SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
VOCÊ SABIA? Clerisvaldo B. Chagas, 25 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.832 Você sabia que a...
VOCÊ
SABIA?
Clerisvaldo
B. Chagas, 25 de janeiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
2.832
Mas, voltando a Alagoas, mesmo fazendo
comparações entre extensões de ilhas, a Santa Rita até que é enorme! É um dos
lugares mais procurados tanto pelo maceioense quanto pelos turistas, devido
principalmente às suas belezas naturais e gastronomia de tradição lagunar e
praieira. Olhando com outros olhos, é um verdadeiro livro de Geografia escrito e ilustrado pelo Grande
Arquiteto do Universo. Passar pelo menos um turno na região, é jogar pela
janela o lixo do estresse de cada dia. Vale salientar que o local é área de
preservação e tem a vantagem para quem quiser visitá-la, da proximidade com a
capital do estado e do acesso rápido e fácil que proporcionam conforto ao
visitante.
Vale salientar que tanto a ilha quanto as
imediações, são repletas de belezas como praias, manguezais e paisagens
arrebatadoras. Em alguns lugares da rodovia que liga Maceió a Marechal Deodoro,
encontramos toldas de guloseimas dos tempos da vovó: broas, suspiros, cocada,
bolos e muitas outras que derretem na boca na primeira mordida. Isso você só
vai encontrar no povoado Pé-Leve, entre Arapiraca e Limoeiro. Mas o que é mesmo
uma ilha? É uma quantidade de terras cercada de águas por todos os lados. E
arquipélago é um conjunto de ilhas. Depois vêm os detalhes das ilhas, cada qual
com seu nome específico.
Quer saber mais sobre a ilha de Santa Rita?
Pneu na estrada, “véi”.
NO AMPARO DA SOMBRINHA Clerisvaldo B. Chagas, 24 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.831 No temp...
NO
AMPARO DA SOMBRINHA
Clerisvaldo
B. Chagas, 24 de janeiro de 2023
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.831
No
tempo de poucos automóveis, o batente diário era mesmo enfrentado a pé. E na
época de inverno, muito valioso era o guarda-chuva ou sombrinha, mesmo que os
pés rompessem a lama das ruas, a cabeça estava protegida. Esses objetos eram
muito valiosos no predomínio das chuvas. Comprados nas lojas, estavam sempre na
moda com modelos estruturais e com estampas. Durante o sol muito quente do
verão, as mulheres usavam bastante as sombrinhas. Mas também é de se dizer que a estrutura de
ambos, eram frágeis como ainda são as de hoje. Qualquer coisinha quebrava uma
aspa. Se o dono ou a dona tivesse habilidade consertava, se não, mandava o
objeto para o profissional Alvino, conhecido depois com o apelido de
“Sombrinha”.
Alvino
morava num pedaço de rua entre a Prof. Enéas e a São Paulo (início da antiga
rodagem para Olho d’Água das Flores). Para ele, levei muitas sombrinhas e
guarda-chuvas, para conserto. Nosso herói tinha rosto agradável de quem está de
bem com avida, caminhava ligeiro, braços abertos e, sendo magro, inclinado um
pouco para trás, parecia carregar um bucho invisível projetado adiante. Era
simpático no seu atendimento e não demorava a devolver o objeto consertado. Não
lembramos de outro profissional consertador de sombrinha, em Santana do Ipanema,
somente quando passava alguém de fora, anunciando consertos. O consertador de
sombrinhas foi mais um dos profissionais extintos do século XX.
Por
que estamos lembrando essa passagem tão singela e tão sem importância para os
dias atuais? É que chegou uma pessoa da família em baixo de chuva e precisou de
uma sombrinha para descer do carro. Infelizmente o objeto estava com uma aspa
quebrada. No momento o passado veio forte porque na vida uma coisa puxa
outra. Assim como pingadeira nas telhas
(ainda existe teto de telhas) também lembra o profissional “Seu Tô”, o maior
retelhador do século XX com seu chapéu de Polícia Montada do Canadá e que
morava bem perto de Alvino. Hoje retelhador é o próprio pedreiro.
Mas
voltando ao caso da sombrinha, ninguém de casa tinha habilidade para consertar
a aspa, cuja sombrinha parecia um galináceo da asa quebrada, já viu?
Que
falta nesses momentos faz o Alvino!
COURO DE JUMENTA Clerisvaldo B. Chagas, 23 de janeiro de 2023 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 2.830 Em torno dos ...
COURO DE JUMENTA
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de janeiro de 2023
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 2.830
Em
torno dos anos 60, um coronel do sertão, em Poço das Trincheiras, resolveu
convidar os amigos e oferecer farra e almoço na sua fazenda. Houve muitos
comentários na época em toda a região. Todos beberam animadamente, até que saiu
o tão aguardado almoço. No final da refeição, o coronel pediu atenção para um
pronunciamento e perguntou aos convidados se sabiam o que tinham comido. Diante
de tantas respostas inocentes, o coronel ria e falava: “vocês comeram carne de
jumenta”. E para provar o que disse, mostrou o sexo da jega quando houve um
burburinho grande na roda de amigos. Uns se conformavam dizendo que “foi bom”.
Outros metiam os dedos na goela para provocar vômitos. Foi um deus-nos-acuda!
Esse caso teve muita repercussão principalmente nos ciclos boêmios da região
sertaneja.
Pois
bem, com aproximadamente 60 anos depois desse fato, estávamos entrevistando o
senhor Daniel Manoel, de 81 anos e que trabalhou em todos os curtumes de
Santana, sobre os detalhes daquela atividade em nossa terra. Quando ele nos dizia que os curtumes curtiam
couro de todos animais domésticos e selvagens, falou o seguinte: “Uma vez
curtimos o couro até de uma jumenta, enviado pelo coronel fulano de Poço das
Trincheiras”. Que coincidência medonha! A prova fatídica após tanto tempo, do
caso do Poço. Como se descobre as coisas sem perguntar! Entretanto, não é que esqueci de acrescentar
essa passagem no livro terminado “Santana, o Reino do Couro e da Sola”. Eita
“coroné”, danado!
A
nossa ética na tradição brasileira, é não ao consumo de carne cavalar e
semelhantes, mas os chamados coronéis sertanejos em muitos casos faziam as suas
próprias leis, inclusive, retirar o couro das costas dos seus desafetos, em
forma de tiras. Voltando ao caso do
couro do asno fêmea, não sabíamos antes da curtição desse couro. Foi curtido
com qual finalidade? Talvez para ser exibido durante muito tempo como troféu,
rir outras vezes daquela situação e afirmar o poder de mandachuva até nas
brincadeiras farristas de péssimo mau gosto.
De
qualquer maneira, agradecemos ao nosso entrevistado por essa lembrança
inusitada de 60 anos atrás, na história dos curtumes.
ASNO
PASTANDO NO LEITO DO IPANEMA SECO (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.