SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
POÇO DAS MULHERES Clerisvaldo B. Chagas, 11 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.827 A proposta d...
POÇO
DAS MULHERES
Clerisvaldo
B. Chagas, 11 de janeiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.827
A
proposta do grupo era mostrar às autoridades e à sociedade em geral, a intensa
poluição do trecho, urbano do rio Ipanema relativo ao Bairro Barragem até o final
do Bairro São Pedro. Assim fomos da zona oeste da cidade até a zona leste, por
dentro do rio seco e prosseguimos até o final do bairro ou subúrbio Bebedouro.
Fotografando, filmando, conseguimos o nosso objetivo quando exibimos a poluição
geral dominada pelo lixo doméstico que não poupa lugares. Até sentíamos pena em
vermos tantas carrapateiras ao longo do rio, terrivelmente adubada, assoberbada
com tanto lixo. A carrapateira que dá o
fruto mamona, é muito bonita, vistosa, folhas largas, frutos belos em cachos,
tal qual a uva. É matéria-prima do biodiesel e do azeite que lubrifica o eixo
do carro de boi e o torna cantador; orgulho do carreiro.
Antes
da empreitada, havíamos sido informados pelo saudoso comerciante Benedito
Pacífico, sobre o Poço das Mulheres que fica exatamente aos fundos do seu
Restaurante Biu’s Bar, à Rua Delmiro Gouveia. O poço, situado em local de
pedregulho, puxa mais para perto da margem direita do rio Ipanema. Antigamente,
depois das grandes cheias, entre três a quinze dias, a o volume d’água baixava,
a cor barrenta limpava, avisando ser o momento propício para os banhos nos
poços: Juá, das Mulheres, dos Homens e o do Escondidinho. Pois bem, ao
passarmos em nossa missão pelo poço indicado pelo senhor Benedito, paramos para
fotografar, apreciar e admirar aquele trecho ajardinado de pedras e arbustos
por trás da Rua Delmiro Gouveia. Imaginamos as mulheres se banhando, naquele
tempo onde o banho era com vestido e tudo.
Os
homens banhistas do Poço do Juá, a cerca de 300 metros abaixo, não subiam para
o poço das Mulheres. Naquelas imediações ainda hoje se vê no leito do rio seco,
muitos arbustos verdes e animais amarrados ou não, pastando emoldurados nas
paisagens de inverno ou de verão. O poço das Mulheres representa uma espécie de
resistência feminina em tempo de machismo acentuado do mundo sertanejo. O poço
das mulheres deveria atualmente exibir uma escultura feminina para imortalizar
o ponto tão valorizado de outrora, assim como outra escultura no poço dos
Homens, o Máximo do lazer santanense até antes da construção da ponte sobre o
rio e que leva o nome de General Batista Tubino.
Saudade.
NO
POÇO DAS MULHERES: ESQUERDA PARA À DIREITA: PROFESSOR CLERISVALDO, CANTOR FERREIRINHA,
PROFESSOR MARCELLO, FORROZEIRO MANOEL MESSIAS (FOTO: SÉRGIO CAMPOS-ARQUIVO).
).
ESVAZIANDO A CASA Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.826 Foi surpre...
ESVAZIANDO
A CASA
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de janeiro de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.826
Foi
surpreendente a divulgação do IBGE em que 70 cidades de Alagoas diminuíram o
número de habitantes. Em seguida relacionaremos apenas as que ficam mais perto
de nós: sertão, alto sertão, sertão do São Francisco: Água Branca, Batalha,
Belo Monte, Canapi, Dois Riachos, Inhapi, Jacaré dos Homens, Jaramataia,
Maravilha, Mata Grande, Minador do Negrão, Olho d’Água do Casado, Olivença,
Palestina, Palmeira do Índios, Pão de Açúcar, Poço das Trincheiras, Piranhas e
Senador Rui Palmeira. Mas o que faz uma cidade perder habitantes e mesmo se
transformar em cidade fantasma? As inúmeras causas de esvaziamento são
explicadas na Geografia, Sociologia, História e Economia. É preciso pesquisa
sobre o assunto e cada caso pode ser uma causa específica, mas assusta quando
se aponta 70 cidades perdendo habitantes de uma vez.
Entretanto,
muitos fogem por motivos severos como fuga por causa de guerra, enchentes,
epidemia, vulcanismo e coisas parecidas. A nós, parece causa principal de
redução de número de habitantes, a própria concorrência salutar entre cidades
que evoluem e cidades que se estagnam em desenvolvimento geral. Algumas já eram
previstas por pessoas experimentadas, outras causaram surpresas, mas a
concorrência, engole mesmo. Os gestores são peças fundamentais no
desenvolvimento, na estagnação ou na decadência das suas respectivas cidades,
dependendo do modo de vê o presente e o futuro
da urbe que administra. Cidade onde tudo falta a população migra
naturalmente em busca de centros maiores à procura de educação, saúde, emprego
e oportunidades.
E aqui
para nós, não deixa de ser humilhante a redução comprovada da população da
cidade em que habitamos. Muitas destas cidades que estão na lista acima, são
ótimas para se viver, mas a juventude é vibrante, futurista, cheia de sonhos e
não ficam amarradas ao berço em que nasceu vendo a prosperidade acontecendo em
todos os itens da cidade vizinha, da capital do seu estado. Apesar de uma
mentalidade nova de gestores interioranos (não aqueles que mantinham o
município como feudo) que mexeram no marasmo trazendo algumas novidades para os
munícipes, reagiram tarde demais e muitas cidades do Brasil ficaram na subida
da ladeira estourando o motor. Outras tudo superaram e hoje despontam como
lugares desejado por todos.
MARIBONDO
(FOTO: B. CHAGAS).
AINDA AS CARROÇAS Clerisvaldo B. Chagas, 9 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.825 Voltando ao a...
AINDA
AS CARROÇAS
Clerisvaldo
B. Chagas, 9 de janeiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.825
Voltando
ao assunto dos carroceiros, carroça, burras e cavalos, sai a notícia de um
cavalo morto no trânsito. E foi dada aqui a sugestão de acabar com esses
animais de tração no trânsito da cidade pequena, média ou grande. Muitos desses
animais que circulam com carroças em capitais, não têm condições de saúde
nenhuma. O peso excessivo, a jornada de trabalho, os ferimentos profundos, a má
alimentação, além dos maltratos dos donos, faz dessas capitais terras de
desprezo à vida não humana, à vista de inúmeras autoridades que não enxergam.
Em pleno século XXI, quando tudo progride, ainda encontramos nas ruas a cruel
escravidão animal. No interior, os preferidos para a carroça são as burras,
geralmente bem alimentada, mas que não deixam de sofrer excesso de peso e muito
‘currião” no lombo, a troco de nada, apenas pelo hábito de bater.
Na
capital é o cavalo magricela do mangue, em que vemos a hora de uma queda e
morte súbita. Vivemos com os animais, a mesma situação em que vivíamos com
escravos negros do passado. Simplesmente a proteção aos animais parece não
existir nem nas capitais nem nos interiores. Voltamos a sugestão apontada
antes, associação de carroceiros, financiamento para compras de veículos que
possam substituir a carroça animal, treinamento e regras. Tudo financiado e
orientado por órgãos públicos com assistência jurídica. Aposentar e cuidar dos
animais libertos da carroças com a assistência veterinária mantida pelo estado.
Quanto
a própria carroça, é verdadeira obra-de-arte de artesão tanto do interior
quanto das capitais que também possuem suas fabriquetas de carroças e reboques.
O problema não é a arte da gaiola, mas sim, da finalidade. Tudo depende das
mãos em que vai cair a carroça. Os usuários deste transporte de carga da zona
rural, tratam muito bem os seus animais de tração. Tratam burros, jumentos e
burras, com a mesma dedicação ao boi de carro, muito embora a presença de
veterinários seja coisa rara. E afinal, todos querem ganhar a vida e sustentar
a família, mas o egoísmo, a ignorância, a falta de ajuda e orientação de quem
deveria chegar junto, fazem com que a vida bruta do carroceiro não evolua, nem
no interior nem na capital.
CARROÇA
EM TRÂNSITO NA PERIFERIA (FOTO: B. CHAGAS)

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.