SOBRE MIM

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.
RIACHO DO BODE Clerisvaldo B, Chagas, 1 de maio de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3382 O açude do Bode,...
RIACHO
DO BODE
Clerisvaldo B, Chagas, 1 de maio de 2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3382
O
açude do Bode, em Santana do Ipanema, foi construído pelo DNOCS em 1951,
aproveitando a corrente do riacho do Bode. Eu tinha apenas cinco anos de idade.
Lembro apenas de alguns anos depois, ter visto dezenas de carrocinha de mão,
encostadas externamente na parede de uma casa que imaginei ter sido à base do
acampamento. Todas já enferrujadas e na certa, sobre a guarda de algum
vigilante. De pequena dimensão o riacho do Bode deve ter suas nascente na serra
da Camonga, a três quilômetros do açude. Como os funcionários de Departamento
Nacional de Obras Contra a Seca, eram muitos caprichosos, devem ter pesquisado
e descoberto o local da nascente ou nascentes. Mas continuamos com apenas
informações inseguras sobre o seu lugar exato de nascimento.
O
açude, inúmeras vezes ficou cheio de
fazer gosto se ver, principalmente em invernos muitos chuvosos. Porém, podemos
afirmar que o seu potencial quase nunca foi utilizado. Construído com o intuito
de abastecer a cidade, ficou abandonado até o presente momento. Sobre o seu sangradouro, não sabemos se o volume de água já chegou até
ali. Nunca vi nem ouvi dizer. Após a interrupção do se curso com o açude, o
riacho do bode ali estacionou. Do sangradouro
à foz, somente o caminho seco. Sua foz estreita é semelhante a um
caminho, fica abaixo do Bairro Bebedouro, já coberta de mato. Parece aqueles
lugares onde se procura ninho de guiné. O riacho curto foi capaz de encher um
açude. malabarismos da Geografia, da História, da Biologia
Mas
a pergunta que fica é muito mais cultural. Estamos num tempo em que se procura recuperar mananciais, no
Brasil inteiro. E porque não sabemos
com exatidão onde nasce o riacho do bode que alimenta um açude federal, ambos
tão vizinhos a cidade. Deve ser atribuição dos que fazem o Agricultura, o Meio
Ambiente, os Recursos Hídricos. Autoridades não pesquisam, não divulgam ... E
como poderemos estar em dia com o dever de casa? O malabarismo da Geografia, da
História e da Biologia do nosso município... Ai, ai! O açude do Bode está
precisando apenas de conservação do paredão e um ponto e um toque para um belo
mirante seria um forte candidato a uma
fonte turística.
AÇUDE
DO BODE (FOTO: ÂNGELO RODRIGUES).
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O CAVALO BOM DA MATA GRANDE Clerisvaldo B. Chagas, 31 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3390 Não s...
O
CAVALO BOM DA MATA GRANDE
Clerisvaldo
B. Chagas, 31 de março de 2026
Escritor
Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 3390
Não sabemos ainda se
o grande aglomerado recente das faldas
laterais do serrote do Cruzeiro, em Santana do Ipanema, já possui denominação
oficial. Entretanto, o povo, como sempre, bota apelido em tudo e, alguns
apelidos, definitivamente, substituem os nomes registrados. Portanto, essas
casas construídas para longe da área de risco das cheias do Rio Ipanema, já
estão sendo chamadas de Cidade de Deus. A alusão reflete a circulação de drogas
e marginais no território. O mesmo problema é exposto no bairro novo que se
formou acima do Hospital Clodolfo Rodrigues de Melo. O apelido depreciativo
compromete seriamente a valorização do
local e freia os empreendimentos de porte. Saem os problemas da Natureza como enchentes,
deslizamentos, voçorocas e outros mais, porém, entra o problema social grave: a
marginalidade violenta, que não encontra Segurança fixa na área.
Há muito, Santana do
Ipanema já começava a imitar as capitais, isto é, a região do Centro, outrora
privilégio da Classe média e alta, foi recebendo comércio e mais comércio,
botando os antigos moradores para correr. Atualmente este processo urbano
evolutivo, já estar consolidado. O Centro propriamente dito e suas ruas
adjacentes, são agora ocupadas por lojas, bancos, escritórios e mais outras
coisas. Residências, no geral, só nas periferias que era da
pobreza. Assim, temos conjuntos residenciais, condomínios e chácaras pelos
quatro pontos cardeais da cidade. O que se espera agora são os grandes investimentos particulares
nessa periferias, do básico e além do básico para que não sejam preciso o deslocamento para
o Centro todos os dias. E esses investimentos tanto podem ser espontâneos quanto estimulados.
Entretanto se os
sucessivos prefeitos do Brasil, aplicassem os recursos corretamente, o Brasil
poderia sair dessa pecha de país não sério. As catástrofes que são problemas antigos, poderiam se evitadas,
mas, mas... Você sabe mais doe que eu para onde vão os recursos públicos. Basta
escutar os escândalos de todos os dias nos inúmeros meios de comunicação. Meu
pai já dizia, com sua simplicidade e sabedoria: “O excelente administrador é
como cavalo bom, um aqui outro na Mata Grande”, isto é, longe um do outro. Tenho feito a mesma observação
de meu pai e admitindo sua observação em toda a minha
trajetória. Pode até ser que na geração
dos meus bisnetos o Brasil consiga sair dessa observação verdadeira que dói na
alma do povo.
CAVALO BOM (PINTEREST).
O MEL DE 600 Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de 2026 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 3389 Vocês que sempre estão...
O MEL
DE 600
Clerisvaldo B. Chagas, 30 de março de
2026
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica:
3389
Os
méis que surgiam em Santana do Ipanema, eram coisas raras. Eram originários do
Alto Sertão; de algumas casas de sítios
rurais que possuíam a tradição do criatório de abelha em tronco
pendurado no alpendre; e daqueles enxus selvagens encontrados na caatinga. Os
da terra mesmo eram em pequena quantidade. Às vezes se encomendavam mel do
Agreste, principalmente o da abelha Uruçu que era em torno de oito vezes o preço de outros méis.
Geralmente essa encomenda era para cura de algum tipo de doença ou pelo próprio
sabor diferenciado. Mas, segundo os criadores de abelha sertanejos, o melhor
mel do Brasil é considerado o mel doBioma Caatinga. Uma coisa muito prazerosa,
é coletar o mel selvagem na caatinga no oco das árvores, como a catingueira.
Visitando
a fazenda de familiares de um colega do Ginásio Santana, fomos ao com um
vaqueiro levando um machado e uma vasilha para coleta. Aventura espetacular! As
abelhas estavam em para oco do galho da
catingueira e só o galho foi trabalhado. Mel terrivelmente doce da abelha
Mandaçaia e, que não tem ferrão. Caso fôssemos falar do meio mundo de anedotas
verdadeiras com os vendedores de mel falsificados, teríamos muitos “kkkks” na leitura humorística. Mas, basta o preço dos
méis para botarmos o humor para correr.
O Brasil possui em torno de 3.000 espécies de abelhas nativas e entre
250 a 350 são abelhas-sem-ferrão. Gostou?

Sou Clerisvaldo B. Chagas, romancista, cronista, historiador e poeta. Natural de Santana do Ipanema (AL), dediquei minha vida ao ensino, à escrita e à preservação da cultura sertaneja.