A VOLTA DOS PROFETAS Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.651 O novo Encont...

 

A VOLTA DOS PROFETAS

Clerisvaldo B. Chagas, 31 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.651


O novo Encontro com os Profetas das Chuvas, novamente volta a mobilizar Santana do Ipanema e cidades do Sertão Alagoano. O evento está previsto para este mês de fevereiro. O Carnaval será de profecias sobre o clima sertanejo. Este será o IV Encontro a ser realizado sempre defronte a Secretaria de Agricultura e que está se tornando tradição em Santana. O sucesso das previsões têm sido o motivo de novas palestras em via pública, desses homens experientes e que nada deixam a desejar. Geralmente os apresentadores ou Profetas das Chuvas, são da zona rural, filhos da Agricultura e da Pecuária onde acumularam sabedoria.

Mas, é de se ver também que os tempos mudaram no mundo inteiro e em nosso sertão nordestino não foi diferente. É um dos profetas mesmo que afirma com outras palavras: “Hoje está tudo mudado e nem sempre se acerta nas previsões. Aconteceu de o mandacaru florar por tudo que é canto e não chover”. Nesse caso as tradições de séculos, começam a não valer mais porque os climas mudaram no Globo. As novas profecias do homem rural, segundo imaginamos, teriam que recomeçar do zero. Observações novas, deixando as obsoletas para trás, porém, perguntamos se ainda há tempo. De qualquer maneira está acumulada a história do Brasil e acumulado está o conhecimento rural adquirido. E se o tempo é novo, entrar no novo tempo.

Para quem nunca viu o espetáculo das profecias, aqui em Santana, geralmente arma-se uma espécie de palanque no meio da rua, nesse caso, defronte a Secretaria de Agricultura (vizinha à Caixa Econômica) no Bairro Monumento, onde tem apresentações de repentistas, cantores e outras atrações regionais em que o povão assiste de pé como quem assiste a um comício. O encontro é um momento bem dirigido, onde o Secretário da Agricultura e Meio Ambiente, Jorge Santana, procura cada vez mais aperfeiçoar o quadro com novas atrações deixando o povo e os protagonistas bem à vontade na festa do homem rural com seus espetáculos exuberantes. Parabéns à prefeita Christiane Bulhões e ao Secretário Jorge pela valorização das nossas tradições rurais em grande estilo.

CARTAZ DIVULGAÇÃO (PREFEITURA)

  ESCRAVIDÃO ANIMAL Clerisvaldo B. Chagas, 28 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.650   Correu mundo a...

 

ESCRAVIDÃO ANIMAL

Clerisvaldo B. Chagas, 28 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.650


 

Correu mundo a imagem do carroceiro que em Maceió transportava a carcaça de um fusca e foi preso. Enquanto estivemos em Maceió por longo período, sempre ficamos inturidos com cenas semelhantes de peso excessivo nas carroças e no maltrato aos animais. Esse negócio de tração animal em zona urbana é um desastre. Sempre defendemos (em mais de um artigo) que os carroceiros deveriam fundar uma associação com ajuda das autoridades para facilitar a compra de motos e de carrocerias seguido de curso de condutor. Erradicar de vez o trabalho escravo dos animais e continuar ganhando o sustento da família. Já existe isso no estado de Goiás, se não estamos enganados. Vimos muitos cavalos velhos, torturados, esqueléticos, trabalhando nas carroças em Maceió. Só faltavam cair a qualquer momento, mortos, no meio do trânsito.

Em Santana do Ipanema, os carroceiros trabalham com burras, não existe burro e nem cavalo. Os animais são bem zelados e adquiridos na região de Palmeira dos Índios. Mesmo assim, vez em quando acontece caso estúpido que vai parar na delegacia. Não existe na cidade uma associação protetora de animais. O ser humano continua bruto e descontando os dissabores de casa no pobre animal de trabalho que não tem como se defender. Uma covardia espetacular que se inicia no açoite ao animal o dia inteiro, muito mais pelo vício de bater de que qualquer outro motivo. Até filhos pequenos de carroceiros são flagrados conduzindo e batendo de relho nas burras, sem parar, pelo exemplo que tem em casa.

A propósito, uma explicação: A burra é muito mais eficiente no mister da carroça. O burro não aguenta o rojão de puxar carroça o tempo todo. O jumento é para carregar peso no lombo e, o cavalo não é apropriado para esse tipo de trabalho. Costuma abrir os peitos pelo esforço, dito pelos próprios carroceiros. Cavalos e jumentos são impróprios para subir e descer serras com cargas, logo adoecem e morrem. Nesse caso o burro não enjeita parada para o trabalho de subir e descer os montes bem como para longas caminhadas, o que os outros animais não fazem. O mundo doméstico tem muitos segredos dominados pelos especialistas.

São parecidos, mas não confundir jacu com urubu.

 

 

 

  VISITEI O BAIRRO ISNALDO BULHÕES Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.649   ...

 

VISITEI O BAIRRO ISNALDO BULHÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 27 de janeiro de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.649


 

Na primeira curva da AL-120, Santana do Ipanema – Olho d’Água das Flores, era destaque uma granja que produzia mais de 2.500 ovos/dia. Limite entre a zona rural e urbana a citada granja pertencia ao senhor Milton dos Anjos, apontada por todos como a “granja de Seu Milton”. O local, segundo a embalagem do produto, chamava-se Lagoa do Mato. Um grande empreendimento para Santana e região, sem nenhuma dúvida. Mas as circunstâncias não permitiram a continuação do negócio e o terreno da granja foi vendido ao Loteamento Colorado, um núcleo residencial previsto para 800 residências, inclusive com estabelecimentos comerciais mais próximos à pista. Os lotes foram escalonados por ruas desde às margens da AL-120 até uma altura de 340 metro de altitude. Uma interessante colina antes escondida pelo matagal que cercava a granja.

O Loteamento colorado já construiu mais de cem residências, a maioria com arquitetura futurista de telhado embutido. Muitas construções ainda estão sendo feitas, porém, antecipadamente o local ganhou status de bairro com o nome Isnaldo Bulhões. Salvo a pista AL-120, o novo bairro é totalmente margeado por terras de fazenda. No topo da colina, a última rua só tem um lado, o outro é uma faixa de terra natural ajardinada de construção proibida. A paisagem é de tirar o fôlego. À noite, de um lado, inúmeros sítios iluminados. Do outro, o centro de Santana a piscar suas luzes lá embaixo. É de se passar uma noite só contemplando a paisagem paradisíaca. O Bairro Isnaldo Bulhões, calçado com pedras, é agora a nova elite santanense que sonha com pavimentação asfáltica.

Ainda aparecem cobras, lagartos, formigas pretas, corujas buraqueiras e pássaros diversos tal o quero-quero. Eis aí o histórico do bairro mais recente de Santana do Ipanema.  Na parte de baixo, ao lado da pista, encontramos restaurante, churrascaria, posto de gasolina, Loja de material de construção e o IFAL (Instituto Federal de Alagoas).  Agora a margem direita do rio Ipanema ficou assim, de Oeste a Leste, isto é, das imediações do Hospital da Cajarana à saída para Olho d’Água das Flores, Bairros: Paulo Ferreira (antigo Floresta), Domingos Acácio, Santa Quitéria, Santo Antônio e Isnaldo Bulhões.

PAISAGEM VISTA DA ÚLTIMA RUA, TOPO DA COLINA DO BAIRRO ISNALDO BULHÕES (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).