É DA SERRA? Clerisvaldo B. Chagas, 25   de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.196     Conhecemos...

 

É DA SERRA?

Clerisvaldo B. Chagas, 25  de fevereiro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.196

 



 

Conhecemos no Sertão de Alagoas: A Serra do Poço e a serra do Gugi. A serra do Poço é vista de vários pontos da cidade de Santana do Ipanema. Faz parte da região serrana do município, contrafortes do planalto da Borborema. Possui 505 metros de altitude e se apresenta com metade no Poço das Trincheiras, metade em Santana. Os antigos fizeram da serra do Poço, um verdadeiro pomar que parecia um jardim suspenso. Passou a ser o grande fornecedor de frutas de qualidade da nossa região. Destacavam-se a laranja, a banana e a jaca. Mas também produzia o feijão andu que muitas pessoas faziam o famoso “café de andu”.

Nas feiras dos sábados, chegassem frutas de onde chegassem, a preferência era sempre da serra do Poço. É da serra? – Indagava o freguês.  É sim, Doce que só mé!  E a estrada que levava à serra – que hoje passa pelo Colégio Prof. Mileno Ferreira – ainda isolada, registrava a passagem de jumentos, burros e éguas de caçuás repletos de frutos trazidos do cimo da serra do Poço. Ou desciam para Santana pelo sítio Água Fria ou pelo sítio Poço Salgado. Subir a pé à serra do Poço, gastava-se duas horas para quem não tinha o costume. Muito menos tempo para o nativo. Ao se chegar, porém, ao topo da montanha. Surgiam a recompensa da paisagem, das águas, dos pomares, da culinária serrana.

Há cerca de 15 anos, a mão-de-obra jovem deixou o campo em busca dos atrativos da cidade, como os estudos, por exemplo. Os pais envelheceram e não tiveram mais forças e a citada mão-de-obra jovem para a continuação dos pomares. Sem novos plantios, sem manutenção, os pomares haviam desaparecidos quase totalmente. Não sabemos a situação atual da serra do Poço, entretanto, vimos ultimamente um site mostrando o dono comendo jaca e afirmando ser da serra do Poço.

Mas sempre tivemos pena dos santanenses aqui nascidos e criados que nunca foram à serra do Poço, do Gugi e mesmo aos montes que circundam de perto a cidade, como o serrote do Cruzeiro, do Gonçalinho ou o serrote do Pelado, mas querem conhecer outros países.

SERRA DO POÇO, VISTA DA CIDADE DE SANTANA, NO INVERNO EM 2013.  (FOTO B. CHAGAS/LIVRO 230).

  

   OLHANDO DO SERROTE Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.195   Entre os...

  

OLHANDO DO SERROTE

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de fevereiro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.195

 



Entre os montes residuais que circundam Santana do Ipanema – mirantes naturais encantadores, da cidade - Poderemos relacionar em círculo da direita para a esquerda até fechar o círculo: serrote do Gonçalinho, morro da Goiabeira, serra Aguda, serra da Remetedeira, serrote do Pelado. Serrote, sertanejamente falando, serrote é uma pequena serra. Pois bem, o serrote do Gonçalinho, depois que ali colocaram uma imagem de Cristo, passou a ser denominado popularmente de serrote do Cristo. Quando o serrote do Cristo recebeu algumas torres de comunicação, ganhou outro nome, pelo povo de serrote das Micro-ondas. Já o morro da Goiabeira, quando recebeu um cruzeiro de madeira para marcar o início do Século XX, passou a ser denominado também popularmente de serrote do Cruzeiro.

Dos outros restantes, o nome só foi mudado do Serrote do Pelado, artificialmente, para Alto da Fé. Cada serra ou serrote tem sua história, mas vamos falar agora apenas do serrote Gonçalinho. É um monte residual, isto é, que resistiu aos desgastes das intempéries durante milhões de anos. A parte à barlavento é úmida, a parte de sota-vento, virada para o rio Ipanema, é seca.  Do cimo se avista melhor os bairros maniçoba, Bebedouro, o açude do Bode e a serra da Camonga e, apenas uma parte do bairro São Pedro. Tem uma estátua do Cristo que ninguém sabe quem ali a colocou. Tem algumas antenas e por isso passou a ser chamado de serrote das Micro-ondas. No seu sopé, a barlavento, ultimamente formou-se um bairro denominado Santo Antônio, onde a pobreza impera.

Certo tempo houve uma seca grande na região e roubos de bodes. Muita fome! Mas os meninos de um morador do serrote eram todos gordinhos. Um soldado chamado Zé Contente, investigando o roubo de bodes, resolveu torturar e matar o pai dos meninos acusando-o de ladrão. Ao furar o seu bucho com punhal, só havia alastrado e mais nada. O fato foi editado em crônica pelo escritor Oscar Silva que viveu a época e deu o nome do escrito de “Bucho de Alastrado”. A cruz do morto ficou ao sopé do serrote que tinha o  nome de sítio Cipó. Hoje essa crua foi engolida pelo avanço da cidade por aquela zona rural, rumo ao Curral do Meio I.

Estaremos lá dia 17, vamos!

SERROTE DO GONÇALINHO, NO INVERNO DE 2013 (FOTO: B. CHAGAS/LIVRO 230).

 

   FOTO DA SAUDADE Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.194   Mais uma ve...

  

FOTO DA SAUDADE

Clerisvaldo B. Chagas, 21 de fevereiro de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.194

 



Mais uma vez convocando os santanenses ausentes há muito, para recordarmos Santana do Ipanema, antes da ponte sobre o rio, no Comércio, isto é, antes de 1969. Santana a cerca de 60 anos. Quer detalhes da foto para as suas pesquisas saudosas? Vamos lá: Vê-se foto parcial do Comércio de Santana do Ipanema, anos 60. Primeiro plano, casas comercias. Segundo plano: rio Ipanema (parte mais branca). Terceiro plano: margem direita do rio, ainda com raras e esporádica habitações. Voltando aos detalhes do primeiro plano: da esquerda para a direita, isto é, descendo a ladeira: pedaço da barbearia Salão Moderno, dos Pichita; Beco São Sebastião: igreja de São Sebastião (esquina de baixo); casa de primeiro andar de dona Hermínia florista e seus filho malucos, Agissé, Poni; Farrnácia Confiança de Hermínio Tenório (Moreninho) com duas cruzes nas portas;

Bar e casa suspeita de José Vieira; casarão, antiga morada do Cel. Manoel Rodrigues da Rocha, servindo como hotel e restaurante de Elias e Branca; Alfaiataria Nova Aurora do senhor Walter Alcântara. Ultimo prédio à direita, não completamente identificado. Parece ser fábrica de cachaça de Antônio Bulhões. Defronte aos edifícios, uma pequena árvore solitária da praça invisível.

Todo o vazio da margem direita do rio Ipanema, hoje está representado por vários bairros que se desenvolveram após a ponte General Batista Tubino, no Comércio, em 1969. São eles: Domingos Acácio, Paulo Ferreira (antigo Floresta), Isnaldo Bulhões (antigo Colorado), Santo Antônio.

O vazio da foto, margem direita, mostra apenas as áreas que formaram os Bairros Domingos Acácio e Paulo Ferreira. Este onde estar localizado o Hospital Dr. Clodolfo Rodrigue de Melo. Apesar da não definição da fotografia com clareza, o rio Ipanema acha-se representado.por pedregulhos e pouca água. E se quer saber sobre os prédios da foto, apenas continuam   parecidos, mas não originais a igreja de São Sebastião  e o casarão do coronel,  este, transformado em Galeria/shopping.  Vamos ver se dá certo, apresentações de foto antigas com interpretações, às sextas.

E se os amigos querem saber, estaremos, se Deus quiser, dia15 de março lançando livros em Santana. Já no dia 17 de março, no serrote Gonçalinho (Cristo, Micro-ondas) ministrando aulas vivas de Geografia e História com grupo de alunos do povoado Areias Brancas, entrevistado e filmado. Projeto do jovem Samuel. Vamos?

PARCIAL DO COMÉRCIO DE SANTANA (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO, LIVRO 230/ACERVO DO AUTOR)..


eira