BAIRROS Clerisvaldo B. Chagas, 25   de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.277   Entre o Norte e o Lest...

 

BAIRROS

Clerisvaldo B. Chagas, 25  de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.277

 



Entre o Norte e o Leste, fica o Nordeste; entre o Leste e o Sul, fica o Sudeste; entre o Sul e o Oeste, fica o Sudoeste e entre o Norte e o Oeste, fica o Noroeste, certo? Isso é o que diz os Pontos Cardeais e Colaterais da Rosa-dos-Ventos. E se a Rosa-dos-Ventos fosse aplicada para administrar Santana do Ipanema, ficaria melhor para identificar os problemas de cada região urbana e resolvê-los mais rapidamente, não acha. Assim poderíamos dividir a cidade em Centro, Norte, Sul, Leste e Oeste. Tendo como Centro da cidade o Comércio central, ficaria assim: Região Norte – Bairros: Monumento e Lajeiro Grande; Região Sul – Bairros: Santo Antônio, Isnaldo Bulhões, Santa Quitéria e Domingos Acácio; Região Leste – Bairros: São Pedro, Maniçoba/Bebedouro, São Vicente e Lagoa do Junco; Região Oeste- Bairros: Camoxinga, São José, Barragem e Clima Bom.

Haveria, então, um plano administrativo em cada uma dessas regiões, baseadas em suas necessidades. Levaria em conta também, um planejamento futuro e imediato baseado na expansão de todas as regiões urbanas, que no momento, caminham para novos bairros que serão em breve desmembrados. Nos quatro cantos da cidade, é forte a expansão. O que chega primeiro em uma expansão do casario, ruas, becos e avenidas, é sempre o pequeno comércio e a prestação de serviços: posto de gasolina, farmácia, mercadinho, bares, salões, pontos de gás, escolas e creches. Consolidado o pequeno comércio, vão chegando os tubarões, comprando terrenos e edifícios baratos e, muitas vezes nem engolem o pequeno, mas com ele concorre em diversas faixas.

Entretanto, em nossa beleza e organização urbana, deveríamos ter placas verticais gigantes indicando os nomes dos bairros, em suas saídas e entradas, como encontramos nas capitais. Isso facilitaria muito a mobilização urbana, principalmente para milhares de pessoas que diariamente chegam do Sertão, do Alto Sertão, do Sertão do São Francisco em procura dos diversos serviços de Santana, inclusive os turistas. Falar em serviços de bairros, coincide com a minha procura pelo pensamento, em que restaurante iremos comemorar um fato que estar para acontecer, mas com o sentido num bom restaurante de bairro, quanto mais distante do Centro, melhor. Quanto é importante os serviços nas periferias!

PARCIAL DO BAIRRO CAMOXINGA (IMAGEM: B. CHAGAS/ARQUIVO).

 

 

 

 

 

 

 

 

  PROCURANDO Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.276   Nessas alturas, a Fes...

 

PROCURANDO

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.276



 

Nessas alturas, a Festa de Senhora Santana, a nossa Padroeira, vai chegando perto do seu final. Estar cumprindo mais uma edição de compromisso de fé com esta renovada geração de nativos deste abençoado torrão sertanejo. E todos se alegram com a possibilidade da Matriz ser elevada a SANTUÁRIO, conforme o dirigente da Paróquia e site local. Isso significa atestar e assegurar sempre fluxos de peregrinos às suas dependências. Mas, enquanto isso vou escutando o espocar de foguetes, de longe e, passando à vista no livro documentário: “SANTANA, REINO DO COURO E DA SOLA. Com ele vem junto a imagem do senhor Daniel, sua idade, sua memória excelente, sua boa vontade em ajudar o pesquisador a resgatar o auge da indústria calçadeira e o progresso do século passado.

Assim, enquanto acontece a festa e o “clima” de festa da Padroeira, mil histórias periféricas ao evento, estão prontas para serem descobertas, apreciadas e colhidas pelos comprometidos com as letras. Procurar, encontrar, valorizar e vestir a rigor os episódios pendentes da história sertaneja, é salutar, nobre e coruscante ao “garimpeiro”. E agora, nesse período de inverno do mês de julho, o tempo diferente inspira apanhados diferentes, nas casas, nos campos, nos regatos, nas montanhas e mesmo no aconchego dos lençóis. A criatividade, a inspiração, o toque santo, chegam a qualquer momento em qualquer lugar. A noite enluarada e bela não é mais interessante do que o deserto feio e escaldante.  As rochas mais moles e mais duras, contam a história física do planeta Terra.

Nesse ínterim revejo uma das fotos tiradas pelo jornalista José Malta, convidado por mim para irmos juntos à casa do senhor Daniel.  Revejo sua atenção em ouvir trechos do livro ditados pelo seu testemunho e lembro da felicidade da sua família e de nós pela concretização das suas palavras no papel, para Santana do Ipanema e para o mundo. Ah!... Nem sei se o nosso jornalista percebeu que a

A rua onde estávamos, Dilermando Brandão e o todo do Bairro São José estão repletos de histórias da expansão oeste do Bairro Camoxinga. Ou seja, “Não falta chinelo velho para pé doente”, segundo esse ditado sertanejo. O que você pode traduzir como: “Não falta lugar para ser pesquisado, o que pode faltar é o interesse do acomodado em procurar.

ELABORE 10 LINHAS COM ESTA FOTO.  A FONTE DE PESQUISA “OS MAIS VELHOS”. (IMAGEM: JOSÉ MALTA).

 

BALEIA EM SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2025 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.275   Santana do Ipane...

BALEIA EM SANTANA

Clerisvaldo B. Chagas, 23 de julho de 2025

Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica: 3.275

 



Santana do Ipanema, da situação de vila até o ano em que foi elevada à cidade, 1921, era iluminada a lampião em postes de ferro. Coisa sofisticada, gente, que somente as vilas e cidades adiantadas possuíam. Mas, qual o combustível usado na posteação? Segundo meu saudoso professor de Geografia, Alberto Nepomuceno Agra, os lampiões dos postes eram abastecidos com óleo de baleia. Podemos acreditar nisso até porque não havia proibição em matar os cetáceos e o óleo de mamona que havia na região se resumia a carro de boi e talvez a candeeiro. Não haveria suficiente óleo para abastecer uma vila, uma cidade. Contemple a foto e note a elegância dos homens e postes de iluminação em pleno Comércio de Santana, em 1920.  Vá entendendo.

Podemos afirmar que existe em nosso município, a 12 quilômetros de distância, um recente povoado denominado Óleo. E sua denominação vem justamente do tempo em que ainda não era povoado e ali se fabricava óleo e tijolo. O óleo de mamona também chamado azeite, era muito utilizado no auge dos carros de boi, para azeitar o eixo do veículo, evitar atrito de incêndio e fazer o carro cantador ao transitar carregado (orgulho do carreiro). O óleo também era utilizado para iluminação, a exemplo do óleo de baleia. Cada carreiro (condutor do carro de boi) ainda hoje somente viaja abastecido com azeite de mamona seu recipiente que é uma ponta de boi, tampada e pendurada em um dos fueiros do carro. É uma tradição muito mais do que bissecular.

1920, foto abaixo, ainda éramos a “TERRA DOS CARROS DE BOI”, cujo estacionamento maior, era no Poço do Juá com o rio Ipanema seco. Ali, em dia de feira, aguardavam a hora de carregar e descarregar mercadorias. O próprio carro de boi conduzia a alimentação dos bois que era a palma forrageira, pinicada com facões e servida em balaios de cipós. Deduzimos, então, como era precioso e valorizado o óleo ou azeite de mamona, também conhecido por óleo de carrapato (mamona) fruto da Carrapateira e chamado nas farmácias (como remédio para expelir lombrigas) de óleo de rícino. Ainda existe carros de boi, jumento e burro nas fazendas e que estão sendo substituídos por motos e outros veículos motorizados.

HOMENS ELEGANTES, DE BRANCO, ENCOSTADOS A POSTE DE ILUMINAÇÃO E NA ESQUINA DO “PREDIO DO MEIO DA RUA”. (FOTO: DOMÍNIO PÚBLICO/LIVRO 230)