SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
O BURRO DO IGNORANTE Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.054 Os anima...
O
BURRO DO IGNORANTE
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de junho de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.054
Os animais possuem algumas sensibilidades e que
são percebidas pelos seus possuidores de boa-vontade. Mas o bruto, o ignorante
e sem coração, procura levar tudo à base da sua própria ignorância. Ao
contemplar agora uma cena pela Internet sobre um muar de patrão, como é chamada
a mula de primeira qualidade de outras regiões do Brasil, veio à lembrança de
cena acontecida em pleno comércio de Santana do Ipanema, anos 60. Um sujeito
boiadeiro, revelado depois como contratante de crimes de morte, era também
fazendeiro e gostava de montar em burros. E, diante dos transeuntes do Comércio santanense, aconteceu
a cena, mais ou menos defronte do cine-Alvorada e a antiga e famosa padaria de
Leó. (Leovigildo).
O cavaleiro montou defronte o “Bar de Maneca” e
instigou o animal em direção ao rio Ipanema, descendo à Rua Barão do Rio
Branco. Chegando entre a padaria e o cinema, o burro empancou. O cavaleiro o
esporeou. O burro não quis prosseguir e preferiu rodopiar com o cavaleiro. Este, claramente começou a babar de ódio e a
esporear o animal, sem trégua. O burro continuava rodopiando, mas não avançava
um palmo na direção que o cavaleiro queria. O povo parava para contemplar a
cena de tortura animal. Da barriga do burro, o sangue espanava e escorria
perigosamente. Não vimos um só adulto interferir na cena que chocava a
população. E o bicho bruto montado continuava sua tortura revoltante por longo
período de tempo. Não podemos afirmar o que aconteceu depois, pois foge à
lembrança.
Mas é sabido que os muares, principalmente, costumam
ver cenas do outro mundo nas suas viagens com montaria. Muitas dessas visões
acontecem em beira de riachos com espíritos ou com objetos sobrenaturais. Como
o insensível é bruto, tortura o animal na espora desesperadamente e muitos
ainda acham pouco e passam a lhe bater com pau na cabeça. E se visse o que
estava vendo o burro, seria machão suficiente para disparar numa corrida louca
de volta a casa. O trato dos humanos com os animais, ainda está longe da
compreensão de simbiose entre ambos.
Afinal de contas, quem é o mais estúpido, o que
é montado ou o que monta?
NÃO ENCONTRADO AUTOR DA FOTO.
INSPEÇÃO VERDE Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.053 E lá vamos nós, re...
INSPEÇÃO
VERDE
Clerisvaldo B. Chagas, 28 de maio de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.053
E lá vamos nós, resolver os pepinos que o
governo do estado apronta aos seus servidores.
Mas nem vale à pena contar a peregrinação que ele sem necessidade nos
faz passar de repartição em repartição. Dar um aumento mixuruca e antes de
pagar toma com uma viagem forçada do servidor a Maceió, ignorando a
representatividades da suas GERES. Uma vergonha! Porém, deixado isso de lado, vimos
pela primeira vez um tapete verde contínuo da nossa vegetação nativa do Sertão
ao Litoral. Um inverno antecipado com chuvas desde o mês de abril, O tempo se
mostra diferenciado. E ainda com o Sol da manhã fomos pegando a claridade solar
ou tempo ligeiramente nublado até as proximidades de Atalaia quando teve início
um sereno de chuva por alguns minutos, mas que não evoluiu.
Mesmo assim, dia agradável com a Natureza em
festa e um tempo excelente de barriga cheia no campo. Verde no Sertão, verde no agreste, verde no
litoral, sem divisória indicativa de região. Gado no pasto, dono assoviando e
dinheiro no bolso. Nada de carcará pela BR-316 tocaiando animais tombados na
pista. Constante cheiro de mato verde e cenários bucólicos, ricos, de boi no
pasto. E novamente aqueles elogios ao comércio miúdo de Maribondo, dessa vez,
porém com um agravante, preço miraculosamente nas nuvens. Exploração total com
os passageiros que ali aportam para o lanche de viagem. Churrascarias, Lanchonetes,
Conveniências com alto índice de imundície nos banheiros, preços quase
impagáveis na alimentação. Vai ali se formando uma terra de ninguém, numa
concorrência com a carestia indomável de Santana do Ipanema.
Indiferente à ambição humana, ou dando lições a
seu modo, a Natura continua enriquecendo os montes, dando de graça o pão de
cada dia, extraído da terra, mas o terráqueo não se conforma com o lucro
normal, razoável da negociação, numa sanha maluca pelo pouco ou muito dinheiro
do bolso do consumidor. Um assalto que se não é à mão armada, é de ambição
armada à ingenuidade da fome. Entretanto, nada tira a beleza dos campos, dos
montes que cortam o município repleto de gado nelore passeando pelas encostas.
Acúmulo de exploração para quê? Quem vai não
leva.
Como é difícil o aprendizado humano!
FAZENDA DE GADO EM MARIBONDO (FOTO: ÃNGELO
RODRIGUES)
DETALHANDO AS VIAGENS SERTANEJAS Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2024 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3.051 ...
DETALHANDO
AS VIAGENS SERTANEJAS
Clerisvaldo B. Chagas, 23 de maio de 2024
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3.051
Atendendo a um amigo, aproveitamos e detalhamos
o geral das viagens sertanejas a Maceió. Segundo ele é uma anotação histórica dos
transportes rodoviários do estado. E sendo assim, vejamos:
Em Cacimbinhas, no início – estamos falando dos
tempos dos ônibus da Progresso com o motor na frente – paravam apenas os
automóveis que desciam do Alto Sertão e Sertão pela BR-316. Havia apenas um
posto de gasolina, o do “Galego”. Parava-se o automóvel para abastecer e um
lanche de quase nada com água de coco. Os ônibus ainda não paravam por ali.
Tempos depois foi instalada a churrascaria do Josias perto do posto de
gasolina. Em conchavo com o dono, os ônibus começaram a parar por ali. Em
Palmeira dos Índios, era mais o café da manhã, água de coco em bares e cafés,
mas se passasse na hora do almoço havia cerca de três churrascarias uma perto da
outra, no mesmo lugar e, se a memória não falha uma delas se chamava Graciliano
Ramos. Churrascos de excelente qualidade, assim como o do Josias, em
Cacimbinhas.
A outra grande parada conhecida era no hoje
povoado Cabeça d’Anta, município de Belém. À margem da BR-316, havia um pequeno
coreto de alvenaria que recepcionava os passantes com frutas, água de coco e
caldo de cana. Tudo do sítio do povoado. Ainda hoje, quem lembra e passa
observando ver o chão de cimento sem o teto. É bem pertinho da chamada “Curva
do S”. Mais adiante havia a parada do café da manhã na Churrascaria Corumbá,
mesmo nome do local, bem pertinho de Atalaia. Ali era servida uma delícia de
macaxeira chamada macaxeira ouro. Sabor de cor dourada. Foi a única dessa marca
que comi na vida. O prédio ainda está de pé, porém parece abandonado. A próxima
parada era a Churrascaria Brasília, em Maribondo, de um italiano. As paredes
eram cobertas de pensamentos filosóficos. Um bom lugar. Nem sei se ainda
existe, pois, a concorrência tomou conta ao logo da Avenida.
A última parada Alto Sertão/Sertão/Maceió, era
ainda no município de Maribondo, além da cidade alguns quilômetros, no lugar
rural Salgado, ali no sopé daquelas serras de criação de nelore. Água excelente
e o café da manhã à margem da BR-316.
A Partir
do trevo Palmeira/Arapiraca, o fluxo de veículos vindo da terra do fumo,
complementava a clientela da estrada na gastronomia de Maribondo. Salgado
também desapareceu como lugar do café, mas continua com o prédio capenga à
vista de quem passa.
Sim, sim, o roteiro faz parte da história
viária Sertão/Maceió ou vice-versa.
SERRA DAS PIAS, PALMEIRA DOS ÍNDIOS, CUJO SOPÉ
TAMBÉM REPRESENTA A GASTRONOMIA DA TERRA. (FOTO: B. CHAGAS).

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.