MARÇO, OUTONO, CINZAS Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.666   Finalmente pa...

 

MARÇO, OUTONO, CINZAS

Clerisvaldo B. Chagas, 3 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.666


 

Finalmente passou o mês pesado e mais curto do ano. Vamos iniciando uma nova marcha completamente estranha com incógnitas mais severas sobre o dia de amanhã. Ganhamos da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Meio Ambiente e Recursos Hídricos um Kit de camiseta e boné dos Profetas das Chuvas. Uma lembrança do recente encontro sobre o clima na área sertaneja. Muita chuva em fevereiro, mas também altíssimas temperaturas durante os dias, variando entre 36 graus a 24 durante às noites, no contraste. Março é um mês comprido, psicologicamente o mais comprido do ano e sem nenhum feriado para amenizar o batente. Março, tradicionalmente é um mês severo de estiagem, porém marca o início do outono, estação de começo das nossas chuvas no Sertão a partir de maio.

Os alastrados do antigo Loteamento Colorado estão floridos e frutificados, os pássaros se deliciam com seus frutos roxos e o vento sopra bem pelo relevo da colina. Será o anuncio de bom inverno?  E nessa Quarta-Feira de Cinzas, marcou as cinzas antecipadas do Carnaval e, infelizmente o triunfo do COVID l9 em nosso estado. Mas o nosso Soberano tem o poder de mandar a pandemia para um lugar distante do Universo onde não passa ninguém e frear a sede de ambição dos que pretendem dominar o mundo. Enquanto isso vamos espiando os movimentos mágicos das nuvens que trazem o pão aos nossos sertões nordestinos. Joelhos ao chão, olhares nas variações do tempo.

Passado o dia tão aguardado da Quarta-feira de Cinzas, lembramos quando as igrejas da cidade ficavam lotadas de fiéis para a tomada de cinzas na testa. Uma lembrança e advertência que todo somos frágeis e que voltaremos a virar pó. Uma quarta-feira triste de fim de mundo. Tudo, tudo está diferente já nos antecipavam as forças do Universo. Mas mesmo com todas as tristezas da terra, prossegue o mês de março a sua marcha inexorável.  Início de Quaresma, um período longo e santo perfeito para orações, meditação e oportunidades de abandonar o negativismo da vida. Tempo de fortificar a alma e garantir a luz. Quem sabe! Em meio à guerra e pandemia não aparece um facho luminoso no final do túnel!

Louvado seja o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó... E nosso também

ANOITECER NO COLORADO (FOTO: GUILHERME CHAGAS).

 

  VOLTANDO AO BAIRRO ISNALDO BULHÕES Clerisvaldo B. Chagas, 1 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.665 Se...

 

VOLTANDO AO BAIRRO ISNALDO BULHÕES

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.665



Segunda de Carnaval, para tirar a monotonia do peito, fomos almoçar no topo da colina do Bairro Isnaldo Bulhões (antigo loteamento Colorado). Subimos todos os patamares com a mesma alegria de outras vezes, pois estávamos novamente em contato com à Natureza. Após o almoço fui gozar a beleza dos arredores daquele monte com 340 metros de altitude. No topo da colina mesmo, na última rua, somente duas casas habitadas e abaixo dessa rua, casas e mais casas em construção preenchendo aos poucos os terrenos vermelhos e baldios. Ao lado, limite com uma fazendinha que nos encanta bastante com o mesmo padrão de zona rural. Mais uma vez ficamos mostrando ao neto e família da capital, cenas da fazendinha.

Ao entardecer, galináceos deixando o abrigo e se espalhando pelos arredores, ciscando e catando bichinhos. Para eles, na hora aprazada, o galo pintado comandou a volta ao galinheiro, sem ninguém mandar. Ali estariam ao abrigo contra cassacos e raposas dos arredores. Vacas e Bezerros também se recolhiam no galpão de alvenaria. Mais perto de nós, formigas, abelhas, maribondos, inúmeras aves logo identificadas ou não: bem-te-vis, azulões, corujas... Para fazerem parte de um céu que se ornamentava no horizonte onde as primeiras luzes se acendiam nas habitações dos sítios rurais, lá longe, lá embaixo... Que maravilha de se vê! De um lado os sítios e fazendas, do outro, as milhares de lâmpadas acesas no centro da cidade.  E a ingênua pergunta repetida: Será que estamos em Santana, mesmo?

Deixamos nos encantar com o arrebol do lado dos sítios e fazendas. Cadê vontade para descermos até a realidade pela AL-220? Devaneio interrompido, descemos a colina com o cruzar de aves notívagas que igual a nós, penetravam nas trevas. Nem só de beleza de praia vive o mundo! Morando lá bem no alto você ainda compra ovos frescos de galinha de capoeira, leite verdadeiro tirado na hora e ainda adquire adubo para vicejar seu jardim. De sobra arranjamos por ali o melão-de-são-Caetano que prolifera nas cercas de arame e se tornou febre na Internet com o seu poder curativo.

Dia magnífico e pessoal, mas que não resisti em dividir com os nossos leitores do blog.

Amar a Natureza é amar o Criador. Desculpe a emoção.

ALASTRADO EM LAJEIRO. AO FUNDO MÉDIO, SERROTE DO CRUZEIRO, AO FUNDO DISTANTE, SERRAS DA CAIÇARA E DO POÇO RESPECTIVAMENTE. (FOTO B. CHAGAS).

 

 

  ZERO CARNAVAL Clerisvaldo B. Chagas, 1 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.667   A proibição de Carnav...

 

ZERO CARNAVAL

Clerisvaldo B. Chagas, 1 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.667


 

A proibição de Carnaval este ano, pareceu uma justa homenagem às vítimas de Covid no Brasil e às vítimas da invasão na Ucrânia. Mas, independentemente disso, o que encontramos em Santana do Ipanema nestes dias de folia foram ruas desertas e pequenos grupos de pessoas, esporadicamente bebendo defronte às suas residências.  Um silêncio absoluto nas avenidas semelhante aos antigos dias de finados. Para quem gosta de Carnaval em Santana, deve haver ainda a recordação de um homem que brincava o Carnaval sozinho. Chamava atenção porque além de ter sido interventor, era comerciante e fazendeiro. Nunca participava de bloco algum. Com apenas uma dessas máscaras finas e simples compradas em lojas, perambulava rua acima, rua abaixo, sem nenhum outro aparato, fora a máscara fina, que pudesse disfarçá-lo.

Firmino Falcão Filho, o seu Nouzinho, na época, proprietário da Sorveteria Pinguim, parecia antecipar o presente Carnaval da COVID 19. Um Carnaval solitário, pessoal, intimamente ligado as entranhas do eterno brincante. Se o prezado leitor quer saber sobre aquelas turmas de santanenses que deixavam Santana em direção a Pão de Açúcar ou Piranhas, não sabemos responder. O Carnaval está proibido em Alagoas confirmado por vários municípios. Seria um correr sem graça para outros lugares. Assim os que não pulam no reinado de Momo, repetem a mesma cena de outros tampos, sentam na esquina do antigo Hotel Central, em pleno Comércio, para apreciarem bandos e blocos que não passam mais. Restam apenas as fofocas que não são exclusividade das mulheres.

Saudade dos homens:

 

Você pensa que cachaça é água

Cachaça não é água, não

Cachaça vem do alambique

E água vem do ribeirão.

 

Paródia das mulheres:

 

Você pensa que babado é bico

Babado não é bico, não

Babado se bota em vestido

E bico em combinação...

 

Tempos de incertezas e melancolia.

Só Deus na causa.

CARNAVAL EM SANTANA DO IPANEMA (FOTO: B. CHAGAS).