SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
A PRAÇA DO ORMINDO Clerisvaldo B. Chagas. 25 de junho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.562 A demolição da ...
A
PRAÇA DO ORMINDO
Clerisvaldo
B. Chagas. 25 de junho de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.562
Todavia, a demolição é
para uma reforma planejada a fim de modernizá-la e proporcionar melhor conforto
à população e usuários do logradouro, em especial aos que fazem a escola de
tradição Ormindo Barros. A pracinha Siqueira Campos, precede à Rua Pedro
Brandão, principal corredor de entrada-saída para o alto sertão. Transformada
totalmente em comércio, o trânsito tem sido de tal intensidade que expulsou as
residências. Os últimos moradores já estão partindo para outra área de morada
devido ao estresse do trânsito, carros de som e muito mais o que torna a rua
inviável para moradia. A rua precisa de mais becos para desafogar o ruge-ruge
dos veículos e das motos do mundo todo. Mas nesse caso, a pracinha, mesmo
estreita e comprida no meio da rua Siqueira Campos, é um fator de refrigério do
trecho.
Esperamos que a prefeita
Christiane Bulhões tenha êxito em mais essa empreitada e não ocupe o pouco
espaço do logradouro com barracas e mais barracas que empurram o pedestre para
o trânsito louco. Temos certeza que a pracinha Siqueira Campos, modernizada,
poderá proporcionar bons momentos de lazer, descanso e bem estar aos seus
frequentadores, admiradores e fãs. Quantos namoros iniciaram por ali e
terminaram em casamento! Apesar de discreta, a pracinha é viva e querida. Vamos
aguardar para ver o desfecho da roupagem nova.
A praça é nossa!
A praça é do povo!
Viva a Praça!...
PRAÇA SIQUEIRA CAMPOS,
NORMAL Livro 230/B. CHAGAS).
PRAÇA DEMOLIDA PARA
REFORMA (FOTOS: IRENE CHAGAS).
CHEGOU! CHEGOU! Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.559 O governador promete...
CHEGOU!
CHEGOU!
Clerisvaldo
B. Chagas, 24 de junho de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.559
O governador prometeu e
agiu com rapidez. Tanto é que para muitos foi uma surpresa e tanta, uma vez que
já estávamos, semana passada, sendo informados de que a sinalização da via
asfáltica Carneiros – Santana do Ipanema, estava sendo providenciada. Os sites
noticiosos calaram o andamento da obra e, de repente a surpreendente notícia: o
homem já havia concluído o trabalho, enquanto muitos jornais cochilavam. O
município de Carneiros, satélite de Santana do Ipanema e desta desmembrado, há
muito aguardava o asfalto para sua antiga sede, pelo menos até a AL-120, bem
perto de Santana. A falta do asfalto dificultava a integração entre ambos os
municípios, até que o que parecia impossível aconteceu. Agora totalmente
integrados Santana e Carneiros, ligados sem rodeio, diretamente, irão ganhar um
intercâmbio nunca visto antes, sendo muito mais comércio para Santana e um sem
número de prestação de serviços para Carneiros.
A rodovia dessa
integração, beneficia inúmeros sítios rurais como Olho d’Água da Cruz, Divisão
e Alto d’Ema. O primeiro em Carneiros, o segundo na divisa entre os municípios
– daí o nome Divisão, terra do saudoso e famoso repentista, Zezinho da Divisão
– e o Alto d’Ema, já em território santanense, é área de terras das nossas
origens, dos Chagas. O asfalto cobre a rodagem antiga entre os dois municípios
e, vindo de Carneiros, sai na AL-120, ao lado do conhecido “Fazendas Bar”, bem
perto do acesso a Olivença. Uma grandiosa vitória sertaneja, sem nenhuma sombra
de dúvidas. E, melhor ainda, Carneiros também será ligado por asfalto a Senador
Rui Palmeira pelo mesmo roteiro. Santana, então ganhará outro município para
seus inúmeros relacionamentos, uma vez que para ali chegar tem que ser através
de grande arrodeio ou por estrada de terra. Alcançando ambos os municípios como
se diz por aqui: por dentro, será novo porvir. Portanto, para ir a Carneiros e
Senador, será apenas um pulo e pela mesma estrada.
Os produtos do campo
chegarão rapidamente às cidades, aos povoados, mercados, feiras e mercadinhos
como o leite, o queijo, os cereais e as hortaliças. Hospitais, escolas, bancos,
todos receberão pessoas com mais rapidez, assim como o comércio e serviços em
geral. E finalmente, lá onde o novo asfalto desemboca na AL-120, provavelmente
triplicará os encontros domingueiros nos bares e restaurantes rurais, típicos e
convidativos do Alto d’Ema, Barriguda, São Bartolomeu e Moita dos Nobres.
Haja cerveja gelada e
galinha de capoeira, comadre!...
CARNEIROS (FOTO: carneiros.al.leg.br).
SÃO JOÃO Clerisvaldo B. Chagas, 23 de junho de 2021 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.560 O melhor São João de Sant...
SÃO
JOÃO
Clerisvaldo
B. Chagas, 23 de junho de 2021
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.560
O melhor São João de
Santana do Ipanema era na Rua Antônio Tavares. Desde à Cadeia Velha até
encostar na Rua São Pedro era um corredor de fogo só. Seu Manezinho Chagas,
sempre foi o primeiro da rua a tocar fogo na fogueira. O senhor José Urbano, o
último a acender e deixá-la cerca de três dias fumaceando com um toco gigante.
Dona Florzinha, sua esposa, entre outras coisas, fazia o quentão, bebida
tradicional dos nosso ancestrais. À noite inteira na rua, bombas, chuvinhas, peido
de véia, traques, peito de moça, diabinhos, rojões, busca-pés, foguetes e, de
vez em quando, um balão cortava o espaço. Nós, os adolescentes, lançávamos,
escondidos dos nossos pais, bombas de parede que explodiam na chapada de
calçada alta da casa do então, padre Alberto Pereira, defronte a nossa.
A partir da meia-noite,
ouvíamos estrondos terríveis; pareciam “bombas atômicas”, soltadas somente no
leito seco do rio Ipanema, lá longe. No extremo da rua, imediações da casa da
professora Adercina Limeira, mestre Eloy foi a grande atração da quadrilha, era
ele quem gritava à dança. Após sua passagem, foi substituído pelo filho Walter,
conhecido como Walter da Geladeira, devido seus consertos. Forrós de verdade
não os conheci nessa rua. A véspera do São João era marcada por adivinhações,
rosto d’água na bacia, faca na bananeira e ensaio para comadre e compadre de
São João. Esfriada as cinzas das fogueiras, estas eram esfregadas nas pernas de
crianças novas para andarem logo e reforço para a saúde das pernas de crianças
já grandinhas e adolescentes. Bonito também e nostálgico era quando as
fogueiras quase todas apagavam as chamas deixando apenas tufos de fumaça nos
montículos de brasas.
O asfalto não suporta
fogo e acabou a tradição da fogueira, juntamente com novas exigências ambientais.
Quanto às quadrilhas juninas, o forró pé de serra, o coco-de-roda... Levaram
uma carreira grande da COVID 19, este ano. Fazer o quê? Vamos ficar somente com
a lembrança da voz poderosa de Gonzaga: “O fole roncou...”.
Melhor São João de faz
de conta de que morte no São João.
Saudade...
Fui.
RUA ANTÕNIO TAVARES
MODERNIZADA (B. CHAGAS/LIVRO 230).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.