REVENDO O CAMPO Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.676   Os barreiros repre...

 

REVENDO O CAMPO

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.676


 

Os barreiros representam a forma mais comum de se armazenar água nas propriedades rurais, sertanejas. É certo que existe o açude, também chamado barragem, porém, os custos particulares com um barreiro são muito menores. Ai da pequena propriedade que não possui um barreiro! Eles são formados em lugares onde existem uma excelente bacia que possa facilitar a captação d’água da chuva, até às condições financeiras do ruralista.  Pode ser feito com pequenas escavações usando-se ferramentas simples e manuais, até respeitáveis tamanhos com uso de máquinas como tratores. Nos intervalos das chuvaradas, são limpos e desassoreado para renovar as águas. Seu uso vai para matar a sede dos humanos, do criatório, do gasto da casa e para lavar roupa. Geralmente as mulheres conservam uma ou mais pedras chatas e cuias de cabaças na beira do barreiro para a lavagem de roupa.

O barreiro não aguenta uma estiagem longa. Mesmo assim, terá cumprido o seu papel depois de cheio. Hoje em dia, os governos municipais ajudam na limpeza periódica, contribuindo na tradição da armazenagem. Ilustramos abaixo com um barreiro seco na Reserva Tocaia, em Santana do Ipanema. Suas águas e a das imediações formam o riacho Salgadinho de pequeno percurso até despejar no rio Ipanema. Parece insignificante, mas já deu muito trabalho e interditou a estrada. É o riacho Salgadinho que divide os bairros da Floresta e Domingos Acácio. Aperreou tanto que ganhou uma ponte em uma das administrações do prefeito Adeildo Nepomuceno e que foi alargada pelo gestor Isnaldo Bulhões. Sua foz encontra-se no famoso Poço do Juá, a maior largura do Ipanema em trecho urbano.

Não confundir o bravo riacho Salgadinho, também chamado Joel Marques, com o riacho Salobinho. Ambas as denominações indicam água salgada, porém, o Salobinho nasce nas imediações do povoado Alto do Tamanduá, cruza a BR-316, banha o sítio rural Salobinho e despeja ao lado do antigo matadouro municipal, um tranquilo afluente do rio Ipanema. O barreiro tanto pode formar nascente de riacho quanto pode ser abastecido por ele. Algumas residências já dispõem de filtro de barro no uso da água do barreiro. É esse o Sertão que eu conheço.

BARREIRO SECO AGUARDANDO LIMPEZA E ÁGUA CORRENTE. RESERVA TOCAIA. (FOTO: B. CHAGAS).

 

  SÃO JOSÉ Clerisvaldo B, Chagas, 21 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.675   Sábado passado, dia 19, e...

 

SÃO JOSÉ

Clerisvaldo B, Chagas, 21 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.675


 

Sábado passado, dia 19, estava desatento à data, quando Jeane Chagas e Paulo Moraes, me enviaram mensagens de bela estampa do pai de Cristo. Fiz como o antigo doido Agissé de Santana do Ipanema, batei a mão à cabeça ao lembrar do padroeiro do meu bairro. A imagem é tão bela que reproduzi aqui abaixo, muito embora não viesse o seu autor. Além da sua própria história tão conhecida no mundo inteiro, ainda tem a construção da sua igreja na veterana localidade COHAB VELHA no incentivo de elevação a bairro. Para quem observou o antes e o depois, muito foi acrescentado àquela região após a inauguração da igrejinha de São José. Como várias outras igrejas, teve muita política no meio, discussões e tempo longo para conclusão, à exemplo da igrejinha de São Pedro e a do Bairro Clima Bom.

Prestigiado no Sertão inteiro, O santo é quem marca o período chuvoso, segundo os sertanejos. Mas, este mês de março já choveu várias vezes pouco ou muito. E se não choveu no sábado passado, exatamente no seu dia, não será por causa disto que teremos um inverno fraco. Nosso tempo sertanejo está variando sempre entre dias quentes e dias nublados com aspectos de inverno. E ainda pelo conhecimento do povo, temos no sertão o marceneiro, o carpinteiro e o “carapina”, sabe a diferença entre eles? São José foi carpinteiro, diz a tradição. Não sabemos informar se houve missa ou outros atos na igreja do nosso bairro, mas à tardinha muitos foguetes espoucaram para aquelas bandas.

São José é padroeiro da Igreja Universal da Boa Morte, das famílias, dos artesãos, dos engenheiros e trabalhadores. É também padroeiro das Américas, Canadá, China, Croácia, México, Coreia, Áustria, Bélgica, Peru, Filipinas e Vietnã, segundo nos informa certo site.

São José teria morrido aos vinte anos de Jesus. Também informações apócrifas dizem que ele era discreto, trabalhador e viúvo, ao casar com Maria. Muito pouco se fala dele nos Evangelhos. Entretanto quem é devoto de São José continua com fé inabalável independente de novas descobertas do esposo da Mãe de Deus.

SÃO JOSÉ (DIVULGAÇÃO)  

 

 

 

  ADELSON ISAAC DE MIRANDA Clerisvaldo B. Chagas, 16/17 de março de 2022 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.674   Conhec...

 

ADELSON ISAAC DE MIRANDA

Clerisvaldo B. Chagas, 16/17 de março de 2022

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 2.674


 

Conheci o Dr. Adelson Isaac de Miranda como um dos primeiros dentistas formados de Santana do Ipanema. O homem viera de Bom Conselho, Pernambuco, casara com filha de Santana e se adaptara aos modos vivendi sertanejo. Estou lembrando tudo isso por está nesse momento na cadeira de um dentista da minha terra, onde a lembrança medra. Adelson gostava de trabalhar com músicas clássicas e assovios para relaxamento da clientela. Consultório defronte ao Grupo Escolar Padre Francisco Correia, lugar seguro para encontrá-lo e tratar dos mais diferentes assuntos. Foi um homem social intensamente participativo e chegou a ser um dos diretores do antigo Ginásio Santana, grande fonte do Saber, na época. Participava quase sempre de todos acontecimentos sociais da elite da terra.

Deixou-se apaixonar também por terra e gado chegando a adquirir uma fazenda à margem do rio Ipanema, muito acima do espelho d’água Barragem e dera a sua nova conquista o nome de “fazenda Berra Boi”. A entrada ficava na BR-316, perto do sítio Baixa do Tamanduá, cujo caminho por dentro da fazenda levava à sede, justamente voltando em direção ao rio. Um enorme cajueiro cuja galhada arrastava-se pelo chão, era um dos seus orgulhos da fazenda Berra Boi.

Trabalhei como professor sob a sua direção no Ginásio Santana. Adelson foi o prefaciador do meu livro e conto “Carnaval do Lobisomem” que ao sair da gráfica ele disse: “danado, você conseguiu ser imortal...” E eu respondi “Você deve ter muita coisa para contar, quando vai começar a escrever? Ele me disse que estava tentando arrumar seu consultório e arranjar um cantinho a seu gosto para iniciar na literatura. Acho que não teve tempo.

Homem dinâmico e futurista, estava sempre na vanguarda progressista da cidade. Tive o prazer de participar de um encontro/almoço/farra na fazenda Berra Boi e que se tornou inesquecível. Ainda fiz muitas caminhadas até a porteira da sua fazenda, pela BR-316, percurso em que eu calculava em três quilômetros. O homem de Bom Conselho recebeu homenagem póstuma quando seu nome substituiu a denominação da Praça da Bandeira defronte ao Ginásio Santana. Uma crônica não passa de uma gota d’água no açude da sua vida.

Um profissional competente

Um intelectual à frente do seu tempo.