defronte ao atual e conhecido Restaurante Zé de Pedro. Atualmente a Escola
Branca de Neve funciona como anexo da Escola Durvalina Pontes, bem como a
escola da barragem.
Esses prédios, como foi
dito acima, tornam-se indiferente aos transeuntes, aos distraídos e aos
indiferentes, porém têm um alto conceito educacional (as escolas) na hierarquia
municipal da Educação e no segmento pais de alunos. Para a sociedade, geralmente
as escolas pequenas não chamam atenção como a de edifícios volumosos,
entretanto, a qualidade do ensino está sempre em destaque entre os componentes
da Educação. Ambas as escolas continuam prestando relevantes serviços à
população santanense. Uma visita de cortesia alegra visitas e visitados.
Experimente! Quanto ao prédio multiuso, o nome já diz tudo. Só em ter sido a
primeira sede do museu já procede sua bela história particular.
Conhecer a terra em que
nasceu, faz um bem danado!
A propósito, você sabe
quem foi Manoel Xavier Acioly?
ESCOLA MANOEL XAVIER
ACIOLY (FOTO: B. CHAGAS/ LIVRO 230).
ONDE ELES ESTÃO? Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 202 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.535 Procurando um ret...
ONDE ELES ESTÃO?
Clerisvaldo B. Chagas, 18 de maio de 202
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.535
Procurando um
retelhador em Santana do Ipanema para prevenir goteiras na casa durante o
inverno. Quem disse que tem? Profissional exclusivo extinto com a evolução das
cidades. Extintos como os alfaiates que não se encontram mais, salvo o último
deles em Santana do Ipanema, Gilson Saraiva que ainda faz sua roupa sob
encomenda lá no beco São Sebastião. Para retelhamento de casa, cabra velho,
somente o tipo pedreiro que também se arvora na arte de retelhar residências,
dessas que ainda não têm estuque. Como ainda faz falta o “Seu Tô”, antigo e
mais famoso profissional da minha juventude! Mas também para vasculhar casas,
tirar a sujeira da parte inferior das telhas, extirpar casas de aranha... Com
vara cumprida e vassoura de palha vendidas na feira, também é zero. O dono e a
dona-de-casa não podem mais apelar para Maria Lula e nem seguidores.
A galega que morava
perto da Rua da Praia, usava cocó e parecia com uma alemã, era a mais
solicitada para este mister; apesar de beber uma cachacinha e ficar vermelha
que só açafrão! A galega solteirona (acho) que abastecia sua casa de taipa
trazendo água do Panema em pote de barro e rodilha na própria cabeça. Seus
descendentes profissionais despareceram. Também nesses tempos modernos quase
Santana fica sem barbeiros e foi preciso haver cursos profissionalizantes para
evitar a extinção. Os jovens aproveitaram bem e em cada bairro não falta mais
barbeiro que agora quer ser chamado de cabeleireiro. Alguns nem barba querem
fazer mais.
A chamada sociedade vai
se transformando, deixando obsoletos inúmeros objetos, mas no meio desses
objetos muitas características de seres humanos que parecem únicas.
A falta de retelhadores
faz lembrar a quadrinha do folclore nordestino:
Têm quatro coisas no
mundo
Que atormentam um
cristão
Uma casa com goteiras
Cavalo feio e choutão
U’a mulher ciumenta
E um menino chorão.
ESCADA E VASSOURA DE
PALHA PARA VASCULHAR (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.